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História

A vida em colônia

História de: Lydia Bazon Reveriego
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/03/2019

Sinopse

Em seu relato, Lydia Bazon Reveriego relembra memórias de sua vida, começa falando sobre sua infância e juventude na fazenda de Henrique Dumont, irmão do Santos Dumont, lugar de onde guarda lembranças de festas, estudos e familiares, conta sobre seu casamento e também sobre o falecimento de seu esposo devido a um câncer de próstata. Por fim, deixa seu recado para as gerações futura pedindo para que haja menos violência.

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História completa

 

P/1 – A senhora poderia falar o nome da senhora, onde a senhora nasceu e a data de nascimento?

 

R – Meu nome, onde eu nasci e a data?

 

P/1 – Isso.

 

R – Meu nome é Lydia Bazon Reveriego, nasci na Fazenda Amália, no dia 21 de maio de 1911.

 

P/1 – A senhora poderia falar o nome do seu pai?

 

R – Meu pai Luís Bazon, minha mãe Maria Balerini.

 

P/1 – Seu pai nasceu onde?

 

R – Nasceu na Itália, não está escrito aí? Eu esqueci, não tem o nome aí? Eu esqueci. Eu falei pra você agora e esqueci.

 

P/1 – Pádua?

 

R – Pádua é minha mãe, meu pai é...

 

P/2 – Verona.

 

R – Verona, isso.

 

P/1 – E o nome dos seus avôs?

 

R – Meus avós?

 

P/1 – Isso.

 

R – O nome?

 

P/1 – Isso.

 

R – José Bazon...

 

P/1 – Nasceu onde?

 

R – Na Itália, mas onde eu não sei, minha filha, isso aí eu não lembro. Deve ser onde meu pai nasceu, deve ser Verona. E minha vó chamava Regina Balestiero.

 

P/1 – Também nasceu na Itália.

 

R – Também nasceu na Itália, mas ela eu não sei porque eu convivi muito pouco com meus avós, sabe? Eu era pequena quando eles faleceram, e a gente não se interessava muito pelas coisas naquele tempo (risos).

 

P/1 – Então, a senhora poderia contar um pouquinho da sua família, da casa que a senhora morava?

 

R – Da minha família? Olha, eu posso contar, por exemplo, nessa fazenda onde eu nasci, nasceram todos os meus irmãos, são dez irmãos, nasceram todos na fazenda. Fomos batizados em Santa Rosa de Viterbo que a fazenda pertencia a essa cidadezinha que ainda tem lá.

 

P/1 – A fazenda ficava onde?

 

R – Onde ela fica? Fica entre Jabeirão, São Simão, Mococa, um lugarzinho assim. Quando eu nasci o dono da fazenda, o Henrique Dumont, irmão do Santos Dumont.

 

P/1 – A senhora o conheceu? O Santos Dumont?

 

R – Eu o conheci muito pouco porque eu era menina, ele não me interessava, depois ele não era famoso naquela ocasião, eu não... Mas eu via ele dançar lá com as meninas no terreiro de café porque em um tempo em Amália era tudo café, enquanto era do Henrique Dumont, depois Matarazzo comprou, tirou todo o café e plantou cana. Agora é só engenho...

 

P/1 – Nessa época que os Matarazzo’s compraram vocês estavam lá?

 

R – Eu fiquei lá até os 17 anos, até os 17 anos eu morei na fazenda ainda, depois que passou pelo Matarazzo. Com Henrique Dumont eu tinha uns sete, oito anos o máximo que eu tinha quando ele era o dono de lá e a Fazenda Amália chamava Fazenda Amália enquanto era de Henrique Dumont, mas ele vendeu com contrato de que tinha que ser Fazenda Amália toda vida. Então, ela continua sendo Fazenda Amália.

 

P/1 – Ah, preservar o nome.

 

R – Mesmo nome. E lá o meu pai trabalhava, enquanto era do Henrique Dumont tinha maquina de café, passava café, arroz, milho, fazia fubá, fazia farelo, meu pai trabalhava nisso. Tinha as mulheres que escolhiam o café porque o café era exportado, o melhor café era todo escolhido na mesa mesmo, tinha mesa as mulheres sentavam-se com o saco, escolhiam o café, enchiam o saco e meu pai fechava. Depois quando passou pro Matarazzo aquilo foi fechado porque era cana, então não tinha mais café, então meu pai passou a ser serrador de madeira, trabalhar na serra, na oficina, meus irmãos eram todos mecânicos, uns eram músicos.

 

P/1 – Moravam na fazenda?

 

R – Na fazenda, tinha oficina mecânica.

 

P/1 – Como era a fazenda, a senhora pode falar pra gente?

