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A informática na comunidade: conectando cidadãos

História de: Diogo Barcellos da Luz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/06/2020

Sinopse

Jovem de comunidade carente, Diogo pôde conhecer por meio da informática um direito que todos tem, mas muitos desconhecem: Cidadania. Ingressou como aluno no projeto do CDI, mas logo vislumbrou a possibilidade de se capacitar como educador e multiplicar esse conhecimento dentro da sua comunidade.

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História completa

P/1 - Diogo, boa tarde.

R - Boa tarde.

 

P/1 - Você poderia começar falando seu nome completo, local e data de nascimento, por favor?

R - Meu nome é Diogo Barcellos da Luz, eu sou da EIC [Escola de Informática e Cidadania] da Pedreira. Minha data de nascimento? Minha data de nascimento é 6 de agosto de 1985.

 

P/1 - Certo. E você pode falar um pouco da região que você mora? Onde você mora?

R - Eu não moro próximo assim da EIC.

 

P/1 - Certo.

R - Mas aí tenho vários amigos, assim, e eu conheci a EIC.

 

P/1 - Tá. Fala então um pouco do teu contato com o CDI [Comitê para Democratização da Informática], como você ficou conhecendo.

R - Através da EIC mesmo, eu fiz o curso e eles que me indicaram pra fazer aqui a capacitação. Foi quando eu comecei a ter mais contato com o CDI.

 

P/1 - Certo.

 

P/2 - A capacitação foi pra quê?

R - A capacitação que eu tô fazendo agora é pra educador de informática mesmo.

 

P/2 - Ah, tá. Você começou como aluno e agora vai passar a ser educador?

R Isso.

 

P/1 - Você já tinha, antes de ser aluno, algum tipo de contato com informática?

R - Não, não. Já tinha feito um curso muito tempo atrás. Não lembrava mais. Não trabalhei, não fiz mais nada com informática, aí no curso que eu voltei a ver. Aí tô também na área de cidadania, essas coisas. Aí me indicaram aqui pro CDI.

 

P/1 - Certo. E como foi esse primeiro curso que você fez? Você aprendeu a trabalhar com o quê lá? Você poderia contar, descrever, um pouco pra gente?

 

P/2 - Antes do CDI.

 

P/1 - Antes do CDI, antes. Quantos anos você tinha?

R - Foi esse ano mesmo, com 19 anos. Eles ensinam o básico, mas voltado já pro mercado, entendeu? Não era aquele que você chega lá, aquela mesmice de sempre. Um ensino bem voltado pro trabalho. O Word, o Excel, o Windows. E a área mesmo da cidadania. Usa a cidadania, passa a cidadania usando a informática, através de projetos, lá eles fazem projetos, essas coisas.

 

P/1 - E por que você foi? Qual o seu interesse? Por que o seu interesse pela informática? Por que você foi fazer um curso de informática?

R - A princípio eu fui mesmo pra buscar me profissionalizar. Aí chegando lá, como eu fui descobrindo essa área da cidadania, abriu meus olhos pra esse lado, eu descobri que eu podia ajudar ao meu próximo que estava necessitado. Aí teve esse interesse de eu me capacitar, fui chamado.

 

P/1 - E como você ficou conhecendo a EIC? Como você ficou sabendo que ela existia? Porque afinal de contas você não mora tão perto assim da EIC?

R - É, são uns 15 minutos da minha casa até EIC. Meu professor, meu educador é da mesma igreja que eu, meu amigo. Aí ele falou pra mim que tinha esse curso lá, aí eu fui conhecer. Fiquei lá, foram 3 meses de curso.

 

P/1 - E onde que fica mesmo essa EIC?

R - Na Pedreira.

 

P/1 - Pedreira? Pedreira é um bairro ou é uma instituição?

R - É uma comunidade.

 

P/1 - É uma comunidade. Você podia descrever pra gente como é o bairro, como é a comunidade?

