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História

A lavanderia como pano de fundo

História de: Irene Maria Gomes Barandas
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/11/2003

Sinopse

Uma vinícola, broa de milho, os pés descalços correndo por entre as plantações e as estações do ano bem divididas pelo clima local; são essas algumas das lembranças que guarda de Portugal, sua terra natal. Se o português brasileiro e o feijão preto foram empecilhos para sua adaptação, hoje lhe são adorados. O amor à primeira vista rendeu-lhe seu casamento e todas essas transformações. As roupas da lavanderia são o pano de fundo para a história de vida de Irene, que acompanhou as transformações do bairro carioca de sua paixão, a Tijuca. 

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História completa

P/1 – Para começar eu queria que a senhora falasse o seu nome e data de nascimento. Seu nome completo.

R – Meu nome é Irene Maria Gomes Barandas, nasci em 29 de março de 1944.

P/1 – E o local que nasceu? A cidade?

R – (riso) Portugal, cidade de Chaves.

P/1 – O nome dos seus pais?

R – Juventino Gomes e Maria dos Prazeres Gomes.

P/1 – E o dos avós, a senhora lembra?

R – Gualdino José Gomes e Germana de Jesus.

P/1 – Alguém, os seus pais ou seus avós, era ligado ao comércio?

R – Não, são todos ligados à terra.

P/1 – À terra.

R – É.

P/1 – A cidade da senhora tinha... Era uma cidade... Ela tinha algum comércio?

R – Sim.

P/1 – Qual era o tipo de...

R – Comércio variado. Como eu vou dizer? Comércio de roupas, comércio de coisas do campo, que...

P/1 – Assim, tinha alguma especialidade da cidade?

R – Presunto.

P/1 – Presunto.

R – É, que é muito bom (risos).

P/1 – Qual a origem do sobrenome da senhora, a senhora sabe?

R – Não, nunca me contaram essa história (riso).

P/1 – (riso) É...

P/2 - A senhora falou que a sua família trabalhava e era ligada a terra, era o que, Agricultura?

R – Agricultura, é.

P/2 – Que tipo de agricultura?

R – Como é que eu vou dizer? No campo é aquela coisa, se trabalha no campo se colhe tudo o que se pode imaginar. É batata, milho, verduras, legumes. Tudo isso que... Vinho também, azeitona, que é, no caso, azeite. Então é ligado a esse tipo da agricultura.

P/1 – Vocês plantavam mais para consumo próprio ou era para revenda também?

R – As duas coisas. Você trabalhava para consumo próprio e algumas coisas para venda.

P/1 – E quais eram as coisas que tinham mais saída?

R – O vinho e o azeite.

P/1 – Vinho e azeite. É...

P/2 – E a senhora chegou a fazer vinho, e tudo?

R – Com certeza (riso).

P/2 – Como é?

R – Naquele tempo, que não existia muito negócio de máquinas modernas, ele era feito manualmente. Você colhia as uvas, botava para um recipiente que se chamava “lagar”, e ali era trabalhado manualmente. Assim, as pessoas entravam e dali surgia o vinho.

P/1 – A casa onde a senhora morava, eu queria que a senhora me descrevesse a casa, o terreno.

R – Bom, a minha casa, aquela casa assim de... Meio aldeia. De pedra, como a maioria das casas são, simples, porque é uma casa de campo, de agricultor. Era uma família de dez pessoas. Uma família grande.

P/1 – Quantos irmãos a senhora tinha?

R – Eu tenho...

P/1 – Ah, tem.

R – Comigo dois. Somos três, três irmãos.

P/1 – A senhora falou 12 pessoas. Quem mais morava com a senhora?

R – Os meus avós, meu pai, minha mãe. Tinha duas tias que já moravam juntas. Nós três e alguns empregados faziam parte do trabalho.

P/1 – E como é que era a infância da senhora nesse ambiente familiar?

R – Muito bom.

P/1 – Bom?

R – Muito bom.

P/2 – Por quê? Como a senhora se divertia na infância, como eram as brincadeiras?

R – As brincadeiras, naquele local em que eu nasci e me criei, eram brincadeiras de rua, o melhor possível. Aquela coisa que a gente hoje não tem mais (riso). Para mim foi uma infância muito boa mesmo.

P/2 – Mas qual era assim, a sua brincadeira preferida?

R – Olha, eu não sei te dizer, porque naquela época as brincadeiras são assim, brincadeiras que não... Que a gente hoje, aqui no Brasil, vê essas brincadeiras, diz assim: “Meu Deus.” Desconhecia tudo isso, porque as brincadeiras da gente lá era brincar de boneca, de essas coisas muito simples. Porque é um meio pequeno, então não tem essas coisas que a gente tem hoje em dia para os filhos da gente.

P/2 – E a senhora brincava no meio das plantações?

R – Ah, sim, com certeza. Muito gostoso correr pelo meio das plantações no verão, que é muito gostoso. As árvores todas floridas... Com certeza.

P/1 – E como é que era o estudo das escolas lá? Como é que era a escola que a senhora frequentava?

R – Também aquela escola de aldeia, escola pequena. Era uma escola que abrangia todas as séries, da primeira até a oitava. Depois, dali para a frente, naquela época era muito pouca gente que se formava, tinha uma formação (menor?), porque as pessoas não tinham condições.

P/1 – E fisicamente, como é que era assim, o colégio? Queria que a senhora descrevesse como é que era o prédio do colégio.

R – É um prédio assim, tipo uma casa, feito de pedra, aquelas casas antigas. Uma coisa, uma sala muito simples, quer dizer, uma professora só para todas aquelas turmas. Mas gostoso de ler, de se aprender. Eu curti muito a escola. Curti porque eu gostava de estudar, então eu curti bastante.

P/2 – E a senhora lembra da sua professora, o nome dela?

R – Bom, eu tive duas professoras, eu me lembro muito delas. Elas, aliás, são muito minhas amigas: Maria da Glória e Maria Antonia. Muito, muito legais. Me lembro perfeitamente.

P/1 – E a escola, você acha que a escola te ajudou a entrar no comércio? Ela te deu uma...

R – Muito. A escola com certeza ajuda. Eu sempre gostei de estudar, estudei... Quer dizer, não tenho uma formação, assim. Mas eu sou uma pessoa que... Eu gosto até hoje de estudar, então acho que me ajudou muito, sim, porque qualquer coisa, por pouco que seja, te ajuda.  

P/2 – Dona Irene, a senhora trabalha com tinturaria e tudo. E em Portugal, a senhora já tinha alguma experiência com isso?

R – Nenhuma, nem sabia que isso existia. Porque a roupa era lavada no tanque. (riso) não tinha nem... Não sabia mesmo. Mas quando eu casei com o meu marido eu já sabia, porque ele já tinha esse ramo, então... Mas vim conhecer aqui no Brasil, lá não.

P/2 – Então lá todos, até roupa de inverno, tudo era lavado na...

R – Tudo era lavado em casa.

P/2 – E nevava, fazia muito frio na sua cidade?

R – Muito. Dezembro e janeiro, meses terríveis para frio. Com neves, geada, chuva, muita chuva.

P/2 – Como as pessoas lavavam as roupas de inverno? Elas usavam roupas pesadas, né?

R – Com certeza, roupas de lã. Geralmente se fazia assim, durante o inverno você usa aquelas roupas, porque lá as estações são três meses cada estação. Nós aqui que não temos esse... Porque é calor o ano inteiro. Então as roupas que se usavam no inverno, que são as roupas mais pesadas, as pessoas guardavam. Quando chegava, no caso, a primavera, no tempo que vinha mais quente, aí as pessoas lavavam aquelas roupas e guardavam para o ano seguinte. Só se iam usar no ano seguinte, né? Porque lá é assim, você tem inverno, verão, primavera, outono. Quer dizer, certos. Faz frio só naqueles três meses, depois no outro tempo. Então era assim, não tinha como você lavar um cobertor de lã e enxugar no inverno. É complicado.

P/1 – A gente falou um pouco da sua infância, agora a gente vai dar um pulo para a adolescência. Como é que era a adolescência na sua cidade? Como é que eram seus amigos?

P/2 – A diversão.

R – Olha, diversão tinha muito pouca, porque como era um meio pequeno, as pessoas... Nem todo mundo podia ir ao cinema, nem todo mundo podia ir a essas coisas. Então a infância e a juventude da gente foi assim, bem... Meia dúzia de amigos que você tem, que é o seu grupinho. Você se diverte por ali. Lá em Portugal se faz muitos bailes, então as pessoas se divertindo dançando na rua, mesmo.

P/2 – E como eram os bailes, assim? Que tipo de música tocava?

R – É aquela música tipo do Norte que você hoje escuta lá em Portugal, se usa muito essa música, uma música típica. Não sei se você já teve a oportunidade de ir nessas casas portuguesas. É esse tipo de música que se junta, tem como se fosse uma praça. Inclusive sábados e domingos fazem aqueles bailes e os jovens se divertem ali, é a única diversão que as pessoas têm, assim, mais... Porque as pessoas que são pobres não vão ao cinema. E naquela época nem tinha muito. Hoje está diferente, mas naquela época não.

P/2 – E a senhora gostava de dançar?

R – Muito. (risos) Adorava, viu?

P/1 – E festas de igreja, tinha alguma festa de colheita, alguma data que era festejada na cidade, que tinha uma importância?

R – Data de colheita não. Tinha uma festa anual que era festa, vamos dizer assim, a padroeira do lugar. Então naquele no mês de setembro era festa na aldeia inteira, comemoração daquele dia. Mas colheita, em si, não.

