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História

A Tropical: o legado de tecidos no interior

História de: Selma Issa Gândara Vieira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/03/2021

Sinopse

Apresentação da entrevistada; origens da família e a imigração de seu pai do Líbano. Breve descrição da atividade dos pais. A criação da loja da família em Birigui. Em 1939, Issa, pai de Selma, inaugura a loja A Tropical no bairro do centro da cidade de Bauru. Em 1954 seu pai se casa com a Mãe de Selma e a trouxe para Bauru. Selma se interessava por medicina mas estudou psicologia, já formada decide atuar na profissão e decide ir para São Paulo. Infância no bairro Altos da Cidade, zona sul de Bauru. Sua mãe morava no interior do Rio de Janeiro, era enfermeira, após o casamento não exerceu mais a função mas continuou sendo filantrópica. Infância regada a muitas reuniões e visitas de amigos. Apesar da descendência italiana, sua mãe tinha facilidade com a culinária árabe. Estudou num colégio só de meninas, e na saída da escola ia “Batistar”, e tomar lanche com as amigas. Assim como a mãe Selma gostava de ajudar as pessoas e sempre exercia um trabalho voluntário. Descrição do Centro da cidade de Bauru, das lojas famosas da cidade como a casa Lusitana e o festival de vitrines da Batista de Carvalho. Formada em psicologia, foi trabalhar e morar em São Paulo, onde permaneceu por 10 anos. Já casada e com 2 filhos, decide voltar com a família para Bauru e vai trabalhar com seu pai. Em 1991, abriu duas filiais da Atropical, uma no Bauru Shopping e outra em Marília, período de adaptação até as lojas se sustentarem. Ouviu os conselhos do pai e foi tocando o negócio. Diferença de públicos entre a loja do shopping e a loja do Centro. Seu pai faleceu em 1998, e em 2001 fecha a loja do Bauru Shopping. Mudança da loja do Centro, para a Azarias Leite, e abertura na loja perto do aeroporto. Decide ficar com uma loja somente e opta pela loja do centro. Com a pandemia mundial, vendeu muito tecido de algodão, o que a salvou de uma crise maior. Pode aprender sobre seu público e modo de consumo. Para o futuro pretende investir num e-commerce e continuar com as vendas por WhatsApp e ainda investir em cursos estágios para estilistas.

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História completa

          Sou Selma Issa Gândara Vieira. Nasci em 13 de setembro de 1956, na cidade de Bauru. Meu pais são José Issa e Iza Bovi Issa. O meu pai é imigrante, veio do Líbano. Meu avô chegou ao Brasil na década de 1930, foi mascate. E depois ele montou um armazém perto de Birigui e, mais tarde, em Birigui. Porque aí os avós voltaram pro Líbano e deixaram o armazém aqui para os filhos, que ficaram no Brasil. Aí, em 1939, meu pai abriu a loja em Bauru. Inicialmente, começou onde era a Drogasil, que ficava no meio da quadra, mas depois ela passou pra esquina da Rua Azarias Leite, e ali ficou por mais de 70 anos, até nós mudarmos pra fora do centro da cidade. Mas a loja tem esse mesmo nome, A Tropical, há 83 anos.

          A rua da minha infância foi aqui nos Altos da Cidade, na mesma casa que eu moro até hoje. Era rua de paralelepípedos, e tinha um terreno ao lado, onde a gente costumava fazer teatro, fazia cirquinho... e tinha também um quintal com bastante frutas. A rua era calma, e a gente costumava brincar muito fora de casa. Então, saíamos da escola e, à tarde, depois das tarefas, era o tempo que a gente tinha pra brincar, até a noitinha. A gente vivia na rua brincando. E era muito bom.

          Naquela época, todas as características mais bonitas da cidade estavam no centro. Eu lembro muito bem da Lusitana, que era uma loja maravilhosa, uma loja que me encantava pela estrutura dela e pela quantidade de coisas que tinha. Era uma loja chique na época. Além disso, tinha aquele movimento da rodoviária e da ferroviária, que era muito grande. Tudo se concentrava muito ali, próximo à ferroviária e à rodoviária.

