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História

A sala dos professores em casa

História de: Giselda Sawaya Batista
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/08/2005

Sinopse

Giselda conta que por passar sua infância no interior não tinha muita coisa pra fazer e por isso inventava brincadeiras com suas irmãs. Acredita que foi muito influenciada profissionalmente pelos seus pais, pois sempre viveu num ambiente de discussões educacionais. Conta como entrou no Senac e seu encantamento pela área de saúde, e sua experiência como gerente da unidade de saúde, além de falar sobre a preocupação do Senac em ter uma educação à distância, já que acreditam que os alunos possam aprender através de outras tecnologias e não somente pela sala de aula.

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História completa

P/1 - Bom Giselda, eu queria que você começasse falando o seu nome completo, local e a data de nascimento.

 

R - Bom, meu nome é Giselda Sawaya Batista, eu sou nascida dia dois de novembro de 1941. E nasci em Pirassununga, Estado de São Paulo.

 

P/1 - E o nome dos pais?

 

R - Bom, meu pai é Farid Pedro Sawaya, minha mãe Maria DÁvila Sawaya, ambos pertenceram à área da Educação, minha mãe foi professora primária por 25 anos e meu pai chegou a fazer carreira no magistério, chegou a delegado de ensino e infelizmente já é falecido e trabalhou aproximadamente 41 anos.

 

P/1 - Certo. Como é que era o dia-a-dia da sua casa quando você era pequena?

 

R - Bom, o que eu lembro da minha casa na minha infância, nós sempre moramos em casa e a gente morava no interior, então era muito divertido porque o quintal era muito grande. A gente brincava muito no quintal, quase nada na rua e a mãe ia dar aula, o pai saía, então a gente tinha que ficar sozinha. E a diversão da gente realmente era inventar brincadeira, brincava de casinha, coisas típicas da menina. Somos quatro irmãs, então não havia a figura do menino nas nossas brincadeiras. Então a gente inventava. Era o pau de lenha que virava o João, o Antônio, o Alberto e assim por diante. E a gente brincava muito de escolinha também, uma brincadeira bem típica de infância. Eu acho que foi isso. Com a terra, com o barro, era muito divertido.

 

P/1 - Como que era a educação que você recebeu na sua casa, na escola?

 

R - Não posso dizer que foi uma educação rígida. A gente tinha que estudar, brincava, estudava e a vida na cidade do interior é uma coisa, digamos assim, bastante calma, quer dizer, não havia muita coisa pra gente fazer. E o universo da gente era bastante restrito. Então a gente aguardava o final de semana pra ir na missa, pra ir no jardim, e era esse tipo de coisa que a gente fazia. E a gente só saía da cidade na época das férias. E normalmente as férias eram passadas ou na casa de parentes no interior ou algumas vezes a gente vinha pra São Paulo, aí era gostoso.

 

P/1 - O que você lembra de quando você vinha pra São Paulo passar as férias aqui?

 

R - Olha, eu achava lindo. Primeiro porque havia, assim, a gente ficava deslumbrada com os luminosos, com o movimento, não é, mais tarde um pouquinho mais, eu não me lembro bem a idade, tinha o... Quando a gente vinha aqui a gente ia tomar chá no Mappin, havia o chá das cinco. Então era uma coisa linda. E você tinha uma variedade de coisas pra ver, coisas diferentes, pra fazer compras, então realmente era uma aventura, era muito gostoso. Porque no interior a coisa é mais calma, você sai e é sempre a mesma coisa. Então não havia muita variedade. É mais ou menos assim. Mas foi tranquila. Posso dizer que eu tenho muitas lembranças boas da infância, cheia de brincadeiras, eu não me lembro de nenhuma passagem, digamos assim, mais triste ou alguma coisa que tenha marcado mais. Foi muito tranquila.

 

P/1 - E você morou em várias cidades em função dessa atividade do seu pai?

 

R - Morei em várias cidades. Como eu disse, eu saí muito novinha ainda de Pirassununga, depois nós moramos em Pederneiras e eu tenho certeza que eu tinha quatro anos. E a casa que eu morava era muito grande e um dia eu fiquei muito assustada porque ela tinha um quintal com uma mangueira enorme, e eu me lembro como se fosse hoje, eles estavam fazendo as guias de sarjeta na rua e fizeram várias escavações e ali tinha sido o antigo cemitério e a gente não sabia. Então o que foi de osso que eles tiraram dali e aquilo assustou bastante. Eu tinha muito medo e quando a mãe ia pra aula, ia dar aula, a gente ficava com empregada. Então pra ela manter a gente, digamos assim, mais calma, não ir na rua, não havia necessidade de ir na rua, mas o adulto sempre tem medo que a criança vá pra rua. Então ela inventou a história do saci pererê. Ela assobiava e falava: "Olha, vocês fiquem quietinhas e não façam arte não porque senão ele vem pegar." A gente associava a questão do saci pererê à questão do cemitério e aquela coisa toda. Então eu me lembro que isso era uma coisa muito forte, a gente tinha muito medo disso. Nós brincamos muito no quintal, isso eu acho que foi que marcou bastante. Depois de Pederneiras a gente mudou pra Itu. E lá nós ficamos vários anos até que meu pai foi transferido pra Franca. Fomos pra Franca, não... Quer dizer, mantivemos a nossa residência em Itu, não foi fechada, ficamos um ano em Franca e depois retornamos pra Itu novamente. Um pouco antes de ir pra Franca, eu fui morar em Santa Cruz do Rio Pardo também. Então lá eu fiz parte do meu curso primário, e depois retornamos pra Itu e fiquei lá até me formar na faculdade. Isso foi em 1964, e de lá pra cá estou em São Paulo há trinta anos.