P/1 – E como é que era essa festa?

R – Essa festa era aquela festa, como é que eu vou dizer, uma festa típica. Primeiro a festa religiosa, na igreja, e depois a festa fora, com música, com comes e bebes, aquelas coisas. E as pessoas se divertiam. Era, geralmente, dois dias: sábado e domingo. Era para festa.

P/1 – Dona Irene, para registrar, o que é que as pessoas comiam nessa festa? Quais eram as comidas típicas?

R – Várias coisas. Presunto... Como é que eu vou dizer? Tanta coisa que eu nem lembro. Tem as frutas, também, que são típicas da... Uva, maçã, essas coisas que...

P/1 – E os doces que...

R - Ah, doces tem variados: cavacas, que são...

P/1 – Como é que e a cavaca?

R – A cavaca é um doce, como é que eu vou descrever? (risos) É difícil, né?

P/1 – (risos)

R – É um doce assim redondo, branco, que é uma massa... Como é que eu vou dizer? Essas coisas são difíceis (risos). Porque é uma coisa que... Mas como é que eu vou dizer, meu Deus? Aquela...

P/2 – Leva que ingrediente?

R – É farinha, açúcar. E faz aquela... O nome é cavaca porque na hora que você come, ela é uma coisa dura, assim. Então é o nome que deram a isso. Mas os ingredientes são farinha açúcar, essas coisas básicas.

P/2 – E nesses bailes tinha muita paquera?

R – Muita. Era aí que aconteciam as paqueras. Era aí que se arrumavam os namorados, e por aí. Porque não tinha outro... Não tinha outra chance.

P/2 – E quando se arrumava um namorado, como era? Qual era a diversão dos namorados? Cinema, ou...

R – Não, a diversão... Porque lá é assim, todo mundo trabalha, a maioria no campo. No domingo, naquela horinha – porque domingo lá é um dia que ninguém trabalha, domingo as pessoas não trabalham –, os namorados se encontravam, marcavam a sua horinha e se encontravam. E era assim mesmo. Não tinha aquela diversão, “vamos para o cinema, vamos comer pizza.” Não tinha, não tinha nada disso.

P/1 – E como é que eram as roupas? A senhora lembra alguma moda? Ou eram roupas mais regionais?

R – As roupas são as roupas típicas do lugar em que... Você usa saia, blusa. Lá se usa muito avental. As pessoas mais de idade usam muito avental e vestido. Roupas típicas, assim, do lugar. Não tinha nada, não.

P/2 – E os sapatos assim?

R – Sapatos também, lá se usa muito tamanco, aquele tamanquinho de madeira é que se usa mais. Sapato as pessoas geralmente só usam aos domingos para ir à missa ou se tem uma festa. Mas durante o tempo é calçado de madeira, mesmo.

P/2 – E como se deu a sua vinda para o Brasil?

R – A minha vinda para o Brasil se deu da seguinte maneira... Aí é uma outra história. Meu marido – que ele já estava aqui no Brasil há muitos anos –foi lá passear. E por acaso a gente se encontrou em um casamento, em uma festa de casamento, e foi amor à primeira vista. Ele olhou para mim e, né? Ele já estava com a passagem para vir embora, de voltar, e a gente se encontrou. Foi assim, coisa de uma hora, por aí. A gente trocou umas palavras lá. Ele veio, ficou assim a coisa. Eu fiquei, a gente ficou se namorando por cartas. Uma para lá, outra para cá. (risos) E quando chegou – isso foi em novembro – no ano seguinte, em maio ele estava escrevendo dizendo que queria casar, que estava vindo – no caso, indo para Portugal – para casar. Eu quase que caio dura para trás. Porque não tive tempo de conhecê-lo muito bem, e é sempre uma preocupação. Daí eu falei assim: “Ah, tudo bem, seja o que Deus quiser. Vem.” Aí foi. Eu nem tinha falado com meus pais. Porque lá os namoros, na maioria, são assim, meio as escondidas. Porque os pais só ficam sabendo mais tarde. E o meu, como era por carta mesmo, eu não tinha assim muito... Não fazia muita fé. Aí ele foi, chegou em junho e em setembro a gente estava com a data marcada para casar. A gente ficou mais ou menos uns três meses assim, no tempo que ele ficou lá, conversando, coisa e tal. Mas foi uma coisa muito rápida. Aí setembro a gente casou, e em novembro eu estava de volta aqui no Brasil.

P/2 – Como é que foi a sua viagem para o Brasil?

R – A minha viagem foi ótima, porque foi a primeira vez que eu viajei de avião, foi maravilhoso. Eu cheguei aqui, achei... Desde o primeiro dia eu gostei do Brasil. Tanto que estou aqui vai fazer 30 anos.

P/2 – A senhora veio o que, direto para o Rio?

R – Vim direto para o Rio, porque ele morava aqui já, no Rio. Então quer dizer, cheguei aqui, gostei do Brasil. Estranhei um pouco as coisas, não vou dizer que foi uma coisa muito fácil. Porque eu casei com 29 anos, eu nunca tinha saído de casa, e é lógico você vem para uma terra que embora fale a nossa... A tua língua, não é a mesma coisa. Tem muitas...

P/2 – O que é que a senhora mais estranhou?

R – Muita coisa que eu precisava sair na rua, comprar, os nomes totalmente diferentes. E você fica sem saber...

P/1 – (riso)

P/2 – Que tipo de coisa?

R – Ah, muita coisa. Tinha coisas que às vezes ele falava assim: “Ah, esse aqui é...” Eu falava assim: “O que é isso?” Pois é, o feijão preto. Eu falei para ele que eu nunca ia comer feijão preto, porque eu fazia assim: “Que feijão preto o que, menino. Na minha terra não tem isso não.” (risos) Aí eu falava assim: “Não, isso não.” Hoje eu sou fã de feijão preto (risos).

P/1 – (risos).

 R – Então é uma história gostosa. As pessoas, quando eu disse que ia casar e que ia... Eu ia casar e tinha que ir embora, porque ele tinha que vir embora, porque o trabalho estava aqui. E achavam que eu era maluca, que eu não conhecia ele direto, porque eu vinha para... E realmente, né? Eu vim de lá, de tão longe... Quer dizer, podia dar certo e podia não dar. Você não... Eu não sabia o que é que eu ia encontrar aqui. Mas graças a Deus foi uma história que teve um final feliz. Eu cheguei aqui, eu tinha casa própria para morar. Ele já era estabelecido. Então o que eu digo, as únicas coisas era essa coisa de às vezes eu querer sair, e aquilo que eu falava, a minha língua, embora fosse compreensiva, não era igual. Porque eu pedia uma coisa e as pessoas às vezes assim: “Ah, mas isso aqui tem outro nome.” Aí, né, com o tempo você aprende.

P/2 – Mas tem alguma coisa assim, que tinha um nome em Portugal e tem outro nome aqui no Brasil?

R – Ah várias, coisas.

P/2 – Você conta para a gente, assim?

R – Por exemplo, um café com leite. Aqui é café com leite, né? Lá é “um galão”. Um sanduíche, aqui é sanduíche, lá é “um prego”. Quer dizer, (riso) pelo amor de Deus.

P/1 – (riso)

R – Ou você ri ou você chora (risos). Mas aí, depois... Na hora, às vezes, tem coisas que você não acha graça nenhuma, porque acha que estão fazendo hora com a tua cara. Mas depois você, assim, é engraçado. Hoje brasileiro que vai lá para Portugal encontra a mesma coisa. Quando pede um sanduíche as pessoas olham e falam assim: “O que é que é?” Aí, né, lá tem alguém do lado e fala assim: “Ah, é um prego.” Um sanduíche. Não tem nada a ver, né? Então essas coisas eu acho que são engraçadas, porque... A mesma língua com coisas diferentes.

P/1 – A senhora quando veio aqui para o Brasil, falou que tinha casa própria. A senhora veio morar aonde?

R – Haddock Lobo.

P/1 – Haddock Lobo. E o que a senhora achou do bairro? O que é que você...

R – Eu gostei tanto do bairro que até hoje eu estou morando ali. Quer dizer, eu mudei daquele lugar, mas praticamente fui para um outro que...

P/2 – Haddock Lobo fica na?

R – Haddock Lobo fica ali, como é?  Paulo Frontin. Sabe a Paulo Frontin, aquela...

P/2 – Na Tijuca?

R – Isso. Então eu gostei tanto do bairro que quando eu saí dali, da Haddock Lobo... Quando eu tive a minha primeira filha eu queria um apartamento maior, e eu comecei a procurar para tudo quanto é lugar, e eu não conseguia me ver fora dali da Tijuca. Estou ali há 30 anos, morando. 22 onde eu estou morando agora e dez onde eu fiquei na Haddock Lobo, quando cheguei aqui no Brasil.

P/1 – O que é que você gostou mais, assim, do bairro?

R – Olha, do bairro eu gostei de tudo. Sinceramente eu me apaixonei pela Tijuca. Das pessoas... Porque quando eu morei na Haddock Lobo, meu marido tinha loja, era só descer, do lado. E as pessoas, eu achei que as pessoas muito comunicativas. Eu acho o povo brasileiro fantástico, e o comércio também. Ali na Tijuca o comércio, eu acho, para mim, bom, você tem de tudo. Tem padaria, tem farmácia, tem meio de transporte também bem acessível. Então ótimo.

P/1 – Como é que era esse comércio ao redor ali da sua casa?

