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História

A Penitência de Dona Emília

História de: Emília Nogueira Nunes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/02/2009

Sinopse

Em sua entrevista, Emília fala sobre sua relação com seu pai, o roçado de sua infância e a organização da casa, povoada por pai, mãe e 20 filhos. Em seguida, comenta diversos aspectos das procissões e penitências de sua cidade; a fé nos diversos santos e, por fim, seu casamento e sua vida solitária.

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Eu arrumo toda semana eu mudo os pano, acendo aquelas vela, levando meia noite, vou no quatro, se a vela acabou acendo outra, faço meus pedido. Hoje eu posso fazer por você, posso fazer por eles, por "quarquer" um que me faz o beneficio, porque se vem eu acho que não é pra anarquizar, é pra cuidar, não é minha filha? 

Porque era de meu pai. Era de meu pai. Ele pedia muito assim:Minha filha, se eu morrer, minha filha nunca despreza esses santos. E eu tenho eles até hoje com aquela estima. Ainda ante ontem mesmo veio um sargento aqui sobre uma família que tem aqui, que fica chateando, batendo nas parede meia noite, ai o sargento veio aqui , que soube, não sei quem falou pra ele. Ai ele disse:porque a senhora não procura uma pessoa pra dormir mais à senhora?.Eu não procuro ninguém, Deus dorme e minha arma é essa aqui, e a hora que eu chegar no portão eu mato.

Meu pai tinha devoção muito grande, ele era muito religioso. Meu pai era mais do que minha mãe. Quando mamãe fazia certas coisas ele dizia assim:Joana, olha pra diante, que quem não olha pra diante pra trás de fica. E eu nisso to até hoje. O que eles dizia é antigo. 

A penitencia foi começada assim: eu achava muito bonito, eu desse "tamainho" assim. Meu pai fez um quatro pra uma velha que era chefe, que a velha não tinha... tinha uma filha,bebia muito, não ligava ela. Então quando a velha saia com aqueles penitentes eu ficava chorando. Ai quando foi um dia meu pai botou num braço e assim:Minhafia, quer ser penitente?. Eu digo:Eu quero meu pai. Ai ele chamou minha mãe:Joana, amanhã. Isso foi um dia de sexta-feira.Amanha eu vou pra rua e vou trazer o pano pra você fazer a roupa de Emilia. Ela disse:Oh vai caçar o que fazer, eu não faço, não faço. Fez aquela zoada. Ele trouxe pra minha madrinha bitu tamarati fazer. Ai entrei com cinco anos, completei cinco anos dia 23 de janeiro, no dia 16 de fevereiro de 21 eu entrei na penitencia e to até hoje.

Dizia minha que o vivo sentava no pão e os velhos na oração, e os mortos na oração. E é justamente isso que eu faço até hoje, eu rezo pras almas abandonadas, que não tem quem lhe reze. Eu rezo pra aquelas que morreram jogada assim, pra tudo isso eu rezo. É uma devoção que eu tenho assim, uma fé, não sei o que é, aquela que parece que aquela me alevanta, viu?

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