 

P/1 - Giselda, voltando um pouquinho. O seu pai e a sua mãe vinham de uma tradição de serem professores, de exercerem essa profissão?

 

R - Quase toda a família do meu pai exerce a função de professores, há médicos, cientistas, mas todos eles passaram pela carreira do magistério. Da mãe em raríssimos casos, os irmãos, quase todos são do magistério, quase todos tiveram alguma experiência com sala de aula, com educação, alguma coisa assim, a família toda. E das quatro irmãs praticamente eu segui carreira. A irmã mais velha não tinha interesse na área de educação, mas acabou fazendo Magistério e acabou trabalhando nessa área. Mais tarde ingressou na carreira jornalística, ela fez USP e é o que ela gosta. As demais, uma é médica e a outra seguiu a carreira secretarial, vamos dizer, ela foi secretária muitos anos e hoje em dia ela já está aposentada, então não tem outra atividade. Mas assim, carreira no magistério das quatro fui eu.

 

P/1 - E como que a atividade dos seus pais influenciou pra sua carreira?

 

R - Olha, deve ter influenciado muito porque a gente viveu sempre nesse ambiente vendo a questão da escola, a discussão, aluno, aquela coisa toda. Mas eu, desde pequena, gostava de brincar de escolinha e tinha algum interesse voltado pra isso. Não me lembro de ter tido nenhum outro interesse sem ser a área da educação, isso desde a infância, desde bem novinha.

 

P/1 - E aí como que você começou a entrar nessa área? Você foi estudar...

 

R - Bom, após o antigo ginásio a gente tinha que optar: ou o colegial, algum colégio técnico, ou escola Normal. Eu não via nenhum outro caminho a não ser a escola Normal. Primeiro porque eu nunca gostei muito da área de ciências exatas então não era o meu forte. Eu sempre gostei mais da área de humanas, e eu achei que o que poderia estar mais de acordo com o meu interesse seria o curso Normal. Então foi aí, eu entrei, me dei bem, quer dizer, não achava nem o curso aborrecido nada, não era uma aluna, digamos assim, brilhante, nada, uma aluna regular. Mas aquilo não pesava, era legal, não tinha problemas.

 

P/1 - E você morava aonde nessa época?

 

R - Morava em Itu.

 

P/1 - E o colégio que você frequentou tinha... Como é que era?

 

R - Em Itu também. Toda a minha formação escolar, quer dizer, do ginásio até a faculdade eu fiz em Itu. E no mesmo estabelecimento, não queria trocar de jeito nenhum.

 

P/1 - E aí você comentou com a gente que você começou a dar aula muito cedo.

 

R - Comecei a dar aula muito cedo, mais ou menos com quinze, dezesseis anos no curso de alfabetização de adultos. E a gente fazia isso na época com interesse exclusivo de você ganhar pontos pro ingresso, posteriormente, pro ingresso no magistério. Durante dois anos eu dei aula de alfabetização pra adultos e depois que eu me formei no curso Normal, trabalhei na escola rural, não foi uma experiência que trouxe alguma satisfação. E trabalhei depois já na cidade, na cidade de Itu, com crianças também, alfabetizando crianças. Mas eu não me dei muito com este tipo de atividade, talvez pela faixa etária, pela falta de experiência. É muito mais difícil você trabalhar com uma criança do que você trabalhar com um adulto, por incrível que pareça, pelo menos no meu caso foi. E durante os meus estudos na faculdade, eu me voltei mais para uma faixa mais velha, uma faixa etária maior, eu fui dar aula no Ginásio Comercial de Ciências Físicas e Biológicas e aí eu vi que gostava da coisa. Depois eu me formei, e isso foi, me formei em 64. Em 65 eu vim pra São Paulo, ingressei no Senac e estou até hoje.

 

P/1 - Giselda, você comentou com a gente as suas dificuldades pra chegar a dar aula, porque você ia à noite quando começou, né? Tinha lugares escuros que não tinha problemas de passar. Eu queria que você recuperasse isso pra gente.

 

R - É, a época que eu dava, que eu exercia essa atividade de alfabetização de adultos, quer dizer, o grupo escolar, eu me lembro bem do nome do grupo, era Padre Bento, ele ficava localizado fora do perímetro mais central da cidade, então era longe e eu ia a pé, pegava, inclusive, um caminho que não tinha calçamento, era uma estrada de areia, areião, e abria o grupo e sei lá, eu não tinha medo ou não sentia nenhuma ameaça de perigo em relação à minha segurança física. E alguns locais, inclusive o que eu percorria até chegar ao grupo não tinha luz, então eu levava uma lanterna, entrava, ia bonitinho, voltava todo dia, quer dizer, sem que isso me pesasse alguma coisa em termos de eu ter algum receio, algum medo, nada. Isso foi durante dois anos. E talvez hoje, na época de hoje, eu não conseguisse fazer isso, é óbvio, porque a gente não sente muita segurança, não, mas antigamente as coisas eram mais simples, não ofereciam esse perigo todo.