R – Olha, ali aonde eu vim morar quando eu cheguei, não mudou tanto assim não, continuam as mesmas coisas. A mesma padaria que eu conheci está lá. A mesma... Então não mudou muita coisa não, Não vejo muita mudança ali. Porque a Haddock Lobo foi um lugar que parou um pouquinho. Enquanto que nos outros lugares as coisas cresceram, ali ficou um pouco...

P/2 – E quando a senhora veio morar na Tijuca, a senhora frequentava a Praça Sáenz Peña?

R – Muito. Como diz o outro, era o ponto, era o meu ponto de encontro para todas as coisas. Porque era o centro mais perto que você ia fazer. Por exemplo, tinha Lojas Americanas, tinha não sei o quê, e você... Era Praça Sáenz Peña.

P/2 – E assim, o que a senhora... Como era a Praça Sáenz Peña em 1973, quando a senhora chegou?

R – Bem diferente. Se eu for à Praça Sáenz Peña, está irreconhecível. Quer dizer, se você... Quando eu cheguei aqui, há 30 anos... A Praça Sáenz Peña agora não tem nada, não tem mais. É pouca coisa do que eu conheci.

P/2 – Como era, o que é que tinha naquela época?

R – Olha, a pracinha totalmente diferente. Não tinha nada, não era nada do que é agora. Uma pracinha completamente diferente. Eu ainda cheguei, quando eu cheguei estavam terminando, ali onde é o 45 agora, aquele...

P/2 – O shopping?

R – É, o Shopping 45 era um cinema, ali. Então isso já estava terminando. Quer dizer, mudou totalmente. Porque ali era um cinema, depois virou um shopping. A outra parte da praça não mudou tanto assim não, porque o Palheta permanece lá, que já era... Quando eu cheguei aqui eu frequentei muito o Café Palheta, as Lojas Americanas, essas coisas que fazem parte ali, da praça.

P/2 – E o cinema? A senhor falou do cinema. A senhora frequentava o cinema?

R – Frequentava. Antes de ter as minhas filhas eu ia muito ao cinema com meu marido.

P/2 – E qual a senhora mais gostava? 

R – Eu gostava muito do que hoje também não... É o que eu digo, cinema na Praça Sáenz Peña praticamente não tem mais. O América, Carioca. Gostava daqueles, daquelas salas de cinema. Era os que a gente ia.

P/2 – E das lojas assim, quais a senhora mais gostava?

R – As lojas ali, para te dizer a verdade, as Lojas Americanas, que era a mais popular. Porque a C&A eu acho que já veio depois, bem depois disso. A C&A é bem mais nova do que as Lojas Americanas.

P/1 – E a Sloper? A senhora chegou a frequentar a Sloper?

R – A Sloper eu não cheguei a frequentar não. Porque, não sei, era uma loja... Eu frequentava, eu ia também, também era uma loja antiga ali no local. Ela já foi... Acabou depois de eu estar aqui. Isso muito tempo, muito tempo.

P/2 – E na Haddock Lobo em si, qual a loja que a senhora mais frequentava?

R – Haddock Lobo ali, deixa eu ver... Tinha um armarinho ali. Porque não tinha muito comércio, ali não tinha muita coisa não. Tinha mais, assim, bares, uns barzinhos. A padaria. Era a padaria que ficava ao lado da minha casa, eu acho, loja de...

P/2 – E compra em supermercado, a senhora fazia aonde?

R – Compra em supermercado eu fazia... Deixa eu ver se eu lembro que supermercado ________ (riso).

P/2 – Tinha muito supermercado, na época?

R – Não, não tinha não.

P/2 – Não?

R – Não tinha.

P/2 – Mas você lembra dos que tinha?

R – Eu acho que tinha uma... Assim, um pouco mais para a frente, porque aí já é considerado Estácio, a Casa da Banha. Era o supermercado ali no bairro, o maior. Porque não tinha muito supermercado por ali, naquela época, não.

P/2 – Mas ficava no Estácio?

R – Ficava, já ficava, é Estácio, ali.

P/2 – E a Tijuca, então?

R – É Tijuca, ainda. Mas quer dizer, o Estácio que já... Quando termina a Haddock Lobo e começa...

P/1 – E ali no Largo da Segunda-feira, tinha algum supermercado ali?

R – Ali no Largo da Segunda-Feira tinha o que hoje é a Mundial, mas tinha os Três Poderes, que foi um supermercado muito bom. Ficou ali muitos anos. Depois, quando acabou, ficou o Mundial, que está lá até hoje.

P/2 – E as roupas da senhora, essas coisas, cama, mesa e banho, onde a senhora comprava?

R – Eu comprava muito na Mesbla.

P/2 – Tinha?

R – Porque naquela época era Mesbla Cidade, depois que abriu uma na Tijuca. Mais tarde, eu frequentava também, comprava muito na Mesbla. Era uma loja que eu gostava, porque você tinha ali um pouco de tudo. Então eu comprei, fiz muita compra na Mesbla.

P/2 – E quando a senhora começou a trabalhar aqui no Brasil?

R – Eu, para dizer, comecei a trabalhar... Como eu falei, eu cheguei em 73. Eu não fui trabalhar logo para a lavanderia. Eu sempre trabalhei, fiquei em casa, era do lar.

P/2 – Em Portugal a senhora trabalhava em casa?

R – Em casa, também. Eu nunca trabalhei assim...

P/2 – Em Portugal a senhora também trabalhava na agricultura, né?

R – Eu não trabalhava na agricultura não (risos). Eu era poupada do campo. Eu ficava mais em casa, fazendo trabalhos em casa, não ia muito para o campo não, porque é outro tipo de trabalho. O trabalho do campo é um trabalho mais pesado, mais... Então eu não fazia isso não, ficava mais no trabalho de casa mesmo. E aqui também fiquei muito, muito tempo trabalhando só em casa, fazendo as coisas, as tarefas de casa. Depois, quando as minhas filhas nasceram, aí é que parei de vez, mesmo. Eu trabalhei um tempo na loja, depois fiquei em casa, porque eu tomei conta das minhas filhas sozinha. Depois, quando elas ficaram grandes, eu voltei a ficar lá na loja, porque eu gosto.

P/2 – Então desculpe, eu não entendi. Quando a senhora chegou no Brasil, ficou um tempo em casa e depois foi trabalhar na lavanderia?

R – Sim, eu não fui logo trabalhar para a lavanderia. Eu cheguei, não fui trabalhar não, fiquei em casa, até porque eu casei para ficar em casa. Eu casei era para ser dona de casa, depois eu fui porque eu gosto. E você fica em casa, chega uma hora que você não tem nada para fazer, acaba ficando chato. Aí eu ia para a loja trabalhar, ficava lá.

P/1 – E como é que... Quando começou isso de a senhora ir, começar a trabalhar na loja?

R – Olha, eu cheguei em 73, acho que eu em 78 comecei a trabalhar na loja. Foi quando eu engravidei dessa minha filha que está aí fora, e fiquei até o final da gravidez. Depois eu fui ter o neném e dei uma parada.

P/2 – E quais foram as maiores dificuldades no início? Para a senhora, quando começou a trabalhar na lavanderia, quais as dificuldades que a senhora tinha?

R – Olha, sinceramente eu não tive dificuldades, porque o meu trabalho na lavanderia é ficar na frente, atender freguês. As pessoas que vão, coisa e tal. Então eu não tive porque eu sou uma pessoa que se relaciona bem com as pessoas. Uma pessoa calma, aparentemente. Mas não, gostei. E eu sinto falta, porque tem pessoas que são fregueses muito antigos, e que você chega lá, você conversa com eles naturalmente, como se fossem pessoas da família. Então eu não tive muito problema. E um trabalho que não tem muita coisa para você se adaptar. Trabalho light. (riso)

P/2 – Quer dizer que a senhora gostava de ficar lá atendendo os clientes. Mas tinha algum cliente chato?

R – Tem, e muitos chatos.

P/2 – Tem?

R – Tem, tem de tudo.

P/2 – Como assim, o que é que eles exigem?

R – Tem o tipo do freguês que chega, já leva uma roupa manchada e chega lá ele acha que a tinturaria tem que fazer milagres. Só que milagre não existe. E às vezes, por mais que a gente tente dizer que aquilo não vai sair, ele acha que a gente tem que fazer a mancha sair. A gente às vezes fala assim: “Tudo bem, a gente vai fazer o que pode...” Só que você não pode fazer milagre, não saiu. Quando ele vem buscar a roupa, ele arma um escândalo. Tem fregueses que dizem até que a gente estragou a roupa. Só que a gente, por causa dessas coisas, quando tira a nota, já coloca assim: “manchada.” Porque aí quando você vier buscar, estava manchado. Mas tem freguês muito chato, muito chato mesmo, de a gente ter vontade de correr com ele pela porta afora.

P/2 – E já aconteceu de estragar roupa?

R – Já, isso acontece. Acontece porque sempre tem aquela coisa, por mais profissional que você seja, você sempre... Um dia pode ter um erro. E na lavanderia acontece muito, porque roupa é uma coisa muito sensível, hoje mais ainda. Os tecidos são muito fracos, a pintura dos tecidos desbota muito fácil. Então isso realmente dá muito problema, dá muito mais problema do que... Não é do meu tempo, mas o meu marido fala, do tempo em que ele começou. Porque as roupas eram outras, eram umas roupas melhor de se lidar. Se usava muito linho. Hoje em dia não tem tanto linho, hoje você tem microfibra, que são tecidos que para lavar, alguns dão problemas. Roupas que encolhem. Aí o freguês acha que a gente estragou a roupa. E outras coisas assim.

P/2 – E quando acontece assim, de estragar uma roupa, como é que vocês fazem?

