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A Petrobras Explora Petróleo

História de: Mailton Freitas da Silva
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/12/2021

Sinopse

Mailton explica, durante a entrevista, que candidatou-se à vaga da Petrobras por entender que a empresa representava uma carreira estável além, segundo seu olhar, de prestar serviços relevantes ao país. Considera também que as atividades nas quais trabalha, fora das plataformas, são menos valorizadas, mas as considera igualmente importantes.

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História completa

Projeto memória dos trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Mailton Freitas da Silva Entrevistado por Inês Gouveia Macaé, 04 de junho de 2008 Código: MBAC_CB031 Transcrito por Luísa Lima Revisado por Valdir Canoso Portasio P/1 – Vou pedir que você comece dizendo seu nome completo, local e data de nascimento. R - Meu nome é Mailton Freitas da Silva. Nasci em primeiro de dezembro de 1957, no Rio de Janeiro. P/1 – Quando você entrou na Petrobras, Mailton? R – Entrei na Petrobras em Outubro de 1990. P/1 – E na ocasião você entrou por quê? Qual foi a motivação? R – Entrei na Petrobras porque buscava por um emprego estável e também para participar, de certa maneira, do desenvolvimento do Brasil. Porque sempre tive uma aspiração por trabalhar nas grandes empresas do estado, né, ou a Petrobras, ou a Vale do Rio Doce, na época, tá? Que eram as empresas mais dinâmicas, mais importantes do Brasil. P/1 – Na ocasião, há 18 anos, como a Petrobras era conhecida? R - Olha, a Petrobras era, ao mesmo tempo, menos e mais conhecida. Era menos conhecida como uma empresa de exploração de petróleo e mais conhecida como uma empresa de refino e distribuição de combustíveis, né? A gente não tinha a parte de extração de petróleo, principalmente offshore, era praticamente desconhecida, tá? Eu conhecia alguma coisa porque já tinha um ou outro colega que trabalhava na empresa. Mas a maioria da população não tinha muita ideia do que a gente fazia no mar, por exemplo, na área de extração de petróleo. A empresa era muito conhecida mesmo como refinadora e como distribuidora de combustível. P/1 – E quando você entrou qual era a sua formação Mailton? R – Eu sou engenheiro mecânico. Formei-me na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entrei no curso de formação de engenheiros de petróleo da Petrobras em Salvador. Onde até hoje existe esse curso de formação que instrumentaliza engenheiros de outras especialidades para a engenharia de petróleo, né? Que... Adaptados ao trabalho na produção, perfuração e completação de poços marítimos. P/1 – Então o seu primeiro contato com a Petrobras foi por meio desse curso em Salvador? R – Foi com esse curso em Salvador. Chamava de CEEP [Curso de Especialização em Engenharia de Petróleo], ainda hoje chama. É de 1989, não é? É um curso de formação, éramos na época 150 rapazes e moças. Fazendo o curso de formação. P/1 – Esse curso tinha duração de quanto tempo? R – Esses cursos de formação podem ser variáveis de acordo com algumas necessidades da empresa. Mas, no meu caso, foi cerca de um ano e meio. Equivalia a uma extensão, equivale a uma extensão universitária, uma especialização, uma pós-graduação lato sensu, sem defesa de tese. P/1 – Quando você entrou então, qual foi a sua função? Em que você trabalhava? R - Fui enviado a Macaé, fiz rápidos estágios na parte de avaliação e de operação, mas fui lotado direto na antiga divisão de reservatórios da RPSE [Região de Produção do Sudoeste]. P/1 – E hoje você trabalha onde? R – Eu continuo trabalhando em reservatórios. Eu continuei na linha de trabalho de reservatórios. Passando pelas diversas mudanças que teve a estrutura da companhia durante todos esses anos. Nomes de setores mudam o tempo todo, mas continuei trabalhando na atividade