 

P/1 - Giselda, e assim, quando você deu aula na escola rural, você falou que foi meio tumultuado?

 

R - É, na escola rural eu diria que foi um horror, porque a gente sai de uma escola, você acha que você sabe, que é só você repetir aquilo que te ensinaram, mas chega lá a realidade é muito diferente. Primeiro porque você pega um monte de criança junto ao mesmo tempo com diferentes estágios de desenvolvimento. E eu tive o desprazer de pegar uma classe que havia alunos de primeiro, segundo e terceiro ano. Então eu não conseguia coordenar a educação, a aula que eu dava pro primeiro ano, enquanto eu conversava com o primeiro ano, o segundo ano subia na carteira, o terceiro ano saía da sala, era um rolo, a diretora ia lá e interferia, e eu não me saí bem, era muito difícil, eu não... Ao mesmo tempo eu não entendia como alguém conseguia dar conta daquilo lá, porque eu não consegui. Mas daí eu fiquei com essa classe pouco tempo porque realmente se eu tivesse ficado até o final com ela, os resultados seriam desastrosos, eu teria prejudicado um pouco as crianças. E daí me deram uma classe um pouco mais adiantada e o meu resultado foi outro. Mas como eu disse pra vocês, eu acho que trabalhar com crianças exige um preparo talvez maior, e tem que ser alguma coisa especial mesmo, porque... Eu achei mais difícil, eu me dou melhor com uma faixa etária mais velha e por aí. É mais fácil você estabelecer um diálogo e você se fazer entender e até você entender melhor o grupo. A minha interação é mais fácil com adolescentes, por exemplo, eu acredito que há pessoas que têm um pouco mais de dificuldade de lidar com o jovem, que é mais rebelde, responde. Sinceramente, nessa faixa eu nunca tive problema de poder alcançar um bom resultado, não que eu vá brigar com a criança, alguma coisa assim, mas é que eu não estava conseguindo transmitir alguma coisa, obter algum resultado mais positivo, foi uma dificuldade minha mesmo, uma falta de preparo talvez, não sei. Então foi isso.

 

P/1 - E como você tomou contato com o Senac? Como que você começou a trabalhar lá?

 

R - Bom, eu tenho, eu tinha um tio, já é falecido, que foi funcionário muitos anos do Senai e na ocasião, logo depois que eu me formei na faculdade, havia uma vaga pra Técnico, uma vaga técnica tanto no Senai como no Senac e então ele me convidou pra tentar essa vaga. Eu vim pra São Paulo e a minha primeira opção apesar de não conhecer o Senac, nunca ter ouvido falar o nome do Senac, eu fui, eu optei pro Senac. E até posteriormente fiz a seleção, comecei a fazer uma seleção no Senai, mas o resultado do Senac saiu antes, eu acabei abandonando, nem acabei o processo lá e optei realmente pelo Senac como meu primeiro emprego oficial, carteira assinada, tudo. Porque antes trabalhava no Estado, então era um ritmo diferente. E isso aconteceu em 65. Daí eu fui admitida no Senac em primeiro de maio, um feriadão, em 1965, pra trabalhar numa escola que ficava na Liberdade, Escola Brasílio Machado Neto. E lá eu fiquei quatorze anos, de 65 a 79 que foi a ocasião em que a escola foi vendida. Então as atividades que aconteciam lá foram transferidas uma parte pra Avenida Tiradentes, na João Nunes Júnior, e uma outra parte, a parte mais de Administração, de Escritório, foi pra 24 de Maio e dali eu saí pra acompanhar a adaptação de um grupo ligado a área de Saúde que foi transferido pra Avenida Tiradentes. E eu fui lá, eu fui em uma missão de fazer uma interação entre o grupo que estava chegando e o grupo que estava lá. Era um grupo de profissionais na área de Saúde, enfermeiras. Enfim, fui pra ficar lá um mês, eu acho que era um prazo que acharam suficiente pra um processo de adaptação. E eu não sabia pra onde eu ia depois, eu sabia que durante um mês eu ia ficar lá. E realmente as pessoas não me falavam pra onde eu iria. E eu sei que o primeiro mês passou, eu entrei no segundo, mas ainda ninguém tinha falado nada sobre isso. Durante essa época eu recebi um convite pra integrar uma equipe que iria coordenar um núcleo de colocação de aprendizes, porque ficava localizado na Rua 24 de Maio, e a ideia não me foi muito simpática, porque já no final da década de setenta, a gente já notava que a colocação de menores aprendizes era uma coisa que já estava ficando muito difícil, e que o Senac estava mudando muito e que pra época já não era uma coisa interessante nem para o aprendiz, e muito menos pra empresa. Mas a proposta era essa e eu, enfim, ia pra lá. Mas acontece que nesse meio tempo houve um pedido de um conselheiro do Senac pra um projeto de formação de minimédicos - esse é o título que ele deu ao projeto - então ele pediu ao diretor do Senac onde eu estava que fosse apresentado um projeto, enfim, atividades pra formação de guardas-mirins que iriam fazer um atendimento de emergência em caso de acidente, de pessoas que tivessem algum mal súbito na rua, e essa ideia. Me assustou bastante porque eu entendia que esses meninos não teriam condições de fazer um trabalho dessa natureza. Primeiro porque eles eram menores de idade, poderiam até ser treinados em técnicas de atendimento de emergência, mas minimédicos eu achei muita coisa, sabe? Mas enfim, apresentamos o projeto, ele gostou e pra viabilização desse projeto teria que haver o aval, teria que ter alguém coordenando esse projeto, mas não lotado numa unidade do Senac, e sim lotado no departamento regional. Então eu fui transferida pra lá, primeiramente com a incumbência de desenvolver esse projeto, mas em banho-maria, porque a gente percebeu que realmente não era uma atividade adequada para essa proposta, e lá eu me integrei à equipe de programação do Senac. Foi um período um pouco difícil no início porque quem trabalha numa unidade com professor, com aluno, com muita movimentação você chega numa atividade assim de mais de coordenação ou mais de pesquisa e planejamento, você estranha, porque é uma atividade de natureza diferente, apesar de ser da mesma área, mas de relações menos intensas e, digamos assim, em número menor do que quando você está numa atividade de dia-a-dia de uma escola. Então estranhei e demorei um pouquinho pra acostumar, mas um pouquinho que eu digo assim, sei lá, acho que no final de uns três meses eu já havia encontrado o meu caminho novamente. E fui me interessando bastante pela área de Saúde que era uma atividade que eu já fazia enquanto eu estava na escola, digamos assim, na unidade, e acabei ficando com esse tipo de atividade mais ou menos cinco anos. Em 1985 eu passei para... Voltei pra João Nunes Júnior, que já não tinha mais essa denominação João Nunes, a gente falava: o Senac da Tiradentes. Então eu voltei pra lá como Assistente de direção e com a incumbência de desenvolver um projeto, quer dizer, havia um grupo que ia desenvolver esse projeto e eu era uma das pessoas convidadas pra desenvolver um projeto para uma unidade especializada em Saúde. Então a gente trabalhou algum tempo com esse plano, acabamos fazendo um plano um pouco diferente do que estava se esperando, talvez, na época. A gente estava querendo montar um centro de saúde e através desse centro de saúde é que toda a metodologia dos cursos que existiam na época, que eram Enfermagem, Ótica, Prótese e Pedicuro, os alunos iriam fazer um atendimento à população usuária do centro de saúde.