R – Quando acontece de estragar uma roupa a gente sempre faz o melhor que pode, porque ninguém quer o prejuízo de ninguém. Tem freguês, aqueles que são bons, você entra em um acordo, você paga a roupa. O freguês que diz assim: “Isso me custou tanto, mas já não era novo, já tinha duas, três lavagens. Tanto está bom?” “Tudo bem.” Agora, tem outros que a roupa já foi lavada 500 vezes ele diz que a roupa era nova, e você vai ter que pagar uma roupa nova, entendeu? E é o jeito. Porque é uma coisa que te entregam para você fazer e você estragou. Por qualquer motivo que aconteceu, mas você tem que ser responsável. Isso acontece, de vez em quando acontece, acontece mesmo.

P/1 – Agora, voltando um pouco para a história da loja e da região.

R – Hum, hum.

P/1 – Quando a senhora começou a trabalhar lá, quando a senhora chegou aqui no Brasil, que seu marido já tinha a loja, há quanto tempo ele tinha essa loja?

R – Olha, quando eu cheguei no Brasil ele já tinha essa loja, deixa eu ver, tinha mais de uns dez anos que ele já estava com essa loja. Tinha mais.

P/2 – E como ele teve a ideia de abrir essa loja? Ele já contou para a senhora, essa história?

R – A história é porque ele tinha outras lavanderias. Ele chegou a ser dono de cinco lavanderias. Hoje ele está só com essa, porque é o que eu estou falando, ao longo dos tempos a facilidade das roupas... O ramo de tinturaria caiu bastante. Então ele abriu aquela loja porque comprou o prédio. E como ele já trabalhava no ramo de lavanderia, eles abriram mais uma, porque era um local que não tinha tanta lavanderia por ali. E foi realmente ótimo, foi muito bom quando começou. Hoje está tudo um pouco mais difícil, principalmente lavanderia, porque é aquela coisa, roupa muita coisa você lava em casa, só vai lavar quem pode, não é todo mundo hoje em dia que pode lavar roupa em lavanderia.

P/1 – E quando a senhora começou a trabalhar lá tinha muita concorrência? Fala um pouco agora da concorrência.

R – Concorrência sempre teve, até hoje. Porque.... Se bem que naquela época tinha menos lavanderias por ali, hoje tem mais. Abriram até depois, muito depois dessa. E a concorrência sempre tem aquela concorrência em que eu estou cobrando dez e o outro vai e cobra nove. É uma concorrência, e tem freguês que briga por um real. Se ele chega lá eu falo assim: “Olha, o preço disso é x.” Ele fala: “Ah, não. Na outra estão cobrando menos.” Aí ou a gente entra em um acordo ou então tudo bem, se ele não está a fim, ele vai embora, né? Tem a concorrência, isso tem.

P/1 – E o nome Flor da Tijuca, a senhora sabe a história do nome desse...

R – Não sei, isso aí não sei como surgiu, essa Flor da Tijuca. Não sei porque nessa época eu não estava aqui, e também meu marido tem coisas que às vezes você não pergunta e a pessoa também não fala, então realmente não sei te dizer o significado, o porquê de Flor da Tijuca.

P/1 – Voltando de novo para a história do bairro, ali nos transportes, na região da lavanderia, no Largo da Segunda-Feira. Teve alguma mudança de transporte? Como é que são os transportes antes e como é que são hoje?

R Olha, o transporte ali, da minha época, já era ônibus, e depois chegou o metrô, que tem ali o metrô de São Francisco Xavier, Afonso Pena, que engloba aquele lugar ali. Então a única coisa que mudou ali, mesmo, foi o metrô. Porque ônibus...

P/2 – E a senhora acha que o metrô melhorou o movimento da loja?

R – Muito, muito. Muito, porque é um tipo de transporte que é um acesso mais fácil, mais rápido. Então as pessoas... É muito mais fácil você pegar um metrô levando uma roupa do que dentro de um ônibus. Então facilita sim, acho que o metrô facilita muito.

P/1 – Outra pergunta também relacionada ao bairro. Ali no Largo da Segunda-Feira, quando chove, é muito comum ter enchentes. (riso)

R – (riso) É.

P/1 – Ainda é?

R – Continua sendo.

P/1 – A pergunta justamente é como é que eram essas enchentes, como é que elas são atualmente? Você já pegou uma história... Já pegou tua loja?

R – Já. Ali, quando chove muito, a água entra direto. Quando para de chover a única saída é ter que lavar a loja, porque entra direto aquela sujeira toda. Depois, agora há pouco tempo que duraram, ficaram dois anos infernizando a vida de todo mundo ali. A situação piorou, ficou muito pior. Porque eles fizeram... Levantaram o... Como é que eu vou dizer? O piso junto com as lojas, ficou paralelo. Então agora, qualquer água que vem entra direto. Aquilo ali é terrível com chuva, terrível.

P/1 – E continua tendo muita enchente ali? Enchendo...

R – Sempre que tem, sempre que chove muito ali, não tem jeito, a água entra dentro da loja e tem que limpar.

P/1 – A lavanderia foi fundada, então, dez anos antes da senhora chegar? Em 1963?

R – Isso.

P/1 – Seu marido tinha sócios?

R – Dois irmãos. Ele nunca teve uma sociedade com pessoas, vamos dizer assim, desconhecidas. Era ele e dois irmãos que faziam parte das sociedades, sempre os três.

P/2 – E o marido da senhora, em Portugal, já trabalhava com lavanderia?

R – Não, trabalhava no campo.

P/2 – Então ele veio para o Brasil...

R – Ele veio, foi trazido para o Brasil por um amigo que já estava aqui estabelecido, e aliás nesse ramo de lavanderia. Então ele veio realmente já começando a trabalhar em lavanderia. Trabalhou muitos anos como empregado, e um dia ele veio, depois vieram os irmãos. Os três se juntaram e começaram a abrir lavanderia por conta própria para eles. Mas lá em Portugal nunca tinham trabalhado em lavanderia.

P/2 – Tá. E a senhora pode falar um pouquinho, descrever um pouquinho a loja? Assim, a loja da senhora, no caso da lavanderia, como é a arrumação, como é a fachada, o interior?

R – Bom, o prédio é um prédio antigo. Como diz? É antigo. Um prédio antigo, a estrutura do prédio não foi mexida. É um prédio, vamos dizer assim... A palavra certa é velho, porque está realmente... E o que mais eu poderia falar?

P/1 – Ele tem quantos andares?

R – Ah, é a parte de baixo que é a lavanderia, e em cima que já é considerado sobrado, que tem salas de dentistas.

P/2 – Mas então o prédio todo é do seu marido?

R – É, todo dele.

P/2 – Aí ele aluga as salas?

R – Sim.

P/2 – E como é a arrumação das roupas dentro da loja? Como é que elas ficam guardadas, como são conservadas? Como é que funciona?

R – As roupas, depois que são lavadas e passadas, são colocadas em um plástico. Roupa... Calça, terno, essas coisas todas são penduradas, tem os ferros. E são penduradas por ordem, porque tem uma nota, por ordem. E roupa de cama e banho é embrulhada e guardada de acordo com os fregueses que vêm buscar. Porque nós trabalhamos no balcão e temos empregados a domicilio. Tem pessoas que não querem trazer, vai buscar e leva.

P/2 – E tem uma taxa para a entrega? Para buscar, para entregar?

R – Não, não tem. O preço é o mesmo de se você leva lá ou... É o mesmo preço.

P/2 – E que equipamentos a senhora tem na loja?

R – Como?

P/2 –  Equipamentos, máquinas, quais são?

R – Máquinas tem. Tem aquela máquina de lavar, que são máquinas de lavar grandes, máquinas industriais, mesmo. Para dizer a verdade, mesmo, é industrial. Passadeira. Os ferros da passadeira são ferros diferentes. São ferros... Ferro mesmo, ferro pesado. E tem a máquina de passar que é a máquina a vapor.

P/2 – E como é que se lava, individualmente? Bota na máquina individualmente? Por cliente, por cor? Como é isso?

R – Não. Por cor, sim. Você tem que separar a roupa. Roupa branca você coloca de molho, deixa às vezes de um dia para o outro. Agora, a roupa colorida você junta de acordo com as cores, porque não pode misturar. Aí lava tudo junto.

P/2 – Como é que a senhora consegue, depois, separar de quem é?

R – Exatamente, porque tem uma nota, tem um talão que são três vias. Uma fica no talão, uma fica com a gente e a outra vai com o freguês. Essa que fica com a gente tem um número. A roupa toda é carimbada. Aí, conforme sai, ela vai saindo de acordo com a nota.

P/2 – Hum, hum.

R – Então você, por exemplo, levou essa calça lá, número “x”. Eu carimbei e a nota...

P/2 – E escreve na calça, carimba direto na calça?

R – Não, é o número, um carimbozinho com número. Você carimba a calça e carimba a nota. Aí a calça saiu, você perguntou... Procura o número, tira, coloca na calça e espera você ir pegar. Você tem que trazer a tua nota, porque eu não sou obrigada a dar, essa é uma coisa que é interessante, eu não sou obrigada a dar a roupa para você se você não trouxer a sua nota. Porque já aconteceu, às vezes a pessoa vem, descreve a roupa, dá, e fica com a nota lá em casa. Aquela nota ficou lá. Um dia, mais tarde, ele esqueceu e vai com aquela mesma nota procurar aquela roupa. Só que como nós temos três vias, e a gente só se desfaz do talão passado um tempo, aí a gente vai procurar a nota, a terceira via e vai ver que pela data aquela roupa já saiu. Mas são coisas que acontecem. Às vezes acontece.

