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História

A informática e o isolamento social

História de: Ronald Emilio Alpízar Rojas
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/05/2020

Sinopse

Nesta entrevista, Ronald nos conta sobre a sua trajetória profissional na área da informática, até assumir uma posição na área de projetos no CDI, onde promoveu a melhoria na gestão de inúmeras escolas. Descreve, também, a importância de ter encontrado neste trabalho a oportunidade de se relacionar com pessoas novamente, tendo experienciado o isolamento após muitos anos trabalhando apenas com computadores.

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História completa

P 2 – Ronald, bom dia.

 

R – Bom dia.

 

P 2 – Você pode começar falando o seu nome completo, local e data de nascimento, por favor?

 

R – O meu nome é Ronald Emilio Alpízar Rojas, eu sou porto-riquenho, nasci na província de Alarroela na cidade de Ortina, uma cidade do interior, na Costa Rica em 25 de Janeiro de 1964.

 

P 2 – Os seus pais também são dessa região?

 

R – A minha família toda é de lá. A Costa Rica é um país que tem abaixo do Pacífico e essa província e a minha cidade ficam no litoral do Pacífico e a minha família toda mora naquela cidade. Muito grande, por aquela cidade.

 

P 2 – E como foi sua formação? Qual foi sua área de formação?

 

R – Eu fiz informática, Análise de Sistemas. Na verdade, eu queria eletrônica, sou mais de mexer com o computador, mas a vida me levou pra Análise de Sistemas e eu também gosto. Gosto de mexer com computador. Desde cedo, trabalhei com aqueles computadores enormes, grandes...

 

P 1 – Precisava uma casa, né?

 

R – Precisava uma casa, ter um prédio inteiro. Então, a minha experiência com informática começou bem cedo. Tive a oportunidade de trabalhar como assistente, como estagiário no centro de informática e estar mais perto dos computadores. Daí, eu terminei e continuo trabalhando na universidade na área de suporte, Suporte Técnico. E o que é mais engraçado é que cada vez mais eu sou jogado para a área de Suporte Técnico e Banco de Dados. Daí começaram a sair novos computadores, naquela época eram só computadores grandes, e começaram a sair os computadores pequenos: PC [computador individual], XT [eXtended Technology]...

 

P 1 – Pessoais...

 

R – Computadores pessoais e o XT, PCXT, aqueles computadores grandes, AT,  computador pessoal mas que não era como um desse Laptop que andam por aí. Então eu vi todo esse processo, conheci toda essa migração de computador grande para terminal até chegar no PC acreditar no crescimento das redes com os computadores pessoais. Aí, fui convidado para trabalhar numa Universidade que se chama Eart [Escola de Agricultura da Região Tropical Úmida] na Costa Rica. Uma universidade nova, criada em 1990, construída em 1990, na Costa Rica, internacional que educa jovens na área de agronomia e com isso assinar ----. Com isso eu tive a oportunidade de construir toda essa área de informática, toda a parte de informática. Acompanhei a construção dos prédios da universidade. A gente montou uma rede na universidade toda...

 

P 2 – Você poderia explicar um pouquinho o que era esse projeto da universidade? Você poderia desenvolver quem é que fez, qual era a idéia geral?

 

P 1 – Era particular, do governo?

 

R – Não. Era um grupo internacional de universidades que estava com uma preocupação, a preocupação da Floresta Amazônica e da Floresta da Mata Atlântica. Então a Costa Rica foi selecionada entre vários países da América do Sul e Central por causa da parte da não violência, da paz do país. A Costa Rica é um país que não tem exército há muitos anos, então é bem tranqüilo, sem violência e foi construída a universidade lá justamente por isso. Em 1990, desde 1989 começou o processo, mas em 1990 foi o processo de construção e eu fui convidado a participar e eu comecei a participar desse processo em Janeiro de 1990. Estava sendo construída. Ela terminou de ser construída no final de 1990. Num período de um ano, um ano e meio foi construída uma universidade completa, enorme que forma por ano mais ou menos 400 jovens. Ingressam por ano 400 jovens para aprender com um processo importante que é "o aprender fazendo". Um modelo completamente diferente da educação da época que era mais teórica e a universidade levou pra prática. O aluno tinha aula lá no mato e não na sala de aula. A sala de aula tinha uma parte que era pra teórica e um espaço pra prática. Então, ele fazia o trabalho de campo e fazia o trabalho na sala de aula, prático. Por exemplo, o conhecimento de uma planta de banana: o professor pegava uma planta de banana, levava para a sala porque lá tinha lugar pra isso e o aluno ia lá ver, cortava e conhecia toda. O animal também, uma vaca, o animal era levado pra sala de aula e lá eles conheciam, abriam até o animal morto e conheciam tudo. Tudo era “mão na massa”. A universidade era com essa filosofia diferenciada. Era um projeto muito grande.Na Costa Rica teve até muita discussão. As outras universidades estavam brigando pelo dinheiro, por mais uma universidade, pelo modelo de educação, mas é um processo muito bonito, um modelo muito bonito.