R - Sim. A comunidade da Pedreira em si é uma comunidade carente, necessitada dessas ações comunitárias, voluntárias. Eles não têm condições de pagar cursos caros e lá é um centro de informação, mas oferece outros cursos, oferece ajuda escolar pras crianças, tem curso de recepcionista, informática, tem o agente jovem. Então é uma oportunidade pros jovens não entrarem no caminho errado, e pras mães, quando elas vierem trabalhar, os filhos tão lá estudando, e pra profissionalização das pessoas que precisam mesmo e não tem condições de pagar um curso aí fora. A comunidade é bem carente dessa área de cursos assim, entendeu?

 

P/1 - E em termos de serviço público? De hospital, linha de ônibus, saneamento básico? Como que é a região? Tem isso? Tem escola pública lá?

R - O saneamento básico na Pedreira, aparentemente, eu nunca vi assim problemas. Aparentemente, eu não moro lá, não vi. Ônibus são 3 linhas que passam ali. Qual foi a outra questão?

 

P/1 - Tem hospital perto, tem posto de saúde?

R - Hospital...tem um posto de saúde da Pedreira mesmo, e tem o do lado. Acho que os dois são o mesmo posto.

 

P/1 - E em termos de violência, como é a região? É violento? Não é?

R - Hoje em dia está mais calmo. Já foi bastante perigoso de você, assim, um tempo atrás, quando eu comecei a EIC, meus familiares mesmo me falam: “Pô, como é que você tem coragem de ir pra lá? Não sei o quê?” Antes de começar a EIC, eu não passava, entendeu? Não passava mesmo, tinha medo. Mas depois quando eu fui vendo, vi que não era isso tudo que o pessoal falava, entendeu? O pessoal te respeita. Tem aquele negócio, você passa na rua e tem o pessoal armado, como toda favela tem, mas ninguém mexe como você, então hoje em dia é bem mais calmo. Claro que tem seus dias, assim, de revolta, mas hoje em dia é bem mais calmo.

 

P/1 - Hoje em dia... o que acontece nesses dias?

R - Ah, tiroteio, polícia subindo lá o morro.

 

P/1 - Você já chegou a pegar um dia desses? Lá na EIC?

R - Não, não cheguei não. Tem um colega meu que trabalhava lá que já chegou ... há um tempo atrás que a iluminação lá no Centro de Informação era boa, que ele chegou e tinha um cara de fuzil na porta do Centro de Informação. E ele: “Pô, com licença que eu tenho que entrar aí.” [RISOS] Por isso que eu tô falando, geralmente era meio complicado, mas mesmo assim não mexeram com ele, entendeu? Mas eu nunca cheguei a pegar situação de tiroteio lá e eu estando lá.

 

P/2 - Como era a sua turma da EIC? Era formada por quem? Quem eram as pessoas quando você...

R - Como toda turma, sempre começa cheio, depois o pessoal vai desistindo, né?

 

P/2 - Tinha quantas pessoas?

R - No final, nós começamos acho que em 10, por aí, porque são 10 computadores, né? Começamos em 10 ou um pouquinho mais. No final, nós acabamos com 4. O pessoal foi desistindo. Apareceu emprego, essas coisas assim. Porque tinha crianças. Crianças assim, meio adolescentes, jovens e adultos.

 

P/2 - Ah, essa turma.

R - Não tinha assim essa divisão tão grande de uma turma pra criança, né? Porque o ensino é bem fácil de aprender mesmo, uma linguagem simples, então dá pra todo mundo aprender. Algumas pessoas tinham dificuldades, outras tiravam mais de letra, mas a turma era assim.

 

P/2 - Quantos homens e quantas mulheres? Tinha mais homem? Mulher?

R - No final ficaram 2 homens e 2 mulheres. Mas no começo tinha mais mulheres.

 

P/1 - E as atividades? O que eram? Você poderia descrever elas pra gente? Vocês chegavam lá... quanto tempo durou o curso?