P/2 – E a loja lava a seco?

R – Lava, lava a seco.

P/2 – E como é essa lavagem a seco? Como é que funciona?

R – A lavagem a seco é um produto derivado do petróleo, que é o varsol. É uma máquina só para isso. Ali não entra água, e a roupa é lavada ali, só naquele produto.

P/2 – Mas que tipo de roupa se lava a seco?

R – Por exemplo, roupa que tem tendência para encolher.

P/2 – Tem tecidos que têm...

R – Tem, tem tecidos que têm tendência para... Tem tecidos que se você colocar na água, vestido que era desse tamanho fica assim.

P/2 – Que tipo de tecido acontece isso?

R – Olha, são tecidos variados. É como eu digo, no dia, quando o freguês chega lá com a roupa e mostra, a gente fala assim: “Olha, isso aqui pode encolher.” Hoje não sei te dizer qual o tecido, porque são vários. Por exemplo, tecidos de lã encolhem muito. Então a gente tem essa preocupação e diz: “Olha, isso aqui tem de ser lavado a seco.” E a lavagem a seco é um pouco mais cara, porque o produto é mais caro também. O produto derivado do petróleo é mais caro do que a água e o sabão, então é um preço diferente. Mas hoje em dia até nem tem muita lavagem a seco não, porque as pessoas preferem mais na água, lavada na água.

P/2 – Mas por que as pessoas preferem? A senhora sabe?

R – Lavadas na água?

P/2 – É.

R – Porque é o seguinte, é o que às vezes eu falo para as pessoas quando chegam lá, às vezes tem... Porque hoje, as indústrias têm mania que qualquer roupa eles colocam etiqueta: lavar a seco. Não tem nada a ver. A gente fala: “Ó, esse tecido não fica bom lavado  a seco.” E a lavagem a seco tem que ter um tempo maior para sair o cheiro. Você já viu o cheiro do varsol? Conhece?

P/2 – Não.

R – É um cheiro horrível, porque é uma coisa derivada do petróleo, por isso, você imagina, tem um cheiro forte. Então aquela roupa que é lavada a seco tem que ficar muito tempo pendurada para poder sair aquele cheiro. Mas dependendo do tecido, aquilo fica tão impregnado que às vezes o freguês vem buscar e está com aquele cheiro. Aí a gente explica: “Ó, não tem solução. O próprio produto que faz isso” Então muitas pessoas não estão mais querendo essa lavagem a seco pelo cheiro. Porque água e sabão eu acho que é a única coisa que você lava e fica cheirosinho. Fica melhor.

P/2 – E tem algum tipo de promoção na loja?

R – Não, promoção propriamente dita, na loja, em tinturaria, não tem não.

P/2 – E como vocês fazem para atrair cliente? Tem propaganda na Rio Listas, alguma coisa assim?

R – Não, também não. A propaganda, eu vou te falar, é você fazer o trabalho bem feito, e como diz o outro: um passa para o outro. Porque às vezes, tem pessoas que chegam: “Ih, eu estou vindo aqui porque a minha amiga mandou, porque lavou aqui uma roupa, gostou.” E por aí. E realmente isso é a melhor propaganda, você trabalhar direito e a pessoa que foi te indicar para outro. Isso tem muitas histórias de pessoas que vão e mandam outra pessoa, amiga ou sei lá. Ontem mesmo uma senhora foi lá com um enxoval, pegar um enxoval da neném para a filha que tinha acabado de ter neném que foi dela. Então aquelas roupinhas estavam todas amarelas, esse tipo de coisa. Levou um monte de roupinhas. E foi mandada por uma amiga. Ela falou: “Ô, leva lá, porque eles capricham, fazem a...” Então essa é a propaganda, que é a melhor que tem.

P/2 – E a senhora falou assim que a lavagem a seco usa-se esse produto...

R – Derivado do petróleo, que é o varsol.  

P/2 – Hum, hum. E a lavagem comum, que tipo de coisas vocês usam?

R – Sabão em pó. Sanitária é indispensável para roupa branca, para clareamento de roupa. E tem outros produtos que são produtos que às vezes, para tirar uma mancha ou essas coisas assim, mas não tem muita coisa não. Mais é água, sabão, a sanitária.

P/1 – Quais os horários de funcionamento da loja? Teve alguma mudança?

R – Não, o horário de funcionamento é de sete às seis da tarde. _______________ E já teve... Quando eu cheguei aqui se trabalhava aos sábados, hoje não se trabalha mais. Sábado só até a uma hora. Quando eu cheguei aqui o sábado era um horário normal, como outro qualquer, o dia todo. A única coisa de diferente, em horário, foi essa.

P/1 – E qual o horário assim, de pico, o horário que está com mais gente? Qual o horário que é mais frequentada, a casa?

R – Geralmente é de tarde, depois de umas quatro, cinco, até o horário de fechar. Às vezes tem um movimento maior, às vezes é aquele horário em que a mãe vai buscar o filho na escola e passa na tinturaria, leva a roupa e deixa a roupa. Esse é um horário assim, mais... E às segundas-feiras, que é um dia bem cheio. Porque é aquele dia que entra mais roupa.

P/1 – Entra as roupas do final de semana.

R – Exatamente, é aquele dia típico, que tem para todo mundo.

P/2 – E assim, quantos dias demora para entregar a roupa?

R – Depende. Por exemplo, você vai lá e fala: “Olha, eu tenho essa calça e preciso dela para amanhã.” A gente até dá um jeito. Não é normal, porque geralmente você leva a roupa hoje, ela é lavada amanhã, só no dia seguinte que ela está pronta, porque você levou hoje, amanhã lava e depois é que ela vai para... Geralmente são dois dias. Mas a gente faz muito isso. Você vai lá: “Ah, lava a minha calça para amanhã. Eu preciso, meu marido vai viajar, eu preciso do terno.” A gente faz.

P/2 – E você falou... Ele perguntou horário. E período do ano, assim, qual a época do ano que tem mais movimento?

R – O final do ano. Dezembro é o melhor mês, porque as pessoas lavam cortinas, tapetes. Quer dizer, lavam a casa inteira. É um mês...

P/2 – E fora isso, a estação: verão, inverno? Qual que...

R – O verão é melhor.

P/2 – É o melhor?

R – É.

P/2 – Por que isso?

R – Porque as pessoas transpiram mais, e se lava mais a roupa. Dá muito, muito no verão, muito mesmo. No inverno cai bastante, porque geralmente a pessoa às vezes aproveita uma blusa para usar umas duas vezes no inverno. No verão é difícil. ________

P/2 – Então a senhora lava roupas, também, consideradas mais fáceis de lavar? Todos os tipos de roupa?

R – Todos os tipos de roupa que a gente realmente vê que dá para fazer sem problema. Qualquer tipo de roupa.

P/2 – Camiseta?

R – A gente lava camiseta, tapete, cortina, todo tipo de roupa.

P/2 – E roupa de futebol, de time, lava?

R – Não, time inteiro não. Por exemplo, a gente lava muito roupa de judô. Aqueles, como é que chama aqueles...

P/1 – Quimono.

R – Quimono, sei lá. Isso aí a gente lava muito. Agora, time de futebol não, não tem não.

P/1 – Qual a roupa que mais se lava lá? Qual o tipo de roupa que mais se lava, hoje em dia, na lavanderia?

R – Olha, hoje em dia na lavanderia se lava muito jeans, porque é a roupa do dia a dia. Antigamente se lavava muito terno. Teve a época que as pessoas trabalhavam mais de terno do que hoje. Também tem muito terno ainda, mas diminuiu bastante essa parte. As pessoas trabalham mais esporte, sei lá. Agora dá muita calça, que é aquela coisa que você, pelo menos durante a semana, você troca calça uma ou duas vezes. Camisa social dá muito, camisa social.

P/1 – E vocês fazem algum tipo de... Vocês prestam algum serviço na loja, tipo fazer uma bainha, pregar botão?

R – Sim, na loja a gente faz, prega botão, faz bainha, coloca fecho. Às vezes vai uma pessoa que pede, a gente tem uma menina que faz isso. “Ô, dá uma apertadinha aqui.” Essas coisinhas básicas.

P/2 – E colore tecido também?

R – Não, não colore. Essa parte é feita em outro lugar. Às vezes as pessoas vão, porque são freguesas, e falam: “Olha, essa roupa manchou, será que dá para tingir?” Nós temos uma firma que faz isso para a gente. Mas ali mesmo nós não fazemos não.

P/2 – Mas tem muita procura disso?

R – Tem. Tem porque, infelizmente, nunca se estragou tanta roupa como hoje. Como a situação está difícil, as pessoas lavam roupa em casa, aí estraga demais. Aí é roupa manchada, às vezes roupa nova. Você vestiu uma vez, foi para lavar e manchou. Aí você corre para a tinturaria para ver se pode tingir. Dependendo do tecido... Não é qualquer tecido que pode tingir não.

P/2 – Então é mais em conta do que comprar outra roupa?

R – É, porque atualmente nós estamos cobrando 15 reais por peça de roupa, para tingir. Então às vezes, sei lá, hoje em dia você 15 reais, não sei se por 20 ou 30 você compra uma calça nova (riso). Mas tem pessoas que mesmo assim preferem tingir, porque a calça estava nova, e jogar fora uma calça só porque manchou... Quer dizer, se tem uma solução, você dá.                          

P/2 – E qual o tipo de cliente da lavanderia que vai mais? Homem, mulher?

