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A menina do Engenho Novo na Nova Zelândia

História de: Olga de Castro Leite
Autor:
Publicado em: 21/03/2016

Sinopse

Nesta entrevista Olga de Castro Leite rememorou o momento em que seus pais escolheram o seu nome – uma homenagem à sua avó paterna. Enquanto criança, era muito arteira. Uma vez foi atropelada em frente ao condomínio de sua casa; como tinha nove anos, aprendeu a dançar as músicas da Xuxa de muletas. O intercâmbio realizado por meio do AFS mudou sua vida positivamente. Fez amizades perenes, passeou pela Nova Zelândia, aprendeu uma língua. Naquele momento, 1996, a comunicação era mais difícil pois a internet ainda era incipiente. Para Olga, foi durante o intercâmbio que ocorreram os melhores momentos de sua vida. 

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História completa

[Meu nome é] Olga de Castro Leite, [nasci no] Rio de Janeiro, [em] 24 de maio de 1979. [Meus pais são] Jorge Antônio de Castro Leite e Sueli de Almeida Leite. Meu pai era um playboyzinho tijucano e ele tinha um sítio em Itaguaí, no Estado do Rio de Janeiro, nos finais de semana ele ia para lá com a família e minha mãe morava lá. a. E eles se conheceram, os dois tinham treze anos de idade, começaram a namorar, só que minha mãe não tinha acesso ao mundo, digamos assim. Em seguida ela engravidou do meu irmão mais velho, foram morar juntos com meus avós e aí foi. Foi meu irmão mais velho, depois foi a segunda, o terceiro e por último eu. Graças a Deus eles viveram felizes até meu pai falecer aos trinta e sete anos de idade, novo. Mas hoje minha mãe está aí aos sessenta e dois anos com os quatro filhos.

Eu cresci no subúrbio do Rio de Janeiro em um bairro chamado Engenho Novo. Morei lá trinta e seis anos da minha vida, na verdade eu saí de lá agora há pouco, fui morar em São José dos Campos. Mas foram trinta e seis anos de muita alegria. Lutas, dificuldades, tristezas, mas o saldo geral é muito positivo. Eu era uma criança terrível. Eu acordava, quando minha mãe: “Cadê a Olguinha?” O apelido é Olguinha. Eu já estava na rua com o cabelo desse tamanho, que o cabelo era bem cheio, cacheado, sem camisa e de short, brincando. Eu ficava o dia inteiro na rua, era de shortinho, chinelo, sem camisa com o cabelo desse tamanho, ou de maria-chiquinha que minha mãe tinha conseguido me pegar. E eu ficava, era pique, bicicleta, toda quebrada. Me quebrei já toda. Eu tinha uma infância, como dizem por aí, de asfalto. Eu brincava de pique, era amarelinha, me ralava toda, chorava, e fui muito feliz na minha infância. Eu curti cada etapa da minha vida, a infância, a pré-adolescência, a adolescência e depois a juventude.

Meu vizinho da frente, o Vagner Cineli, fez intercâmbio pelo AFS em 1983. Eu estava com 15 anos e [cuidava do cachorro dele], um dia ele conversou comigo: “Olguinha, você não tem vontade de fazer intercâmbio?” “Hã? Como assim?”. Ele: “É, intercâmbio.” “Mas o que é isso?”. Eu nem sabia direito. Eu falei: “Olha, Vagner, eu não tenho condição de fazer intercâmbio.” Até porque meu pai tinha falecido não tinha muito tempo. Ele falou: “Mas o AFS dá bolsas de estudo.” [...] Eu me inscrevi e comecei a fazer o processo de seleção, prova, tinha prova escrita, foram várias etapas. Acho que foram dois meses intensos de seleção. Todo final de semana era uma coisa, todo final de semana. E na minha época era muito, assim, duas bolsas pro Brasil todo. Era mais ou menos isso.

Eu fui no programa meia bolsa. Foi uma seleção muito acirrada, muito acirrada mesmo, porque eram, do Rio de Janeiro, acho que eram 15 pessoas concorrendo à bolsa. Fui eu e uma menina. Saiu Nova Zelândia para mim e Tailândia pra ela. Eu não acreditava até o dia de eu embarcar mesmo, eu não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo [...] e lá fui eu rumo a um dos melhores anos da minha vida.

 Quando eu cheguei, eu lembro que eu sentei no meu quarto, eu tinha um quarto enorme só pra mim, eu falei: “O que eu estou fazendo aqui, cara?” Eu respirei fundo, não, vai dar tudo certo, eu vou conseguir ficar até o final. Porque eu não estava aqui perto nos Estados Unidos, eu estava do outro lado do mundo. Eu estava muito longe. Eu lembro, foram muitas horas de viagem. Eu falei: “Não, vai dar tudo certo.” Eu tive uma família muito acolhedora, foi família mesmo. Eles chegavam, vinham, me abraçavam toda hora.

Eu tomei paixão pelo Inglês, porque eu não falava, eu comecei a gostar, quero Inglês. Voltei e falei: “Vou fazer Letras, quero ser professora, quero ensinar Inglês.” Aí fui fazer Letras Português Inglês, sou professora (risos), sim, simples assim.

Eu voltei do intercâmbio eu fui ser voluntária, eu já fui Presidente do comitê Rio de Janeiro, depois eu vim trabalhar aqui, trabalhei cinco anos, saí, logo voltei a ser voluntária, fui por todos os cargos voluntários. Eu fiquei responsável pela região Sudeste, fui Diretora Regional... O AFS sempre esteve muito presente na minha vida e mesmo minha família sabendo o que é o AFS e o que é o AFS pra mim, eles ficam: “Ai, meu Deus do céu, sempre o AFS.” Mas minha mãe entende, ela sabe: “Nada, ninguém pode concorrer com o AFS na sua vida”. Por mais que seja voluntário, demanda tempo, mas é prazeroso, não tem como, é inexplicável, só você passando, quando você passa a ser, tem esse amor, essa paixão, você entende o que é a importância do AFS. Hoje eu sou do conselho diretor, fui reeleita agora, tenho mais três anos de mandato, eu saio em 2018, mas estou sempre aí, 20 anos de AFS.

No AFS você realmente cria laços. Não cria laços que são desfeitos, você cria laços fortes. Que você leva para sua vida. Até hoje eu falo. Eu tive um dos melhores anos da minha vida. Eu levo isso todo dia, minha vida inteira. É muito presente o AFS na minha vida. [...] A maior conquista é, pra mim, ser a pessoa que eu sou hoje, que o AFS me ajudou a ser uma pessoa melhor, através do que cada vez a gente prega, a tolerância, a diversidade. É um amor incondicional, porque, eu não sei, a gente não larga, é um vício, vício sadio. AFS é um orgulho que você tem. “Sou AFSer”.

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