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História

A Joia Musical e o comércio de instrumentos

História de: Aline Cristine de Almeida Almeida
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/06/2021

Sinopse

Lembrança dos avós. Início do Joia Musical. Brincadeiras de infância em Rio Preto. Memórias da cidade. Ensino Médio e entrada para a faculdade. O público e os clientes. Acessórios e produtos musicais. Internet e propagandas online. Formas de pagamento. Pandemia. Contato com duplas sertanejas. Aspirações futuras.

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História completa

            Eu me chamo Aline Cristina de Almeida Almeida. Exatamente, são dois Almeidas. Eu nasci em 27 de julho de 1990, em São José do Rio Preto. Os dois Almeidas são do meu pai,  Vanderson Francisco de Almeida, e da minha mãe, Marlene de Almeida Almeida. A família Almeida! Ela pegou o Almeida no casamento, porque ele não queria que ficasse só com o Almeida dela. Quis que colocasse o Almeida dele. 

            Então, aí que começa a história: o meu pai trabalhou na Arprom, justamente na Joia Musical, a primeira loja de instrumentos musicais aqui de Rio Preto. De Arprom, ele foi pra office boy, foi pra vendedor... de vendedor, ele foi pra gerente, e aí começaram a acontecer as coisas na vida dele. Nós somos evangélicos, e os meus pais se conheceram na igreja. Minha mãe trabalhava como costureira na época, e eles namoraram alguns anos e logo já casaram - com 18, 19 anos -, e meu pai sempre esteve nesse ramo de música.

            A Joia Musical foi a pioneira aqui, bem antes de ser do meu pai. Em 1957 ela se lançou como primeira loja de instrumentos musicais. Meu pai trabalhou lá, meu tio trabalhou lá, várias pessoas conhecidas da cidade, que são amigas dele, da época da mocidade, trabalharam lá. Era na Galeria, e cada sala da Galeria tinha um departamento. Tinha uma sala que era só de pianos, uma sala que tinha só livros, uma sala que tinha só acordeom, uma sala que só tinha violão. Então, era toda aquela Galeria.

            Naquela época, como não tinha a facilidade que a gente tem hoje da internet, usavam-se muito os métodos. A mulher tinha que tocar piano, fazer sete, oito, nove anos de piano. Então, era aquele sonho: fazia 15 anos, o pai ia lá e comprava um piano pra filha; ia lá e buscava os livros. A gente ainda traz um pouco dessa história hoje, mesmo tendo essa parte digital, porque ainda vendemos muito esses livros.

            E aqui a gente tem uma expressão: “Ah, você vai no centro? Nós vamos ‘na cidade’”. Então, eu tenho essa lembrança de estar com a minha mãe, com a minha vó no centro. A minha vó tinha que receber, e aí a gente vinha de ônibus; tinha aquele ritual de comer o Mc Donalds, que naquela época era uma coisa, um luxo enorme. Então a gente comia o Mc. Era diferente o centro. Hoje foi reformado, reestruturado, está bem diferente, mas é um centro muito conservado.

            Eu comecei a trabalhar com meu pai no segundo colegial, de 15 pra 16 anos. Eu estudava na parte da manhã e vinha pra loja na parte da tarde. Fiz dois anos assim. Depois, eu logo entrei na faculdade, com 17 pra 18. Aí eu trabalhava de manhã e de tarde e ia pra faculdade à noite. Eu fiz Administração de Empresas e Comércio Exterior. Fiz por conta da loja, mesmo, porque quando eu tinha 15 anos - naquela época era uma sociedade, ele já estava com uma loja –, meu pai sentou e disse: “Filha, agora o pai vai separar, não está mais dando certo, a gente não está mais batendo as ideias, e o pai vai precisar de você”. Eu: “Tudo bem, sem problemas”. Terminei meu curso, e fui bem na faculdade. Aí eu orientava, entrei como caixa, entrava pra atender um telefone, depois eu já comecei a mexer no caixa, no sistema, estoque... hoje, basicamente, eu sou a cabeça da empresa.