 

R – Como era? Muito bonita, tinham muitas colônias, a colônia onde nós morávamos chamava colônia mecânica. Colônia branca era a que trabalhava na roça, tinha colônia baixa, tinha formiga, tinha fazendinha, tinha parasita, tudo era colônia que pertencia à fazenda, mas aquilo era muito grande. Naquela fazenda a gente ia de trem pra andar na fazenda, de tão grande que era. Enquanto era do Henrique Dumont, o dia primeiro de maio, o dia do trabalho, ele pagava bebida, dava o trem e levava o pessoal pra passear, os funcionários passear num lugar muito bonito, tinham arvores, lá embaixo fazíamos o piquenique, mas era a fazenda que dava. Depois que passou pro Matarazzo acabou.

 

P/1 – Então tinha outros funcionários com vocês?

 

R – Tinha.

 

P/1 – Qual eram as pessoas mais próximas?

 

R – Como?

 

P/1 – Quais as pessoas que conviviam com vocês ali?

 

R – A amizade ali era de todos nós, todo mundo porque em fazenda assim, todo mundo se conhece, todo mundo tem amizade, por exemplo, na nossa colônia tinham umas vinte casas.

 

P/2 – Como era o nome da colônia de vocês?

 

R – Colônia mecânica porque era tudo mecânico (risos). Meus irmãos eram todos mecânicos, então era colônia mecânica. Moramos ali muitos anos, eu saí de lá com 17 anos, meus pais ainda ficaram lá.

 

P/2 – A senhora falou que com Matarazzo foi diferente, como é que era?

 

R – Depois que o Matarazzo comprou desfez, tirou tudo o café, a gente ia buscar a madeira do café na roça, vinha aqueles fechos na cabeça, fazíamos um monte de lenha em casa pra fogão a lenha. Nós criávamos muitos porcos, galinha, cabrita, horta... Ih! Era uma fartura que só vendo, aqueles varais de linguiça (risos).

 

P/1 – E a mãe da senhora que tipo de atividade fazia?

 

R – Como?

 

P/1 – O pai da senhora trabalhava na...

 

R – Minha mãe era doméstica, trabalhava em casa, costurava, cuidava dos filhos, cuidava da criação.

 

P/1 – E como era a educação de vocês?

 

R – Como?

 

P/1 – Como era a educação? Tinha alguma diferença entre educar menino, educar menina?

 

R – Eu não entendi bem, fala um pouquinho mais alto.

 

P/1 – Meu pai não dava muito educação não porque meu pai sempre foi um homem muito, assim, bravo, sabe? Mas nunca batia em nós, então quem educava nós era o irmão mais velho. Ensinava a gente comer, como se comia na mesa, ensinava os modos da gente e a gente se criou muito bem, graças a Deus, nós tínhamos bastante educação entre nós, família, né? Em dez irmãos. Imagina!

 

P/1 – E as tarefas como eram divididas?

 

R – As tarefas eram assim, as mais velhas faziam o serviço mais pesado, lavava roupa, passava, as mais novas faziam o serviço mais leves, agora cozinhar era minha mãe.

 

P/1 – E os meninos?

 

R – Os meninos já iam trabalhar desde pequenos (risos).

 

P/2 – A senhora disse que eles eram músicos. Eles eram músicos...

 

P/1 – Mecânicos.

 

R – Eram músicos. Meu pai tocava sanfona, um irmão clarinete, o outro irmão trombone e um irmão saxofone.

 

P/2 – O que eles tocavam?

 

R – O que eles tocavam? Aquelas valsas antigas, aqueles boleros, aqueles... Mazurca, chote, essas músicas antigas.

 

P/2 – A senhora lembra de alguma?

 

R – Lembro de muitas, mas a letra eu não lembro, só lembro das músicas.

 

P/2 – A senhora poderia cantarolar?

 

R – Eu lembro de uma que era assim, deixa eu ver se eu lembro agora... Como é que é mesmo? As vezes eu estou sentada lá e eu lembro, tenho uma saudade do meu irmão, vocês não acreditam, das músicas que ele tocava. Quando ele parou de tocar, ele mandou todas as músicas pra São Paulo, na Rádio Recorde, acho que foi e o nome dele foi anunciado muitas vezes em agradecimentos as músicas que ele fez porque ele escrevia as músicas mesmo, ele fazia as músicas, sabe? Eu não lembro agora nenhuma. Mas todas essas valsas antigas ele tocava. Tinha cinema, ele tocava no cinema clarinete e meu pai acompanhava com a sanfona no cinema.

 

P/1 – Faziam bailes?

 

R – Fazia bailes...

 

P/1 – Como eram os bailes?

 

R – Eram uns bailes mais familiares porque lá não tinha clube, então era na casa da família que ele ia tocar e reunia o pessoal todo ali da fazenda e dançava, era assim.

 

P/1 – Como eram as brincadeiras?

 

R – As brincadeiras. Olha, no meu tempo a gente jogava (salsete?), não sei se você sabe o que é.

 

P/1 – Não.

