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História

A tecnologia no mercado de varejo

História de: Veruska Silty Capellotto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/08/2021

Sinopse

Infância na casa da avó. Matérias e professoras marcantes da época da escola. Primeiro trabalho na adolescência. Curso técnico e aprendizados. Vestibular e faculdade em Análise de Sistemas. Entrada no mercado de tecnologia e experiências em diversas áreas. Desenvolvimento de software para o mercado de varejo e e-commerce. Mudança de emprego para o Mercado Livre e o dia a dia de um Líder de Projeto. A importância de se manter atualizado para entender as novas tecnologias. Presença feminina na área. Desafios de trabalhar durante uma pandemia.

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História completa

P1 - Olá Veruska, tudo bem?


R - Tudo bom, e você?


P1 - Tudo ótimo. A gente vai começar, então, a nossa entrevista com uma pergunta bem básica: gostaria que você dissesse seu nome completo, a sua data de nascimento e a cidade onde você nasceu.

 

R - Veruska Silty Capellotto, 6 de julho de 1990 e eu nasci em São Paulo (SP).

 

P1 - Qual o nome dos seus pais, Veruska?


R - O nome da minha mãe é Silvia, e o nome do meu pai é Hércules.


P1 - Você tem irmãos?


R - Eu tenho uma irmã por parte de pai. Ela é a mais nova, a Pietra.

 

P1 - Certo. E qual é a ocupação dos seus pais, Veruska?


R - Minha mãe é aposentada. Antes disso, ela era vendedora náutica. E meu pai é segurança.

 

P1 – Então, vamos começar a conversar um pouco sobre a sua infância, Veruska. Você se lembra do local onde passou, ou os locais, as casas, os apartamentos, onde você passou a sua infância?

 

R - Lembro sim.


P1 - E conta um pouquinho pra gente como era.

 

R - Bom, a primeira lembrança que eu tenho, assim, da minha infância era na casa da minha vó. Eu morava junto com a minha vó e a minha mãe. Lembro que era uma casa que, depois que eu voltei, quando eu fiquei mais velha, parecia um castelo na época e hoje eu vejo que ela não era tão grande assim.


P1 – Você… O que você mais se lembra da casa? Das suas brincadeiras, do que você mais gostava de brincar quando era criança?

 

R - Bom, lá tinha um jardim bem grande, né, porque minha vó gostava de plantar as coisas: tinha cana, mamão e tomatinhos. Então, lembro que eu ficava brincando lá entre a hortinha da minha vó. E o que eu mais lembro, realmente, é isto: a vovó correndo atrás da gente, falando pra gente parar de quebrar as plantas dela e a gente lá, brincando com as plantas.


P1 - E você tinha algum sonho de criança, Veruska?


R - Olha, quando eu era criança, queria ser atriz. Eu era apaixonada pela Maria do Bairro (personagem da novela mexicana de mesmo nome), né, e eu queria ser igual a ela.

 

P1 - E me conta um pouco sobre onde você morava. A rua, o bairro. Você tinha contato com… Você circulava, brincava na rua? Enfim.

 

R - Lá, onde eu morava - Em Moema, né? -, era uma rua bem movimentada, então a gente não costumava brincar na rua. Meu primo, normalmente, estava lá na casa da minha vó também. E a gente costumava brincar mais mesmo no quintal, com nossos cachorros, com a vovó sempre junto. Então, amiguinho de rua, assim, não era comum.

 

P1 – Certo. Qual é a primeira lembrança que você tem da sua vida escolar, Veruska?

R - A minha primeira lembrança da vida escolar era no pré, no jardim. Eu lembro que tinha uma professora muito legal, que ela se chamava Amélia. Eu estava com bastante medo no primeiro dia, né, porque eu ia ficar longe da minha mãe e minha vó, e essa professora foi bem carinhosa, bem cuidadosa, me acalmou. Essa é minha primeira lembrança.

