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História

A missão de melhorar a vida das pessoas

História de: Juliana Solai
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/07/2021

Sinopse

Juliana conta sobre sua infância, sua família e sobre seu trabalho no Instituto Vedacit.

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História completa

P/1 – Bom dia! Tudo bem, Juliana? 

R – Bom dia, Genivaldo! Tudo bom? Tudo certinho. 

P/1 – Tudo bem. Então, vou começar pela pergunta básica: gostaria que você nos informasse seu nome completo, o local e a data de nascimento. 

R – Vamos lá! Eu sou a Juliana Rodrigues Pinto Solai, estou em Guarulhos, [no estado de] São Paulo. Nascida e residente em Guarulhos, e hoje é dia 27 de julho de 2021. 

P/1 – Certo. E qual a sua data de nascimento? 

R – Eu nasci em dois de junho de 1991. 

P/1 – Qual o nome dos seus pais? 

R – Meu pai se chama Amarildo, minha mãe se chama Elaine. 

P/1 – Você tem irmãos? 

R – Não. Sou filha única. (risos) 

P/1 – Certo. Qual a atividade dos seus pais, Juliana? 

R – Meu pai é engenheiro eletricista e minha mãe é secretária executiva. 

P/1 – Quando você era criança, quais eram os principais costumes da sua família? O que vocês gostavam de fazer? 

R – Bom, quando eu era menor, a gente passava muito tempo na casa dos meus avós, domingo sempre almoçando junto, esse tipo de coisa, então tenho memórias afetivas muito grandes com meus avós. 

Um costume que tinha: os meus pais sempre trabalharam fora, então eu ficava com a minha avó. A minha avó materna e minha avó paterna moravam (risos) muito perto, coisa de uma na rua de cima e a outra na rua debaixo, então eu tinha um contato muito próximo, transitava entre a casa das duas com muita facilidade. Essas são das minhas maiores recordações, ter esse espaço de brincar na casa delas e final de semana, na casa deles também. Acho que a gente passava muito tempo juntos naquela época - mais do que hoje, ainda. (risos) 

 

P/1 – E do que você gostava de brincar, quando você era criança?     

R – Eu lembro que na casa da minha avó materna tinha como se fosse um hall que tinha muitos brinquedos. Por ser filha única, as coisas ficavam, eram muito centralizadas em mim. Sempre tive muitos brinquedos e minha avó construía muita coisa comigo também - bonecas, esse tipo de coisa. Era uma coisa que eu gostava de brincar bastante: escolinha, boneca, coisas de cozinha. Acho que eram as minhas brincadeiras favoritas. 

P/1 – E em relação à rua que você morava, você costumava circular pela rua, tinha amigos em volta de onde você morava? 

R – Como eu comentei, os meus pais trabalhavam fora e a gente morava num condomínio. Grande parte [do tempo] eu passava na casa das minhas avós, que moravam em casa, mesmo, na rua. 

Teve um período muito curto da infância que eu passei a brincar com as netas das amigas da minha avó. Na época, a gente brincava um pouco na rua, mas confesso que minha avó não gostava muito dessa ideia, então eu tinha poucas essas saídas; a gente acabava brincando mais dentro das casas das avós, mesmo - da minha avó, ou das amigas da minha avó. Mas não foram amizades duradouras, sabe? Não é aquela amizade de infância que durou muito tempo, mas eu tenho algumas lembranças disso também.

 

P/1 – Você gostava que contassem histórias pra você quando era criança? 

R – Acho que sim. Principalmente, acho que a questão de ser filha única tem muito disso, né? 

Eu não tinha primos, na época. Tenho uma diferença de idade grande dos meus primos, então a gente acaba tendo amigos imaginários, esse tipo de coisa, criando essas histórias na cabeça. Confesso que, se hoje, você me perguntar no detalhe como é que era, não vou lembrar, mas lembro que justamente por não ter tanto contato com outras crianças, a gente acaba criando essa imaginação também. 

 

P/1 – E tem algum momento marcante da sua infância, alguma coisa que você lembra até hoje, que você pensa: “Nossa, quando eu tinha ‘X’ anos, aconteceu tal coisa e eu lembro disso ainda”? 

R – Ah, eu tenho muita memória da... E é engraçado, porque a minha vó paterna ainda mora na mesma casa de quando eu era pequena, né? A vida inteira morando na mesma casa. (risos) A minha vó materna já mudou de casa. 

É muito bacana, porque consigo ver a evolução da rua, sabe? Hoje, quando eu passo lá, ainda lembro de como era a casa da minha avó materna, antes da reforma que fizeram. As casas ali na região mudaram muito de quando eu era pequena até hoje, mas algumas lembranças que tenho é delas me levando pra escola, porque eu estudava numa escola muito próxima da região, então elas iam andando comigo. 

A minha avó paterna sempre ia comigo no parquinho, (risos) antes de ir pra escola. Ela sempre passava lá, porque eu não queria ir pra escola e ela meio que jogava essa, assim: “Vamos passar no parquinho e depois a gente precisa ir pra escola. Tudo bem?” (risos) Ela sempre passava comigo, me deixava brincando lá um pouco.