 

R – Eram umas pedrinhas, eram cinco pedrinhas, a gente jogava e pegava e quem pegava todas de uma vez era quem ganhava a partida, brincava de esconde-esconde, jogava peteca. Meu tempo era isso aí. Sabe o que é? Fazenda logo escurece e todo mundo pra cama, né? Não é como agora, então a gente não tinha muito tempo de brincar, a gente brincava mais aos domingos, assim.

 

P/1 – Vocês iam dormir cedo e alguém contava alguma história pra vocês?

 

R – Como?

 

P/2 – Contava história?

 

R – Bom, no nosso tempo, na minha família, não tinha ninguém que contava história. Sabe o que meu pai fazia? Ele ia trabalhar, à tarde ele chegava pra jantar, a gente tinha água pronta e quente pra lavar os pés dele, lá tinha muito bichinho de pé, sabe? Então, a gente arrancava o bichinho, colocava iodo e ia coçando. Ele falava: “Coça, coça”, a gente sentava ele punha o pé no colo da gente, a gente coçava, se a gente parava um pouquinho, ele cutucava com pé pra continuar coçando (risos).

 

P/1 – E a senhora estudou?

 

R – Eu estudei até o segundo ano, na escola mista, entre meninos e meninas.

 

P/1 – Lá tinham escolas, né? Na Fazenda?

 

R – Minha professora era de São Paulo, se chamava Dona Lucila, não esqueço dela.

 

P/1 – Ela morava lá mesmo?

 

R – Ela ficava em uma casa de família, né? Uma vez por mês, ela vinha pra São Paulo visitar a família. Muito boa professora, muito boa pra tudo, como pessoa e como pra ensinar, sabe? Ensinava muito bem, a escola era a escola mesmo da fazenda, era uma escola muito boa, tinha de tudo. A gente aprendeu até o segundo ano, mas eles ensinavam bastante coisas porque a tabuada, por exemplo, até pouco tempo eu ainda sabia de cor, a de mais, de menos, de multiplicar, só de dividir que eu apanhava um pouco. Mas é assim, todos meus irmãos foram dessa mesma escola.

 

P/1 – Fez até a segunda série, né?

 

R – É, até o segundo ano só. A minha irmã a caçula, ela chegou em Santa Rosa de Viterbo, mas eu já não estava lá, ela estudava no ginásio lá, mas não se formou em nada não.

 

P/1 – A senhora estava me falando que sua escola era integral, eles davam alguma outra atividade, além de _____.

 

R – Não, não tinha não. A gente ia em casa almoçar, depois voltava outra vez pra escola.

 

P/1 – Ah sei... E assim a sua família tinha algum plano pro futuro pra você?

 

R – Eu não, bem. Enquanto eu vivi na fazenda, eu não tinha plano nenhuma de nada porque eu nunca fui mesmo assim atirada em nada, eu só fazia meu servicinho e ia dormir. Nem namorar eu nunca... (risos). Não tinha nem tempo pra namorar.

 

P/1 – E a família tinha algum plano pra senhora?

 

R – Também não, não. Só depois que eu me casei e procuramos sair de lá porque ele era chefe da oficina, procurou sair e foi pra outro lugar, eu fui junto com ele, foi quando eu saí de lá, fui pra Taiaçu, onde eu me casei, essa Taiaçu que eu marquei. Meus pais ficaram lá, meus irmãos estavam todos casados, todo mundo casou e depois ficaram lá. Depois meu irmão como mudou pra Taiaçu, comprou uma chácara, aí levou meu pai e minha mãe pra lá. Meu pai e minha mãe morreram em Taiaçu, não morreu em Amália não. Meus avós morreram em Amália.

 

P/1 – Na sua infância teve algum acontecimento marcante? Alguma coisa que marcou?

 

R – O que é bem?

 

P/1 – Na sua infância teve alguma coisa que marcou bastante?

 

R – Na minha família não, mas outras coisas sim. Quando eu ia na escola, a fazenda já era do Matarazzo, tinha os tanques de melado, mas os tanques não eram no chão, fazia o paredão e enchia o tanque de melado, então tinha tudo aqueles terreiro de café, no tempo do Dumont era tudo terreiro de café, né, começava lá em cima nos (poupadores?), por exemplo, lavava o café, o café ia descendo em todos terreiros. E a escola ficava bem em frente aos terreiros, aí nós ouvimos um barulho como um trovão. A professora saiu e todo mundo saiu porque não era chuva não era nada, todos saímos da área da escola e começamos a ver melado correr, melado descer por aqueles terreiros, ia descendo um, ia descendo outro, a gente na hora não ficou sabendo o que tinha acontecido, viu só o melado correr. Depois foram saber que era um pai que trabalhava lá e os dois filhos, duas crianças foram levar comida, o almoço pra ele, eles estavam sentados encostados no muro do melado, assim, né? Aí caiu um tijolo, o menino falou: “Pai tão jogando uma pedra”, aí o pai levantou foi ver o que era, enquanto o pai saiu, o muro caiu em cima das crianças, matou as crianças e levou o melado. Isso marcou muito a gente.

