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História

A revolução do amor

História de: Raphaela dos Santos Rei
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Infância no Rio de Janeiro e reclusa. Dificuldades de socialização na escola. Separação dos pais. Pai preso. Desmotivação para continuar os estudos. Depressão. Religião Wicca. Transtorno Dissociativo. Internação voluntária no Hospital Psiquiátrico. Descoberta do Pole Dance. Transformação de vida. Maternidade. Videoclipes e novos projetos.

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História completa

Hoje eu estou fazendo até um clipe sobre tudo isso… Já tinha descoberto uma paixão pela dança, descobri antes de eu ter passado por isso que eu vou contar, que foi um pouquinho antes da minha internação na clínica psiquiátrica. Nessa época, no iniciozinho, teve um dia que eu acordei e eu simplesmente não conseguia mais falar. E era um não falar por ansiedade. Era tanta ansiedade, tanta agitação que eu tava sentindo que os meus pensamentos estavam flutuando tão rápido que as palavras só não saiam mais, o meu diálogo ficou completamente interno. Na época eu só parei de falar e ponto. E eu precisava encontrar uma forma de fazer com que as pessoas me entendessem sem usar as palavras. Não era nada fisiológico, era totalmente sentimental, mas era assim, a voz não saia, mas eu poderia falar muda, mas ninguém me entendia. E aí eu comecei a deixar a criatividade fluir, e aí eu comecei a usar a minha expressão corporal e facial, como a gente usa totalmente na dança. Porque não é só se movimentar, a dança é uma coisa que é teatral também. E eu fui deixando tudo isso fluir nessa época, durou umas duas semanas mais ou menos sem falar nada, e eu comecei a conseguir, o mais legal é que eu consegui me envolver com as pessoas só assim, dessa forma, fazendo mímica. Eu conseguia me sentir compreendida, eu pensei: "Meu Deus, é isso, me encontrei no mundo, as pessoas me entendem pela expressão corporal, pela dança mesmo”. As vezes eu precisava dançar mesmo para as pessoas me entenderem, é claro que era diferente de uma performance e tal, mas eu dançava mesmo. 

O meu primeiro contato com a dança foi um pouquinho depois deu ter largado o colégio. Eu descobri que eu amo dançar, e aí eu descobri o maravilhoso Pole Dance. E eu descobri o meu mundo ali, porque não é só a dança, é uma dança que tem muita adrenalina, e isso eu amo. E aí foi perfeito.

Quando eu estou dançando… Nossa eu… Dá até uma coisa assim dentro do peito… Eu me sinto infinita, porque vai além. Eu sinto que todos os meus medos vão embora, ou no mínimo eles entram numa salinha e ficam escondidinhos ali e eu nem percebo que eles estão ali, e isso me dá muita, muita, muita vontade de viver, cada vez mais. Quando eu estou me movimentando eu me sinto conectada com a melodia da música também, eu sinto como se eu tivesse fazendo um trança no cabelo, mas em um cabelo gigante que nunca acaba… Porque é uma conexão assim, e meio infinita. Porque os movimentos, quando eu estou dançando, eles vão falando um dentro do outro, quando eu agacho e levanto e pulo e desço, ai eu subo, é tipo uma montanha russa. Falando de sentimento, primeiro eu me sinto subindo na montanha russa e de repente eu desço, aí dá aquela sensação de frio na barriga, e depois eu sei que vou subir de novo. E o mais legal é que apesar de toda essa adrenalina e diversão, eu acho que a montanha russa descreve perfeitamente o que eu sinto. Porque apesar dessa adrenalina toda, eu me sinto muito segura.

O clipe surgiu nesse momento da minha vida atual, que eu estou concluindo a minha capacitação para finalmente eu realizar o meu sonho de dar aula. E além da criatividade eu quero unir o meu trabalho, o meu propósito de vida, com a minha história de vida, porque afinal se eu não tivesse passado por tudo o que eu passei eu não seria quem eu sou hoje, então eu quero mostrar para as pessoas todo o caminho. Porque como eu já tive experiências de Transtorno Dissociativo, ansiedade, depressão, desmotivação para estudar, meu pai preso, todas essas coisas, e também, pra quem sabe motivar alguém que hoje pode estar passando por isso e esteja precisando de uma luz. Então alguém pode se inspirar e fazer algo que nem eu estou fazendo agora, pegar tudo o que você passou, que é, você não sentir vergonha do que você passou, mas se sentir mais forte com isso, demonstrar para as pessoas e transformar isso numa coisa bonita, que pra mim é arte. Eu acredito que todo mundo tem uma arte, mesmo aquelas pessoas que não se identificam em trabalhar com a arte, mas elas têm no mínimo como um hobby. Enfim, fazer com que tudo que passou de intenso se tornar uma coisa linda.

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