P1 - E era perto de casa, ou era distante, essa escola?

R - Era perto, a gente ia a pé. Era uns dez… Assim, como eu era criança, acho que não me lembro muito bem o tempo, mas, pra mim, eu creio que era uns dez minutinhos.

P1 – E, entrando no seu ensino fundamental, você fez nessa mesma escola ou já se mudou pra outra?

R – Aí, no meu ensino fundamental, eu já não estava mais morando com a minha vó, né, eu morava somente com a minha mãe. Aí a gente… Eu, no caso, estudava em outra escola.

P1 – Nesse período do ensino fundamental, teve algum professor que te marcou por algum motivo, alguma matéria que você gostasse mais?

R - Teve uma professora que se chamava Leda. Ela era professora de leitura e eu gostava muito dessa aula, porque era, normalmente, na biblioteca da escola, né, e era tudo muito lúdico. Então, ela sempre contava historinhas e a gente brincava com os livros. Era bem interessante.

P1 - E você gostava de ouvir histórias? A sua família também, sua avó, sua mãe, contavam histórias pra você?

R - A minha família não costumava muito contar histórias, né, minha mãe trabalhava bastante. A vovó nunca foi muito de contar história, então esta parte de história mesmo era mais na escola que a gente tinha acesso.

P1 - E o que mais você se lembra deste período de ensino fundamental? Você o fez todo na mesma escola, ou teve alguma mudança?

 

R - Não, o fundamental, eu fiz tudo na mesma escola, então foi um período onde fiz bastante amizade. Comecei a ir na casa dos colegas, ter mais este entendimento de socialização, né? E quando acabou o ensino fundamental, aquela escola ia só até o ensino fundamental e aí eu me mudei de escola.

 

P1 - E a sua entrada no ensino médio? Você já estava chegando na adolescência, mudam os gostos, os costumes… Me conta um pouco como foi este período e o que mudou pra você.

R - Bom, no ensino médio, eu já trabalhava e foi uma mudança bem grande, né, porque aí você começa a estudar à noite e vão ser vários perfis diferentes. Então, quando a gente estuda à noite, vê muitas pessoas que já estão cansadas, porque trabalharam o dia inteiro. É um perfil completamente diferente do anterior, que quando você estudava de manhã e estava todo mundo ainda brincando, né, ainda nesse ritmo mais de infância, por assim dizer.

 

P1 - No que você foi trabalhar, nessa época, Veruska?

 

R - Nessa época, eu trabalhava num escritório de advocacia. Inclusive, quando eu era mais nova, era uma das minhas vontades: ser advogada. E aí, meu primeiro emprego foi no escritório de advocacia, que foi bem legal, inclusive. Eu aprendi bastante coisa, mas aí a tecnologia me chamou, falou mais alto.

 

P1 - Nesse período de ensino médio, você já sabia que queria entrar na área de tecnologia? Já pensava nisso?

R - Não, foi exatamente no início do ensino médio, quando eu comecei a ter contato com outras pessoas e a expandir meu horizonte. E aí eu conheci uma amiga minha que falava sobre tecnologia e começava a instigar, né, o pensamento: “Cara, como é que funciona um programa de computador? Ah, é mágica”, "Não, mas espera aí, não é mágica!". E aí eu queria entender o que é essa mágica, como é que faz essa mágica.

 

P1 - E quando você foi prestar o vestibular, me conta como foi esse processo de decisão, do curso que você queria fazer e como foi sua aprovação, sua entrada na faculdade. 

 

R - Tá bom. Aí, logo quando eu comecei a entender que tinha uma mágica aí, que eu queria entender o que era, comecei a estudar. Então, fiz alguns cursinhos por fora, de lógica de programação, de banco de dados, pra entender como funcionava. E aí, quando eu fui aplicar, já apliquei diretamente pra Análise de Sistemas. Foi bem interessante, assim, participar do processo, porque ele, em si, é fácil. E aí eu tive que fazer uma decisão. Eu passei com bolsa, cem por cento, numa faculdade de dois anos e meio e passei também num outro curso, de especialização profissional. Aí eu fiquei em dúvida em qual dos dois fazer. Optei por fazer a especialização profissional e depois tentar um de mais tempo, de quatro anos.

