Busca avançada



Criar

História

A mulher do cachorro

História de: Ricardo Martin
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/12/2012

Sinopse

Infância no bairro do Tatuapé, onde aprendeu a jogar peão, bolinha de gude e onde os vizinhos faziam fogueiras nos períodos de São João. O falecimento do pai e o início do trabalho em uma loja em que sua família costumava comprar. Os primeiros tempos de trabalho: do estoque ao atendimento. O trabalho em uma casa de calçados. Trabalho em loja de shopping e também como representante na região de Guaianases. A atuação na loja do Belenzinho, onde está há mais de 20 anos. As mudanças no bairro com a chegada do Shopping Tatuapé e a especulação imobiliária da região.

Tags

História completa

“Antigamente, antes do Metrô Belém, a Rua Silva Jardim era uma porteira; toda ela era mão dupla e o acesso de carro era fácil. Para você ter uma ideia, havia 13 lojas de calçados ali, e não se podia deixar o cliente escapar, porque, se escapasse, ele ia pra outra loja. Inclusive meu patrão, o Senhor Pitta, ele dizia que o cliente é como passarinho que encostou na árvore; se você dá uma estilingada e erra, não volta mais. Então, quando eu entrei ali na Silva Jardim, era uma loja brigando com a outra, todo mundo disputando a clientela, não só tradicional, como também a das empresas. Tinha uma firma chamada Varal que tinha 2 mil funcionários; tinha a Multi Vidro, tinha a Look; e, na hora do almoço das fábricas, que era das 11 até as 2 horas da tarde, a gente simplesmente não parava. Era trabalho o dia inteiro, uma correria. E a gente dava risada à toa nesse tempo, porque a verdade é que, para uma loja de bairro, vendia muito. Mas depois do metrô, depois que fecharam o acesso da Silva Jardim, as fábricas foram fechando uma atrás da outra. Algumas lojas que tinham prédio próprio se mantiveram, como é o caso do Senhor Pitta, mas o comércio em geral sofreu com isso e teve uma queda muito grande. A coisa só se modificou de uns tempos para cá, quando os construtores foram comprando os terrenos onde ficavam essas indústrias. Hoje nós temos no Belenzinho prédios no valor de 1 milhão, de 600 mil; o bairro está crescendo, virando uma potência. Eu recentemente atendi um cliente, ele entrou com um Nike no pé e um agasalho da Lacoste. Ele observou um tênis na vitrine e, depois de um tempo, pediu para mim um dos tênis mais caros da loja, o Zomax Olympikus. Eu peguei uns três pares e ele me perguntou, meio seco por sinal: ‘Esse tênis aqui presta?’ Eu falei: ‘Sim, meu amigo, esse tênis é top de linha da Olympikus, é um dos melhores!’ E ele: ‘Não estou acostumado a comprar tênis barato, mas vou levar esses dois para experimentar.’ Outro dia também atendi uma cliente, moradora nova do bairro, que não conhecia a loja. Ela estava passeando com o cachorro, entrou e falou: ‘Poxa, uma loja boa no Belenzinho, não precisa nem ir ao shopping!’ Eu aproveitei a deixa: ‘É, senhora, aqui a gente atende direitinho, a gente já tem um tempo de casa. Venha nos visitar!’ E não é que ela veio? Essa mulher deixou o cachorro em casa e veio. Gastou 625 reais, passou no cartão de débito e nem pediu desconto.”

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+