 

P/1 - Giselda, foi a primeira unidade especializada que foi implantada?

 

R - Olha, eu não tenho certeza se foi a primeira porque elas aconteceram mais ou menos na mesma época. Agora, o que eu digo é o seguinte: como antigamente o edifício da Avenida Tiradentes que se não me engano a data de inauguração dele era 1967, não tenho muita certeza, ele estava todo adaptado pra uma realidade da época, e pra Saúde você tinha que fazer alguns arranjos físicos. Ele teve uma mudança na sua estrutura física, ficou mais bonito, mais moderno, os laboratórios foram reformulados, enfim, ficou uma unidade muito bonita. Está lá do jeito que está acho que até hoje. Passaram por algumas reformulações e em 1986, seis de outubro, ela foi relançada como unidade especializada. Essa unidade da Avenida Tiradentes que hoje chama Centro de Estudos em Saúde, é o CES. Ela foi relançada no dia seis de outubro e no dia 21, uma coisa que eu não esperava, porque eu tinha um gosto muito grande e um interesse muito grande pela área de Saúde, eu fui convidada pra gerenciar a unidade. Então era alguma coisa que eu queria e alguma coisa também que me assustou um pouco no começo, porque a unidade é bastante grande, e era um desafio você colocar alunos lá e povoar aquilo ali, fazer um centro de referência em saúde é uma coisa difícil. Nós íamos começar a desenvolver alguns programas novos. Começamos a desenvolver o programa de Auxiliar de Farmácia e a gente tinha um laboratório imenso, muito bonito, só que aquilo tinha que funcionar. Então a gente quebrou um pouco a cabeça e ele começou a funcionar, começou a funcionar muito bem. E fomos abrindo cursos de habilitações novas e apresentando à comunidade, enfim, novas oportunidades de formação na área de Saúde. Então foi um período muito bom. Eu fiquei lá de 86 a 92, na Saúde. Foi uma experiência rica, muito trabalho, bem difícil, e em 92 eu fui transferida pra unidade de Osasco. Também levei um susto. Eu não conhecia Osasco, e como eu fiquei praticamente de 74, veja bem, de 74 a 92 mais voltada para a área de Saúde, quer dizer, o meu interesse era esse, o meu conhecimento foi se aprofundando um pouco nessa área, apesar de eu não ser uma profissional da saúde, mas em termos de formação, do desenvolvimento das pessoas, eu fui adquirindo um pouco de experiência nessa área. E daí eu fui gerenciar a unidade de Osasco que trabalhava com várias áreas ocupacionais, quer dizer, tinha a parte de Administração, a parte de Beleza, a parte de Informática, enfim, outras áreas ocupacionais que eu não tinha uma relação mais estreita, nem experiências muito significativas nessa área de trabalho. Foi um pouco difícil no começo, até porque eu achei a unidade minúscula quando eu cheguei lá. Eu falei: "Nossa, que coisa pequena!" Porque eu comparava com a unidade da Tiradentes que era enorme. E de onde eu saí, por exemplo, tinha movimento, tinha gente que entrava e saía, muitos alunos. Cheguei lá, a coisa era meio parada, uma cidade desconhecida. Então foi um momento difícil, mas esse momento não durou muito não. A gente conseguiu aprender muita coisa, aprendi muita coisa, a gente foi reestruturando, montando programas novos e devagarinho a unidade foi ficando mais movimentada e foi bom.