 

P1 - Então você fez, digamos assim, um curso técnico primeiro, pra depois estar realmente numa formação superior.

R - Exatamente.

 

P1 – Então, me conta como foi esse curso técnico? Porque a gente sai do ensino médio, tem aquelas matérias padrões e, de repente, você está estudando matérias ligadas a um assunto específico. Como foi essa mudança, essa transição, pra você?

R – Bom, na verdade… Espera aí, deixa eu me lembrar, que eu acho que confundi os tempos. O curso…. Perdão, que eu confundi os tempos. Este curso profissional foi antes do ensino médio. Na verdade, eu passei no ensino médio técnico e também nesse curso profissionalizante, aí eu optei por esse curso profissionalizante. Aí, do ensino médio, aí sim, eu fui direto pra faculdade. É verdade, estava confundindo. Tô um pouquinho velha já. (risos)

 

P1 - Memórias, né? A gente se confunde, mesmo. (risos) Mas me conta como foi, então, este curso técnico pra você.

 

R - Nesse curso técnico, eu aprendi o que era essa parte de responsabilidade. Então era um curso onde a gente aprendia de tudo um pouco, desde secretariado, melhorar a pronúncia, matemática também e ele era o dia inteiro nesse momento. Exatamente, ele era o dia inteiro. Então, logo que eu fazia o dia inteiro esse curso, logo no início do meu ensino médio, e de noite eu fazia o ensino médio.

 

P1 - Certo. E, passando então pro curso superior, como foi o processo de vestibular? Você já tinha certeza do que queria fazer, que era Análise de Sistemas, mesmo?

R - Perfeito, agora sim! Aí, sim, eu sabia que queria fazer algo relacionado à tecnologia. Eu prestei o Enem e consegui uma bolsa em Análise de Sistemas, que é um curso tecnólogo, de dois anos. Mas, naquela época, eu queria fazer um curso um pouquinho mais aprofundado, então iniciei com Sistemas da Informação. Eu fiz na Estácio Radial. Aí, sim, foi uma mudança bem grande, principalmente porque, bom… A escola pública não te prepara pra muitas coisas. No caso da minha, acho que desde a oitava série a gente não tinha, por exemplo, Matemática, porque os professores não costumavam parar na escola. Então, eu tive um pouquinho de dificuldade, principalmente nessa parte de Matemática, que era bem presente nessa parte de ensino, né, de tecnologia, mas acho que foi assim no primeiro momento que tomei aquele susto. Aí você pensa: “Não, espera aí, que eu vou ter que fazer alguma coisa por fora pra eu conseguir me enquadrar aqui”. E aí, depois, foi mais tranquilo.

 

P1 - E essa experiência, por exemplo, de você entrar e pensar: “Bom, agora eu já estou fazendo, né, um curso superior. É isso mesmo [que eu quero]”, te deu alguma espécie de choque, no sentido de “as coisas estão mudando”? Você teve que se adaptar, além da questão da Matemática? Me conta como foi esse período de vivência pra você.

 

R - Olha, eu acho que choque não, mas mais um: “Caramba, e agora, o que é que a gente faz?”. Mas, ao longo do tempo, eu tive excelentes professores que... Na verdade, assim: a primeira matéria que eu tive, que foi de lógica de programação também, eu tinha um professor sensacional, que dava… Ensinava de um jeito que era tão divertido, que a gente queria aprender sempre mais e mais e, pra mim, isso foi fundamental, tipo esse despertar do desejo de estudar.

 

P1 – E, falando da sua área, da sua atuação profissional, quando você entrou no mercado da área de tecnologia?