Lembro de quando começou aquela independência, que a avó começa a pedir ajuda pra gente pra fazer as coisas, então que ela começou a me liberar [para] ir na vendinha que tinha lá em cima, pra comprar as coisas pra ela, por exemplo, pra fazer almoço. Hoje também já mudou muito - o mercadinho, que era uma portinha, tomou já a esquina inteira, sabe? Tem umas transformações bem bacanas de ver na rua. 

É muito interessante você acompanhar essa mudança também porque, quando eu era pequena, a gente tinha o contato com as avós; hoje, em muitos casos, as avós já faleceram e aí são os netos, os filhos que estão tomando aquele espaço agora. E o quanto isso muda, também. O surgimento de prédios, está com muito mais prédios agora, na rua e, consequentemente, pessoas novas, mais circulação de carros, coisa que não tinha tanto na época. Eu lembro que na frente da casa da minha avó materna tinha um campo que hoje é um prédio e que tinha uma mangueira lá. Meu avô sempre subia naquela mangueira pra pegar manga (risos) pra gente trazer pra casa. Tem algumas coisas assim, que são bem marcantes. 

 

P/1 – Você tinha um sonho de infância, do tipo: “Quando eu crescer, eu quero ser tal coisa”?                   

R – Nossa, eu já quis ser tanta coisa, gente! Na verdade, a que mais marca, que a minha mãe sempre traz na fala, é quando eu falo que queria ser empregada doméstica; minha mãe sempre falava isso, não me pergunte o porquê. (risos) 

Já quis ser dentista também, mas eu acho que foram... Eu sempre fui meio realista, com essas coisas, sabe? (risos) Nada que as crianças geralmente falam: astronauta, dançarina, modelo. Não, nunca foi o meu caso. 

Quando eu fui entrando na adolescência, já foi meio que caminhando pra área de comunicação, que foi onde eu me formei, mas eu pensava muito em [ser] jornalista, aquela coisa de ser apresentadora de jornal, esse tipo de coisa. Eu falei: “Não”. Você começa a ir se descobrindo e ver quais são os caminhos, na verdade. 

 

P/1 – E você se lembra do período que você começou a frequentar a escola? Qual a primeira lembrança que você tem, de estar no ambiente escolar? 

R – (risos) A escola que eu estudei... Eu mudei poucas vezes de escola, estudei da pré-escola, do maternal, até a quinta série numa escola. Depois mudei pra outra escola, onde eu concluí o ensino médio, e depois já fui pra faculdade. 

Eu tive poucas transições de escola, mas tem uma que pra mim era uma lembrança muito bacana; quando eu estava na escola, tinha - era como se fosse uma casa essa escola – uma escada bem alta, e eu lembro que as ‘tias’ - na época, não era nem professora, era ‘tia’ - colocavam a gente tudo enfileiradinho nesse degrau, porque a gente tinha como se fosse uma aula de cidadania. Além das coisas relacionadas ao Brasil, Hino Nacional, aquela coisa toda, falava também da parte de higiene bucal - por exemplo: eles ensinavam a gente a escovar o dente, a cuidados com saúde, esse tipo de coisa. 

O que mais que tinha? Tem uma cena que era muito clássica: quando tinha a época de piolho na escola e tinha alguma criança que tinha tido piolho, eles sentavam com todas as crianças enfileiradas e as ‘tias’ iam olhando (risos) a nossa cabeça, iam pegando, pra ver se tinha piolho. Quem tinha piolho, tinha que voltar pra casa. Essa foi uma cena bem marcante - nossa, nem sei por que lembrei disso agora. Não é uma coisa que eu costumo lembrar sempre. (risos) Mas era bem bacana… Da gente lembrar porque, hoje em dia, acho que não acontece. Pelo que eu vejo com meus primos etc., não tem mais esse tipo de coisa. (risos) 

 

P/1 – Tinha alguma matéria, no ensino fundamental, que você gostava mais? Algum professor que te marcou? 

R – Tem. Inclusive, eu mudei de casa recentemente e nessas mudanças a gente sempre acha algumas coisas que a gente guarda. Encontrei uma carta da minha professora da terceira série; ela encontrou meu endereço - quando eu já estava pra entrar no ensino médio – e começou a me mandar cartinhas. Encontrei várias cartas dela e numa delas ela falava que tinha saudades de mim, porque eu era uma aluna muito dedicada, principalmente na matéria de Ciências, que eu gostava bastante. Não me lembrava disso, pra ser sincera, (risos) mas está escrito lá na carta. E que ela pretendia manter contato e tal. Eu não sei por que tenho umas duas ou três cartas dela guardadas, mas acho que foi bem no período que eu mudei de casa, também, porque isso meio que se conversa, assim, e a gente acabou perdendo contato - inclusive, nem em rede social eu achei mais, mas é muito bacana. O nome dela é Ester. 

P/1 – E as atividades da escola? Você se lembra de festas, de muitos amigos ou você era uma pessoa mais quieta, mais na sua? Como era a sua relação com a escola? 

R – Olha, na época de escola mesmo, acho que até entrar na faculdade, eu sempre fui mais fechada. Eu tinha amigos, mas não tinha muitos; não era muito de frequentar a casa dos outros, nunca fui dessa forma. Mas eu tenho lembranças da minha mãe falando: “Você tem que participar”, acho que já pensando que a gente precisa criar alguns tipos de memória. 

