Busca avançada



Criar

História

A montagem de Itaipu

História de: Orlando Zago
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/11/2005

Sinopse

Orlando Zago nasceu no ano de 1938 no município de São Paulo. Nos conta sobre sua trajetória profissional antes e depois da Itaipu Binacional, passando pelos momentos marcantes na empresa. 

Tags

História completa

P1 – Então a gente vai começar a entrevista do senhor, vou pedir pro senhor falar o seu nome completo de novo, o local e a data de nascimento.
R – Orlando Zaqua.
P1 – E que dia o senhor nasceu?
R – 10/ 11/ 1938.
P1 – E que cidade?
R – São Paulo.
P1 – E o nome de seus pais?
R – João Zaqua e Maria Polido Zaqua.
P1 – O senhor trabalhava com o que?
R – Antes?
P1 – é.
R – Na verdade eu comecei numa padaria quando eu era menor de idade ajudante de padeiro, né, depois aí fiz esse curso no Senai e depois aí eu comecei a exercer a função.
P1 – O curso foi de?
R – Mecânico eletricista enrolador.
P1 – E o que te levou a fazer esse curso senhor Orlando?
R – Então, era necessidade porque eu não me dei bem nesse ramo de padaria, né, vi que não era pra mim, não tinha jeito então eu quis aprender alguma coisa mais técnica, aí com muito sacrifício eu consegui no Senai, sacrifico porque tinha que trabalhar meus pais ganhavam pouco então eu falo nessa parte, pra estudar era longe, era no Brás, né, sair da Lapa pra ir pro Brás era uma boa distancia, mas consegui me formar o primeiro emprego foi na industria de maquina de costura eu fazia manutenção elétrica da fabrica e depois também vi que o campo era pequeno entrei numa industria mais importante que era Industria Elétrica Braumbovere, industria de equipamentos elétricos, eles fabricavam equipamentos elétricos e aí eu me aprofundei em maquinas rotativas, sou especializado em maquinas rotativas e comecei correr o trecho e varias Usinas, comecei em Jupiá, Ilha Solteira, São Simão, Foz do Areia e depois Itaipú sempre em Usinas Hidroelétricas.
P1 – Porque a Braumbovere ela fabricava?
R – Geradores, transformadores tudo equipamento elétrico. E eu me especializei nessa parte de maquinas rotativas grandes, pequenas e média potência.
P1 – Quando o senhor chegou aqui em Foz do Iguaçu, que ano era mais ou menos?
R – Então em 81, mas eu percorri Jupiá, Usina Hidroelétrica de Jupiá, Usina Hidroelétrica de Ilha Solteira e depois São Simão, Foz do Areia e vim parar aqui.
P1 – O senhor recebeu um convite pra vir pra cá, como é que foi?
R – Itaipú é o seguinte, todas as Usinas que eu trabalhei não tinha esse sistema de refrigeração das barras com água, então como eu gostava desse ramo eu queria conhecer o que seria uma barra refrigerada a água, um gerador refrigerado a água pura, né, e é isso uma vaidade profissional mesmo tinha que vim aqui de qualquer jeito senão não ia considerar um técnico realizado e aqui eu me realizei.
P1 – E o senhor chegou aqui com quem que o senhor conversou, o senhor procurou emprego como é que foi?
R – Não, fui mandado porque todas essas obras que eu os passei já recomendavam, né, fazia parte do consórcio então eles praticamente me indicaram.
P1 – E quando o senhor chegou aqui que fase que tava a construção da Usina?
R – Eu comecei na primeira unidade ainda, a pré montagem do equipamento era fora do local do poço da unidade então chamava roll de montagem, então nesse período a gente trabalhava no roll de montagem preparando os equipamentos no meu caso foi estator...
P1 – O que que é isso?
R – Bobinagem completa do gerador e depois o rotor também ligações dos pólos e foi isso.
P1 – Aonde era fabricado esses geradores?
R – Eles são uma parte são na fabrica, é tudo na fabrica vem por meio de transporte, chega na obra por meio de transporte rodoviário.
P1 – E o senhor lembra quando chegou esse material maior?
R – Olha, na época quando eu cheguei já estava um pouquinho adiantado, eu cheguei em 81 então teve gente que chegou antes de mim, mas a minha parte mesmo foi bem depois, deu um tempo pra eu estudar o projeto, me interessei muito porque tudo era novidade então estudar o projeto, preparar a equipe eu era encarregado da equipe, tinha que formar uma equipe então o maior problema foi esse formar uma equipe.
P1 – Como que o senhor fez pra resolver esse problema?
R – Pois é não foi fácil, teve que praticamente formar o pessoal que serviu de escola pra mim e foi escola também pra quem veio pra cá, então o desafio foi grande eu gosto de desafio então pra mim foi um desafio.
P1 – Quem era o Presidente de Itaipú na época? O senhor lembra quem era uma figura marcante.