 

P/1 – Eram conhecidos?

 

R – Eram vizinhos nossos.

 

P/1 – Brincavam com vocês?

 

R – Tadinhos, depois acharam eles no rio, o melado levou onde tinha rio, eles entraram... Isso marcou muita a gente. O que marcou na família, graças a Deus, não teve nada que... Mas isso aí marcou muito a gente, eu era menina, né, aquilo pra gente foi muito...

 

P – Como é que foi assim? A senhora disse que saiu de casa com 16 anos, a senhora poderia falar um pouco pra gente?

 

R – Como é, bem?

 

P/1 – A senhora saiu de casa...

 

R – Com 17 anos.

 

P/1 – Com 17 anos, né? A senhora poderia contar pra gente como foi?

 

R – Mas eu fui com meu irmão, pra esse lugar Taiaçu porque a esposa dele era muito doente, ela ia operar, então ele tinha um filho, me levou pra tomar conta do filho e da casa, enquanto a mãe ia operar, né? Ela operou em Jabuticabau, a esposa dele. Depois ela voltou e eu me casei. Fiquei lá e me casei.

 

P/1 – A senhora casou lá mesmo? Como é que foi conhecer o esposo da senhora?

 

R – Como foi o meu casamento?

 

P/1 – É.

 

R – Conheci assim porque Taiaçu é um lugarzinho muito pequeno e tinha teatro, eu fui em um teatro que meu irmão era... Não sei o que ele era lá que ele levou a gente, levou eu, a esposa dele, o menino e tinha um moço lá que começou me olhar, foi aí que nós começamos a namorar, em quatro meses me casei.

 

P/1 – A senhora tinha 17 anos mesmo?

 

R – Me casei, tive quatro filhos, três mulheres, um homem... A Verônica conhece.

 

P/1 – A senhora chegou trabalhar fora?

 

R – Eu não, bem, nunca trabalhei fora. Em casa, quando eu morava em fazenda, eu lavava roupa pra fora, até estava falando para aquela moça, quando eu era pequena, em casa tinha muita fartura, tinha de tudo pra comer, muita fartura tinha, mas pra vestir não tinha. Então, a gente queria um vestidinho melhor, não tinha dinheiro pra comprar, quando eu era pequena, minha mãe fazia uns embornais, chamava embornal naquele tempo, uma sacola pendurava uma aqui, outra aqui e dois latões na mão e ia buscar leite no curral para as pessoas, ela me pagava pra eu levar o leite, quando eu era pequena pra eu poder comprar vestidinho. Depois que eu cresci, eu lavava roupa pra fora pra pessoas mais ou menos, eu lavava roupa pra fora pra ganhar. Até da professora a minha irmã lavava a roupa dela, tinha aqueles vestidos de organdi que usava antigamente, tudo aqueles babadinhos, minha irmã lavava, engomava tudo aquilo e eu ia entregar tudo pendurado em um cabide, coisa mais linda, você precisa ver.

 

P/1 – Depois se casou...

 

R – Depois casei, fui pra lá, me casei, aí fui criar filho, né? Morei com minha sogra 15 anos, uma irmã, uma cunhada solteira, nós nos criamos assim. Depois os meus filhos começaram a crescer e resolvemos ir pra São Paulo pra...

 

P/1 – Era na mesma casa?

 

R – Na mesma casa a gente morava.

 

P/1 – A senhora se casou e já foi morar na casa dela?

 

R – Já fui morar com a sogra porque ela era viúva, a sogra era viúva e eu fui morar com ela. Mas minha sogra era muito boa, era espanhola, muito boa. Ela dava razão pra nós e ia contra os filhos (risos). Muito boa.

 

P/2 – O que a senhora lembra dela?

 

R – Enquanto eu morava com a minha sogra ela perdeu um filho casado, que morava junto também, ela sofreu demais minha sogra, coitadinha. Ela falava: “Ai meu Deus, eu perdi meu marido, mas não foi tanta dor, que dor é perder meu filho”, ela falava e chorava demais, coitada.

 

P/1 – A senhora morava em Taiaçu, depois veio pra São Paulo, quanto tempo a senhora ficou morando lá depois de casada?

 

R – Lá? Eu me casei com 18 anos, saí de lá... Deixa-me ver se eu lembro agora, meu filho já tinha 13 anos, eu casei no 28 de dezembro... Eu casei no dia 28 de dezembro de 1929, meu filho nasceu em 30, saiu de lá com 13 anos, faz a conta...

 

P/2 – Foi 29, né?

 

R – Eu vim nova ainda pra cá, já faz quarenta e tantos anos que estamos aqui.

 

P/1 – E qual bairro a senhora morou aqui em São Paulo?

 

R – Mooca, eu morava perto da casa dela lá.

 

P/2 – Como era a Mooca naquela época?