Eu tenho muita lembrança das festas juninas da escola, porque eu, particularmente, nunca gostei de festa junina e a minha mãe queria (risos) que eu fosse nas festas juninas, aí eu ia. Mas nossa, nunca foi: “Putz, que vontade de ir!” As festas juninas sempre foram muito marcantes, uma porque é próxima do meu aniversário, então, consequentemente, acabava lembrando de algumas coisas. Eram festas muito movimentadas, todo mundo que estudava na mesma escolinha que eu… Era da região, então todo mundo (risos) conhecia todo mundo, sabe? Era uma festa bem cheia, com todo mundo que eu conhecia, conversava bastante. 

 

(PAUSA)

 

P/1 – Juliana, chegando no ensino médio, o que você acha que mudou na sua vida, em relação a sua vida escolar? Você mudou de escola? Em relação aos costumes do que você costumava fazer no seu dia a dia...              

R – Quando [estava] mais próximo do ensino médio… Nem tanto, mas nessa fase de transição, quando eu mudei de escola e parei de ficar com a minha avó, foi um período que eu comecei a ficar em casa sozinha, mesmo com os meus pais trabalhando fora. Acho que foi aí que eu comecei a fazer amizades realmente duradouras, digamos assim. Até hoje eu tenho contato com essas pessoas, são grandes amigas, madrinha de casamento… A gente tem essa proximidade, essa construção até hoje, então acho que já fui começando a ter mais um olhar de longo prazo, mesmo. Amizades que eu sentia que vieram pra ficar. Eu tenho amigas que eu conheci com treze, quatorze anos que, como eu disse, foram minhas madrinhas de casamento, então estamos juntas aí até hoje. (risos) 

P/1 – Na vida escolar, você passou a ter outras matérias que você se interessava mais? Mudou alguma coisa? 

R – Olha, eu fui começando a perceber que eu era de Humanas, mesmo, tendendo a ir pra Comunicação; a gostar muito de História, Português, tudo que envolvia muito leitura. Na época eu ainda não lia tantos livros, acho que foi um hábito que eu fui adquirindo depois de adulta, mesmo, depois da faculdade. 

Acho que eu caí mais de cara nos livros e hoje é um objeto que está sempre comigo. Mas foi um momento que eu fui me descobrindo mesmo para o lado da comunicação, que é o que eu gosto hoje, onde eu atuo hoje. Apesar disso, ainda fui pra um lado de comunicação não num sentido jornalista, [mas] num sentido mais pro viés social. 

Pra ser sincera, é difícil pensar como as coisas foram se encaminhando pra isso, mas chegamos aqui, então está tudo certo. (risos) 

 

P/1 – E quando você começou a sair sozinha e com amigos, o que você gostava de fazer? 

R – Eu tenho boas lembranças. Inclusive, essas amigas, que são amigas até hoje, a gente estudava junto, fazia cursinho junto e aula de teatro a gente fazia também. Foi um período curto, mas bem bacana. 

A gente sempre gostava muito do período após essa aula, a gente passava praticamente o dia inteiro junto, né? Desde a escola, até as aulas de teatro e depois esse período após todas essas atividades. (risos) A gente estava sempre uma na casa da outra, cozinhando ou batendo papo, escutando música, bem coisa de adolescente, mesmo. Às vezes eu me pergunto como é que tinha assunto, porque passava muito tempo junto e eu não sei como a gente construía outras memórias pra contar que não tivesse uma à outra, sabe? Era muito isso. 

Acho que esses eram os momento que a gente mais se ajudava, no sentido das coisas da escola, das coisas de casa, mesmo. Estava sempre junto, nesses momentos. 

 

P/1 – E quando você começou a pensar que você faria faculdade de Relações Públicas? Foi no ensino médio? Foi uma escolha fácil ou você brigou um pouquinho pra conseguir chegar nessa conclusão? 

R – Olha, na verdade eu acho que eu fui meio fora da curva, sabe? Eu não tive tanta dificuldade. A gente, na escola mesmo, tinha orientação profissional, teste vocacional, esse tipo de coisa, então eles já ajudavam a gente nesse direcionamento. Eu fiz colegial técnico, na época, também. 

Teve uma época que eu estava tendendo a ir pro lado de Turismo e Hotelaria, só que no técnico eu já pude perceber que não era o que eu queria, então já descartei essa possibilidade. Quando fiz o teste vocacional, já deu coisas relacionadas à comunicação e fui muito mais pra um lado de mercado. Quando eu comecei a analisar, mesmo, o mercado, no sentido de onde teria emprego, em que momento seria mais fácil me inserir, falei: “Putz, Relações Públicas acho que diz muito isso, sabe?” 

Tentei e acho que, por sorte, deu certo, porque eu tentei o primeiro ano de vestibular [e] não passei, na época, na faculdade que eu queria. No segundo ano, eu passei só estudando pra isso e aí passei em algumas... na Universidade de Pelotas, na época, pra fazer Relações Públicas lá - tudo Relações Públicas, me foquei em um curso e fui. Passei na Faculdade Cásper Líbero, que é aqui em São Paulo, e conversando, analisando com os meus pais, a gente falou: “Não, não vai mudar de estado, não. Vai ficar por aqui, mesmo.” A gente acabou optando por ficar aqui, mas foi uma decisão bem em conjunto. Eu confesso, acho que mais uma vez, a característica de filho único, de querer ficar pertinho, esse tipo de coisa. 