R – Tem tudo, mas tem mais mulher. Mas também homens, vão muitos homens.

P/2 – E se lava mais o que, roupa de homem ou de mulher? Ou a mulher que levou a do marido, como é?

R – A coisa é mais ou menos assim, meio a meio, porque geralmente a mulher às vezes leva o conjunto dela, leva o terno do marido. Quer dizer, é uma coisa igual. Não existe muita diferença assim, mais de homem, mais de mulher,não tem não.

P/2 – E teve algum caso da senhora lavar uma roupa que achou esquisita? Chegou alguma roupa estranha? Não tem uma história engraçada sobre isso?

R – Não. Às vezes tem, ainda não tem muito tempo apareceu lá um vestido que parecia de bruxa. Então a gente morre de rir, né? Porque eu falei assim: “Meu Deus do céu. Eu não pagava para fazer uma lavagem disso, jogava era no lixo.” (riso) Tem pessoas que às vezes vão com coisas lá que eu falo assim: “Pelo amor de Deus.” Sempre tem alguma coisa que você se diverte quando olha para aquilo.

P/2 – Então essa foi... Além dessa, tem outra história mais engraçada que senhora se lembre?

R – Não, mais engraçada não, mais ou menos nessa faixa. Às vezes tem roupas que você olha faz assim: “Meu Deus do céu, como é que essa pessoa veste essa roupa?” É uma roupa diferente. Não é assim... Não tem muita história assim não.

P/2 – De onde vem a clientela, a maioria? Do bairro, de outros bairros?

R – A maioria é do bairro, mas também tem de outros lugares. Tem pessoas que vêm de Jacarepaguá, pessoas de... Quer dizer, moravam aqui se mudaram para lá mas continuam vindo aqui, trazer roupa e coisa e tal. De Ipanema. Tem freguês em Ipanema, também. A maioria é do bairro, localizada.

P/2 – E a senhora presta serviço para lojas, tipo de aluguel de roupas ou boutique?

R – Já trabalhou. Já trabalhamos para a Só Rigor por muitos anos. As pessoas, né? É loja de aluguel de roupas que eles geralmente vão no fim de semana pegar e trazem segunda-feira, aí ia tudo para lá para lavar. Mas depois eles abriram lavanderia própria e... Mas já fizemos sim.

P/2 – Mas a Só Rigor é uma loja?

R – E também o meu marido já trabalhou muito tempo para hotéis. Trabalhou para Hotel Novo Mundo e para o Hotel Bragança, que acho que nem existe mais, que era aqui na Mendes Sá.

P/2 – Então Só Rigor é aluguel de roupas de que? De festas?

R – De festas, é. Aluguel de festas.

P/1 – E ele fica aonde?

R – A Só Rigor?

P/1 – É.

R – Do lado da tinturaria. É bem ali do lado.

P/1 – Quais as exigências dos clientes atualmente, eles estão...

P/2 – As maiores, tanto no passado quanto agora. Fazer uma comparação, de repente um tipo de exigência que teve e hoje não tem...

R – Eu acho que a exigência maior hoje do freguês é com respeito a estragar roupa. Porque hoje tudo está mais caro ao nível de roupa. São muito mais caras. Antigamente eu não escuto falar que antigamente você estragava uma roupa a pessoa reclamava que aquela roupa tinha sido cara. Não. Hoje se reclama mais por isso. Porque às vezes a pessoa diz assim: “Puxa, estragou minha roupa. Porque essa calça custou um dinheirão...” E é essa parte que realmente reclamam mais. Eu acho que como a situação está difícil, quer dizer, se você for comprar uma calça que custou caro, você vai buscar e está estragada, você vai reclamar.

P/2 – E antes qual era o tipo de reclamação, quando a senhora começou a trabalhar?

R – Também tem aquela reclamação que às vezes você tem uma passadeira ou um profissional que não passa a roupa direito. Quando um freguês vai pegar reclama: “Ó, está mal passado. Eu não vou levar roupa desse jeito. Você vai fazer de novo.” Tudo bem, a gente volta e faz. Tem reclamação nessa parte aí porque ninguém quer o serviço mal feito, então tem freguês que reclama muito. Tem freguês que chega lá, tira o plástico e fica examinando a roupa para ver se está tudo direitinho para não reclamar. Mas tem muitos que reclamam mesmo.

P/2 – E assim, a senhora observou ao longo dos anos se teve alguma mudança no tipo de cliente? Se antigamente ia mais homem, hoje vai menos ou mulher, ou pessoas mais ricas e hoje é mais classe média?

R – Ih, não. Exatamente. Eu acho que antigamente tinha mais gente de todas as classes. As pessoas podiam mandar lavar roupa. As pessoas lavavam mais roupa na lavanderia. Hoje quem lava roupa é rico mesmo, pobre não lava mais roupa na lavanderia não, porque fica caro. A gente até entende isso. Então hoje em dia realmente quem lava roupa é rico, não é qualquer pessoa não.

P/2 – Então quer dizer que as pessoas hoje lavam menos roupa do que antigamente?

R – Muito menos a roupa, muito menos. Porque as máquinas de lavar também tiraram muito, né? (riso). Porque quando meu marido abriu loja de lavanderia, acho que nem existia máquina de lavar. Se existia era pouca gente também que tinha. Então hoje se lava muito menos roupa em lavanderia.

P/2 – E como as pessoas chegam a loja? Assim, tem estacionamento?

R – Não.

P/2 – Não.

R – Essa é outra parte difícil também. As pessoas, a maioria das pessoas, como eu digo, é do bairro ali, então muitas vão a pé pegar. Outra parte vai de carro, geralmente assim, liga antes de sair de casa: “Ó, vou passar aí. A minha roupa está pronta?” Aí chega na porta, a pessoa já está com a roupa pronta, porque ali não tem estacionamento. Essa parte aí não tem não.

P/1 – Qual o tipo de serviço mais pedido na loja, fora a lavagem?

R – Bom, fora a lavagem o que se faz muito em tinturaria é bainha e colocar fecho. É muito. As pessoas vão muito lá, porque é uma coisa que de repente você estragou o fecho, você corre lá e quebra o teu galho. Ali na hora faz. É um tipo de serviço também que é bem solicitado.

P/2 – A senhora já explicou para a gente como arrumam as roupas e tudo. Sempre foi dessa maneira?

R – Sempre foi dessa maneira. Desde que eu me lembro, que eu conheço de lavanderia, sempre é esse processo. Até porque, se você passar por várias tinturarias em diferentes lugares, o processo é o mesmo. Aqueles ferros na parede e os cabides com a roupa pendurada... É, o processo é o mesmo.

P/2 – E como a senhora embala as roupas? Que tipo de material, como é?

R – Como assim, roupas? Como eu falei: calças, blazer, casaco, vestido, eles são colocados no cabide com uma capa de plástico. Fica ali pendurado. As de cama e banho são embrulhadas ou em sacos plásticos ou em papel, mesmo.

P/2 – E esses plásticos que botam blazer, essas coisas, tem que devolver ou é do cliente? Como é que é?

R – Não, teria que devolver, porque é um custo que é da tinturaria, nós que compramos. Tem muita gente que vai... Às vezes roupa embrulhada amassa. Se não for, dependendo do tipo de roupa. Então a pessoa fala: “Posso levar no cabide?” E a gente fala: “Tá, tudo bem. Depois devolve o cabide.” Muitos devolvem outros não. mas o certo seria devolver. Porque o cabide é da lavanderia.

P/2 – E tem... É personalizado, esse pacote? Essas coisas tem a logomarca da lavanderia?

R – Já teve. Já teve uma época em que a gente mandava confeccionar os plásticos com o nome da lavanderia, telefone, tal. Agora não, os sacos estão simples. Porque é o que eu digo, o custo de obra aumentou muito. Então às vezes, se você, só para colocar aquilo tem que pagar o dobro do preço, aí você vai: “Ah, então traz o saco simples mesmo. Só o plástico para evitar poeira.”, essas coisas. Mas já teve saco, aqueles sacos plásticos tinham a marca da tinturaria.

P/2 – E quantos funcionários a senhora tem?

R – Olha, funcionários tem o lavador, passador, passadeira, dois caixeiros na rua e o meu caixeiro para atender no balcão. Então são três, cinco, seis pessoas.

P/1 – Como é que é a forma de pagamento da loja? As pessoas pagam geralmente como?

R – Freguês que...

P/1 – Hum, hum.

R – Geralmente o freguês vai ao balcão... Na hora que pega a roupa, paga. Mas nós também temos aqueles fregueses que só a domicílio, e às vezes pagam por mês, dependendo da pessoa. Tem pessoa que paga na hora, outros não. Mas uma grande parte dos fregueses que são a domicílio pagam por mês. Junta as notinhas e aí no fim do mês paga.

P/2 – Mas a senhora aceita cheque, cartão?

R – Cartão não, cheque sim.

P/2 – E desde quando aceita-se cheque? Sempre aceitou?

R – Sempre, a gente sempre aceitou cheque, sim. Às vezes tem aquela pessoa que fala assim: “Ah, dessa pessoa aí você não aceita cheque porque já deu problema coisa e tal.” Mas sempre se aceitou o cheque e dinheiro.

P/1 – Quando ocorria mudança de moeda... A senhora, de 73 para cá, deve ter pegado várias, né?

R – Ah, já.

P/1 – Como é que ficava o... Como é que era trabalhar com essa mudança de moeda? Atrapalhava muito?

R – Sempre atrapalha, porque uma mudança é sempre uma coisa que você tem que se adaptar. Mas não era assim, uma coisa. Quer dizer, o dinheiro muda e você vai de acordo com... Mas é sempre uma mudança que você tem que...