 

P/1 - Giselda, voltando um pouquinho: como você começou na Escola Senac Brasílio, qual era a sua função lá, você era orientadora pedagógica, orientadora profissional?

 

R - Não. Quando a gente começou na Brasílio Machado Neto, a minha admissão foi como orientadora profissional. Então a atividade principal era você fazer o acompanhamento e receber aprendizes que vinham das empresas. E aí todo um processo de encaminhamento, quer dizer, quando você colocava um menor na empresa você fazia um follow-up mais ou menos durante seis meses. Não só conversava com o aprendiz, depois você fazia, tinha contatos frequentes com os empregadores pra saber como é que eles estavam indo, se o menino estava tendo progressos, se dava trabalho. E pelo menos uma visita a gente tinha que fazer à empresa, quer dizer, essa era a atividade principal. Mas só que não era só isso, a gente foi tendo como incumbência, vamos dizer assim, até porque no dia-a-dia a gente era muito exigida. Então nós éramos o contraponto, vamos dizer assim, entre o corpo discente e o corpo docente. A gente permeava todo esse processo de acompanhamento das turmas. Era assim: "Fulano de tal, a classe tal é muito indisciplinada. Olha, vamos conversar com a orientação porque a orientação tem que dar um jeito e o pessoal tem que ficar mais quieto." Ou então assim: "Olha, o fulano não aprende, é preguiçoso, dorme na aula, é respondão, é agressivo, então vai pra orientação pra orientação dar um jeito." E a gente sempre tentava trabalhar essa questão dizendo o seguinte: "Olha, o problema é teu, tenta resolver aí, a não ser um caso extremo você nos encaminhe pra que a gente possa ver se é um problema mais sério ligado à saúde, ao desenvolvimento mental do menino, ou da menina." Mas enfim, tinha orientação, então os problemas eram da orientação. Então nessa a gente envolvia bastante, principalmente quando o pessoal não ia bem numa determinada disciplina quase sempre, e eu acredito que isso é até hoje, não é culpa do professor jamais, é porque o aluno não estudou, porque... Sei lá, até rotular, quer dizer, fulano é burro, é incompetente, é isso e aquilo. Mas a gente notava, e eu acho que algumas coisas a gente aprendeu muito nessa época, como por exemplo, um conhecimento mais amplo que as relações entre o professor e o aluno elas determinavam o nível de aproveitamento de uma classe ou de um sujeito. Porque se elas não foram boas realmente, a coisa vai se complicar. Então além dessa parte de acompanhamento escolar, essa parte de acompanhamento disciplinar, vamos dizer, que a gente fazia, a nossa preocupação era promover pro corpo discente todo um rol de atividades que não ficasse preso dentro da sala de aula. Então a gente usava o esporte como instrumento de educação e isso foi muito bom, a gente usava a cultura, o lazer como instrumento de educação. E todas as datas comemorativas, eu diria assim, não só as datas cívicas como Independência, essas datas oficiais, até a festinha do Dia da Árvore, a festinha do Dia do Professor, as festas religiosas, tudo isso a gente promovia atividades na escola. A gente organizava, os alunos participavam, as famílias vinham. Chegamos a fazer Páscoa na escola. Eu me lembro que a gente ensaiava as músicas de igreja, essa coisa toda, e tocava até um órgão que tinha lá, e foi uma fase bastante agitada, com muita coisa, e foi uma fase boa, eu acho que aquele momento exigia isso até pela clientela que você recebia, pessoas que não tinham tido uma boa escola e que vinham de um estrato social menos favorecido. Então a gente conseguia resultados muito bons com eles. Isso foi bom.

 

P/1 - E quando ocorreu a implantação da área de Saúde, da unidade de Saúde, você participou no começo, mas depois você saiu, você só voltou lá no dia da inauguração?

 

R - Voltei lá no dia da inauguração, participei no começo como você falou, e daí eu achava que eu ia ver aquele plano do concreto. De repente eles falaram: "Não, você vem pra cá agora, a gente está convidando você pra trainee de gerente?" "Mas eu não posso ficar lá?" "Não, tem que ser aqui no departamento regional." Daí o seguinte: como eu já tinha saído recentemente do departamento regional na área de Programação, Planejamento, etc. e tal, eu escolhi a área de Recursos Humanos pra fazer o meu estágio, vamos dizer assim, então não vi o final, não participei de toda a preparação do final da unidade especializada e fui vê-la realmente no dia em que ela foi inaugurada. Aquilo estava belíssimo, uma coisa muito bonita e eu não imaginava que ia ficar daquele jeito. Fiquei muito contente de estar lá, mas também não imaginava que duas semanas depois eu estaria gerenciando aquela unidade. Isso foi bom, foi um desafio que a gente enfrentou grande. E o tempo todo que eu passei lá, praticamente seis anos, foram anos de muito trabalho e boas realizações, e momentos de aperto também. A gente passou alguns momentos bem tristes lá, mas a gente deu conta, dentro do possível a gente deu conta da coisa.