R - Bom, aí, logo quando eu iniciei minha faculdade, fui em busca de um estágio. Então, eu ainda trabalhava num escritório de advocacia, mas aí avisei minha chefe que, como eu estava fazendo faculdade, era algo que eu queria, novo, eu ia começar a buscar um estágio. Então, acho que com seis meses, mais ou menos, de faculdade, eu consegui um estágio. Iniciei como suporte, suporte "on-line".

 

P1 - E como foi essa experiência pra você? Você acha que foi o estágio que trouxe, né, ampliou também sua visão da área que você queria trabalhar?

 

R - É, eu acho que foi bem um divisor pra gente entender, porque a tecnologia é muito ampla. Então, a gente tem várias partes dentro da tecnologia. A gente tem suporte ao usuário, de redes, de desenvolvimento. Essa parte específica era suporte ao usuário. Não era exatamente o que eu buscava, porque buscava algo como desenvolvimento, mas eu sabia que precisava começar de algum lado. E pra mim foi muito importante, porque foi a minha primeira porta aberta. Eu consegui entender também e isto foi fundamental. Acho que até nos dias de hoje, né? Entender o que as pessoas passam e as dificuldades que as pessoas têm.

 

P1 - Quando você decidiu ou teve a primeira oportunidade de trabalhar com desenvolvimento de “software”?

 

R - Legal. Eu fiquei, mais ou menos, sete meses nessa empresa de suporte e aí, com um pouquinho já de bagagem, de conhecimento, eu consegui o meu primeiro estágio em desenvolvimento. Foi uma empresa que desenvolvia ERP (“Enterprise Resource Planning”), Sistema de Gestão Empresarial. Era uma empresa pequena, familiar, que me acolheu e me abriu as portas. Eu fiquei nessa empresa por dez anos.

 

P1 – Então, você comentou que estava, que tinha conseguido um estágio em desenvolvimento de sistemas, era uma empresa familiar e como isso acabou te influenciando profissionalmente. Era uma experiência, imagino que, bem diferente do suporte ao usuário.

 

R - Na verdade, essa experiência mudou tudo, porque lá eu encontrei um ambiente bem desafiador, mas, ao mesmo tempo, bem aberto a escutar, né? E, por ser uma empresa até um pouco menor, não muito organizada. Lá, eu tive, assim, muita oportunidade de me desenvolver como profissional, como pessoa, como líder, entender [a] necessidade das outras pessoas, conseguir captar a essência do que as pessoas precisavam nos nossos “softwares”, pra poder ofertar, né? Pra mim foi primordial essa experiência [de] dez anos, quase uma vida.

 

P1 - Eu imagino que, nesses dez anos, você tenha tido várias experiências diferentes. Conta pra gente um pouco desse seu período, das atuações diferentes que você teve nessa empresa.

 