Acho que foi a opção mais acertada. Hoje eu não me imagino morando em Pelotas de jeito nenhum. (risos) Eu não me imagino tendo feito outra faculdade que não a Casper Líbero. Eu fui bem feliz na minha escolha. 

P/1 – Então, vamos começar a falar sobre a sua vida universitária. Quando você chegou na faculdade e começou a fazer o curso e caiu a ficha: “Olha, eu estou aqui, mesmo, estou fazendo esse curso”, como é que você se sentiu?    

R – Nossa! Foi incrível, porque no primeiro ano que eu tinha tentado, eu não tinha conseguido, né? Foi um ano que eu estava conciliando com colegial técnico, então eu estudava o período normal do colegial, fazia o colegial técnico à tarde e de final de semana eu fazia cursinho pro vestibular. (risos) Foi um ano que eu só estudei, praticamente, e acabei não passando. Obviamente, acho que foi uma das primeiras frustrações da vida adulta. 

No ano seguinte, eu tive a oportunidade de poder me dedicar só pro vestibular e aí mergulhei de cabeça. Eu fazia só foco naquele vestibular que eu queria que, no caso, era da Casper Líbero mesmo - Pelotas foi um achado - e deu certo. 

Quando eu entrei, nossa… Eu lembro até hoje que não fui eu que vi que tinha passado, porque a lista do vestibular ia sair no dia seguinte, mas a minha mãe estava tão ansiosa quanto eu pra esse resultado; ela mesma encontrou o meu nome na lista. (risos) Achei essa lista esses dias, também, mais uma vez no processo da minha mudança, que ela me deu junto com um sapo. Eu sou apaixonada por sapos, então ela me deu um sapo gigantesco, ela e meu pai, junto com a lista de aprovados. Foi muito bacana mesmo, tenho isso até hoje guardado comigo. 

Mas, na faculdade em si, putz, aí foi onde a ficha começou a cair, porque foi quando eu comecei a trabalhar. Eu entrei na faculdade e na sequência comecei a trabalhar fora também. Achava que antes eu só vivia pra estudar, então eu comecei a viver pra trabalhar e estudar, (risos) porque eu trabalhava até as seis, ia pra faculdade e morando em Guarulhos. A faculdade era... Era não, é na Paulista, então imagina: de Guarulhos pra Paulista, eu saía de casa seis horas da manhã e chegava em casa [às] onze horas da noite, todos os dias. 

Foram quatro anos bem pesados, mas ao mesmo tempo, muito gratificantes, porque com certeza eles têm uma parte gigantesca de quem eu sou hoje, na verdade. 

 

P/1 – Falando, então, sobre esse seu primeiro emprego: quando você começou a trabalhar, o que você fez com seu primeiro salário? Essa sensação de: “Olha, esse dinheiro é meu. Eu vou comprar aquilo que eu queria muito comprar, mas eu não tinha tido condições ainda”?

R – Nossa, essa pergunta me envergonha um pouco. (risos) 

P/1 – (risos) Se não quiser responder, tudo bem. 

R – Eu comprei sapatos. (risos) Gente, vergonha alheia de ter feito isso. Hoje eu não me imagino fazendo isso, mas eu comprei. Não ganhava muito na época, então consegui comprar três sapatos com o meu salário e foi o que eu fiz. (risos) E fiquei feliz; era o que importava, na época, então está tudo bem. (risos)

P/1 – E onde você estava trabalhando? 

R – Na Paulista também. Era um escritório... Ele gerencia... As unidades do Correio. Era como se fosse uma associação, na verdade. Eu trabalhava lá, na parte de recepção. Tudo bem primeiro emprego, mesmo. Foi muito pra criar experiência e ter essa ideia de como é que funcionam as empresas. Depois [é] que eu comecei a me inserir na minha área, mesmo. 

P/1 – Certo. E a sua convivência na faculdade? Você era uma pessoa que tinha tempo, já que você trabalhava, pra se dedicar às atividades extracurriculares, à convivência da faculdade ou faltava um pouco de tempo, pra você ter tido esse tipo de contato? 

R – Não, eu conseguia, Genivaldo. Às vezes eu falo: “Gente, eu não sei como eu tinha pique, na verdade, pra fazer tudo”, porque eu conseguia ainda. Eu participei muito das festas de faculdade, aquilo que faz parte da vivência desse período. As atividades culturais eu não sei ainda se estão assim, mas naquela época a gente tinha horas complementares pra fazer, então, obrigatoriamente, a gente tinha que ir em cinema, museu, ver peças de teatro. [Era] por obrigatoriedade também, mas era uma coisa bacana de fazer. 

[Tinha que] pensar em cursos extracurriculares também, por exemplo: tinha final de semana que era fazendo curso, porque eu precisava entregar essas horas complementares, senão não pegava o meu diploma. Consegui curtir bastante, sim, esse período. Com certeza. 