          Só que o meu pai, ele vivia a loja, respirava a loja. Comigo, já foi diferente. Eu não pensava que iria me envolver com o comércio. Prestei Medicina e Psicologia, mas passei apenas em Psicologia. E aí eu resolvi atuar com a área organizacional, pois Bauru era muito carente ainda de empresas voltadas a ter um profissional da área. E aí eu consegui um emprego em São Paulo, iniciando uma época bem difícil. Eu fui trabalhar numa empresa, numa indústria, bem longe da casa que eu morava. Eu tinha uma vida mais confortável aqui, mas quando eu fui pra São Paulo, as coisas pegaram, pois eu tinha que fazer marmita, eu tinha que pegar dois ônibus. Mas não cheguei a ficar muito tempo, porque houve uma crise grande em 1982, e fui uma das primeiras a serem demitidas.

          Aí foi o meu pai querendo que eu voltasse, em função de eu não ter um emprego, mas continuei lá e consegui entrar na IOB, que fazia um trabalho de consultoria na área jurídica. Eu entrei lá como assistente de seleção e treinamento e fiquei lá dez anos. Saí pra voltar pra Bauru, quando já estava casada e com dois filhos. Foi quando o meu pai e o meu irmão resolveram montar uma filial no shopping aqui de Bauru, em 1991.

          Foi uma fase muito difícil pra mim, porque eu tive que assimilar todo o processo de loja, que eu não conhecia nada. Eu não sabia nada de tecido e nem de comércio. Eu tive que me envolver com tudo isso. E nesse período, também, meu pai abriu uma filial em Marília. Então, nós tínhamos mais duas lojas, além daquela do centro da cidade. E era a loja do centro que tinha que sustentar as duas outras lojas, mais funcionários, folha de pagamento e tudo. Aí, foi um período pesado para o meu pai. Mas tudo pra satisfazer a filha, né? Porque eu queria voltar pra Bauru. (risos)

          No shopping, a gente viu que se tratava de um público que consumia no shopping, que costumava ir ao shopping. E era um produto inusitado o nosso, porque você não tem num shopping uma loja de tecidos. Então, nós deixamos o shopping depois de dez anos de atuação nele. Foi quando o meu pai faleceu, em 1998. E aí, com o inventário, com a necessidade de assumir a loja do Centro - porque aí o meu irmão ficou com a loja de Marília –, eu fiquei no Centro. Pra tocar duas lojas, eu realmente não iria conseguir naquele momento.

          Mais tarde, em 2009, o prédio do centro foi vendido, porque ele não era nosso. Antes disso, já sentindo uma pressão por parte do proprietário - eu acho que foi 2005, 2006 -, a gente montou uma loja na Rua Araújo Leite, em frente ao Bosque da Comunidade. E lá no Bosque da Comunidade, nós ficamos até o ano passado. Eu fiquei por um tempo com a loja do Centro – o meu filho me ajudava lá - e com a outra, que era uma loja grande, bonita, com o objetivo de ser uma loja mais elitizada, com tecidos mais nobres.

          E aí, no ano passado nós viemos aqui pra Rua Azarias Leite, onde estamos agora. É um prédio bem grande - a gente está com mais de 500 metros quadrados. Nós ficamos com essa loja e a loja da Araújo, até que meu filho foi atuar na área dele, de Veterinária, e eu me vi, realmente, numa situação de não conseguir tocar duas lojas ao mesmo tempo. Aí eu fechei a loja do Bosque, que era uma loja menor, pois eu não podia perder o público do centro. Em dezembro, fez um ano que eu fechei a outra loja, e posso dizer que foi a melhor coisa que eu fiz. Eu fechei e, três meses depois, veio a pandemia.

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