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História

A magia do rádio

História de: Francisco Chagas do Nascimento
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/04/2014

Sinopse

Francisco Chagas logo cedo se interessou pelo rádio, e perseguiu seu objetivo de ser radialista. Não foi fácil fazer o curso de Rádio, mas com muito esforço pagou os estudos e se tornou radialista. Mas no meio dessa jornada, muitas águas se passaram na vida dele, que saiu da residência dos tios que o trouxeram do Piauí e acabou indo morar na favela. Aqui, ele conta como se empregou e das dificuldades que enfrentou até se estabilizar, casar e criar os filhos.

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História completa

Francisco Chagas do Nascimento, nasci no dia 4 de fevereiro de 1966, mais precisamente na cidade de Floriano, Piauí. Meu tio que me trouxe quando eu era criança, entendeu? Eu fui criado em Osasco com os meus tios, e eles jogavam muito na minha cara, porque eles falavam que eu não queria vencer. E na verdade, quando eu era moleque, eu era meio preguiçoso mesmo, né, não queria nada com nada. Só queria jogar bola, ficar no rio matando preá com os amigos.

Eu saía com meus amigos pra matar preá com espingardinha de chumbo e estilingue, no Rio Tietê, era muito gostoso. Eu gostava de jogar futebol. Sempre gostei de jogar futebol e tinha, melhor dizendo, uma curiosidade tremenda pra conhecer o que tinha dentro do rádio, entendeu? Desde criança que eu gostei de rádio, o mundo mágico do rádio, entendeu? Tanto é que uma vez – eu sou muito curioso – eu abri o rádio pra ver se tinha alguém falando dentro. Engraçado, né? Como é que é moleque; a curiosidade de como é que é. Aí, de repente, eu abri, aí eu falei “Cacildis, não tem ninguém falando, de onde vem essa voz?”, né? Aí, quando eu fui crescendo, aí eu fui descobrindo que seria transmitido através de um estúdio, de uma emissora, via satélite, entendeu? Enfim.

Eu falei: “Meu, eu vou ter que trabalhar numa emissora de rádio, que é o que eu gosto na verdade”. Eu trabalhei à beça pra pagar porque foi caríssimo, né? Eu trabalhei e ralei, ralei que nem louco. Saía do trabalho e ia pra escola, chegava em casa por volta de meia noite, uma hora da manhã, entendeu? Mas sempre focado. Pra gente conseguir algo tem que ser com muita luta e comigo não foi diferente, tinha que matar um leão, dois leão por dia pra conseguir nosso objetivo de vida, né? E eu, quando chegava mas emissoras de rádio, pelo fato de ser negro, deixava o meu piloto, as pessoas olhavam com menosprezo, eu percebia, né? Eu falei “eu vou conseguir, vou ser perseverante”.

Eu aprendi uma coisa, que quando a gente vai pra conseguir o nosso objetivo de vida, você já vai com “não”, você vai em busca do “sim”. E eu sempre coloquei isso na minha mente, ir atrás. E, claro, em cada porta que dizia, se cem portas falar pra você “não”, uma porta vai dizer “sim”. Tem que ser perseverante e eu sempre fui. Você sabe que tinha horas que eu ficava meio fraquinho, tal, mas eu caí aqui, de repente, do obstáculo, seria a minha escada, conseguir o meu objeto, né? E, assim, eu me levantava, caía hoje, mas me levantava e assim sucessivamente.

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