 

P/1 - Quais os cursos que já existiam na área de Saúde e quais os que foram surgindo?

 

R - Olha, o Senac já trabalha com a área de Ótica, Prótese Dentária e Enfermagem há muitos anos. Depois, mais ou menos em oitenta ele começou a trabalhar com curso de Pedicuro, oitenta, 81, por aí, não me recordo bem. Só que quando foi a nova unidade, a unidade especializada, você trabalhava com classes de 45 alunos em média, e os laboratórios foram projetados. Por exemplo, o de Prótese para 63 alunos. Então você veja, o desafio se apresentava aí, porque trabalhar com 45 é uma coisa, trabalhar com 63 é a mesma coisa? Não, não é, o número tem uma influência, né? Os laboratórios de Ótica também foram bastante ampliados com número maior de alunos e quando eu fui pra lá a gente começou com o curso de Farmácia, como eu falei pra vocês, e o curso de Técnico de Segurança de Trabalho na área de Saúde Ocupacional, que é um curso que tinha como desafio a sua duração, um curso bastante longo, com muitas disciplinas, dezoito se não me engano, e a gente teve que reestruturar isso, montar, preparar o material devagar. Então foi difícil, mas a gente conseguiu fazer um trabalho bom e hoje em dia esse curso está em quase todas as unidades do Senac. Mas a gente foi a primeira que experimentou isso aí.

 

P/1 - Os alunos desse curso vinham de empresas? Quem que encaminhava?

 

R - Para os cursos de segurança? Olha, a comunidade em geral. A primeira turma que a gente abriu lá a gente teve que fazer um exame de seleção, nós tivemos aproximadamente mil candidatos pra quarenta vagas. Então foi assim, a gente notou que não só na época, em 86, as possibilidades de emprego na área eram maiores e eu até acredito que são maiores do que de hoje. Então havia uma possibilidade de colocação boa no mercado de trabalho, e a gente notou uma grande demanda por parte de militares e daí eu me interessei e conversei com alguns, então eu perguntei assim pra eles: "Olha, se vocês já estão com empregos, já estão empregados, trabalham na polícia, na Polícia Militar, uma coisa segura, por que vocês estão tentando uma outra coisa, não é?" "Olha, primeiro porque a gente não quer ficar, ganha-se pouco e é um trabalho de risco", principalmente o pessoal que fazia patrulhamento em rua, essa coisa toda; e "mesmo que a gente fique, a gente vai querer ter mais uma ferramenta de trabalho pra ter isso como uma alternativa num aperto econômico ou alguma coisa nesse sentido". E até hoje, bom, não faz muito tempo isso, mas até hoje você tem uma grande demanda do pessoal militar. Muitos confundem inclusive até essa formação que a gente dá que é mais voltada pra saúde do trabalhador no seu aspecto preventivo com a chamada segurança patrimonial. Então as empresas, às vezes, até admitem uma pessoa que tenha essa visão, porque ele acaba servindo aos dois lados, a parte de segurança patrimonial e a parte de segurança no trabalho, do trabalhador. Então é um curso que tem grande demanda ainda.

 

P/1 - Eu queria que você falasse um pouco mais dos laboratórios que são necessários pro desenvolvimento dos diversos cursos. Como essas instalações existem?

 

R - Hoje? Você fala hoje?

 

P/1 - Na sua época.

 

R - Os laboratórios da minha época, digamos assim, da unidade especializada, eles passaram por uma reformulação, eu não diria que era no seu aspecto técnico, talvez tenham, faz muito tempo que eu não vou lá pra examinar, talvez tenham adquirido algum equipamento mais moderno, alguma coisa nesse sentido. Eles foram reformulados em função de uma exigência da prefeitura de São Paulo, porque o laboratório, por exemplo, o laboratório de Prótese, 63 bancadas, os alunos trabalhavam com o Bico de Bunsen, então eles tinham que usar o gás encanado. A prefeitura falou: "Não, é uma lei, toda a área que oferece risco ela tem que ser isolada." Então eles exigiram que o Senac fizesse uma modificação, isolasse as áreas que você trabalhasse com gás, por exemplo. Então foram construídas paredes separando os laboratórios que os alunos manipulavam gás de uma outra parte onde o gás não era necessário. Essa foi a modificação feita, uma questão de segurança, eu diria. Mas os laboratórios... O Senac sempre teve uma preocupação muito grande em manter o equipamento mínimo indispensável para que o aluno pudesse praticar aquilo que ele aprendia. Por exemplo, se era fazer uma lente, ou se era pra montar dentes, ou uma dentadura ou uma prótese removível ou uma prótese parcial, alguma coisa nesse sentido, quer dizer, eles dispunham de todo o instrumental e todo o equipamento necessário, na minha época, e agora. Quer dizer, nessa parte não houve nenhuma modificação.