P/1 – E você conseguiu mudar de emprego e entrar na área durante o período da faculdade ou você aguardou um pouco mais? 

R – Não, foi no período da faculdade. Eu fiquei nesse emprego que eu comentei no começo durante um ano e meio, até quase o segundo ano da faculdade, aí tive oportunidade de fazer um intercâmbio. Eu saí desse emprego que eu estava pra ficar três meses no Canadá. Fiquei lá durante todo o período de férias da faculdade e foi, de longe, uma das vivências mais incríveis da vida, um período de amadurecimento muito grande. Sou extremamente grata. Inclusive, tenho amigos de lá até hoje também e uma delas também é minha madrinha de casamento. (risos)

[Isso] criou uma conexão muito forte com as pessoas. Eu costumo dizer que eu voltei outra pessoa de lá, muito mais relacional, que vê valor nessa questão de relação humana. Acho que isso foi muito importante. 

Depois desse período de intercâmbio, voltei pra cá e comecei a parte de estágios. Dei umas puladas entre agências de comunicação, mas percebi que não era agência de comunicação que eu queria. Eu não estava me encaixando e comecei meio que me questionar pra onde eu ia, o que eu ia fazer, até que, em determinado período, eu entrei na área de Responsabilidade Social de uma empresa; na época, era a Votorantim Metais. Foi aí que eu, realmente, me encontrei, porque sempre fui também de fazer trabalhos voluntários. Sempre tive uma conexão muito forte com isso, junto com a faculdade. 

A minha ideia era sempre como eu conseguiria aplicar o que eu aprendia na faculdade, então [foi] na área de comunicação, em trabalhos voluntários. Trabalhei muito nessa parte e eu consegui achar esse emprego, que pagava pra fazer uma coisa que eu gostava. (risos) E de uma forma, obviamente que aos poucos, se tornando bem mais estratégico. Foi onde eu me encaixei e onde eu estou até hoje, na verdade. 

 

/1 – Conta um pouquinho, Juliana, pra gente, sobre esse seu intercâmbio. Como foi, pra onde você foi no Canadá, algumas lembranças que você tenha desse período, que são marcantes. 

R – Sim. Bom, eu fui no final de 2011, voltei em 2012. Passei três meses em Vancouver, no Canadá. Eu fui, na verdade, pra estudar; minha ideia era estudar inglês, na época. Eu não tive permissão, visto pra trabalhar, então foi mesmo exclusivo pra estudo. Eu estudava, tinha vezes que meio período, tinha vezes que um período inteiro, mas tive muita oportunidade também de conhecimento de cultura. Eu morei com [uma] família canadense, que era um pouco italiana também, então acho que isso já traz uma familiaridade pra gente, porque a minha família tem raízes também italianas. 

Foi um período muito bacana, porque foi um aprender a se virar, o tempo todo. A gente não tem conhecidos pra onde correr se acontecesse alguma coisa, então era muito aprender a contar com outras pessoas também, criar outro tipo de relacionamento. 

A cultura, que apesar de ter características muito peculiares… Essa coisa do brasileiro: a gente é muito aberto, amoroso, tem muito essa coisa do ajudar e no canadense, no começo, eu não sentia isso, sabe? Eu sentia meio que as pessoas muito secas, muito na delas. Acho que foi um ponto de choque cultural, na época, mas ao mesmo tempo eu me recordo de ter me dado superbem. 

Descobri uma questão de adaptabilidade minha muito grande, que eu não conhecia, e num período [que] foi importante porque, querendo ou não, acho que estava ingressando numa vida adulta, criando mais responsabilidades. Acho que foi o período certo pra fazer esse intercâmbio. 

 

P/1 – Voltando pra sua vida profissional, eu gostaria que você comentasse com a gente quando você entrou na Vedacit. 

R – Então, (risos) eu entrei na Vedacit em 2019, vindo com um desafio muito bacana, de trabalhar com o Instituto Vedacit. Nossa, é gratificante demais fazer tudo isso. Acho que a área de Responsabilidade Social sempre foi uma coisa que me atraiu e aqui a gente tem muito o social atrelado ao propósito da empresa, ao estratégico da empresa. Isso me dá uma liberdade muito grande de trabalhar, e mais do que isso, me trouxe maturidade também. Hoje eu sinto que é como se eu tivesse crescido - eu estou há dois anos na Vedacit, um pouco mais de dois anos – fácil, uns cinco ou seis anos, em dois anos. Eu sinto muito disso. 

P/1 – E o que é ser uma analista de sustentabilidade, no Instituto Vedacit? Qual o seu trabalho? 

R – O meu trabalho... Olha, Genivaldo, eu acho que o meu trabalho é ter o olhar amplo. É ter o olhar de como eu envolvo o social na estratégia do negócio, abrindo o olhar das pessoas pra isso, sem que elas tenham que, obrigatoriamente, desviar a atenção delas do trabalho delas. É como perceber e incentivar que as pessoas estejam próximas de realidades locais, sintam qual é o impacto do seu trabalho na vida de outras pessoas, seja ele social, seja ele ambiental, [seja] qual for a forma. Esse é o meu trabalho: ajudar as pessoas a enxergarem além daquilo que elas entregam; [é] o propósito de tudo isso. 