 

R – Era bem diferente do que é agora (risos). Eu acho que naquele tempo era um pouquinho melhor, a Mooca tá muito abandonada, não tá? Pelo menos aquele trecho ali embaixo onde a gente morava, no lado onde eu morava, por exemplo, você viu como está aquilo lá? A casa que eu tinha lá, está tudo tão feio, passou uma avenida, mas as casas... Aquele pedaço de cima não enfeitou nada.

 

P/2 – Que pedaço?

 

R – Onde nós morávamos na Rua Hipódromo até a Rua Bresser.

 

P/2 – Como é que eram as casas?

 

R – A minha casa era uma casa muito antiga, casa grande, um terreno de 74 metros de fundo, só tinha seis de largura, tinha quatro quartos, tinha cozinha, banheiro, duas salas. Mas era tudo muito antigo, tudo muito antigo.

 

P/1 – Qual a atividade que a senhora considera mais importante: familiar, religiosa...

 

R – Não entendi.

 

P/1 – O que a senhora considera mais importante a família, a religião...

 

R – Olha, de tudo, tudo, eu considero mais a família, eu adoro a família, o que é família eu adoro. Por exemplo, eu adoro a família dela, eu gosto de família. Gosto de reunir família. Religião eu sou católica, mas eu não vou nem na igreja, a Edneia vai e fala assim: “Mãe, vamos na missa?”, eu falo “Ah, filha, vai você vai. Eu não vou” (risos). Espírita eu não acredito, então estou nessa coisa.

 

P/1 – Hoje, o que a senhora mais gosta de fazer?

 

R – Serviço?

 

P/1 – O que a senhora gosta de fazer?

 

R – Eu gosto muito de cozinhar, mexer na cozinha, gosto de lavar roupa, tudo que me der na mão eu gosto de fazer, crochê, eu gosto de fazer tudo.

 

P/2 – Quais os pratos que a senhora gosta de fazer?

 

R – Gosto muito de cozinha (risos).

 

P/1 – Então, a senhora tem a ocupação cozinhar, a senhora estava falando que faz crochê, o que a senhora faz?

 

R – Eu faço tudo, faço colchas, toalhinha, toalha...

 

P/1 – Pra vender ou só pra senhora?

 

R – Tenho feito muito pra fora, mas agora eu faço mais para os netos, para a casa assim (risos).

 

P/1 – A senhora participa de algum clube?

 

R – Não, de nada. Eu não participo de nada, comecei a participar assim, por exemplo, ia a igreja ajudar a costurar porque a igreja recebe muita roupa e uma falta botão, outra falta um remendo, eu fui um pouco. Mas depois fiquei doente e não fui mais. E comecei também aprender pintar pano de prato, mas também não fui mais (risos). Fiquei doente e achei que não deu mais.

 

P/1 – Que igreja a senhora frequentava?

 

R – A São Judas Tadeu, é perto de casa, em Santo André.

 

P/1 – E hoje a senhora mora com quem?

 

R – Com uma filha, genro e duas netas. Uma só, só a Elaine, uma casou e uma saiu de casa, está morando sozinha, a Marta está morando sozinha com uma colega, tem a Elaine que é professora de educação física e a Ana Paula casou-se, que é a caçula.

 

P/1 – Quais são as pessoas que a senhora mais convive?

 

R – Quem mais convivo são as de lá de dentro porque eu não vou em lugar nenhum, não saio. Se os meus filhos quiserem me ver, eles vem em casa, porque é difícil... Tem uma que mora pra lá do aeroporto, não tenho quem me leva, então se ela quer vir me ver, ela tem que vir em casa. Meu filho mora perto, mas eu quase não vou lá porque não tem condução pra ir, tem que tomar dois anos pra ir na casa do Romualdo e não me deixam mais sair sozinha.

 

P/1 – Quem proíbe?

 

R – A minha filha e meu filho, se minha filha me deixa sair e meu filho sabe, a bronca é...

 

P/1 – Por que não deixam a senhora sair?

 

R – Não deixam depois que fiquei com diabetes, eles se preocupam comigo, tem muita preocupação.

 

P/1 – A senhora veio de Santo André pra Mooca?

 

R – Eu fui com a minha filha no sítio deles que foi aniversário da mãe dela e de lá vim pra cá... (trecho inaudível 25:55 até 30:36)

 

P/1 – Como que a senhora descreve o dia da senhora?

 

R – Meu dia é assim, bem, eu levanto cedo, gosto de levantar cedo, faço cafezinho, tomo minha insulina, antes de tomar o café, depois se tem que passar uma roupinha eu passo, lavo uma loucinha que fica da noite pra manhã, depois já sento lá fazer crochê até a hora do almoço, depois eu ajudo um pouco no almoço, almoço. Eu não deito, continuo no meu crochê e levanto um pouquinho, saio, dou uma espiada, mas eu não saio nem no portão, é difícil eu sair no portão, é assim, meu dia a dia é assim, se eu tiver que ir em algum lugar, mas é difícil, a não ser de ir no médico.

