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História

A prosperidade vem de trem

História de: José Lins Guglielmi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/10/2016

Sinopse

José Lins começa sua entrevista nos contando a respeito de sua origem baresa, a viagem de seus pais para o Brasil e os inícios do comércio na Zona Cerealista. Aqui, conta como os trens foram fundamentais para formar um complexo de abastecimento alimentício no Brás. Em seguida, fala sobre sua infância no bairro, quando brincava de bola na rua, andava no Parque Dom Pedro II, no Parque Shangai, entre outros lugares. Adiante, fala da relação entre Rua Paula Souza, Rua Santa Rosa e Mercado Municipal. A seguir, ouvimos sobre seus inícios no comércio importador e seu crescimento como atacadista, até chegar nos dias de hoje.

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História completa

Você imagina que do lado da Santa Rosa, onde hoje é a rua Américo Brasiliense, era o depósito de carvão coque da companhia inglesa, que descarregava o coque que vinha de Santos e do Largo do Pari até a Companhia de Gás na rua do Gasômetro, por isso que chama gasômetro, tinha um trenzinho que eram seis vagões, uma locomotiva pequenininha que saía carregada de carvão e vinha no gasômetro. Ele encostava. Então esse trenzinho tinha locomotiva, que era pequena, a locomotiva e seis vagões. Ele encostava no gasômetro, parava, tinha uns ganchos que pegavam ele aqui e naquela época virava os seis vagões de uma vez numa gremalheira pra produzir o gás de São Paulo. E por incrível que pareça, nas bocas de lobo em volta saía o gás, perigosíssimo, você passava na Santa Rosa, na rua do Gasômetro, na rua da Figueira, saía o gás da produção de gás. E você vai estranhar, as mulheres levavam as crianças pra respirarem esse gás que diziam que fazia bem pros pulmões. É um veneno e levava, era comum levar lá. Essa era a companhia de gás e esse trenzinho da Santa Rosa ficou muitos anos transportando. Quando os caminhões começaram a aumentar de tamanho paravam nos armazéns da Santa Rosa e o trenzinho não podia passar. os trenzinhos pararam e esse transporte começou a ser feito com caminhão, que foi aberta a rua Mendes Caldeira pra pegar por trás a Monsenhor Andrade pra descarregar no Gasômetro. Inclusive foi um problema pro bairro porque os trens dos ingleses sempre foram perfeitos, podem falar o que quiser, quando saíam do gasômetro os trens saíam cobertos e os caminhões não. Então se tornou um problema pro bairro inteiro que se transformou num tremendo aquele transporte dos caminhões com o carvão.O motivo do arroz e o feijão ser a base da alimentação brasileira tem uma parte de sabedoria popular. O casamento do arroz e feijão, que o arroz é um cereal e o feijão não é cereal, é uma leguminosa, é o único casamento no mundo de que a dona de casa de manhã faz o arroz e feijão pro almoço dos filhos e faz a mais pra jantar do marido, pra família, e na hora da janta ela pega a marmita do marido, lava, pega o arroz que ela fez de manhã e o feijão, põe na marmita, frita um bife e um ovo, põe dentro, fecha a marmita. O marido leva pro serviço sem geladeira, esquenta e está bom. Então naquele tempo não tinha geladeira, qualquer outra mistura que você fizesse, arroz e lentilha, arroz e grão de bico, arroz e qualquer outra coisa, em 12 horas no verão você ir pra roça ou ir pra tua fábrica e esquentar a marmita está estragado. O arroz e feijão, um bife e um ovo frito sem geladeira, põe na marmita, à noite dorme, leva pro teu serviço, na hora do almoço esquenta, pode comer que está bom. O brasileiro não aprendeu a comer arroz e feijão por isso ou por aquilo, é porque não estragava e naquele tempo não tinha geladeira. Então qualquer marmita que você levasse, qualquer uma, se você pegar arroz, feijão e frango ela estragava. Você põe arroz e lentilha, estraga. O arroz e feijão até hoje, quem está no sertão e tudo o mais, põe arroz, feijão, um bife, farinha de mandioca, 24 horas pode comer que está bom. Este é o motivo do arroz e feijão.

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