 

P/1 - Giselda, como vocês detectam na área de Saúde a necessidade de novos cursos?

 

R - Aí é uma pergunta difícil. Muitas vezes é o seguinte: há uma grande queixa de alguns setores da saúde que você... Por exemplo, eu acho que todo mundo já escutou falar do trabalho dos hospitais, o hospital atende mal, a mídia está sempre trazendo casos e casos sobre o atendimento na área de saúde de maneira geral, tanto vai mal na saúde pública como a nossa saúde hospitalar seja do poder público ou seja do poder privado. Então a gente sabe que algumas profissões, por exemplo, na área de saúde, o maior número de profissões regulamentadas está na área de saúde, e o profissional de nível técnico, de nível médio, eu diria, ele tem que ter uma qualificação, trabalhar com gente, trabalhar com saúde é uma coisa que exige uma formação básica. Isso é importante, precisa ter. E a gente detecta isso facilmente através dos contatos que a gente tem com o pessoal da área de saúde e também os profissionais da área procuram o Senac pra dizer: "Olha, eu estou precisando treinar um grupo de pessoas que... Nisso, nisso e naquilo." Aí o SENAC monta o programa e enfim, acabamos contribuindo de alguma forma pra melhoria da qualidade aí, do pessoal, do atendimento, etc.

 

P/1 - As empresas chegam a solicitar determinados cursos, os hospitais?

 

R - Chegam. Às vezes é um diagnóstico que parte deles, e, às vezes, é um diagnóstico que parte do Senac, então a gente monta uma turma, digamos assim, uma turma que acontece na unidade, você divulga aquele programa e as pessoas vêm fazer. Se vêm é por alguma razão, ou porque têm interesse naquele assunto ou querem se aperfeiçoar, ter dados mais atuais. Então é uma área muito rica em oportunidades.

 

P/1 - Agora, falando um pouco mais da unidade de Osasco. A unidade de Osasco surgiu como pólo avançado?

 

R - Não, eu não tenho conhecimento não. Foi uma unidade que foi planejada pra funcionar em Osasco, aqui na Grande São Paulo, porque já havia em Santo André, já havia em Guarulhos que são cidades grandes, e aqui na região oeste a maior cidade é Osasco. E Osasco não tinha, então foi, ela foi projetada pra isso. É uma unidade muito bonita, eu diria até que ela é de porte médio, já modifiquei o meu parâmetro inicial de quando eu cheguei lá que eu achei minúscula. Mas ela é uma unidade de porte médio, hoje ela é unidade operacional e ela trabalha em várias áreas. Como não poderia de ser, ela tenta atender à comunidade em todas as frentes de trabalho.

 

P/1 - Giselda, eu queria que você falasse a diferença da unidade especializada da unidade operacional. Quase ninguém falou.

 

R - Olha, a unidade especializada, por exemplo, ela trabalha com uma área só, então por exemplo, a Saúde, ela trabalha com a área de Saúde com o que: com Ótica, que é uma subárea, digamos assim, com Prótese, com Pedicuro, com Saúde Pública, com Saúde Ambiental, enfim. A unidade de Beleza , por exemplo, é uma outra área especializada, trabalha com a área de Cabelo, área de Maquilagem, a área de Cosméticos. E a unidade de Osasco, por exemplo, ela trabalha com a área de Saúde, a área de Beleza, a área de Informática, a área de Administração, a área de Varejo, a área de Educação, a área de Negócios, enfim, é uma série... De Recursos Humanos. Em Osasco, especificamente, nós com onze áreas de ocupacionais e é óbvio que nós não temos uma resposta boa das onze áreas, nós temos algumas respostas concentradas. Eu diria que a área de Saúde vai bem lá, a área de Administração também, a Informática, eu acredito que a Informática vai bem em todo lugar, porque é uma necessidade grande de toda a sociedade. E que mais que eu tenho, que vai indo bem lá, a área de Moda e Decoração vai indo bem. As outras estão tendo um comportamento bom, e outras não tão bom como a gente gostaria que tivesse. Mas enfim, a caracterização de uma unidade operacional hoje em dia é a diversificação de áreas de trabalhos que você faz. Então de vez em quando a gente dá risada porque você está correndo atrás, por exemplo, preparando o ambiente pra você dar uma aula na área de Gastronomia, então ensinar alguém a fazer um salgadinho, e ao mesmo tempo na sala ao lado você está preocupada se o computador está funcionando ou se você está com material adequado e preparado já pra você desenvolver uma aula pra secretária. Ao mesmo tempo você vê gente interessada em fazer salgadinho, a outra está confeccionando lingerie na outra sala, quer dizer, é uma loucura. De vez em quando fica meio engraçado. Mas é um trabalho bastante dinâmico, obriga a gente a estar atenta ao mesmo tempo a essa diversidade de atividades que você pode proporcionar.

 

P/1 - Quem que define as diversas atividades que uma unidade como a sua desenvolve?

 

R - Quem define, você tem as áreas ocupacionais na área de Comércio e Serviços, e quem define a programação de cada unidade, estabelecidos os parâmetros pela administração central, é a equipe técnica de cada unidade. Então se você acha que deve dar ênfase a determinados programas, sei lá, uma unidade pode ter a área de Saúde trabalhando com uma turma de um determinado curso, a outra tem esse mesmo curso, mas tem cinco turmas. Quem define isso é a equipe técnica de cada unidade através de alguns parâmetros que são definidos pela administração central e pelas unidades especializadas. Então é assim que a gente monta o trabalho da gente.

