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História

A luta pelo território e a experiência da misericórdia

História de: Maria do Carmo Neves Cesário
Autor: Coleção Alagados
Publicado em: 14/01/2021

Sinopse

Carminha relembra os primórdios da construção de Alagados, marcado por invasões e disputas do território. Ademais, fala sobre o sentido da misericórdia derramada sobre essa história de luta e violência.

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História completa

O significado daqui, da Colina é que depois que o Papa chegou foi derramado muita misericórdia e muitas bençãos. Porque só a misericórdia do Senhor e as bençãos nem somente pra mim, como pra muitos. Muitos e muitos e muitos mesmo. Todos os padres que passaram por aqui, cada um teve a sua parte. Dominique então, principalmente, quando teve o incêndio ali embaixo (...) Ah lá na invasão. Ahhh minha filhaa... (...) É que tuudo isso aqui. A maioria dessas casas aqui tudo foi invadido. Tudo isso aí foi invadido, bem pouca coisa foi comprado. Cada um ia marchando, brigando e se desentendendo e brigando com um e matando o outro, e era assim. Foi tudo assim. Então foi bençãos pra muitos. Foi bençãos aliás pro bairro todo, minha filha. Bençãos e muita misericórdia derramada. Muito e muito mesmo e pra mim mesmo foi um exemplo muito grande na minha vida. Então, foi bençãos e mais bençãos, tudo isso depois que eu vim pra aqui. Pra mim então foi chuvas de bençãos e como foi pra mim e tá sendo. O Papa, quando ele chegou aqui ele disse que nós tivéssemos coragem, que a nossa vida estava nas mãos de Deus e nós íamos reviver, nesse apoio. Ele disse que nós caminhássemos na estrada de Jesus, como dizia a Palavra. Então foi isso mesmo. E depois que ele chegou então, o povo há haha... Esta Igreja aí, esta Igreja aí já foi invadida não sei quantas vezes (risos). Aí quantas vezes.. a gente tava assistindo a missa, quando recebia as pedrada de quebrar o vitral. E quantas vezes o padre tava na missa e diante daquilo o que faziam? Os pobres coitados, os fracos de espírito né? A chuva começava a cair ele saía do altar, descia mais um pouco pra acabar de rezar a missa (...) Ohhh, das maldades que eles faziam! E quantas vezes essa Igreja aí arrombada.. E quase que mataram, menina, o padre Raimundo Carneiro. Queimaram o tapete, jogaram o tapete dentro, arrombaram a porta do fundo, queimaram o tapete e jogaram o tapete pelo buraco e depois não se conformaram, roubaram… Aí ele se escondeu coitadinho dentro de um tonel e eu sei que eles entraram (...) pra matar padre Raimundo. (...) Quantos roubos ali, uma vez mesmo uma irmã estava sentada e eles chegaram assim e ela ia entregar o que tinha, ela teve que entregar. Foi naqueles bancos enquanto ela estava esperando a Igreja abrir ... É muita coisa, é muita coisa... E desde aquela data em diante ele veio dormir na capela (...) Aqui foi uma confusão, porque foi um mal entendido que teve com o padre. Não aceitou as ordens do padre. Roubaram o carro do padre, foi uma confusão danada. E padre José Roberto, minha filha, o que sofreu aí! No dia da missa de Antônio Carlos Magalhães, os jovens resolveram e não botaram o ofertório, não disse o nome dele, do aniversariante. A comitiva que veio. Depois foi ter uma reunião precisou a irmã Delmira vir lá da Sagrada Família (...). Eita que eu foi aquela reunião minha filha, quase uma discussão. A gente entrou em oração minha filha, a irmã Delmira sempre acalmando e veio o irmão dele, veio a família dele, do padre. Oh Jesus, na saída já tava na hora do padre ir e eles não estavam quase se conformando e ele dizia: "- Olhe eu só não quero que vocês acabem com a vida da minha mãe hein. Eu sou coordenador de lá do hospital…” (...) O irmão do padre, ele era coordenador lá do, agora me esqueci o nome do hospital. A mãe dele assim do lado "- Eu só quero que vocês respeitem minha mãe." A mãe de Zezito, o ministro, foi que saiu pelo fundo com Padre José Roberto. Que eles exigindo do padre José Roberto que ele tinha que dizer o porquê, o porquê não colocou! Porque ele não colocou o ofertório que eles trouxeram, que foi o aniversário de Antônio Carlos Magalhães (...) Era aniversário dele e ele não estava aí, mas deixou uma comitiva porque ele amava aqui os Alagados, foi no auge, no auge, ai meu Deus, quando ele era governador (...) Foi que foi construído isso aí (...) Foi um mal entendido lá com os jovens, os jovens não queria. Ave Maria! Ai teve que sair com o padre lá pelo fundo da igreja. Eles queriam porque queriam que o padre: “- Vem, pra testemunhar” que não sei o que. Aí saíram com o padre, ele desceu lá pela rampa pra ir pegar o ônibus lá no fim de linha. Minha filha, nessa Igreja já se passou muita coisa aí. Mataram uma jovem aí, uma vez na escadaria. Foi muita coisa, muita coisa. Mas louvamos a Deus. Muita batalha. (...) Hoje tá uma benção! Hoje pelo amor de Deus, hoje tá uma graça. Até Antônio Carlos Magalhães ainda queria botar um carro móvel policial lá em cima, porque eles eram muito perigoso! Agora tem, mas naquele tempo eu não sei porque que é, porque parece que porque ficou o fim de linha aí. Aí ele, parece que Lobato com uns eles moravam aí. E eu com essas políticas de briga, negócio de política. Depois, isso aí ficou com um matagal, ficou com uma igreja deprezada e o povo tinha medo.. Aí ele voltou, renovou a igreja toda (...) Antônio Carlos Magalhães. Ele ainda estava no governo, ele ordenava não é? Não era ele diretamente. Quando precisou da gente ir no escritório dele, que a gente foi lá pra fazer um pedido e ele criou aí esse cinema. Esse cinema era uma maravilha. Ele criou ali em prol do benefício da igreja. Ah minha filha! "O nome é Cine Alagados." (...) Aí tomaram, queriam tomar para fazer Espaço Cultural. A gente que era do grupo do apostolado queria pra deixar como cinema ou como colégio de 2º grau, aí fomos a Antonio Carlos Magalhães lá no escritório dele. Ele nos recebeu muito bem. "-O que é que vocês mandam? Vocês sabem que eu adoro Alagados, porque lá é a minha igreja.” No dia do aniversário dele, ele festejava aí. Então ele nos recebeu. "- O que é que vocês mandam? estou à sua disposição." Entramos no escritório dele aí ficou naquela demanda: um queria isso, outra queria aquilov(...) O grupo do Apostolado queria justamente pra um colégio e o Espaço cultural queria pra um espaço cultural. Acabaram, depenaram o cinema. Era uma maravilha que só tinha um jardinzinho na frente (...) É o Espaço Cultural.

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