            Mas é interessante, porque eu não toco nada. Não toco nenhum instrumento. É cômico. Não toco nada. Mas sei vender, sei falar do produto, sei tudo, mas não tenho habilidade pra tocar. Já tentei, mas não tenho o dom.

            No comércio, acho que o mais difícil é você lidar com as pessoas. E o mais gostoso é você lidar com as pessoas. Então, tinha a equipe formada de vendedores, só que eu fui pra parte administrativa, fiscal, do caixa, do RH. Sempre fiquei com essa parte da administração. Eu tinha contato com o público, mas eu não atendia. Aí eu fui amadurecendo, fui crescendo, e então eu comecei a me inteirar mais nessa parte digital, principalmente nesses últimos dois, três anos, e foi quando eu comecei a ter o contato maior com o público, comecei a vender também. Hoje, se fosse pra eu escolher, eu gostaria de ficar só vendendo.

            Mas nosso ramo é assim: criaram-se muitas distribuidoras, de marcas fortes, fortíssimas, que trazem essas guitarras, esses violões importados, essas cordas importadas. Uma única empresa traz dez, 12, 15 marcas. Então, você vai fazer uma compra e pode comprar lá, todas essas marcas, numa empresa só. Antigamente não tinha essa facilidade. E hoje, pra você comprar um instrumento nacional, é bem menor o nicho, pois bem menos pessoas vendem o instrumento nacional - são poucas marcas que fazem o nacional, porque o custeio é maior; se você importar da China fica mais barato, e o nacional que está aqui dentro acaba ficando um pouquinho mais caro, dependendo do que você for comparar.

            A gente trabalha com todos os tipos de instrumentos. Não tem um específico que eu venda mais, mas a gente vende muito - além dos violões, das cordas - a parte clássica, orquestral, devido ao fato de nós sermos evangélicos. De acessórios, temos a corda, o encordoamento, as tarraxas... quebrou uma tarraxa, a gente troca, a gente tem pra vender e a gente faz o serviço na loja. Hoje eu tenho, mais ou menos, de 12 a 13 mil produtos cadastrados. É muita coisa.

            Antes da pandemia, a gente tinha de três a cinco feiras por ano. Então nós íamos em todas. Cada marca tem o seu representante por região. O legal dessas feiras era grande, porque você tinha novidades, descontos, parcelamento, o feedback da venda, a negociação, de você pegar o instrumento, o fornecedor te mostrar: “Esse aqui é lançamento, e é assim, assim e assado”, e aquela interação que você tinha com outros lojistas. Você trocava muita informação, recebia muita informação. Era muito bacana e muito importante pro nosso setor. Hoje não é mais assim. Nós tivemos feiras digitais, mas não é a mesma coisa. Você está numa feira digital, mas não tem aquele afeto, aquela coisa quente, que é você estar numa feira normal.

            A gente está atendendo na pandemia mais aquele que sempre teve vontade de tocar um violão e não tinha tempo. Sempre teve vontade de tocar um teclado, aprender a tocar um teclado, mas não tinha tempo. Agora, o meu parceiro, a minha dupla sertaneja que tocava no barzinho não está tocando.

            E na divulgação, eu também faço muitos vídeos engraçados. A gente faz umas coisas aqui pro povo dar risada. Tivemos que colocar a cara na internet, porque antes da pandemia a pessoa vinha dentro da minha loja, ela via o meu produto. Hoje eu tenho que entrar dentro da casa dela, do celular dela, pra ela me ver, porque senão ela não vai me ver. Eu faço um vídeo, e a pessoa está lá sentada no sofá, rolando o Instagram: “Nossa, um violão bom, um ukulelê, uma flauta... preciso de uma flauta pra escola, e lá vende”. E foi assim que a gente começou a divulgar, foi assim que a gente começou a crescer. Lógico, hoje a gente vende no site, no Mercado Livre, nessas outras plataformas, no whatsapp, no Instagram e no Facebook, porque agora o que a gente tem são as redes sociais. Se você não colocar a sua cara na rede social, você não é visto. E quem não é visto não é lembrado!

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