 

P/1 – O que a senhora acha que mais transformou na vida da senhora hoje?

 

R – Hoje? O que mais me transformou? Acho que foram meus netos que me transformaram mais porque eu era assim, por exemplo, não acanhada, mas eu sei lá... Não participava, não participo também, mas agora meus netos vem, uma é professora, outra não sei o que, cada uma vem com uma coisa, por exemplo, a Elaine veio contando dos idosos que ela é professora da terceira idade, que uma é isso, que outra fala aquilo, que uma fala que separou do marido, então ela vem contando as coisas, e isso é o que mais a gente...

 

P/1 – Aprende, né?

 

R – Isso aí. E as briguinhas que a gente tem (risos).

 

P/1 – Vocês brigam por que?

 

R – De vez em quando (risos).

 

P/1 – Quais os motivos que vocês costumam brigar?

 

R – Até que a gente agora não está brigando porque a que mais a gente brigava era com a Elaine, a Elaine quando era mais nova... Agora ela tá tão boa, não parece mais a Elaine, agora é um amor de criatura, ela faz questão de pagar hospital pra mãe, pro pai, ela compra os remédios, ela fala “Mãe, precisa de alguma coisa?”. É um amor, ela mudou do dia pra noite, não tem mais briguinha. Alguma questão que eu tenho é com Geraldo, mas também não tem briga, se ele fala alguma coisa eu fico quieta, sou inimiga de briga, se eu vejo briga eu já me sinto mal. Não gosto, não gosto de falar da vida de ninguém, não gosto de comentar nada de ninguém, não gosto mesmo, se ouço algumas pessoas falando eu já corto. Eu acho que cada um tem sua vida, cada um tem seu pensamento, cada um tem seu modo de pensar. Então, o que adianta eu ficar dando... Você não acha? Não adianta eu falar. Não gosto mesmo.

 

P/1 – Se tivesse que mudar alguma coisa na vida da senhora?

 

R – O que eu mudaria? (risos). Eu acho que só mudaria meu genro, só... (risos). Um genro melhor, o resto está tudo bom, minha filha me quer bem, eu quero muito bem a ele, nós nos damos muito bem, nessa parte não tem nada. Meu genro que é assim, eu mudaria ele, mas não tem jeito.

 

P/1 – A senhora mora com as filhas, as netas, o genro. O esposo da senhora faleceu?

 

R – Meu esposo faz 20 e tantos anos que faleceu, ele faleceu ali na Mooca.

 

P/1 – A senhora poderia falar um pouquinho do casamento, como foi?

 

R – Ele morreu de câncer na próstata. Ficou cinco anos doente e nós não sabíamos porque ele foi operar, ele operou e o médico não avisou a gente, a gente não sabia que ele estava com câncer, então a gente via que ele não estava bom, a Edneia foi no médico que operou ele, ele operou no Beneficência... Não, ali naquele hospital da Leão XIII, ali no Ipiranga, ela foi lá falar com o médico, saber o que estava acontecendo, então, o médico não estava, ela falou com a secretária que ficava ali, ela contou o caso pra ela, ela foi pegar a ficha dele e mostrou a ficha, estava assim: “Operação não clinicada...”, uma coisa assim, queria dizer que não foi... Não sei te explicar como foi, mas a Edneia entendeu e começou a chorar lá na frente, começou a chorar alto e aí a secretária pediu “Pelo amor de Deus, não chora que eu não podia te mostrar a ficha”, aí o médico chegou, ela falou com o médico, e ele falou “Infelizmente, ele tem câncer na próstata”.

 

P/2 – Como é que foi a primeira vez que a senhora encontrou com ele? Como foi seu casamento?

 

R – Foi bom, né, foi ótimo (risos). Tadinho, tenho uma pena, conviveu cinco anos de sofrimento e não ficou um dia na cama.

 

P/1 – Ele se movimentava?

 

R – Andava, ele trabalhou quase até a ultima hora. Nós que mandamos o chefe dele, o patrão dele, dispensar ele.

 

P/1 – Ele sempre trabalhou como barbeiro?

 

R – Sempre trabalhou como barbeiro, desde do interior lá, de Taiaçu.

 

P/1 – A senhora já o conheceu como barbeiro?

 

R – Barbeiro. Só que lá ele tinha salão próprio, aqui ele trabalhava como empregado. Aí nós falamos com o patrão dele e o patrão dispensou ele, ele veio em casa muito triste, nós falávamos: “Não é bom, você não está mais pra trabalhar, já tem idade”, disfarçava, né? Mas ele estava amarelo, amarelo, amarelo não tinha mais cor. Sua mãe lembra, aí um domingo, ele levantou e essa casa nossa era muito grande e o banheiro ficava lá no fundo e o meu quarto era o da frente, ele levantou e foi no banheiro, quando chegou na cozinha, nós estávamos eu e a Edneia na cozinha, ele caiu. Nós começamos a gritar, as duas pegamos ele e colocamos no sofá da sala, tinha um irmão meu do interior que estava lá em casa e tinha uma irmã que morava perto ali na Frei Gaspar. Aí meu irmão pegou e foi lá chamar, veio meus sobrinhos, pegaram ele e levaram na casa, isso foi domingo, podia ser hora do almoço, chamamos o médico, chamamos a (Eliete?), o marido, chamamos todos da família e vieram, levamos pro hospital. Aí levaram pro hospital Leão XIII, isso foi no domingo à tarde, na segunda feira de manhã ele morreu e ficou na cama lá... (silêncio).