R - 3 meses. Assim, como é uma escola de informática e cidadania, nós pegamos a aula de cidadania, foi mais assim, a gente usa bastante a dinâmica de grupo mais pra envolver, criar um círculo amizade. A princípio foi isso, depois nós fomos usando a cidadania, pegando projetos, o professor perguntando pra gente qual era a área mais carente da comunidade, ou o que eles precisavam mais e a partir daí nós fomos desenvolvendo os projetos e usando as ferramentas do computador, os programas e tudo mais. Foi assim que nós fizemos o nosso curso, usando a cidadania através da informática.

 

P/1 - E quando vocês chegaram? Vocês procuravam um curso de informática, não é?

R - De informática.

 

P/1 - E o professor começou a falar de cidadania. O que que vocês acharam? Você e os colegas, o que os colegas falaram?

R - Não fica uma aula chata, porque todo mundo sabe que quem vai buscar um curso de informática, que nem quer saber, “Ah, não tô nem aí pra cidadania. Por que que eu quero saber isso? Não quero.” Aí o que acontece? Lá, justamente por usar esse lado da informática, usando com a cidadania, fazendo projetos, eles acabam aprendendo a cidadania e nem notando. E vão recebendo aquela semente de cidadão, formando um cidadão melhor, mas acabam levando o curso normalmente, como se tivesse aprendendo informática. Porque ele tá usando a informática. E ali usando a cidadania.

 

P/2 - Você pode dar exemplo de alguns projetos que vocês desenvolveram lá?

R - No nosso lá, como tópico nós pegamos um projeto antiviolência. Nós fomos como se tivéssemos partindo do zero. Criando uma casa, onde abrigaria pré-vestibulares, supletivos, cursos profissionalizantes e pedimos também no projeto espaço para lazer, e nesse espaço também pedimos uma biblioteca pra leitura. Tudo isso, visando buscar os jovens, tirar esses jovens da rua e dar a ele alguma coisa pra fazer pra não entrar no lado do crime. Porque hoje em dia todo mundo sabe que é fácil de convencer eles, né? Se eles derem mole, entram mesmo. É uma vida fácil.

 

P/1 - E como vocês chegaram nesse tema? Na violência, como que foi? Quem que levantou isso daí?

R - Nós nos reunimos, a turma toda, ainda tinha mais gente na turma nessa época, e fomos combinando assim, o que que faltava na comunidade, e tal, e caiu assim, mais pessoas votaram por falta de segurança. Então aí nós adotamos esse projeto da antiviolência. Não seria nem tanto antiviolência, seria mais pra tirar as crianças da rua mesmo e não deixar eles entrarem nesse mundo, entendeu?

 

P/1 - E o que que vocês trabalharam com informática nesse projeto?

R - O que que nós usamos?

 

P/1 - É, o que vocês usaram?

R - Nós usamos o Word, pra editar o texto, aí nós fizemos a tabela de orçamentos, nós usamos o Excel e as pessoas foram aprendendo a usar as ferramentas e tudo mais. Tudo que precisava ser aprendido nós aprendemos através do projeto. Fomos fazendo o projeto e aprendendo informática.

 

P/2 - Que tipo de dificuldade as pessoas tinham, assim, no aprendizado do computador, os alunos? Qual é a maior dificuldade? Era com relação à metodologia, com relação à própria máquina?

R - Assim, na minha turma, só tinha uma pessoa mesmo que foi mais por falta de interesse. Eu não senti muita dificuldade na turma de estar aprendendo não porque é um ensino muito fácil realmente. Muito dinâmico, assim, a pessoa ensina e aí vai lá: “Faz.” Aí ensina até você aprender, então a dificuldade maior do iniciante é a digitação mesmo, né, a maior dificuldade mesmo pro iniciante é de digitação, mas lá nós tínhamos um programa de digitação também, aí não sentimos muita dificuldade de aprendizado na turma, não.

 

P/2 - Quem era o educador?

R - Era o Alexandre.

 

P/2 - Uma pessoa da comunidade?

 

P/1 - Você o conhecia?

