Busca avançada



Criar

História

Abridor Gourmet

História de: Claudia Dragonetti
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/12/2012

Sinopse

Identificação. A família, voltada para o comércio, desde o seu nascimento. A loja de estrutura familiar que administra junto com a mãe e a irmã. As mudanças pelas quais a loja passou nas últimas décadas até chegar ao formato atual, especializado em utensílios para cozinha. O crescimento e as transformações desse tipo de comércio. As alterações da Avenida Santo Amaro, com o fim das chácaras na região e a construção do corredor de ônibus. Sua vida pessoal, seu filho, um jovem fotógrafo, e o livro infantil que escreveu.

Tags

História completa

“Meu pai comprou o Bazar Priscila em 1965 e fomos morar no fundo da loja. Depois, já um pouco maior, quando a gente ia à casa de amigas, a gente achava estranho essa coisa de que, pra entrar na nossa casa, tinha que passar pela loja. Foi um tempo feliz: a Vila Nova Conceição era cheia de chácaras, você brincava de bicicleta na Avenida Santo Amaro. Mas eu e a minha irmã sempre fomos péssimas para queimada, para vôlei, então nós gostávamos de ficar fuçando, brincando de loja no balcão. Tinha aquelas caixas registradoras de brinquedo. A gente brincava de contar dinheirinho de mentira. Era uma coisa bem parecida com o dia a dia dos nossos pais e ali eu me criei. Mais tarde nós pegamos aquela fase nos anos 80, que foi a construção do corredor da Santo Amaro. Ficou um barro só. Todas aquelas casas, as nossas freguesas antigas mudaram dali. Teve toda uma mudança no entorno, no público e, também, uma mudança no varejo. Antes você botava um balcão, o cliente chegava e parecia até que você estava fazendo favor em vender para ele. Hoje não, hoje o cliente entra na sua loja e ele é a principal visita. Você não pode mais ser aquela loja que o cliente chega e: ‘Quero um abridor de lata.’ Aí você pegava três abridores e colocava em cima do balcão: ‘Vou levar este.’ Hoje eu devo ter uns 20 modelos de abridores de lata. Então o abridor de latas combina com o espremedor de alho, que combina com o cortador de pizza, que faz parte da linha que tem a grife x; e tem o outro que tem a grife y. Você vende conceitos, marcas. O utensílio, que antes podia ser aquele da feira mesmo, agora as pessoas falam: ‘Que é isso? Que horror!’ Porque as cozinhas tomaram um lugar nobre dentro da casa. Nos anos 80, quando você ia ver uma planta de apartamento, a cozinha era um corredor. A moça que ia casar dizia: ‘Eu nem sei fritar um ovo.’ Cozinhar era coisa para a ‘nona’, para aquela mulher... Agora, quando você vai vender um apartamento, tem que ter espaço gourmet. Por incrível que pareça, hoje um dos produtos que mais vende na loja é máquina de macarrão. Aí você percebe essa coisa da volta, de fazer a massa em casa, receber os amigos na cozinha. Agora isso é o máximo. Todo mundo quer ter uma cozinha para receber os amigos. Antes não; ninguém ligava.”

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | [email protected]
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+