 

P/1 – E assim, como é que é o relacionamento da senhora com outras pessoas, de outras idades?

 

R – De outras cidades?

 

P/1 – Não, como é o relacionamento da senhora com outras pessoas de outras idades?

 

R – Ah, eu me dou com todo mundo, minha filha, eu quero ver todo mundo, não com todo mundo porque eu não saio, mas meus vizinhos eu tenho muita amizade, eu gosto das pessoas. Não gosto de ir na casa de ninguém, mas a gente conversa, minha vizinha a gente conversa pelo muro “Dona Lidia, olha, faz esse crochê”, nem pediu, ela me obrigou a fazer o crochê pra ela, umas toalhinhas. É assim, eu a chamo pelo muro, ela me chama, e outros assim. Eu tenho amizade com todo mundo, não tenho inimizade com ninguém, graças a Deus.

 

P/1 – A senhora tem alguma coisa que marcou muito a senhora durante a vida?

 

R – Não entendi.

 

P/1 – A senhora tem alguma coisa que marcou muito?

 

R – Que marcou muito? Eu não sei porque tem tantas coisas que agora não estou nem lembrando.

 

P/1 – Alguma coisa muito forte?

 

R – Tem tantas coisas... Porque eu lembro do tempo que meu pai era vivo, nós nos reuníamos todos, a família, né? Natal ele mandava fazer uma mesa de não sei quantos metros pra família se reunir toda. Isso marca muito a gente.

 

P/1 – Na fazenda?

 

R – Na fazenda...

 

P/1 – A senhora já era casada?

 

R – A casa nossa da fazenda era muito boa, sabe? Muito boa, era fazenda, mas era uma casa muito boa, só que lá não tínhamos banheiro em casa, aquele tempo eu não tinha. Era banheiro fora. Não tinha água encanada, não tinha nada.

 

P/1 – A senhora lembra, mais ou menos, em que época que foi esse almoço?

 

R – Como?

 

P/1 – A senhora lembra mais ou menos como foi?

 

R – Ainda não entendi.

 

P/1 – A senhora já era casada na época?

 

R – Não, nessa época, eu era solteira. Era na Fazenda Amália, né? Eu era solteira.

 

P/2 – A senhora fazia muita festa? Quais eram?

 

R – Meus pais sim, festejavam muito. Era natal, mais ou menos, São João, aquelas fogueiras altas, meus irmãos faziam bomba caseira, batia pedra com pólvora, fazia aquelas bombas, punha onde tinham forro de zinco, aquilo estourava e levava tudo embora, só vendo. Fogueiras, nós fazíamos aquelas fogueiras altas, punha aqueles bambus grossos, verdes, aquilo dava cada estouro que só vendo. Naquele tempo não tinha fogos, essas coisas, que no tempo não tinha, né? A gente assava batata na fogueira, batata doce, dançava em volta da fogueira, essas coisas.

 

P/2 – A senhora falou que o Matarazzo comprou a fazenda, ele organizava alguma festa?

 

R – Não, depois que o Matarazzo comprou não, acabou tudo.

 

P/1 – Como era o relacionamento das pessoas com ele?

 

R – O Matarazzo, praticamente, vivia aqui. Lá tinha gerente só.

 

P/2 – Como é que eram os gerentes?

 

R – Gerente tomava conta de todo pessoal, né? Pois cada fazenda, cada bar, cada lugar tinha um administrador, ele era gerente de tudo, mas cada lugar tinha seu administrador, que administrava, né?

 

P/2 – Como era o relacionamento entre o gerente, o administrador e as pessoas?

 

R – Alguns eram ruins. Tinha um tal de (Gigeto?) que era insuportável, meu pai não suportava ele.

 

P/2 – O que ele fazia? O que costumava fazer o (Gigeto?).

 

R – Era tudo contra, né? Era do contra, meu pai já blasfemava, ele blasfemava mais ainda. É isso aí. Mas o tempo do Henrique Dumont, tinha nos terreiros de café, que eram embaixo da casa dele porque a casa dele era muito bonita, era linda. Aquelas casas antigas, com todas aquelas varandas, sabe, assim? Tinha o coreto, tinha a banda que meu pai tocava na banda, meus irmãos tocavam e o pessoal dançavam em volta do coreto no terreiro de café, foi ali que eu conheci o Santos Dumont, ele estava ali.