R - Conheço. Ele é meu amigo da igreja, conheço ele há algum tempo. Ele mora em frente ao Centro de Informação mesmo. Já tá ali acho que uns 2 anos também, eu não sei se ele chegou a fazer curso lá, mas ele fez a capacitação aqui no CDI e começou a dar aula lá de informática. Hoje dá aula também pra gente jovem.

 

P/1 - E fala um pouco dessa igreja. Qual é a relação? Que igreja que é?

R - A católica.

 

P/1 - Católica? A EIC Pedreira está relacionada à Igreja?

R - Não, não. Na minha igreja tem um CDI agora. Está assumindo um compromisso com o CDI agora. O Alexandre também dá aula lá. Mas o EIC Pedreira e a Igreja não estão relacionados mesmo.

 

P/2 - Você podia fazer uma comparação entre esse curso do CDI de informática que você fez e o outro curso que você fez antes desse?

R - De qual? Lá na EIC?

 

P/2 - Não, você disse que tinha aprendido computador antes de entrar na EIC, né? Você tinha feito um curso... Você podia fazer uma comparação entre os dois cursos?

R - Pô, na época foi Windows 95 que eu aprendi. Eu achei um curso assim muito fraco em relação ao mercado de trabalho. Eu só aprendia realmente o Windows. Não cheguei nem a aprender o Excel, no nível básico. Esse agora no nível básico, eu aprendi o Excel. Que hoje em dia, muitas empresas assim eles pedem o Excel. E foi até no _________ [Quintino?]. E eu achei muito fraco o ensino de lá. Acabei nem pegando o diploma porque não gostei mesmo do curso. Não dei continuidade. E parei por aí, não tinha condição de pagar um curso particular estudando também, não tinha tempo. Porque eu pratico esporte, essas coisas assim, e eu estava meio sem tempo, até que eu descobri que tinha esse curso comunitário e fui fazer.

 

P/1 - Como que é? Tem algum tipo de seleção pra você entrar lá? Tinha que fazer prova? Como que foi?

R - Não, não. Assim que a turma fica cheia, completa uma turma, têm início as aulas, só através de inscrição mesmo.

 

P/1 - Você se inscreveu e entrou.

R - É.

 

P/1 - E paga mensalidade? Paga alguma matrícula?

R -  _________________ é 12 reais por mês.

 

P/1 - E o que você achou de você estar pagando e os colegas?

R - Pagava. Do meu ponto de vista, eu acho justo porque o Centro de Informação se auto sustenta. Então, ele tira dinheiro dessa mensalidade. Se não fosse essa mensalidade, não existia aquilo ali. Então eu concordo plenamente com essa taxa de inscrição e essa mensalidade.

 

P/1 - E os colegas, vocês discutiam isso?

R - Não, não chegamos a discutir isso, não, esse lado da mensalidade.

 

P/2 - Mesmo depois de finalizar o curso, quer dizer, os alunos que terminaram o curso continuaram se encontrando e se relacionando?

R - Não, hoje em dia não tem mais contato. O único que continuou lá na EIC, lá no Centro de Informação, fui eu porque lá também eu tenho o cyber. Então eu continuei, eu me tornei sócio do cyber e continuei frequentando até que o coordenador Edivaldo me convidou e perguntou se eu estava querendo fazer o curso de capacitação. E eu já tinha mostrado interesse pro professor, no caso o Alexandre. E falou que ia abrir a oportunidade, ia ter a oportunidade. Aí me trouxe aqui. Aí eu conheci o CDI e eu comecei o curso de educador.

 

P/1 - O que é o cyber? Você poderia contar pra gente a história desse cyber?

R - O cyber eu não sei a história. Ele é uma parceria com uma empresa multinacional onde também foram fornecidos 10 computadores, somente pra acesso à Internet.

 

P/1 - Dentro da EIC?

R - Dentro da EIC. É uma sala. No caso, assim, é separada da sala da EIC, entendeu? Que tem a sala da EIC, que são 10 computadores que são fornecidos, 10 computadores. E tem essa sala dentro do Centro de Informação que é do cyber, onde as pessoas acessam a Internet, fazem pesquisas, e também fazem trabalhos.