P/1 – E como é que ficava o comércio? As pessoas gastavam menos nessa época de mudança? Você lembra se eles gastavam mais, se eles iam mais?

R – Olha, para trás, lá para trás, as pessoas, nessa mudança de dinheiro, acho que não tinha, assim... Hoje sim. Hoje as pessoas (riso) gastam menos porque o dinheiro é menos também, então influi sim. Porque sempre que tem uma mudança, se é para melhor, tudo bem. Mas quando... O que geralmente aqui no Brasil, ele é sempre... A moeda, quando muda, dá sempre aquela diferença, e as pessoas ficam um pouco mais...

P/1 – Hum, hum.

R – Mais tímidas para fazer a coisa.

P/2 – E a senhora faz fiado para algum cliente conhecido?

R – Faz. Quando a pessoa é uma pessoa assim, um freguês já muito antigo, uma pessoa conhecida, às vezes: “Ah, posso pegar a minha calça? A minha saia? A minha blusa, não sei o quê. Eu estou sem dinheiro.” “Não, tudo bem. Depois você paga.” Se faz isso.

P/2 – E tem algum tipo de problema, já teve algum tipo de problema?

R – Assim, de pessoas conhecidas, conhecidas que a gente sabe para quem está deixando levar, não. Agora, com outras já teve muitos problemas. Vêm, às vezes, com rolos enormes de roupa, levam, passam um cheque sem fundo. Isso tem muita história. (riso) Às vezes ele deixa um endereço que você não consegue... Quer dizer, ele vem uma vez só e não volta mais, também.

P/2 – Fala um pouquinho da relação patrão empregado. Qual a sua experiência nessa relação de ser patroa, empregado? Como é isso?

R – Olha, eu gosto de ser patroa, porque eu sou uma pessoa que, para mim, empregado é... Eu trato ele como trato a minha filha. Bem. Eu sou uma pessoa... Eles me adoram. Basta dizer que tem empregados lá que tem 26 anos de casa. Tem um empregado lá que viu essa minha filha nascer. Quer dizer, uma relação boa. Não só comigo, como também com o meu marido. Se bem que com o meu marido é um pouquinho diferente, porque é aquele negócio, homem tem um temperamento... Mas eu me dou super bem com todos, tanto que o tempo que eu fiquei em casa depois que eu tive as meninas, nossa eles estranharam muito, eles queriam que eu voltasse logo porque eu estava fazendo falta. E me dou super bem com todos.

P/2 – E o seu marido, a senhora às vezes briga no trabalho, por problema de trabalho?

R – Ah, brigo. Brigo porque nós somos um pouco diferentes de cabeça, né? (riso) Às vezes ele fala uma coisa e eu discordo, então é aquela coisa, sempre... Mas não é nada grave.

P/2 – Mas chega em casa então já tranquila, é só de trabalho, né?

R – Com certeza, o negócio se resolve ali. Às vezes tem pessoas que chegam lá... Porque ele tem a mania de dizer que dá um jeitinho para tudo, só que às vezes esse jeitinho você quer melhorar e acaba piorando. Foi o que eu falei lá atrás, as pessoas não entendem e falam assim: “Ah, você estragou.” Ele foi fazer a boa vontade e acabou levando uma bronca. Então eu não... Se eu estiver ali, não deixo ele fazer isso. Eu digo assim: “Não, você não vai pegar esse porque não vai dar certo, coisa e tal.” Mas aí é uma coisa de momento, não tem desentendimento.

P/1 – A senhora falou das suas experiências com os empregados. E qual as dificuldades de ser patrão?

R – Olha, dificuldade de ser patrão? Como é que eu vou... O que é que eu vou falar aí? (riso)

P/1 – (riso).

R – Porque é como eu te falei, eu me dou super bem com eles. A gente se entende muito bem. Eu acho que a dificuldade maior é sei lá, às vezes ter que dar uma bronca. Porque sempre existe... Aquela coisa, ninguém é perfeito. Você erra, você vai ter que chamar a atenção. A parte da frente, que é o balcão e os empregados, nem tanto. Mas lá atrás, lavador, passador e passadeira levam muita bronca sim, porque muitas vezes o lavador lava uma roupa mal lá, porque não estava a fim de... Entendeu? Então você vai lá e dá um chega para lá. Quer dizer, assim... Então não tem assim, muita dificuldade, não.

P/1 – O que mais mudou nessa relação de empregado, como é que era, apesar dos empregados serem antigos na casa?

R – Praticamente é... A maioria não tem muita mudança não, porque é o que eu estou te falando, tem empregado lá... Esse de 26 anos, tem de 20, tem de dez, tem de seis, de nove. Tem empregados que saíram, voltaram, entendeu? Então não tem aquela mudança, dizer...

P/1 – E a parte de entrega, vocês entregam com bicicleta ou é...

R – De bicicleta.

P/1 – E a bicicleta tem alguma propaganda da lavanderia?

R – Não, não tem. Não tem não. A única propaganda são os uniformes deles, que no bolso tem escrito o nome da tinturaria, o telefone só, e mais nada.

P/2 – E os uniformes vocês lavam na tinturaria também? (riso)

R – Com certeza. (riso)

P/2 – Dona Irene, vamos entrar agora... A gente vai voltar um pouco, retomar. Voltar a falar um pouco da sua história de vida, desde Portugal até os dias atuais. Então a primeira coisa que eu queria perguntar para a senhora é se a senhora já chegou a voltar para Portugal depois que saiu?

R – Sim, voltei. Eu fui lá, eu fiz cinco viagens à Portugal.

P/2 – E como é que foi?

R – Viagem sempre é bom, né?  E para a terra onde você nasceu, ver... Porque a minha família está toda lá. Eu não tenho ninguém aqui, então é sempre agradável fazer uma viagem e voltar lá no passado. É sempre bom.

P/2 – E a senhora foi, falou... Quantos irmãos que a senhora tem, que a senhora falou?

R – Dois.

P/2 – Dois o que?

R – Homens.

P/2 – E eles vivem lá em Portugal também?  

R – Não, um está na França outro está nos Estados Unidos.

P/2 – E a senhora já chegou a reencontrá-los?

R – Várias vezes, porque geralmente quando... Em agosto que é o mês de férias na França, é o mês de férias e o dos Estados Unidos, a gente combinava. Quando eles estavam lá eu ia também, e a gente se juntava. _____________

P/2 – E como é que era esse...

R – Nossa, é inexplicável. Você ficar às vezes três, quatro anos sem ver o teu irmão e depois juntar todo mundo, é muito bom.

P/2 – O que a senhora fazia? Almoços, festas?

R – Lá?

P/2 – Quando se encontravam.

R – Ah, com certeza. Sempre na casa dos meus pais, que é uma casa grande. Então aqui a família inteira. Os irmãos, as esposas dos irmãos. Ultimamente... Agora que cada um de nós tem duas filhas mulher, seis filhos. É muito gostoso, bom demais.

P/2 – Voltando essa questão de quando eu perguntei almoços. Como é que era na sua casa, quando tinha... Quando a senhora era criança, como era Natal?

R – O Natal...

R – Lá era totalmente diferente do Natal daqui, porque, vamos dizer, o clima já é diferente. As comidas são diferentes também. Lá se come muito bacalhau com batata, polvo, que é um peixe... Nem sei se vocês conhecem, que é um polvo que é tradicional lá em Portugal. Se baseia... Praticamente a ceia de Natal é essa aí. Quer dizer, enquanto aqui se come peru, ou sei lá, essas coisas, lá não tem nada disso. E muito vinho, muito vinho, é isso...

P/2 – E... Pode continuar, interrompi a senhora.

R – (riso) Não, é o que eu falei, essas comidas e muito vinho, porque é inverno, o vinho cai bem. E doces lá não têm muito essas coisas. Lá não se come muito doce que nem se come aqui, não tem. A coisa é mais natural, mais frutas, essas coisas.

P/2 – E quais eram as frutas na época do Natal?

R – No Natal não é época propriamente de frutas, mas geralmente as frutas que são pedidas no verão são armazenadas e geralmente a gente tem frutas o ano inteiro. Então maçã, uva, essas frutas que conservam melhor, a gente...

P/2 – Quer dizer que não estraga?

R – Não. Você tem a maçã, você colhe no... Porque o tempo das frutas lá é o verão. Você  colhe, coloca elas em um local e você tem maçã ali por mais de quatro, cinco meses. E a uva também. Você colhe, pendura, e ela fica ali por um bom tempo. Porque lá... Nós, aqui, temos fruto o ano inteiro. Você não tem verão não tem inverno, você tem fruta o ano inteiro. Lá não, você só tem fruta no verão. Aquelas que realmente não se conservam, você só come na época, depois não tem mais. Aquelas que conservam, que é a maçã, uva, que são as que conservam mais, você tem.

P/2 – Quem preparava as comidas?

R – Minha mãe. Como sempre, é sempre a mãe que faz.

P/2 – E você ajudava a sua mãe?

R – Sim, ajudava.

P/2 – E Natal tinha alguma brincadeira, alguma...

P/1 – Trocava presentes?

P/2 – Existia alguma lenda? O Papai Noel, alguma coisa assim?

R – Não, é engraçado, esse negócio de Papai Noel, de troca de presentes também não é... Hoje, atualmente, já está se fazendo isso. Porque eu já fui passar um Natal lá depois de muito tempo e já estava se fazendo isso entre as pessoas, se trocando presentes. Mas na minha infância, na minha juventude não tinha não. Não tinha essa de se trocar presente, não tinha nada. Era ceia assim, comum. Geralmente os familiares se juntavam e ficavam ali em volta da lareira conversando, até dar o sono e ir dormir. Acabou.