 

P/1 – Eles faziam essas festas quando?

 

R – Nos dias comemorativos, por exemplo, São João, de festas assim. Eu não lembro muito bem, mas eram dias de festas mesmo que eles faziam isso. Eles compartilhavam com os trabalhadores, agora depois do Matarazzo acabou, aí separou tudo. Agora não tem mais nada na Fazenda Amália, só tem o engenho e uma coisa de ácido cítrico.

 

P/1 – A senhora voltou lá depois?

 

R – Tenho voltado lá passear, mas derrubaram todas as colônias, não tem mais uma casa, só tem o escritório, o engenho, não tem mais trem, não tem mais estação, não tem mais nada. Me parece que ela abriu falência agora, eu ouvi falar, que a Maria Pia abriu falência, não sei se é verdade. Mas mudou muito depois que o Matarazzo comprou, mudou como dia e noite. Não podia se criar galinha, não podia mais criar porco, não podia mais criar nada, plantou tudo cana e proibiu tudo.

 

P/1 – Não deixavam mais?

 

R – Não deixavam... Então, é isso aí.

 

P/1 – Qual é o sonho da senhora?

 

R – Meu sonho agora? Meu sonho é ver todo mundo feliz, gostaria que todo mundo fosse feliz, meus filhos, todo mundo, todo mundo que gosto, gostaria de ver todo mundo feliz, mas infelizmente, não é assim como a gente quer, né? Porque eu sou assim, eu tenho bisneto com 22 anos já, se eu ouço falar que o bisneto que tem uma dor de cabeça, eu já fico triste, se falar da nora que não está boa, eu já fico triste. Se falar da tua casa que tem alguém doente, eu já fico triste. Olha, Verônica, você não acredita o que eu sonho com vocês, eu sonho tanto com sua família, eu não o porquê.

 

P/2 – O que a senhora costuma sonhar?

 

R – Sonho sempre que vou lá e sua mãe está desesperada com tanta gente, como sempre, né? E ela não liga pra mim porque ela está ocupada, aí eu falo “Olha, acho que vou embora”, meu sonho é sempre assim, eu vou embora, mas já é tarde, aí me perco, a estrada do meu sonho é sempre a mesma, meus sonhos são sempre na mesma estrada.

 

P/1 – São repetidos?

 

R – Sempre repetidos que eu tenho que ir naquela estrada, que eu me perco e eu fico falando assim, meu Deus, e agora é noite como eu vou. Ou eu tropeço em rios ou aquela estrada. Meu sonho é sempre isso, engraçado, né? Eu não sei porque que é sempre assim.

 

P/1 – A senhora sabe a época que a senhora começou a senhora com isso?

 

R – Faz muitos anos. Eu acho que desde que vim do interior porque a estrada é sempre aquele de ir pra Itaiaçu.

 

P/1 – A estrada é pra ir pra casa dos meus pais.

 

R – Eu ainda falo assim, meu Deus, minha mãe ainda está em casa me esperando e eu não chego. É assim o sonho.

 

P/1 – A senhora teria alguma coisa pra falar para as gerações?

 

R – Para as futuras gerações? Eu gostaria tanto que fosse tão diferente, que fosse uma gente boa, não precisava ser boa, boa, mas que tivesse um pouco de consciência, um pouco de amor à vida, um pouco de carinho com as pessoas, isso que eu gostaria de pedir. Isso seria tão bom, né, Verônica, mas infelizmente o mundo está muito sei lá... Se é o mundo, se é o povo, se é a gente, não sei o que falar. Porque antigamente a gente não ouvia tanta desgraça, tanta violência, tanta coisa, né? Então, você sabe que agora que aconteceu isso na detenção? Eu não fui contra a polícia não porque eu acho assim, ele não matou? Ele não estuprou? Ele não estragou família? Morre. Eu acho assim, não deveria ter nem prisão, na hora que pegou, mata na hora, não precisa nem ir preso. É pena que morre muito inocente, às vezes, pegam alguém que é inocente, mas meu modo de pensar é esse, né? Eu quero bem para todo mundo, mas nesse ponto sou a favor a polícia, mas tem policia também que... Mas esses bandidos que estão lá, estão gastando uma fortuna de dinheiro do país que faz falta para os coitadinhos doentes, os pobres, estão comendo lá e vai fazer o que? Daqui a pouco solta, vai fazer outra vez outra coisa.

 

P/1 – O que a senhora achou de estar falando com a gente sobre sua vida?

 

R – Como?

 

P/1 – Nesse pouco tempo que estamos aqui conversando, o que a senhora achou?

 

R – Eu achei maravilhoso, achei maravilhoso e agradeço bastante, o pouco que eu sei, o pouco que eu falei porque não lembro também de muita coisa, o que eu lembrei eu falei, mas eu achei muito gostoso ficar essas horinhas aqui com vocês.

 

P/1 – Muito obrigada.

 

R – Obrigada vocês, bem.

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