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História

A vida, acima de tudo

História de: Rejane da Penha Santos de Souza
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

A mãe de Rejane sempre soube bordar, mas a filha nunca se interessou em aprender. Ajudava os pais, que viviam da lavoura. Foi trabalhando na agricultura que Rejane passou a se sustentar, principalmente depois de casada e depois de ter seus filhos. Foi só mais tarde, porém, quando soube de um empreendimento de mulheres que começavam a abrir um próprio negócio no qual precisavam de costureiras, bordadeiras, entre outras especializações do ramo, que Rejane pediu ajuda para sua mãe e aprendeu a bordar, fazendo hoje, aos poucos, dessa a sua atividade.

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História completa

“Não tive muita infância porque eu não era igual às outras colegas, que ficavam na rua e iam pra festas. As outras iam, só eu não ia. Eu era aquela garota que ficava mais presa dentro de casa, que a educação que eles me deram era assim, de não sair. Eu tomava conta dos meus irmãos, tinha que acordar de manhã, arrumar a casa primeiro pra depois ir pra escola e, muitas vezes nem ir pro colégio porque a minha mãe era uma pessoa sozinha e então quem cuidava da casa e dos irmãos era eu. Eram nove irmãos, muitos pequenos. Eu também lavava, cuidava da casa, lavava a roupa, varria, areava as vasilhas. Minha mãe sempre viveu a serviço da igreja. E meu pai sempre trabalhou na roça pra dar comida pra gente. Trabalhei muito. Eu plantava cana, limpava, tirava abacaxi. Na usina*, Paineiras também: limpava vala, plantava cana, carregava cana no ombro pra plantar. Às vezes pegava o facão pra picar a cana, jogava a cana de cima da carreta pra jogar nos sulcos, onde ia plantar a cana, isso tudo. Eu sei que eu fazia o serviço de homem. E eu trabalhei nisso tudo até casar. E acompanhava a minha mãe e até hoje eu a acompanho no grupo de oração. Já trabalhei na Pastoral da Criança como líder, já fiz o curso pra Pastoral da Criança. A gente também tem outro trabalho na igreja que é zelar, limpar a igreja. Casei com dezessete anos. Engravidei seis vezes, mas quatro vingaram. Um eu abortei; outro nasceu morto. Tive um que faleceu numa acidente. Foi muito triste pra minha vida. Depois eu autorizei a doação de órgãos dele. Salvou seis vidas. E quando casei eu voltei a trabalhar na roça pra ajudar em casa. Meu casamento durou dezessete anos. Ele bebia, maltratava meus filhos e a gente acabou se separando. Então um dia teve aqui um curso de bijuteria e vieram falar pra eu fazer, pra dar um empurrãozinho. Eu acabei entrando em agosto do ano passado no Projeto*. A minha atividade aqui é bordar, eu sou bordadeira. Antes eu não sabia bordar. Quando eu cheguei aqui, a minha mãe, como sempre foi bordadeira, falou “Então, vem cá que eu te ensino”. Ela me chamou, me mostrou como é que era, e eu já peguei fazendo. Até hoje eu não precisei de curso. Os meus filhos gostam do que eu faço. Muitas vezes eles até fala “Ah, mãe, a senhora fica lá e eu não vejo dinheiro.” Eu falo “O dia que entrar, entrou”. O que eu faço é isso, é bordar. As coisas ais importantes pra minha vida é o bordado e também meus filhos.

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