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História

A porta-bandeira dos Prazeres

História de: Zilda Bernadete
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/06/2020

Sinopse

Entrevista de Zilda Bernardete. Conta a sua chegada no Rio de Janeiro e um fato que marcante, sua passagem pelo bloco Acadêmico dos Prazeres e seu amor por duas amigas.

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História completa

P/1 Dona Zilda, por favor, me diga seu nome completo. 

 

R – Em primeiro lugar, boa tarde. O meu nome é Zilda Bernardete. 

 

P/1 – Local e a data de nascimento da senhora. 

 

R – Sou de 18 de dezembro de 1932.

 

P/1 – A senhora nasceu onde?

 

R – Niterói. Esse era o nome do lugar.

 

P/1- Quando e por que sua família veio morar em Morro dos Prazeres?

 

R – Quem veio foi só eu. 

 

P/1 – A senhora veio sozinha?

 

R – Sozinha. 

 

P/1 – Por que?

 

R – Porque eu queria conhecer o Rio de Janeiro,  e aí eu fugi de casa. 

 

P/1 A senhora podia dizer uma lembrança marcante, que a senhora tem sobre a sua chegada?

 

R - Na minha chegada eu vi um incêndio, que nunca em minha vida eu tinha visto. 

 

P/1- Incêndio? Onde?

 

R – No antigo Tabuleiro da Baiana. 

 

P/1- Onde era o Tabuleiro da Baiana?

 

R - Era perto da Igreja Santo Antônio, onde agora é A Carioca.

 

P/1 – Incêndio de que?

 

R –  Estava pegando fogo num prédio, pra mim foi uma festa. Nunca tinha visto um incêndio assim.  

 

P/1- Dá para a senhora contar uma história interessante e engraçada, ligada à sua convivência no Morro dos Prazeres?

 

R – Engraçada? Qualquer uma?

 

P/1- Qualquer uma.

 

R – Por eu ser muito ligada e ficar rindo muito [risos].

 

P/1 – A senhora sabe me dizer porque o nome Morro dos Prazeres?

 

R – É porque era um morro muito bom, muito calmo e gostoso. Por isso deu-se o nome de Morro dos Prazeres. 

 

P/1 – O que a senhora acha desse morro?

 

R - Agora não é mais Morro dos Prazeres [risos].

 

P/1 – Conta pra gente a sua passagem pelo Acadêmico dos Prazeres. 

 

R – Foi muito bom aquele bloco e me deu muita vida. 

 

P/1- E a senhora saiu em que ala?

 

R – Na ala das baianas.

 

P/1 – Sempre?

 

R – Aqui nos Prazeres? Aqui eu fiquei a primeira porta bandeira do bloco. 

 

P/1 – E em outros lugares, a senhora participou de algum desfile?

 

R – De bloco?

 

P/1 De bloco, de escola?

 

R – Posso dizer todos eles?

 

P/1- Pode.

 

R – Saí no Unidos da Ponte, no Canarinho das Laranjeiras, no bafo da onça e vim terminar aqui em Santa Teresa. 

 

P/1- Com o Acadêmicos dos Prazeres?

 

R – Com os Acadêmicos. 

 

P/1 – A senhora tem alguma história ligada ao Casarão? Pra poder contar?

 

R – Um casamento que eu vim aqui. 

 

[pausa]

 

R – Antigamente a gente não chamava aquilo de Casarão. “Vamos pros Padre.” [risos]

 

[Pausa]

 

P/1- Dona Zilda, onde foi esse desfile, esse desfile que está nessas fotos?

 

R – Foi no Meyer.

 

P/1- Qual foi o bloco?

 

R - Acadêmicos dos Prazeres. 

 

P/1- A senhora pode me dizer quem são as pessoas da foto?

 

R – Essa aqui sou eu.

 

P/1- E a do meio?

 

R –Essa aqui é meu baliza. 

 

P/1- E a outra?

 

R –Essa menina é uma vizinha.

 

P/1- A senhora sabe o nome dela?

 

R – Não. O nome dela eu não sei. 

 

P/1- E o tema do bloco na época? A senhora sabe qual foi?

 

R – Não lembro.

 

P/1- Esta é uma foto que a senhora tirou de porta bandeira no Acadêmicos dos Prazeres. 

 

R - Sim de porta bandeira dos Acadêmicos dos Prazeres. 

 

P/1- Obrigada.

 

[pausa]

 

R - Membros do Carnaval em 1980, às seis horas da manhã. O meu colega tirou essa foto e eu guardei como lembrança.

 

P/1- Dona Zilda, onde é esse lugar?

 

R - Isso aí é na quadra, ali naquela subida. 

 

P/1 A quadra da...

 

R – Aqui do Morro dos Prazeres. 

 

P/1- A senhora lembra um pouco do sambinha deste ano?

 

R – Não lembro. Faz tantos anos. 

 

P/1- A senhora pode me dizer quais são essas pessoas que estão lá na foto?

 

R – Uma é a dona Laurite. Ela já morreu. Todas duas morreram. E a outra é dona Sebastiana. 

 

P/1 – Por que a senhora guardou essas fotos?

 

R - Porque eu amava muito as duas, o morro e o bloco, então, guardei de recordação. 

 

P/1- A conclusão que a gente tira é que essa época foi ótima pra senhora. 

 

R – Claro. Eu estava lá junto. Estava chegando do Carnaval. Eram seis horas da manhã. 

 

P/1- Obrigada.

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