P/1 – (riso)

P/2 – Quer dizer, a lareira ______________. A senhora falou que a sua casa era de pedra...

R – Era.

P/2 – Mas como era a casa? Era grande, pequena?

R – Era grande. Lá as casas geralmente são grandes. São casas que têm uma coisinha do tamanho disso aqui. Os quartos, tem sala, tem varanda. Tem lá o que chamam de pátio, que é como se fosse uma espécie de um quintal grande.

P/1 – Eram quantos quartos?

R – Olha, a minha casa tinha três quartos. Tinha três quartos, uma sala grande, cozinha.

P/2 – E a família bem grande devia...

R – É, a família era grande.

P/1 – Como é que ficava dividida a família nesse espaço?

R – Olha, eu, por exemplo, tinha o meu quarto que dividia com uma tia minha que vivi, que fazia parte da família, ela não casou então vivia em casa. Os meus irmãos eram dois homens, tinham o quarto deles. E o outro quarto era do meu pai e da minha mãe.

P/2 – E a senhora assim já contou, já falou das festas e tudo. A senhora paquerava bastante nessas festas?

R – Não, eu era paquerada.

P/2 – Ah, é?

R – É, mas não... Assim, eu... Porque lá não tem... É o que eu digo, tudo mudou. Hoje você vai em Portugal, as meninas lá estão assim, bem avançadinhas para mim, de acordo com o meu tempo, quer dizer, é uma coisa que não tinha. Era bem diferente. Você não saía por aí paquerando porque não... As pessoas te criticavam. Se você... Por exemplo, hoje em dia menina paquera menino, não tem essa de... Lá não. Se menina fez assim, ah, não, ela era criticada, pai e mãe ficavam assim... Nossa, não tinha.

P/2 – E a senhora é religiosa? Qual a religião da senhora?

R – Eu sou católica. Sempre a minha família era católica, eu ____ católica.

P/2 – Vocês frequentavam a igreja?

R – Sim, lá se frequenta muito a igreja. Lá todo mundo, principalmente nos meios pequenos, é uma tradição. Domingo todo mundo vai à missa. É um lugar pequeno, mas todo mundo vai à missa. Quer dizer, é uma coisa que eles seguem assim.

P/2 – E a senhora disse... Eu já perguntei e a senhora disse que já foi umas cinco vezes à Portugal. E como é que foi, a senhora levou sua família daqui do Brasil?

R – Bom, a minha família aqui no Brasil sou eu, meu marido e as minhas duas filhas, e eu fiz algumas viagens antes de elas nascerem, e depois com elas já fui lá umas três vezes, inclusive a Cristina completou um aninho lá. Eu fiquei nessa época... Eu fiquei lá três meses, entendeu, de férias.

P/2 – E como é que foi esse reencontro?

R – Ah, foi muito bom chegar lá com uma filha. Os avós, as pessoas da família, amigos... Porque eu sempre fui uma pessoa muito querida no meio. Então quando cheguei lá com uma filha, é uma coisa que inexplicável, muito bom.

P/2 – E quantas filhas a senhora tem?

R – Duas.

P/2 – E neto, a senhora tem algum?

R – Não, por enquanto não. (risos) É cedo.

P/1 – (risos).

P/2 – E o que é que as suas filhas fazem?

R – Olha, essa que está aí, a Cristina, ela é formada em Fisioterapia, e outra vai se formar no final do no em Jornalismo.

P/2 – Então, mas a senhora gostaria que elas dessem continuidade ao seu negócio?

R – Não. Não vejo... Eu nunca falei. Ela, por exemplo, a Cristina, quando ela trabalha... Nos dias em que ela não trabalha ela fica lá na loja com o pai ou comigo. Ela fica, ela gosta. Mas eu acho que tinturaria não é muito futuro, é um ramo que eu acho que com o tempo ele... Tudo na vida tem aquelas fases em que você... Então eu nunca falei para elas: “Vocês vão ter que seguir essa.” Não, pelo contrário. Eu quero que realmente elas se formem, que façam a vida delas naquilo que elas gostarem. Aliás, a Cristina gosta. Como eu estou te falando, ela fica muito lá na loja com o pai. Mas não vejo elas seguirem. No dia que acabarem, por elas não...

P/1 – O que é que a senhora gosta de fazer nas horas de lazer, fora da loja?

R  – Ai, adoro passear em shopping, adoro.

P/2 – E qual o shopping a senhora frequenta?

R – Bom, para mim eu gosto de qualquer shopping. Minha paixão é o Shopping Tijuca, porque fica praticamente do lado da minha casa. Eu pego metrô e estou lá. Faço muito isso.

P/2 – Então lá é que a senhora faz as suas principais compras, tudo?

R – Com certeza. Tudo ali no Shopping Tijuca, é onde eu compro a maioria das coisas, onde eu... É o meu lazer. (riso) Eu adoro shopping.

P/2 – E o que é que mais atrai a senhora no shopping? Por que é que o shopping atrai tanto?

R – Olha, eu gosto de coisas novas. Então ver vitrines, para mim, ver coisas diferentes me faz bem, eu gosto. E gosto de comprar também. Sou uma gastadora assim, meio... Mas gosto, gosto muito de shopping.

P/2 – E a senhora é exigente?

R – Sou bastante.

P/2 – E que tipo de exigência a senhora...

R – Eu gosto de tudo muito bem feito. Quando as coisas não são do meu jeito eu brigo.

P/2 – Então assim, como... A senhora entra em uma loja...

R – Não.

P/2 – Vai comprar uma roupa. O que é que a senhora procura na roupa para, por exemplo, para ser uma roupa boa? Ou então...

R – Por exemplo, eu entro em uma loja para comprar uma roupa. Eu olho a roupa, eu gostei. Aí você vai experimentar, porque nem sempre o que você olha, no teu corpo... Às vezes você coloca no corpo e fala assim: “Ah, não quero. Não gostei.” Aí eu sou exigente. Tanto que às vezes elas, quando estão comigo, falam assim: “Mamãe, não saio mais com você para comprar nada, porque você é muito chata.” Porque eu sou exigente comigo mesma, às vezes não é nem nada com os outros, é comigo mesma. E as coisas às vezes têm que ser do meu jeito, se não a coisa pega.

P/2 – E assim, por a senhora trabalhar em relação à roupa, por a senhora trabalhar em tinturaria, e tudo, ter sempre contato com roupa, a senhora olha detalhes de roupa? Se tem algum defeito, botão, essas coisas?

R – Olho, olho muito, tanto que, às vezes, quando ela... Geralmente eu e as minhas filhas andamos muito juntas, tanto que para qualquer lugar para onde eu vou elas vão atrás. Porque elas vão comprar roupas para elas, às vezes eu fico... Aí ela falou assim: “Poxa, mamãe, fica... Você procura e acha.” Eu falei assim: “É lógico. Estou procurando mesmo. Porque às vezes você aqui não presta atenção chega em casa vai ver. E quando chegar na hora você vai se aborrecer.” Isso eu sou de ver detalhes, sou mesmo.

P/2 – E as suas roupas a senhora lava aonde? Em casa? (risos)

P/1 – (risos).

R – Vou responder: na lavanderia. (risos)

P/1 – Se a senhora pudesse mudar alguma coisa na trajetória de vida, a senhora mudaria? O que é que a senhora mudaria?

R – Como assim? O que é que eu mudaria na minha vida? Olha, para te ser sincera, eu acho que eu não mudaria nada não, porque eu como já falei, eu casei, estou com 30 anos de casada. Quer dizer, se não estivesse bem, eu teria acabado. Acho que eu não mudaria nada, sou feliz no meu casamento, sou feliz com as minhas filhas, gosto do trabalho de lavanderia, como eu já falei, eu gosto de lidar com os fregueses. Então sinceramente, eu acho que só mudaria que, às vezes, no caso... Se fosse alguma coisa para ganhar mais dinheiro, aí eu mudaria qualquer coisa. Mas nesse ponto aí é tudo...

P/2 – Então o que seria uma maneira... A senhora teria uma ideia de algo que te levasse a ganhar mais dinheiro, um sonho, uma...

R – Pois é, diz que sonhar não custa nada. Mas atualmente até para sonhar está sendo difícil. Porque não sei o que é que me levaria a ganhar mais dinheiro. Tudo o que eu tenho foi conseguido através desse trabalho, então, quer dizer, já foi melhor? Já. Mas está dando para viver, então eu não sei. Porque às vezes uma mudança pode até ser pior. Não sei, acho que não.

P/1 – O que a senhora acha de ter participado aqui do Projeto de Memórias da Cidade do Rio de Janeiro?

R – Olha...

P/1 – E falando sobre sua experiência de vida, falando da experiência de comércio, da senhora.

R – Minha experiência de vida, como eu digo, não é tanta assim. Agora, da experiência, gostei, adorei vocês todos. Para mim foi uma experiência boa, que eu gostei muito de vocês. Então é isso, gostei de ter participado, e espero que vocês tenham gostado de mim também (risos).

P/1 – (riso) Então muito obrigado.

R – De nada, eu é que agradeço. Espero que tudo o que foi dito para vocês valha alguma coisa.

P/2 – Ah, vai valer sim. Está ótimo.

R – Entendeu? E quem sabe amanhã, depois, no futuro, os meus netos vão ver essa entrevista da avó (risos).

P/1 – (risos).

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