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A voz dos funcionários no conselho de administração

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Um pequeno excerto sobre a vida de Felipe

                      No mundo da engenharia, a gente está sempre tendo que se reinventar. Eu posso falar especificamente de alguns equipamentos do setor elétrico, como transformador, linha, que não mudaram muita coisa ao longo do tempo, isso está relativamente consolidado, mas os sistemas de proteção, de telecomunicação, evoluíram bastante, então hoje, a gente tem algumas subestações que são telecomandadas, temos câmeras ali viradas para a subestação, por exemplo, a gente vai fazer uma manobra, vai fazer uma abertura de uma chave seccionadora, então a câmera consegue identificar se está fazendo. Antigamente, tinha que ter uma pessoa lá para ver. Na área de proteção também evoluiu bastante.

 

          Há uma adrenalina por trás do trabalho e você tem toda uma operação muito cautelosa, tanto de manutenção preventiva, manutenção corretiva, de operação, ela é um organismo vivo ali, ela é como se fosse uma emergência de um hospital, não pode parar, é direto, tendo sempre que corrigir, é um negócio que eu não tinha noção, fui ter e aí tomei muito gosto. Foi na operação que eu conheci a real grandeza da empresa, ela é muito importante, e às vezes a gente fica um pouco sentido porque não sente esse reconhecimento na sociedade. As pessoas veem a eletricidade chegando na tomada, e elas não sabem quem é que a produz, como é que ela chega ali, enfim, e só vão sentir falta na hora que ela acaba, então assim, a gente está fornecendo energia para o trânsito, para os hospitais, para as indústrias, é um trabalho muito importante e não pode parar.

O Brasil é conhecido por ser um dos sistemas de transmissão mais avançados do mundo. O Brasil é do tamanho da Europa, e a gente tem linhas de transmissão de 1.000, 2.000 km, coisas impressionantes. Isso tudo são desafios da engenharia e nós somos pioneiros. FURNAS, por exemplo, construiu a primeira linha de transmissão de corrente contínua, que é a linha que traz energia de Foz do Iguaçu, lá de Itaipu para o sudeste, para São Paulo, uma linha de centenas de quilômetros, e você operar uma linha de centenas de quilômetros, quando dá um problema, você não sabe em qual torre que é, se é no interior do Paraná, se é no interior de São Paulo, é muito difícil você operar, ter essa operação debaixo de você, tem uma responsabilidade muito grande. E qualquer problema que der, é o Presidente da República ligando para o seu diretor, então, se por um lado é uma responsabilidade enorme, por outro dá para gente uma sensação de participação do dia a dia do país muito grande.

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          No mundo da engenharia, a gente está sempre tendo que se reinventar. Eu posso falar especificamente de alguns equipamentos do setor elétrico, como transformador, linha, que não mudaram muita coisa ao longo do tempo, isso está relativamente consolidado, mas os sistemas de proteção, de telecomunicação, evoluíram bastante, então hoje, a gente tem algumas subestações que são telecomandadas, temos câmeras ali viradas para a subestação, por exemplo, a gente vai fazer uma manobra, vai fazer uma abertura de uma chave seccionadora, então a câmera consegue identificar se está fazendo. Antigamente, tinha que ter uma pessoa lá para ver. Na área de proteção também evoluiu bastante.

         FURNAS sempre foi muito pioneira na evolução tecnológica, a Eletronuclear, que é a empresa de energia nuclear do grupo Eletrobrás, ela era FURNAS, era uma diretoria de FURNAS, então foi FURNAS que construiu as primeiras usinas nucleares do Brasil. FURNAS também construiu essa grande linha de corrente contínua que traz energia - eu considero a linha mais importante do país - de Foz para São Paulo. É um corredor de transmissão muito importante, para o maior PIB do país que é o Sudeste.

              A gente tem em Jacarepaguá um negócio muito legal, que é o modelo reduzido. O que é o modelo reduzido? A gente faz uma certa maquete, maquete é até um nome feio de falar, porque é um troço muito mais complexo, grande, mas é um modelo reduzido de uma usina, por exemplo, e aí a gente consegue ver toda a dinâmica da barragem em miniatura, consegue mensurar pressão em todos os pontos da barragem, e a gente é contratado por outras empresas do setor elétrico, para fazer esses estudos. Nós temos, por exemplo, lá em Goiás, o túnel do vento agora, onde a gente simula a dinâmica do vento para energia eólica. Estamos sempre evoluindo na pesquisa e desenvolvimento.

            Na operação, a gente acaba participando também. Eu agora estou como coordenador técnico de três projetos bacanas relacionados à operação e ao Covid, então, só para se ter uma ideia de como é legal. Um dos projetos é que os operadores vão usar uma pulseira inteligente, uma smartband, que mede basicamente a tua movimentação e o teu batimento cardíaco. Só que existe um sistema inteligente por trás, que consegue identificar, “pô, o Danilo não dormiu bem hoje, seu batimento está acelerado”. Então, existe um algoritmo que fala assim: “Ele pode estar no estado pré infeccioso, melhor não ir trabalhar, fique em casa”. E a gente já teve casos de pessoas que estão experimentando, que tiveram esse alerta da pulseira e era Covid, então, evitou de o cara ir para o campo e de repente contaminar mais alguém. Esse projeto é muito legal!

          O outro projeto é referente a um armário que a gente está construindo, onde a gente coloca os EPIs ali dentro; capacete, bota, luva, fecha esse armário e luzes ultravioleta vão esterilizar esses EPIs. Promove a esterilização de fungos e bactérias, e, inclusive, o vírus da Covid. Outro projeto é um esterilizador, esse particularmente é o que eu mais gosto, um esterilizador portátil do meio ambiente, é uma maletinha, uma maleta que você deixa no canto da sala, essa maleta suga o ar por um lado, o ar passa dentro de uma câmara com luz ultravioleta, e sai do outro lado esterilizada.

          Então assim, são projetos bacanas, que melhoram a segurança e a saúde na operação, e que vão servir, a longo prazo, não só para o vírus da Covid, mas para outras doenças. A operação está participando de um negócio que eu nem imaginava participar, relacionada à saúde, mas a gente vê como é importante. As nossas salas de controle são tripuladas 24 horas por dia, sete dias por semana. Então, se a gente tem vários operadores ali com Covid, a gente fica sem operador, e a gente não pode. A operação tem que ser muito cuidadosa, também, nesse sentido da saúde.

          Eu estou mais ou menos há seis anos na operação, pude fazer meu mestrado que eu tanto quis, fiz um mestrado em tecnologia no CEFET, bem bacana, terminei a minha faculdade de direito e também fiz uma outra coisa, que foi uma experiência espetacular, que eu acho que vale mais do que o mestrado, que foi participar do Conselho de Administração da empresa.

          Em 2010, o governo editou uma lei que permitia que empregados pudessem participar do Conselho de Administração da companhia. Conselho de Administração é o colegiado que está acima da diretoria, então, a diretoria toma as ações administrativas e o conselho dá o direcionamento estratégico, ele respalda algumas ações, ele aprova isso, aprova aquilo, e eu pude participar do Conselho através de eleições entre os funcionários. Existe um processo eleitoral onde você se candidata, tem uma série de requisitos necessários, de formação, de tempo de casa, de notório conhecimento. Como eu tinha mestrado, sou engenheiro eletricista, anos na empresa, eu pude participar e, a partir do momento em que fui eleito e ingressei ao conselho, eu passei a interagir com os 3000 empregados de FURNAS.

          As histórias as quais tive acesso, sem dúvida, valeram mais que uma pós-graduação.

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