R – Era o Rubens Viana, que na minha época foi ele se não me engano, ele era uma pessoa que todo dia descia na obra pra verificar de perto o andamento, tudo então ele conversava com o pessoal ele tinha esse costume, quando você menos o esperava tava atras de você olhando, vendo, querendo saber eu achei isso muito bom.
P1 – E vocês trabalhavam juntos com os paraguaios, como é que isso?
R – Na época da montagem não tinha isso aí, era empreiteira Itamon e não tinha o consórcio era brasileiro mesmo.
P1 – E a equipe do senhor tinham quantas pessoas mais ou menos?
R – Olha, no pico mesmo da obra tinha 130 pessoas, então não era fácil.
P1 – Uma equipe?
R – Uma equipe, só a minha equipe.
P1 – E pra montar um gerador.
R – Era mais aí tinha dois estatores, até três estatores em paralelo e dois rotores então realmente precisava muita gente, muito trabalho.
P1 – E vocês faziam treinamento como era isso?
R – É, depois eu tinha os auxiliares, tinha os encarregados, os mestres não era só eu, tinha bons colaboradores.
P1 – Seu Orlando, o senhor tem uma história engraçada assim que aconteceu aqui em Itaipú que o senhor possa contar pra gente, engraçada, pitoresca, algum causo.
R – O que eu acho interessante era a linguagem que o barrageiro ele adota, tem certas linguagens que...
P1 – Fala umas pra gente umas gírias assim.
R – É, uma espécie de gíria.
P1 – O que eles falam?
R – Como eu sai de São Paulo tem certas coisas que eu não conhecia também, ficar velhaco, peão, ficar velhaco peão, de repente dava um estouro lá, né, porque eles dinamitavam as pedras então isso me chamava muito atenção, ficar velhaco, eu nunca tinha ouvido isto.
P1 – E o que quer dizer isso?
R – Ficar esperto porque alguma coisa ia acontecer, né, e acontecia mesmo.
P1 – E quais outras expressões do barrageiro?
R – Tem varias expressões do barrageiro, tem tantas.
P1 – Porque a gente não tem idéia.
R – Como assim.
P1 – Eu não conheço.
R – Ah, você não conhece, mas tem tantas.
P1 – Conta mais umas pra mim.
R – Deixa pra lá.
P1 – Seu Orlando, quais são as suas atribuições hoje?
R – Hoje depois que concluiu a montagem passei a fazer a manutenção, porque o equipamento elétrico é isso, você o monta depois ele entra em operação aí sempre tem que fazer alguns reajustes, né, deixa a maquina depois bem reguladinha, mas depois com o envelhecimento começa aparecer algum probleminha isso é normal, desgaste e tudo então eu faço essas manutenções, inspeções e se corrige sempre tem alguma coisa pra corrigir pequenas correções, mas tem pra manter o equipamento sempre em condição.
P1 - Aí tem que parar aquela unidade produtora pra fazer a manutenção, como é que é isso.
R – São paradas programadas, anuais, quadrienais então dá oportunidade dos técnicos entrar na maquina, fazer a inspeção, revisão e corrigir o que não está bem, isso se faz normalmente.
P1 – Nesse tempo que o senhor trabalhou aqui qual foi a maior emoção assim, uma lembrança forte que o senhor tem, uma emoção que o senhor tem da construção, do trabalho que o senhor fez.
R – A emoção é todo dia, você passa da barreira pra cá você tem que esperar sempre alguma coisa tem, sempre tem alguma coisinha. A nossa carreira profissional tem isso, o equipamento sempre necessita de um pequeno ajuste então você sempre tá esperando um desafio, cada dia é um desafio.
P1 – Cada dia é um desafio diferente. E quem foram os seus melhores amigos, quem o senhor convivia mais de perto?
R – Eu me dou bem com todos, eu não tenho esse, procuro me dar bem com todos, você vê que eu to aqui há 21 anos eu desconheço se eu tenho algum inimigo, pode ser até que tenha, mas ninguém fala, ninguém falou até hoje.
P1 – Então tá bom, a gente tá acabando a entrevista e vou fazer a ultima pergunta que eu faço pra todo mundo. O que o senhor achou de ter sido chamado pra essa entrevista contando um pouco da história da vida do senhor e do trabalho que o senhor fez em Itaipu e ter passado esses minutos aqui com a gente?
R – É muito importante, é mais um desafio, eu considero isso mais um desafio, quem esperava uma coisa dessa ser escolhido pelos colegas a emoção é muito forte.
P1 – É bom.
R – Na minha idade já não é, de repente vem uma dessa aí 64 anos, então é legal, achei muito bom.
P1 – Que bom, então eu agradeço o senhor e ajuda do senhor.
R – Ótimo, obrigado.
P1 – Ficou faltando alguma coisa pra falar?
R – Não.
P1 – Acho que deu um painelzinho bom.
R – Deu, eu acredito que deu.
P1 – Então obrigada.
R – Porque minha memória também já não ajuda muito, mas...

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+