 

P 1 – Você ficou até que ano?

 

R – Eu trabalhei dez anos naquela universidade, então até 2000. Setembro de 2000, foi quando eu viajei para o Brasil. Eu tive a oportunidade de construir toda a parte de informática. Acreditando em rede, a gente montou uma rede em toda a universidade. Trabalhou com fibra ótica, então foi um trabalho muito bonito. Até hoje sinto orgulho de falar porque foi uma experiência muito rica pra mim na área de informática. E depois, trabalhando na área de administração de sistemas, Windows, montei servidores, suporte de redes, suportes de eletrônicos, Internet, evoluindo com a tecnologia. Foi uma experiência muito rica. Depois de dez anos conheci uma brasileira lá, que foi estudar, a gente começou uma amizade, começou a namorar e a gente casou. Casou e ficou trabalhando lá e ela formou, foi fazer mestrado, voltou depois. Em 2000, apareceu uma oportunidade de trabalho pra ela e pra mim aqui no Brasil. Contratados os dois pra trabalhar aqui no Brasil, especialmente no Amazonas, em Manaus e a gente tomou a decisão, encarou o desafio de emigrar para o Brasil, só que aconteceu um pequeno detalhe: quando eu cheguei no Brasil, fechou toda a história lá, eu vim pensando no emprego. Minha esposa chegou, foi contratada, não teve nenhum problema, mas o meu caso, quando eu cheguei na empresa, no Brasil, que estava me contratando pra assumir a parte de informática, a parte de suporte de redes na parte de informática, o administrador da empresa já tinha contratado outra pessoa. Então, foi um choque muito grande naquele momento pra mim. Eu tinha largado tudo lá e já tinha sido contratada outra pessoa. Aí eu pensei assim: “Não dá pra trabalhar numa empresa em que o gerente já tem confiança em outra pessoa, já tem contratada outra pessoa. Não dá pra ficar. A gente então procurou outra alternativa e foi quando eu conheci o Ibens [Instituto Brasileiro para Educação e Negócios Sustentáveis] em São Paulo, através de contatos aqui no Brasil, que estava fazendo uma parceria com CDI [Comitê para Democratização da Informática].

 

P 2 – E o Ibens é o que?

 

R – Ibens, é Instituto Brasileiro para Educação e Negócios Sustentáveis. É uma ONG que apoia comunidades do interior, pequenas empresas de comunidades e que ajuda também na parte de educação pra tornar os negócios sustentáveis. Dá todo um treinamento, faz seminários, cursos e apoio mesmo nas comunidades. Eles estavam fazendo uma parceria com a CDI pra fazer quatro escolas de informática nas comunidades onde eles tinham atuação.

 

P 2 – E qual era a região?

 

R – A primeira escola estava em Manicoré que fica a 400 quilômetros de Manaus, no Amazonas, uma comunidade na beira do Rio Madeira, que é muito bonita, interessante, com muita necessidade na área de informática. Ninguém trabalhava na área de informática já em 2001. Outra era Muana na ilha de Marajó, no estado do Pará, também uma comunidade há 7, 8 horas de barco de Belém. Totalmente isolada, um lugar que não tem agricultura, que não tem uma renda assim... Só produtos, que eles vão vendendo. A subsistência deles é basicamente pela prefeitura e empresa de palmito. Uma empresa que tinha lá, que processava e vendia palmito. Então, através dessa empresa é que o Ibens chegou e implantou esse projeto lá. Outra que está em Tocantins, Tocantinópolis, que é divisa com o Maranhão, também através de uma empresa. São sempre empresas, parceiras do Ibens e parceiras de outras empresas em São Paulo. Então, através das empresas o Ibens chega na comunidade. O que mais? Ah, eu conheci o Ibens através de contatos e fui selecionado pra encarar um projeto e fui contratado pelo Ibens por estar morando na região norte. A minha família toda estava morando lá. A gente já tinha se organizado lá em Belém, estava morando lá e era mais adequado uma pessoa lá do que em São Paulo, e fui contratado para tocar os quatro projetos.

 

P 1 – E qual era a sua função?