 

P/1 - E tinha Internet quando você fazia a EIC? Quando você era aluno, era ligado na Internet?

R - Teve apenas uma aula de Internet, assim meio pra conhecer.

 

P/1 - Tinha conexão lá na EIC?

R - Na EIC não chegou a ter no meu tempo, não. Só nesse cyber que tinha. Aí a gente ia pro cyber e fazia, usava a Internet.

 

P/1 - E teve alguma coisa diferente nessa aula?

R - Da Internet?

 

P/1 - Da Internet.

R - Da Internet foi mesmo pra conhecer a Internet, quem não conhecia, aprender como acessar um site, essas coisas.

 

P/1 - E tinha gente que não conhecia? Tem muita gente? Você conhecia?

R - Eu particularmente não tinha muito contato. Conhecia a Internet de casa de amigos. Mas não tinha muito contato. Antes da EIC eu não tinha muito contato com computador. Foi mais depois de eu começar o curso que eu comecei a me interessar mais pela informática, pra dizer a verdade. Porque eu achava ficar na frente do computador uma coisa chata, assim, não gostava. Aí depois que eu fui pro curso, talvez tenha sido até culpa do primeiro curso, que eu não gostei. Aí não me interessou. Depois do final do curso, comecei a fazer projetos, comecei a me interessar, aí hoje o que eu tenho dúvida, vou lá, pergunto pro meu professor, que é meu amigo também, e todo pessoal ali no Centro de Informação, que ali eu sou amigo de todo mundo. Pergunto, quando eu tenho duvido vou lá, pergunto, tal. Lá a relação é de amizade.

 

P/2 - E você usa o computador hoje pra quê? Pra ter acesso à Internet, você falou, né?

R - Isso. Hoje em dia eu nem tô indo assim mais ao cyber por falta de tempo mesmo. E o coordenador de lá na semana retrasada me pediu pra fazer um trabalho, e eu tive que ir na biblioteca de cadastramento de livros. _______ usando o Excel também, fazer cadastramento de livros. Pra ter o controle das pessoas que pegam o livro e essas coisas assim, então são sócios da Biblioteca. Pra ter o controle, pra que os livros não sumam, não rasguem, essas coisas.

 

P/1 - E você trabalhava no que lá no cyber? O que que você fazia lá?

R - No cyber eu usava mais sites de emprego mesmo, pra procurar emprego usando a Internet.

 

P/1 - Ah, tá, você não estava trabalhando.

R - Eu não tava trabalhando, eu era sócio, mesmo, pagava mensalidade. E utilizava justamente essa área de pesquisa de emprego.

 

P/1 - Certo. E como foi o curso de formação mesmo? Você disse que depois do cyber o Edivaldo de convidou pro curso de Educador.

R - Pro curso de Educador.

 

P/1 - Você tá fazendo?

R - Tô fazendo acho que ainda não tem nem 1 mês que começou. Aqui já é mais voltado pra área da cidadania, é, a gente tá aprendendo bastante coisa. Muita dinâmica de grupo, essas coisas.

 

P/2 - E qual é a importância do computador hoje pra você?

R - Tem duas áreas. Pra mim, eu quero arrumar um emprego na área envolvida com informática. E eu quero passar pras pessoas lá da comunidade, que não têm condição de pagar um curso particular o ensino de informática, usando a cidadania. Então a importância do computador hoje em dia pra mim é essa.

 

P/2 - Você diz que ainda frequenta, né? Quer dizer, você está envolvido com algum trabalho comunitário?

R - Eu tive um tempo atrás, mas agora eu não tô mais. Eu tive que sair.

 

P/2 - Você fazia o que?

R - Eu ajudava. Como eu pratico karatê, eu ajudava meu professor na organização mesmo dos alunos, pra não fazer bagunça, no preenchimento de fichas, essas coisas mesmo. Era mais um apoio dele, como voluntário mesmo.