de reservatório. P/1 – Você pode contar um pouco pra gente como é seu cotidiano de trabalho hoje? R - É, os funcionários administrativos da Petrobras nem sempre são tão visíveis quanto os funcionários offshore. Mas acho que a gente desempenha um trabalho igualmente essencial, porque é necessário que alguém tenha, faça algumas partes, algumas atividades técnicas. Como engenheiro de reservatório, o que é que eu faço? Eu faço previsões de produção, analiso comportamentos, desempenho dos campos de petróleo, procuro opções mais econômicas ou que aumentem a produção de petróleo, tanto em volume, quanto em quantidade recuperável final. Isso a gente faz através de uma integração com a parte da geologia e da geofísica, usando modelos matemáticos, simuladores de reservatório pra poder que a gente visualize as alternativas e as... como é o nome? As alternativas e as... e os desafios que possam ter um campo de petróleo. Campos de petróleo podem recuperar, dependendo de como ele é explorado, entre dez e 60% do óleo que tenha dentro dele. E essa definição vai ser feita, em grande parte, pela divisão de reserva... ou, pelo setor de reservatórios de cada ativo. P/1 – Nesse sentido e pensando um pouco na questão da produção, mas também, em relação à história pessoal com a Petrobras em Macaé, qual foi o período mais marcante desse complexo aqui da Bacia de Campos? R – Olha, o período mais marcante do complexo da Bacia de Campos foi quando o complexo de Marlim, as plataformas, a partir da P-26, começaram a entrar em sequência. A produção aumentou de uma maneira dramática e a atividade como um todo, na cidade, de todos os envolvidos na atividade de petróleo aumentou de uma maneira, assim, estupenda. Toda a atividade deu uma grande explosão. Foi Marlim, digamos assim, que dobrou a produção a partir da entrada principal dele e começou a entrar realmente em meados da década de 1990 e aí foi que a produção foi alavancada. Ela dobrou. P/1 – Suponho que tenha sido nesse momento que houve um boom também de trabalhadores? R – Não exatamente. Porque acontece que a empresa teve um... é, questão, eu não vou discutir as questões empresariais, não é? Mas, entre 1990 e 2000, praticamente não foram contratados empregados novos. Esse período também foi um período muito complicado porque a força de trabalho era limitada e nós estávamos aumentando muito a produção e a força de trabalho era muito limitada como um todo. A gente começou a admitir, digamos assim, funcionários novos a partir de 2000, alguns funcionários e, maciçamente, começamos a recuperar nossa capacidade de trabalho por volta de 2003. Teve uma turma de engenheiros de petróleo em... acho que foi em 2000, que tinha 30 pessoas. E a minha turma de 1990, eram 150. Entre 1990 e 2000 e pouco, não entrou nenhum engenheiro de petróleo na empresa. Então, a gente teve um período muito pesado de trabalho, porque a gente tinha muito pouca gente. Agora tem entrado algumas turmas, tanto de engenheiros, quanto de operadores e geólogos, e a gente agora tá adequando o perfil da força de trabalho à quantidade de trabalho. E, ainda mais, a gente ainda está com deficiência, porque em princípio, cada vez que a gente, a gente tá descobrindo cada vez mais, mesmo que não seja na bacia, mas fora, e isso exige transferência de pessoal experiente da bacia pras novas atividades no pré-sal, por exemplo. Então, a demanda de pessoal vai continuar alta durante muito tempo ainda. P/1 – De qualquer modo, Mailton, eu tenho a impressão de que o convívio é muito intenso entre os trabalhadores da Petrobras. Isso se confirma? R – É, é intenso. Eu tenho ótimos amigos na empresa e lembre-se que isso aqui é uma cidade de petróleo: ou você trabalha na Petrobras, ou trabalha com a Petrobras, ou trabalha para a Petrobras. Então, digamos, você não consegue, digamos, sair do serviço. Você está 24 ho... não vou dizer 24 