P/1 – Eu gostaria que você comentasse qual o objetivo do Instituto Vedacit e alguns projetos que vocês possuem. 

R – Legal. Bom, vamos lá! O Instituto Vedacit nasce com um olhar pras cidades sustentáveis; a gente acredita que a construção de cidades sustentáveis acontece na harmonia entre pessoas, moradias e espaços urbanos. 

A gente tem projetos que olham com muito carinho pra tudo isso, pra esse desenvolvimento. A gente tem alguns projetos que olham pra o empreendedorismo - a gente acredita muito no potencial do empreendedorismo de periferia. A gente olha os talentos que a gente tem nessas regiões como uma potência pra gente sair da crise. São soluções pra periferia, que nascem dentro da periferia; nada melhor do que pessoas criando soluções pros seus próprios problemas, porque têm todo conhecimento do entorno, do contexto disso. O instituto vem com essa missão, de incentivar que as pessoas tenham seu protagonismo e que o protagonismo delas desenvolvam as cidades. 

Obviamente, a gente tem um projeto de voluntariado, que está muito em vir com o propósito da empresa, com o meu propósito aqui, de fazer com que as pessoas tenham um olhar para o impacto social e vejam que, através do seu próprio conhecimento, elas conseguem transformar realidades. A gente tem o programa de voluntariado com um olhar pra mentoria de negócios de impacto, com um olhar pra filantropia também, onde a gente apoia as comunidades locais, com doações. A gente tem um olhar pra habitação de baixa renda e pra habitação dos nossos colaboradores, porque a gente sabe que tem muita gente com a casa precisando de um olhar muito maior, principalmente por conta desse cenário da pandemia. 

 

P/1 – E como o instituto vê a importância de uma residência salubre na vida das pessoas? 

R – Bom, a gente sabe que, com esse cenário da pandemia, a gente teve que ficar mais em casa, trabalhar de casa, passar mais tempo em casa e a necessidade da gente ter um ambiente adequado pra isso, porque a nossa casa deixou de ser o espaço simplesmente pra gente descansar; ela passou a ser um espaço onde a gente convive com a nossa família, onde a gente estava trabalhando, onde a gente estava estudando - enfim, na verdade, é onde a gente acabou fazendo tudo. 

Qual é a necessidade da gente ter um espaço adequado pra isso, pensando que a gente passou dias e dias dentro de casa? Com o apoio do delivery, a gente não precisava sair nem pra fazer mercado, em algumas situações. Realmente, o olhar pra residência acho que se tornou muito mais amplo, nesse período da pandemia. 

 

P/1 – Certo. E o que incentivou a Vedacit a criar o projeto Ano Novo, Casa Nova? 

R – Bom, o Ano Novo, Casa Nova surgiu de um olhar que a gente passou a ter pra residência dos nossos colaboradores. 

A gente, como Instituto Vedacit, já apoia a reforma de comunidade de baixa renda. Em determinado momento a gente resolveu abrir uma pesquisa pra entender como estava o nosso público interno e, pra nossa surpresa, a gente teve muita indicação, teve muita inscrição. 

Um projeto que a gente não tinha perspectivas de uma grande adesão caminhou já pra uma segunda edição, em 2021. Isso indica pra gente o quanto é importante a gente olhar pro nosso público interno, olhar pra saúde da residência do nosso público interno, com o mesmo carinho que a gente olha pra saúde da residência das comunidades onde a gente apoia e atua, com negócios de impacto. 

 

P/1 – Houve algum impacto da pandemia na execução dessas obras, Juliana?

R – Com certeza. Houve impactos em todos os sentidos. Eu acho que o cenário da pandemia trouxe um pouco mais essas inscrições que eu comentei no começo com você. 

Eu acho que, obviamente, o cenário da pandemia… Pra você ter ideia, quando a gente fez esse primeiro ano do Ano Novo, Casa Nova, em 2020, a gente ia ter apenas um contemplado com reforma. Acabou que veio a pandemia nesse meio do caminho e os nossos executivos se juntaram e falaram: “Não, a gente precisa premiar os quatro colaboradores, porque os quatro estão numa situação que cabe um olhar cuidadoso.” Acho que o cenário da pandemia trouxe muito essa conscientização, tanto dentro de casa, quanto fora. O cenário da pandemia encaminhou a gente, mais uma vez, pra uma segunda edição, agora em 2021, com mais contemplados. Acho que a pandemia direcionou o nosso olhar pra aquilo que estava precisando de cuidado, naquele momento. 

 

P/1 – Certo. E qual foi a resposta que vocês tiveram desses colaboradores, desse público interno, que teve as reformas realizadas? 

R - Olha, é muito bacana, Genivaldo. Eu fico muito feliz de poder trabalhar com isso, sabe, porque a gente vê o antes e a gente vê o depois. Quando a gente liga pra uma pessoa e fala pra ela: “Olha, você foi contemplada. Quando eu posso ir na sua casa, fazer um orçamento da sua casa?” 