 

P/2 - Aonde que era?

R - Isso era perto da minha casa já.

 

P/2 - Certo. 

R - Que é no mesmo bairro, de Costa Barros, só que é um pouco antes, uns 15 minutos antes lá da Pedreira.

 

P/2 - Você tem irmãos?

R - Tenho dois irmãos, uma menina e um menino.

 

P/2 - E pra eles também, quer dizer, você trouxe a questão do computador pra dentro de casa, pra sua família, ou não, eles não tão ligados? 

R - Hoje em dia, meus irmãos estão mais voltados na área de estudo mesmo, minha irmã está fazendo normal. Segundo grau normal, então tá tomando o tempo dela todo. Que ela vai pra escola, depois tem que estudar porque é puxado. E meu irmão, por enquanto está meio desinteressado, sabe? TÁ estudando, aí faz também karatê lá. Tá só isso.

 

P/2 - Quer dizer, na sua família não teve repercussão do seu curso?

R - Do meu curso não.

 

P/2 - Do curso de computação que você fez?

R - Não, meu pai que já fez curso de computador em outro lugar, trabalha com um pouco de informática hoje.

 

P/2 - E teria alguma coisa que você queria apresentar que a gente não perguntou? Dar algum depoimento, algum fato que te marcou nesse processo todo? Não sei, uma pessoa, um fato que aconteceu?

R - O único fato que aconteceu, assim, foi o curso abrir meus olhos pra uma coisa que eu poderia fazer pra comunidade. Porque eu tinha um projeto que na minha comunidade não tem, justamente, eu conheci o curso da EIC que fica a 15 minutos da minha casa. Então, eu gostaria, sempre tive a vontade assim de alguém fazer alguma coisa, dos presidentes, das associações de moradores lá de onde eu moro, fazer alguma coisa, realizar algum projeto, pra ter alguma coisa naquele local, justamente pros jovens também, porque também é uma comunidade carente e tirar eles da rua. Mas era uma coisa que estava adormecida. Mas hoje em dia ele se renovou, eu pretendo fazer isso, no momento eu não tô podendo porque estou à procura de emprego, não tô podendo me dedicar a isso. Mas eu já combinei com um amigo meu e ele também mora lá e também trabalhava no Centro de Informação, nós já combinamos que quando nós tivermos tempo, nós vamos fazer esse projeto. Estamos com o projeto de se unir aos presidentes e aumentar o Centro Comunitário e fazer uma parceria, quem sabe com o CDI, organizar pré-vestibulares, tudo que está meio nesse projeto que eu fiz na EIC, algumas partes, eu tô querendo implantar lá na minha comunidade.  Mas isso só pro futuro porque no momento eu não tô podendo me dedicar de corpo e alma nesse projeto. Mas foi uma coisa que foi renovada com o curso. Porque justamente lá pelo lado da cidadania te dá uma visão crítica, você tá vendo ali que as coisas estão acontecendo. E por que não tentar mudar? Você vai gostar daquilo ali pra sempre? Não é assim, você pode não mudar a comunidade toda, mas um pouquinho dela você vai conseguir. Então abriu minha mente assim pra cidadania mesmo.

 

P/2 - Tá ótimo. E o que você acha da ideia do CDI de fazer esse projeto, quer dizer, fazer esse registro da sua história a partir do depoimento de pessoas?

R - Ah, eu acho que pegando esses depoimentos é mais uma troca de experiências também. Cada um tem suas experiências na sua comunidade e tendo esses depoimentos, quem sabe usá-los pro CDI mesmo através de palestras, se tiver que usar esses depoimentos, se tiver que usá-los, pra eles usarem. E botar essas experiências de todas as pessoas pra serem usadas na comunidade mesmo, entendeu? Esses depoimentos trazem muitas experiências das suas comunidades.

 

P/2 - Então em nome do Museu da Pessoa e do CDI, a gente agradece a sua participação aqui. Muito obrigada, viu? Foi muito bom.

R - Eu que agradeço.

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