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História

A tradicional Casa Burgo

História de: Orlando Burgo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/03/2021

Sinopse

Iniciou a carreira no ramo do calçado. O pai foi convidado pelo avô do senhor Burgo, a assumir uma Venda, lugar onde se vendia arroz, feijão, caixa de fósforos, etc. Seu pai chegou a possuir outras lojas em Pederneiras. Venda de bonecas marca o início da loja em Bauru. A estrada de ferro que passava por Bauru e seguia para o Mato Grosso e Bolívia. As datas comemorativas na rua Batista de Carvalho. Orlando e o CDL. Conta sobre as antigas vendas e características de chapéus que todos os homens usavam. Menção a outras lojas. Meios de pagamentos. Vitrines.

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História completa

          Eu sou Orlando Burgo. Nasci no município de Jaú, em 13 de novembro de 1931. Sou filho de Antônio Burgo e Júlia de Carvalho Burgo. Esse nome é de origem austríaca, pois o meu avô era austríaco. Eu nasci numa fazenda chamada Alfredo Veríssimo, no município de Jaú. Depois de um tempo, o papai resolveu ir para o lado de Macatuba trabalhar na fazenda de um coronel. Mais tarde, convidado pelo meu avô, ele assumiu uma loja comercial, que naquela época era chamada de venda. Ali você comprava o arroz, feijão, a caixa de fósforo, você comprava tecido, comprava quase tudo. E era um bairro chamado Bairro dos Macacos.

          Ele ficou lá por uns três anos, mas não se deu bem com meu avô. Aí, um senhor que tinha outra venda, no Bairro dos Bambus – em Pederneiras -, porque só tinha bambu naquele lugar, falou: "’Seu’ Burgo, assuma minha loja aí, porque eu não consigo tocar”. E meu pai assumiu essa loja e foi muito feliz. Eu acho que nós ficamos lá uns quatro ou cinco anos, aí ele vendeu e veio pro centro de Pederneiras montar uma loja dele. E como ele era muito comerciante, meu pai era um homem muito inteligente, ele preparou a loja e vendeu.

          Depois disso, ele comprou mais uma loja, bem perto da linha férrea de Pederneiras. Ali também ele ficou por muito tempo, calculo uns cinco anos, e vendeu. E nesse tempo, apareceu um senhor chamado Giovenazzi. ‘Seu’ Giovenazzi tinha uma loja de calçado e falou: "Seu Burgo, eu quero ir pra São Paulo”. Ele respondeu: "Mas eu não conheço, não sei nada de sapato”. E ele: "Eu vou ficar em Pederneiras com o senhor por mais 60 dias e vou ensiná-lo a trabalhar com calçado”. E, mais ou menos no ano de 1942, ele assumiu a loja e começou a trabalhar. Aí eu já era obrigado a trabalhar com o meu pai. Eram umas vitrines, até era uma loja muito boa em Pederneiras. "Como que eu faço as vitrines, ‘seu’ Giovenazzi?" "Você tira, limpa, aí você vai montar assim: você põe esse pedestal, põe esse vidro em cima, põe esse outro pedestal do chapéu”. Ali a gente vendia muito chapéu naquela época. Foi muito bem.

          Nós ficamos lá até 1949, porque o meu pai teve que mudar, para os filhos estudarem nos cursos superiores. Viemos pra Bauru em fevereiro de 1950. Meu pai foi muito feliz na quadra 2 da Rua Batista de Carvalho. Quando ele comprou a loja, ela tinha mais ou menos mil bonecas, e no natal daquele ano de 1950, o namorado da minha irmã estava lá. E o meu pai falou: "Euclides, você vai ficar na porta vendendo bonecas. Só que você não perde nenhum negócio. O que oferecer, você vende as bonecas". Porque meu pai queria pôr calçados. Ele chegou a vender uma média de cem bonecas por dia. Acabaram as bonecas. Aí nós fomos buscar sapatos em Franca, em Birigui e principalmente em São Paulo.

          E cresceu muito o nosso comércio aqui em Bauru. Em cinco anos de Bauru, o meu pai comprou o prédio de onde é a Casa Burgo hoje. Você vê, foi uma felicidade tremenda. E ali nós crescemos, crescemos, crescemos. Já em 1967, meu pai falou: "Nós precisamos construir uma loja nova, porque esse prédio está muito antigo”. E construímos o prédio atual, que era uma das lojas mais bonitas de Bauru naquela época. Nós ficamos todos trabalhando em família, até começar a pôr empregados na loja, porque a loja não vencia. Nós tínhamos uma felicidade tremenda no atendimento. E a baldeação de Pederneiras veio pra Bauru, então a loja estourou de vendas. Você sabe que a quadra um e a quadra dois da Rua Batista de Carvalho eram as duas melhores quadras de Bauru, porque tinha a estação ferroviária - ali nós tínhamos a Sorocabana, a Paulista e a Noroeste despejando gente de todo lado. E tinha a rodoviária, que funcionava ali também.

          E naquele tempo, nós vendíamos muito sapato pra Bolívia. Nós tínhamos que encomendar lotes no Rio Grande do Sul, de sapatos femininos, porque eles levavam muito sapato feminino. Era coisa, assim, de 500, 600, 700 pares, cada vez que os bolivianos vinham pela ferrovia.

          Agora, o centro de Bauru está perdendo muito, porque a cidade está crescendo. Você vai em qualquer vila de Bauru e tem lojas boas. E o que pesa? Tira de quem? Do centro. Você vai no Mary Dota, tem lojas maravilhosas. Vai no Altos da Cidade, sem comentário. Depois veio o shopping center, agora tem dois grandes, e tirou o povo bom que comprava - o rico, que tinha dinheiro, não vinha mais pro centro. Eu fui o único comerciante que conseguiu segurar a loja.

          E eu me lembro muito de que aqui no centro os hotéis ficavam cheios de viajantes, porque todas as firmas tinham viajantes. Todas, todas. Qualquer firma tinha viajante. Até de eletrônico, produtos de eletrônico, todas elas tinham.

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