Aquilo é um sentimento de gratidão tão grande que, pra você ter ideia, acho que esse ano a gente passou a levar mais os nossos gestores e os executivos das áreas, pra terem esse sentimento também, porque na primeira edição foi uma sensação que ficou muito comigo. Foi uma sensação que, da minha forma, eu ia mostrando como que foi feito, mas acho que nada mais marcante do que as pessoas irem até lá, verem como era e como ficou e sentirem esse sentimento de gratidão, sabe, que vem do nosso colaborador. 

Acho que nada paga isso, porque a gente não está fazendo bem pro colaborador, apenas; a gente está fazendo um bem pra uma família inteira. E quando a gente fala  da família, acho que a gente não precisa ser nem pai, nem mãe, pra dizer que nada melhor do que quando a gente faz um bem pros nossos filhos ou pras pessoas mais próximas. O sentimento de gratidão disso é gigantesco. 

As pessoas, eu acho que elas incorporam muito mais… Elas veem o nosso propósito na prática, que eu acho que é um dos principais impulsionadores desse projeto. É isso. A gente fala que a gente vai cuidar da residência das pessoas, então por que não vai começar a cuidar das residências dos nossos colaboradores? Acho que isso, enfim, esse esforço todo não tem nada que pague isso. 

Além de tudo, obviamente, o Instituto Vedacit não é um projeto que, exclusivamente, a Juliana vai lá com os parceiros fazer. Eu tenho muita gente por trás disso, e muita gente que trabalha de forma voluntária pra isso. Então, eu tenho pessoas que me apoiam no processo de seleção; eu tenho pessoas que toda vez falam: “Ju, você precisa de algum apoio pra entrega de material? Você precisa de algum apoio técnico?” Meu, as pessoas estão com você o tempo inteiro nisso e quando a gente fala que é o projeto Ano Novo, Casa Nova, elas querem fazer parte porque elas querem ter essa sensação, querem se sentir pertencentes a isso. É o nosso propósito exercido na veia, transformando a realidade dos nossos colaboradores e, além de tudo, transformando a vida da família desses colaboradores também, que acho que é a melhor parte. 

 

P/1 – Você recebeu essa avaliação da parte dos próprios colaboradores? Eles te disseram: “Olha, ficou melhor”? Conte um pouco dessas impressões que você recebeu. 

R – Olha, tem algumas que... Teve uma que, pra mim, está muito fresca na memória, que foi a mais recente. A gente fez uma entrega agora em junho, de um colaborador que estava prestes a ser pai. Pra você ter ideia, a gente entregou a casa por volta de quinta-feira, sexta-feira; o bebê dele nasceu na semana seguinte. A esposa dele foi pro hospital na semana seguinte. Só de você saber onde a sua casa... Como era aquela casa, ir até aquela reforma e ver como aquela casa ficou, é outro sentimento. E melhor, porque esses colaboradores têm uma conexão de anos com a Vedacit, né? Esse colaborador, por exemplo, tem uma conexão de mais de dez anos com a Vedacit, é uma história de vida que se cria pra isso. É uma história que você conta pros seus filhos, sabe? Foram palavras que veio dele, ele falou: “Eu vou entrar na minha casa, ver essa transformação e falar: ‘Caramba, a empresa que eu trabalhava que fez isso’”. Como eu costumo dizer pra equipe, “no final do dia é isso que vale a pena”, sabe? 

P/1 – Houve uma expansão muito grande desse projeto, pra essa edição de 2021? 

R – Na edição de 2020, como eu comentei, a gente ia fazer uma reforma. Veio o cenário da pandemia, a gente pegou os quatro pré-selecionados que já estavam. Pra 2021 a gente, atualmente, está com um olhar pra cinco reformas e estudando outras possibilidades de apoio pros demais colaboradores. 

Acho que é um projeto que provou, em 2020, os resultados dele internamente, digamos assim, e sim, aconteceu uma expansão pra 2021, com certeza. 

 

/1 - E como você vê a atuação do Instituto Vedacit em projetos sociais, pro futuro, Juliana? 

R – Acho que o Instituto Vedacit tem muito nele um olhar de ‘vamos ensinar a pescar’ e não de ‘dar o peixe’; [de] como a gente fomenta novos mercados, impulsiona sonhos, pessoas, como a gente faz com que as pessoas sejam protagonistas da sua própria história. Essa é uma das forças que eu mais vejo, porque muitas vezes as pessoas precisam de alguém que acredite nos sonhos dela e que sejam uma alavanca pra isso. 

A gente não pode ter um olhar simplesmente de filantropia. Filantropia é importante? Com certeza. Tem muita coisa que não anda sem filantropia. Agora, como a gente impulsiona isso, por meio do incentivo dos sonhos, pra que as pessoas realmente sejam protagonistas de tudo isso, consigam colocar suas ideias em prática? É isso que eu vejo do instituto: um grande realizador de sonhos, um grande apostador, digamos assim, nos sonhos das pessoas. 

 

P/1 – E que tipo de apoio cultural também, na área de arte e cultura, o Instituto Vedacit tem? 

R – A gente atua na parte de cultura com recursos incentivados; uma das nossas construções aqui com o Museu da Pessoa é justamente por meio de recursos incentivados. Agora, a gente, atualmente, só tem o ProAC, o incentivo via ICMS [de] São Paulo, que por conta da pandemia está congelado até 2023. A gente ainda está vendo como vai fazer essa reestruturação, mas por enquanto estamos dessa forma. (risos) 

P/1 – Voltando agora, um pouco, pra sua vida pessoal, como você conheceu seu esposo?      