horas, mas você contata com o seu pessoal, com os seus colegas em todo o caso. Não é como a cidade do Rio de Janeiro que você saia do trabalho e vai pra casa e não vê seu colega. Você vai ao supermercado, você encontra um colega, você vai ao cinema, você encontra os seus colegas, seus filhos estudam com os filhos dos seus colegas. Então, é um convívio muito, muito intenso. P/1 – Apesar dessa multiplicidade, dessa, até, diversidade, você conseguiria me dizer o perfil do trabalhador da Bacia de Campos? R - O perfil do trabalhador da Bacia de Campos, em princípio, é de pessoas que se esforçam, são determinadas e são corajosas. Porque existe um desafio muito grande e precisa de coragem muito grande pra enfrentar determinados desafios. Não precisa, necessariamente, coragem física, mas coragem de assumir esses desafios, tá? Porque a cada dia que passa os desafios continuam aumentando, eles não diminuem com o tempo, eles só aumentam. P/1 – Por falar em desafio, qual foi o seu maior desafio ao longo desses 18 anos? R – O maior desafio que eu tive foi completar o meu mestrado, em termos pessoais, né? Completar o meu mestrado, trabalhando e estudando ao mesmo tempo, né? Em 2003 eu fechei o mestrado. Depois de três anos, foi um desafio pessoal grande. O maior desafio profissional foi o desenvolvimento e o apoio que se dá à parte de incrustação de reservatórios que eu tenho dado na bacia que é a parte que eu me dedico mais, né? Sobre as incrustações salinas e reservatórios de petróleo em curvas de produção, que é a parte que tem dado mais prazer, mas também me causa mais dor de cabeça, o tempo todo, né? P/1 – Seria essa também, você identifica o seu maior desafio com a maior dificuldade, ou há outro momento que você diga que foi o momento de maior dificuldade desses anos todos? R – Hum... maior dificuldade. Olha, no âmbito profissional, a maior dificuldade mesmo foi durante o final da década de 1990, tinha muito pouca gente, tava com muito pouco pessoal e tava cuidando de muita coisa ao mesmo tempo, tá? Mas, eu não creio que isso, eu não gosto nem de dizer que isso tenha sido uma dificuldade, porque foi uma época em que você, em que a pessoa realmente se desenvolve num certo grau de diversidade. P/1 – O que mudou na Bacia de Campos desde a sua entrada, sobretudo nessa área aqui que a gente tá hoje? R –Olha, a base era modesta em termos de tamanho, ainda muito mais operacional e administrativamente. Hoje, o que a gente vê aqui é que a base se transformou numa pequena cidade, né? A gente não tem, praticamente, espaço pra nada, tá? Aqui na base a gente não tem mais espaço pra nada e é uma coisa assim, pra quem conheceu em 1990, você simplesmente não acredita que as pessoas consigam arranjar espaço pra colocar mais alguém, entende? Mas é impressionante. Os prédios novos que estão sendo construídos agora são um exemplo: aquilo era um estacionamento. O estacionamento que você vê lá fora, ele era um terreno de terra batida, tá? A maior parte de alguns desses prédios foram construídos nos últimos cinco anos, tá? É impressionante. Em termos de tamanho, a base ficou imensa. P/1 – Você se identifica com o nome petroleiro? R – Sim. P/1 – E o que é ser petroleiro? R – Ser petroleiro não é trabalhar na Petrobras. É trabalhar na área de petróleo para o Brasil, né? Isso é diferente. Ser petroleiro é isso. A Petrobras é um meio, não é um fim. P/1 – O que você achou, Mailton, de ter participado do nosso projeto? Projeto da Petrobras, Memória dos trabalhadores? R – Ah, eu gosto, eu adoro falar! Dou algumas aulas, então eu tenho mania de falar. Então, eu adoro conversar, discutir, então, eu realmente adoro dar opinião. Dizer alguma coisa que eu possa... dizer às outras pessoas uma visão, talvez seja um pouco diferente, não é? Mas é uma visão. P/1 – Ok. Obrigada, Mailton. FIM DA ENTREVISTA
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