 

P/1 - E você sentiu alguma diferença, por exemplo, do cliente que vem, que está aqui em São Paulo e do cliente que está em Osasco, apesar de ser tão perto?

 

R - Em termos de clientela específica eu acredito que não. O que a gente nota são alguns costumes que apesar de Osasco estar perto, o pessoal de Osasco, por exemplo, mantém o comportamento de uma pessoa de uma cidade grande, mas ao mesmo tempo demonstra algumas coisas de cidade do interior. Então, por exemplo, eles convidam muito pra gente participar de festas da comunidade, eu acho interessante porque a prefeitura nos manda convites assinados pelo prefeito, e assim são vários, não dá nem pra responder e muito menos pra gente participar. Assim, olha: "Vamos inaugurar a rede asfáltica do bairro não sei o quê." Quer dizer, imagina aqui em São Paulo como é que fica isso. Então a gente nota que a clientela tem... Eles chegam mais cedo lá. Por exemplo, é engraçado, a unidade de Osasco fica na região central, não sei se vocês conhecem, mas ela tem um calçadão que parece um formigueiro o dia inteiro, é gente que vem, que vai, seis horas você passa por lá e vai sumindo o pessoal, seis horas da tarde some, limpa, sete horas nem se fale, oito horas você vê uma ou duas pessoas andando no calçadão, e é uma região central, some todo mundo. Aí está alguma coisa diferente, quer dizer, no interior também você... À noite nas praças, se a cidade é pequena não tem ninguém, só no final de semana que tem o footing, nem sei se tem mais o footing no interior, mas no meu tempo tinha. Mas a igreja da matriz, a praça da matriz concentra a população maior. Em Osasco o povo some à noite, agora melhorou um pouquinho porque eles abriram um shopping muito grande ali no calçadão, então você tem algum movimento, mas é uma coisa totalmente diferente se for observada a rua às oito horas da manhã, às quatro da tarde e às seis da tarde, pronto, é outra coisa. É uma coisa que aqui em São Paulo você não vê, pode sair três horas da manhã que tem gente na rua, diminuiu, mas ainda tem.

 

P/1 - Certo. E, Giselda quais são as perspectivas do Senac para o futuro?

 

R - É, nós estamos preocupados com o futuro. O Senac já traçou pra década de noventa uma proposta estratégica pra década, e nós estamos trabalhando nela ainda, cada dia é um dia novo, é uma conquista nova que a gente consegue ter com relação a obtenção de resultados ligados à nossa proposta estratégica. E isso é difícil por um lado, porque se constitui um desafio. A gente se pensar como vai ser, como vai estar o Brasil, como vai estar o Estado de São Paulo, a cidade de São Paulo, Osasco e as demais cidades do interior aqui do Estado daqui a três anos já é um exercício difícil, mas nós estamos preocupados com essa questão e eu até, talvez, não quero simplificar a coisa, eu acho que cada vez mais a sociedade vai precisar de indivíduos que tenham uma educação autônoma, eu diria. Pessoas que possam buscar o seu conhecimento, possam adaptar às mudanças que cada vez são mais numerosas e estão acontecendo numa velocidade muito grande. Então eu acredito que vai ser uma loucura daqui um tempo e esse tempo eu não acho que é longe não, pode ser daqui a dois anos, três anos, eu não sei, você tentar trazer esse povo sempre pra um espaço formal de aprendizagem. Então o Senac já está preocupado com isso. Já estamos pensando em cursos à distância, principalmente nas grandes cidades onde a locomoção vai ficar cada vez mais difícil, onde os alunos possam, as pessoas possam acessar, chegar a ter um conhecimento através de uma outra tecnologia e não simplesmente você continuar entendendo que a aprendizagem e o conhecimento chegam através de uma sala de aula, não. Isso é uma coisa que a gente já não tem isso como foco, quer dizer, procurar outras formas de desenvolvimento e a formação do indivíduo mais autônomo.

 

P/1 - Giselda, agora, pra encerrar a nossa entrevista, eu queria que você falasse pra gente rapidamente o que você achou de ter passado essa hora falando da sua experiência pessoal, da sua experiência profissional.

 

R - Olha, eu me senti muito à vontade. É óbvio que agora nesse segundo momento você tem um refletor, é uma coisa mais, digamos assim, um pouco mais formal no segundo momento. No primeiro eu acredito que eu fiquei mais à vontade, mas eu gosto muito de conversar e eu acho que as boas experiências que a gente teve profissionalmente, até na vida pessoal, eu acho que elas devem ser compartilhadas. Então olha, eu senti, me senti muito bem, viu? Gostei, vocês foram muito simpáticos, me deixaram também à vontade, embora eu ter achado agora que eu fiquei um pouquinho mais... Mas eu acho que eu não estou acostumada a luzes e refletores, essa coisa toda, ntão talvez tenha sido isso. Mas foi bom, foi bom ter participado.

 

P/1 - A gente agradece muito.

 

R - Obrigado a vocês.

 

P/2 - Obrigado.

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