R – Vixe, a gente se conheceu tem bastante tempo. Foi por volta de 2014, mais ou menos. A gente fazia curso de inglês juntos, só que naquela época cada um tinha sua vida, não tínhamos perspectiva nenhuma de estarmos juntos. 

Quando eu fui pro Canadá, ele começou a me apoiar com algumas coisas relacionadas a inglês, porque ele fala também, aí a gente começou a conversar mesmo. Aos pouquinhos, o que era amizade acabou virando namoro e a gente casou. 

Resumidamente é isso. A gente se conhece há mais de dez anos, mas a gente começou a namorar em 2013, só. 

Falei errado, era 2004. A gente se conheceu em 2004, eu acho. (risos) Eu não sei o ano certo. (risos) 

 

P/1 – E você se lembra do dia do seu casamento, como você se sentiu? Como foi isso? 

R – Lembro, é recente. Brincadeira. (risos) E casei tem três anos, só, então sim, eu me recordo. Eu casei numa sexta-feira, [no] dia quinze de junho de 2018, aqui próximo, na zona leste de São Paulo, na igreja onde os pais dele se casaram. Acho que foi uma coisa bem marcante pra gente. 

Sim, eu me lembro de cada detalhe dos preparativos e do nosso cuidado, também, em relação a casa. A gente mobiliou todo o apartamento antes, comprou apartamento, tudo certinho, só aí marcamos o casamento (risos), depois que a casa já estava bem certinha. Foi tudo planejado com muito cuidado. (risos). 

 

P/1 – Vocês são pessoas bem planejadas, então? Pensaram em tudo antes. 

R – Tentamos. (risos) O máximo que a gente consegue. (risos) 

P/1 – Vamos pras últimas perguntas da entrevista, Juliana: quais são as coisas mais importantes pra você, hoje em dia?      

R – Nossa, que pergunta difícil! Coisas mais importantes? 

P/1 – O que você não fica sem, o que você acha essencial pra você? 

R – Ah, bom. Primeiro de tudo, acho que família, né? Não tem como imaginar as coisas acontecendo sem família. Três coisas: saúde, acho que isso é fundamental... Acho que é isso, essas são as duas principais. (risos) O resto a gente dá um jeito. (risos) 

P/1 – Certo. E o que da sua experiência profissional no Instituto Vedacit você acabou trazendo pra sua vida pessoal? 

R – Ai, nossa… Acho que o cuidado com as pessoas, sabe? Acho que isso - tentar entender a dor do outro - é muito importante. Saber que - aquela frase, né? - está todo mundo passando por uma batalha e a gente desconhece. Acho que isso foi uma das coisas que eu mais vivencio todos os dias e que tento trazer como aprendizado pra vida. 

Uma coisa que sempre dizem pra gente, como equipe, [é] que a gente está sempre sorrindo, brincando; a gente entra nas reuniões fazendo brincadeiras, somos pessoas leves, mas isso não significa que na nossa vida esteja tudo leve também. Acho que isso é um pouco desse aprendizado, de entender que está todo mundo passando por algum tipo de problema e que você pode ser a pessoa leve daquele dia, no dia da pessoa, sabe? Por que não tentar fazer o bem pra outra pessoa, simplesmente por você estar bem? 

 

P/1 – E quais são seus sonhos pro futuro, Juliana? 

R – Impactar muitas e muitas mais residências. (risos) Acho que isso é o combustível diário. 

Eu costumo brincar [que] se eu pudesse, pelo menos uma vez por semana, vivenciar o que eu vivencio quando eu faço uma entrega do Ano Novo, Casa Nova, por exemplo, ia ser incrível. A gente sabe que, obviamente, não é possível, que tem diversos fatores em relação a tudo isso, mas eu sempre busco guardar um pouquinho dessa sensação - da sensação que desperta em mim, mas da sensação que desperta nas pessoas que estão sendo beneficiadas também. 

Acho que é isso: é seguir transformando o mundo de alguma forma, seja por meio do meu trabalho, seja por meio das minhas relações, das conexões que eu posso ajudar a fazer. Acho que é esse o caminho. 

 

P/1 – E, por último, como foi contar a história da sua vida pra gente, hoje, Juliana? 

R – Nossa, é um resgate estar aqui assim. A gente acaba lembrando de algumas coisas que não passam [na cabeça] no dia a dia. São coisas que, no dia a dia, a gente acaba esquecendo. 

Foi muito bom, gente, de verdade. Eu espero que outras pessoas tenham essa oportunidade e seja um resgate tão forte quanto foi pra mim. Foi muito bacana. 

 

P/1 - Então, em nome da Vedacit e do Museu da Pessoa, Juliana, a gente agradece a sua participação nesse projeto. A entrevista foi muito legal, foi um prazer te conhecer. 

R – Foi ótimo, gente! Espero que tenha dado um bom resultado aí, que vocês tenham bastante material. (risos) 

P/1 – Obrigado! 

R – Eu que agradeço.                                                                                 


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