R - Bom, então, eu comecei lá como estagiária. A gente trabalhava em cinco pessoas, onde três eram estagiários, né? Tinha o dono da empresa e a filha do dono. Bom, comecei lá como estagiária, mas sempre foi muito aberto a escutar os outros colaboradores [e] eu tive um crescimento bem rápido até. A empresa conseguiu ter um crescimento rápido. A gente tinha um cliente - que a gente trabalhava no varejo, né? - e ele abria muitas portas pra gente, também, a nível de tecnologia. Por quê? Porque ele sempre queria estar à frente e a gente precisava acompanhar. Dado alguns anos, né, que se passaram, eu consegui um cargo de coordenação lá. Então a gente já estava em mais ou menos umas doze, quinze pessoas e começou a mudar um pouquinho o mercado, principalmente esse mercado de varejo, que é algo bem dinâmico e veio muita essa parte do “omnichannel”, de colocar o consumidor a frente, né, de todo esse cenário. E esse cliente que a gente tinha, que era o maior naquela época, queria começar a inovar. Então, muito se falava de “omnichannel” na época, várias empresas estavam tentando fazer algo bem complexo e teve um momento que ele falou: “Gente, precisamos sentar e tentar entender como que a gente consegue modernizar, porque eu preciso disso”. Naquele momento, eu fiquei bem preocupada porque, querendo ou não, a gente tinha nossas limitações. Ainda era uma empresa pequena, era uma empresa familiar, né, mas eu falei: “Cara, a gente precisa se adequar, porque senão perde esse, que é o nosso maior cliente”. Com esse desafio, vieram oportunidades também, né? Então, assim, esse nosso cliente colocou a gente em contato com várias outras empresas parceiras, né, então conseguimos desenvolver uma parceria bem bacana com uma empresa de “e-commerce”, que estava também tentando se planejar nessa parte de “omnichannel”. A gente fez um trabalho em conjunto e reestruturou completamente a empresa. Então, trocamos desde a linguagem da programação à banco de dados, a forma como atuava, ao sistema que a gente estava acostumado. Deu bastante trabalho. Em alguns momentos, eu estava bem preocupada se ia dar certo ou não, porque era tudo realmente muito novo, mas foi, assim, fantástico! Eu lembro que, antes de eu sair, inclusive, no momento de eu estar, quando estava pensando em sair, né, era exatamente no momento que eu falei: “Gente, realmente, era isso que eu queria dessa empresa, sabe? Era esse o potencial que eu via e era aqui que eu tinha certeza que a empresa estaria lá no comecinho, quando eu entrei, e quando falei: ‘não, quero ficar aqui’”. E no final, assim, foi demais, né? A gente conseguiu um produto super legal e disruptivo, né, onde, realmente, a gente conseguia praticar essa parte de compra no “e-commerce”: sai da loja, troca na loja, vai retirar na loja; tudo integrado, com uma tecnologia de ponta, na época, e indo em eventos, pessoas querendo, fazendo propostas pela empresa. Inclusive, eu recebi proposta também pra me tornar sócia da empresa. E aí, foi nesse momento, realmente, que eu falei: “Cara, era isso que eu queria aqui! Agora quero ver mais”.

 

P1 - E qual foi o seu próximo passo?

R - Bom, aí o meu próximo passo foi o Mercado Livre. Eu tô no Mercado Livre aqui vai fazer dois anos e foi uma mudança, assim, fantástica. Eu comento que cheguei aqui com muita certeza. Tinha certeza de várias coisas e hoje não tenho certeza de nada. E é isso o que me fascina aqui no Mercado Livre: é a certeza de não saber de nada e sempre ter coisas diferentes pra aprender todos os dias, pessoas sensacionais. Você olha pro lado, tem um monstro de conhecimento e você está sempre aprendendo. Quando eu entrei e muito... Assim, foi uma mudança bem grande, né, de uma empresa de quinze pessoas para uma empresa de dez mil pessoas. E eu fiquei um pouco assustada, né? Tinha a questão de linguagem também, o espanhol. Mas eu me apoiei muito na Sabri, né? A Sabri era minha “manager” na época e eu acho que, sem ela, eu não teria conseguido me adaptar, pra falar a verdade, porque a força, a inteligência, a forma como ela conduz tudo é o que me inspira a ser, tipo: “Quando eu crescer, quero ser igual a ela”.

 

P1 - Como é o seu trabalho, como líder de projeto?

R - Bom, é um trabalho, assim, algo que a gente pode falar que aqui, pra mim, é um sonho, porque eu consigo realmente colocar o meu propósito nele. A gente tem muita liberdade pra poder gerir o nosso projeto, entender e desenvolver um sistema da forma que acha que é a melhor maneira. A gente tem muita abertura pra desenvolvimento de pessoas e isso é o que eu mais gosto aqui, esse cuidado com as pessoas, que eles estimulam a gente a ter e que a gente pode colocar em prática. Isso eu nunca tinha visto em outro lugar. É um dia bem dinâmico, né? Então, é um dia com várias reuniões junto com o time, entendendo coisas novas, propondo coisas novas, fazendo, errando, aprendendo e corrigindo. É, realmente, um dia bem dinâmico.

