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História

A ressignificação da era da solidão acompanhada

História de: Mike Faria da Cruz
Autor: Mike Faria da Cruz
Publicado em: 21/07/2020

Sinopse

Diário de Mike Faria da Cruz, 27 de junho de 2020.

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A casa foi ressignificada, para além do morar, ganhou status de sentimento e privilégio. novos sentidos e ultrapassou apenas o habitar e as quatro paredes. “Quem casa quer casa” diziam eles, ou melhor, nós nas brincadeiras do pré pandemia, mas agora todos queremos e fazemos o possível para nos manter nela. As máscaras deixaram os carnavais e as festas de fantasia apenas e invadiram nosso cotidiano. Nunca antes foi tão importante o olhar que acolhe, informa e transmite cuidado, sem abraços perdemos um pouco da nossa identidade, mas também ganhamos a chance de repensarmos nossas formas de sociabilidade e afetividade, afinal, será que é realmente necessário já abraçar de cara alguém que você não conhece ou até mesmo está vendo pela primeira vez? “Mais do que estar em casa, é preciso se sentir em casa”, acredito que esse é o maior ensinamento que vou levar desse período de quarentena. Essa expressão acompanhou uma postagem minha no instagram em maio, mês do meu aniversário de vinte e dois anos, e provavelmente vem me provocando reflexões diariamente. A sensação é de que estou vivendo de nostalgia e expectativas, que se perdem e ao mesmo tempo se nutrem das incertezas. Antes mesmo da pandemia nos atingir, eu buscava fazer passeios sozinho para curtir os momentos ao meu tempo e do meu modo, como ir a museus na Praça da Liberdade sem precisar preocupar com o tempo gasto em uma exposição do CCBB ou ir no Cine Belas Artes ver aquele filme que me chamou a atenção logo pelo cartaz, isso sem precisar lanchar depois, o que provavelmente faria dependendo do amigo ou amiga que estivesse me acompanhando, podendo ainda correr para pegar o ônibus e enfim chegar em casa em uma hora razoável. Isso tudo agora são lembranças, boas por sinal, e motivações para continuar a cada dia e encontro online feito com sucesso. Fato é que é preciso encarar a realidade e se adaptar para lidar com os desafios. Podcasts e cursos online estão sendo minhas maiores companhias durante o isolamento social, a cada tema diferente, vivências conflitantes e experiências sonoras que me deparo, me sinto ao mesmo tempo junto de alguém, tão perto mas tão longe que, acima de tudo, compartilha comigo momentos e pontos de vista. As reuniões e cursos entram na famosa produtividade, desejada por muitos e alcançada por alguns. Aproveitei para participar de treinamentos e capacitações que antes, talvez, não teria tido a oportunidade, me joguei em reflexões relacionadas a minha formação, como o jornalismo na pandemia, a cobertura do Covid-19 agora e no futuro, comunicação digital, marketing ligado a causas e até um curso sobre fascismo ganhou espaço na minha “nova” rotina. As aspas tornam-se necessárias pois o confinamento não foi totalmente uma surpresa para mim. Desde janeiro deste ano, após concluir a graduação de jornalismo e, consequentemente, o estágio de quase dois anos, estava em casa, experimentando na pele o drama do jovem recém formado a procura do primeiro emprego. Nesse tempo, enquanto a oportunidade não aparecia, me joguei em projetos paralelos, além de dar continuidade a colaboração voluntária que já fazia para um portal de jornalismo cultural, aliás, minha principal via de produção de conteúdo no confinamento.

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