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A palavra deles

História de: Seu Antonino (Antônio dos Santos)
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/08/2021

Sinopse

Em seu breve relato, Seu Antonino nos conta a respeito dos caminhos que traçava na infância e adolescência, nos quais trabalhou na roça, na Aracruz e conheceu diversos outros povos indígenas na região norte do Espírito Santo. Traça também um panorama dos desmatamentos feitos por diversas indústrias na Barra do Sahy, onde foi poluída a água e queimada a floresta, que tanto seu povo Tupiniquim tenta restaurar até hoje. Antônio e seu filho (que o acompanhou na entrevista) falam também do processo de loteamento de suas terras nas mãos de agrimensores e industriais. Antônio fala da relação que construiu com os Guaranis (de Caravelas e Comboios) para que, juntos, reforçassem a luta pela demarcação justa

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História completa

Como foi tudo? Foi com parceria, com a ajuda da comunidade, com ajuda das parcerias de fora, eles ajudaram bastante a gente, com todo o cuidado, explicando como a gente deveria proceder, e a gente foi caminhando, até chegar nessa caminhada aqui. A gente trabalhou, não foi fácil. Mas na caminhada muitos apoiaram a gente, gostaram da minha caminhada, das minhas conversas, da minha fala, até chegar nos quinze anos como cacique. Quando chegou nos quinze anos, eu também fiquei assim, um pouco desanimado, porque lutar e conversar com o ser humano, não é fácil. Mas eu saí muito da aldeia, para dialogar com os outros índios, por aí.

Aí nos encontramos com o povo Guarani, foi tomando intimidade com eles: só que a gente estava um pouco assustado com eles. A gente foi conversando, conversando, dialogando e até que a gente se  achegou. E depois que a gente se achegou com eles, e nós conversamos,  eles concordaram com nós sobre a demarcação das terras. Eles disseram que iam se aliar a nós, eles como índios Guaranis iam também pertencer a demarcação nossa dos Tupiniquins. Aí concordamos, os Guaranis e nós, e começamos nesta concordância. O que que aconteceu? Nós nos juntamos todos, na demarcação, até chegar nessa força de hoje, nós fomos a terceira demarcação, já melhorou demais, e nesta melhora é que chegamos até aqui.

A diferença, era a língua deles, e quando a gente se juntava para uma reunião, a gente também prestava bastante atenção nas falas deles, e nessas conversas, a gente foi aprendendo alguma coisa, o idioma deles também. É difícil entender a sobrevivência na palavra deles para nós. Mas o que eu fazia pela comunidade, na aldeia, era reunir. No meu ponto de vista, essa mobilização deu pra deixar nós incentivados, pela nossa vivência, para produção da nossa terra.

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