 

P1 - E desde o início dessa sua jornada na área da tecnologia, você percebe muita mudança nesse ramo, do momento que você entrou até agora?

 

R - Olha, a mudança é todos os dias. Você precisa se reciclar, estar antenado, pra entender as novas tecnologias, mas eu acho que, pra mim, a principal mudança que vejo hoje é como a tecnologia vem sendo tratada. Porque, até então, a tecnologia era tratada como algo operacional e hoje a tecnologia tem sido tratada como estratégica. As empresas que adotam esta postura tem conseguido crescer cada vez mais no mercado.

 

P1 - E em relação a presença feminina na área de tecnologia, você sente que existe ainda mais necessidades de abertura, ou você acha que, quando você começou essa presença era menor e tem aumentado? O que você tem percebido nisso?

R - Olha, a presença feminina ainda é baixa, mas a gente vê o movimento de várias empresas tentando trazer mais a mulher pra área de tecnologia e o Mercado Livre eu acho que é um exemplo disso, de que está sempre buscando trazer a presença feminina, não só pra tecnologia, mas pra qualquer área, né? Área de liderança, de tecnologia, estratégica, de operação. Trazer esta igualdade.

 

P1 - Certo. E, voltando um pouco pra sua história pessoal. Desse período, né, que você assumiu Mercado Livre, mudou muito a sua vida no sentido de você ter mudado, digamos assim, o seu jeito de trabalhar, ou ter menos tempo ou mais tempo livre? Me conta um pouco sobre isso, fora do seu trabalho.

 

R - Eu acho que a principal mudança foi realmente o “mindset”, de você poder errar e corrigir. Aqui, no Mercado Livre, a gente é livre, assim, pra errar, corrigir, aprender, testar, e isso é muito importante pra gente. E aqui a gente também é muito estimulado a ter o nosso tempo, a ter o nosso momento, a entender que a gente não precisa, todos os dias, se matar, sabe? A gente precisa ter toda essa parte de saúde mental ok, toda essa parte da família estar ok e, pra mim, inclusive, foi uma surpresa, né, porque eu entrei logo, um pouquinho antes da pandemia. Lembro que um mês depois da pandemia, a gente ia ter uma reunião com nosso diretor, né, eu pensei que ele ia falar pra gente: “Ah, a gente tem que tomar cuidado com a produtividade, agora que a gente está em casa”. E a mensagem que ele deu foi completamente diferente, foi: “Gente, estamos numa situação completamente inesperada. A gente está na casa de vocês e vocês têm que fazer a comida de vocês, têm que dar atenção pros filhos, acompanhar na aula “on-line” e está tudo bem! Eu quero que vocês passem esta mensagem para o time de vocês, que está tudo bem!”. E isto me surpreendeu. Foi quando eu falei: “Caramba, que empresa!”

 

P1 – Então, você entrou pouco antes da pandemia. Já começou a trabalhar diretamente em casa ou foi [um] pouco depois? Só quando, realmente, de fato….

R - Eu entrei um mês e meio antes da pandemia. Então, por um mês e meio, eu fiquei indo pro Mercado Livre, né? Aí veio a pandemia, a gente ficou em casa e estamos em casa desde então.

P1 - Alterou muito o processo de trabalho desse tempo, desse pouco tempo que você trabalhou presencialmente? Alterou muito os processos?

 

R - Eu acho que os processos em si, não. A gente tentou se readequar, né, porque a gente tinha toda essa parte de interatuação pessoal e se viu num ambiente cem por cento remoto. Não foi tanto um problema, porque a gente já trabalhava de forma remota, tendo em vista que a empresa é Latam (latinoamericana), né? Então, muitos dos nossos processos e dos nossos times de trabalhos não, necessariamente, estavam cem por cento no Brasil. Mas, pra mim, a principal dificuldade foi que naquele momento eu estava montando um time, né? Então, a minha principal dificuldade era: “Como gero empatia nesse time, sendo que a gente não está tomando um café [juntos]”, sabe? A gente não está batendo nas costas e fala: “Ô, vamos conversar?”. Então, acho que a minha principal dificuldade foi isso mesmo.

P2 - Veruska, durante a faculdade, tinha outras mulheres na sua turma também? Ou era só você?

R - Olha, durante a minha faculdade, no começo, tinha umas cinco, num grupo aí de quase trinta pessoas. É, mas essas meninas foram desistindo. No final da formatura, nós éramos em três.

P2 - Eu fiz essa pergunta porque é comum, que a gente já entrevistou várias mulheres da área de tecnologia e elas falaram que geralmente elas eram as únicas. E no mercado de trabalho, você viu se tinha mais mulheres?

R - Naquela empresa que eu fiquei por dez anos, eu fui a única mulher, exceto a Nat - a Nat era filha do dono -, mas ela não costumava ficar no mesmo escritório que a gente. Então, por estes dez anos, eu fui a única mulher por um bom tempo, até que entrou a Mari e aí a gente conseguiu fazer esse parzinho.

 

P2 - Você sente que isso está mudando, mais mulheres estão entrando nessa área?

R - Eu sinto que hoje a mulher sente que ela pode e que ela pode tudo, né? Então, a gente está vendo essa crescente das mulheres procurando mais a tecnologia. Procurando mais não só a tecnologia, mas outras áreas que até, tipo, não eram consideradas femininas, né? Então, aqui, no Mercado Livre, onde a gente busca realmente esta inclusão, conseguimos ver que tem crescido muito a quantidade de mulheres, não só em posições de desenvolvimento, como também em posições de liderança.

 

P1 - A gente vai pras perguntas finais, Veruska. Primeiramente, são perguntas mais pessoais: quais são as coisas mais importantes pra você, hoje em dia?

 

R - Pra mim, o mais importante é minha família. É conseguir passar um tempo de qualidade com minha família e conseguir, de alguma forma, contribuir pra melhorar a vida das outras pessoas ao meu redor.

 

P1 - E quais são os seus sonhos pro futuro, Veruska?

 

R - Olha, o meu sonho… Com tantos sonhos, né, que a gente tem, eu acho que o meu sonho seria conseguir trazer minha mãe pra volta de São Paulo, que hoje ela mora em Maringá (PR). Esse é meu principal sonho. E talvez me mudar prum sítio, porque eu tô cansada de São Paulo. (risos)

 

P1 - Tem alguma coisa nesse bate papo que a gente teve até agora, aqui, que você acha que foi relevante na sua história de vida, que a gente não conversou e você gostaria de comentar?

 

R - Não, acho que a gente conversou sobre todos os pontos mesmo. Mas, foi bem interessante eu relembrar as pessoas que foram fundamentais na minha vida.

 

P1 – Então, vamos pra última pergunta: como foi contar sua história pra gente, hoje?

R - Olha, foi bem divertido e introspectivo, mesmo. Eu parei pra pensar em várias coisas que não me lembrava mais e foi nostálgico, né, lembrar de épocas da infância, lembrar de tudo o que já passou antes. Olhar pra trás e ver onde a gente está agora, onde eu tô agora. Isso me deu até um certo orgulho, né? Eu nunca tinha parado pra pensar nisso.

P1 - Tá certo. Bom, então a gente finaliza esta entrevista. Eu agradeço muito a sua participação, em nome do Museu e tendo essa oportunidade também dessa parceria com o Mercado Livre.

R - Eu que agradeço a oportunidade, gente, até mais!

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