 

R – Na verdade, Coordenador do Projeto, da parceria. Minha meta era criação dos quatro projetos com a parceria. Então, eu tinha mais ou menos dois anos com esse projeto para a criação das quatro escolas durante um ano e depois fazendo acompanhamento. Era de escolas, o projeto era de criação de escolas.

 

P 2 – O projeto era parceria com a CDI?

 

R – Esse projeto do Ibens era uma parceria com a CDI. Então, nessas quatro cidades era a criação de uma escola de informática e cidadania. Que fosse toda -----

 

P 1 – Eu ainda não entendi uma coisa, desculpe interromper. O seu apoio era na gestão da ------

 

R – Tudo.

 

P 1 – Tudo é o que?

 

R – Era tudo. Um consenso completo desde a gestão com a comunidade. Só pra terminar: fui contratado pelo Ibens pra esse projeto com a CDI e aí fui treinado pela CDI. Naquele momento vim para o Rio, conheci o CDI, fiquei duas semanas aqui no CDI conhecendo os projetos, conhecendo a metodologia, como funcionava, aprendendo mesmo o que era a filosofia CDI, o que era o CDI, o que era a história da informática do CDI, como ela funcionava.

 

P 1 – Em que ano foi isso?

 

R – Em 2001. Então, eu conheci todo o processo e o meu objetivo era a criação da escola naquela comunidade e ela funcionando no formato CDI. Então, eu tive que fazer um processo de gestão da comunidade. O que é isso? Você vai à comunidade, faz uma reunião com as lideranças da comunidade, fala com os contatos da comunidade, as pessoas que sejam importantes, reconhecidas na comunidade, faz uma reunião com as lideranças, apresenta o projeto CDI e lança a filosofia e a criação da Escola de Informática e Cidadania. O Ibens em contrapartida entra com o equipamento de informática e o CDI controla a metodologia e o certificado. A filosofia CDI, ela precisa que também a comunidade tenha a sua cota de responsabilidade. Então, o processo de gestão na comunidade é exatamente para selecionar uma entidade na comunidade que: primeiro, esteja voltada para o trabalho social na comunidade. Que tenha responsabilidade com os projetos que está tocando, que tenha uma responsabilidade na parte social, que tenha uma estrutura na comunidade. Nunca é um projeto com qualquer entidade naquela comunidade que no final não vá dar certo. Então, o primeiro passo é o processo de gestão na comunidade. É conhecer as lideranças, apresentar o processo CDI. Isso foi feito nas quatro comunidades e em Manicoré a gente selecionou a igreja católica por causa da estrutura física. A gente fez reunião com igreja evangélica, igreja católica, associações de vários bairros e em todos casos a gente conseguiu um relacionamento bom com todas entidades. No caso da igreja católica o que pesou mais foi a estrutura física. Foi feito um trabalho muito bonito, uma escola muito bonita lá. Em Muanã também foi feito o mesmo processo de falar com as lideranças, apresentar o projeto. Participaram duas organizações da comunidade: uma ação comunitária e uma cooperativa de trabalhadores e junto com a igreja católica e a igreja evangélica, foi selecionada a cooperativa.

 

P 1 – Cooperativa de quê?

 

R – Cooperativa de prestação de serviços na área de agricultura, de serviços gerais para empresas. Eles que chegaram no processo até o fim. A gente dá umas diretrizes para assumir o projeto. Esse projeto que deve ser criado. Mas esse projeto, o básico, ele deve ser criado pela comunidade. Não sou eu que vou criar o projeto. Então, assim, nesse processo as pessoas da comunidade que são localizadas, elas vão até o final. Quando uma pessoa quer uma coisa ela vai até o final e ela faz de tudo pra alcançar o que ela quer. Então, partindo desse princípio a gente colocou o projeto CDI nas mãos da comunidade, nas diferentes entidades na comunidade e foi selecionada aquela que chegou até o final. Algumas entidades não completaram o projeto. Tinham muitas deficiências. A estrutura física que era importante... Então a gente selecionou em Muanã a Copsege [Cooperativa de Serviços Gerais de Muanã]. Em Tocantins foi criado um grupo de trabalho para organizar esse projeto, com apoio da prefeitura e empresas privadas. Em São Paulo...

 

P 1 – Em que lugar aqui de São Paulo?

 

R – No interior de São Paulo. Em Morungaba. Também foi feita uma associação comunitária, estou esquecendo agora o nome. Os projetos foram criados, a primeira fase foi concluída sem problema, a segunda fase que é a da estrutura física também, foram feitas várias visitas, eu acompanhei o processo todo dessas escolas e nesse momento eu conhecendo toda a parte da CDI, entrei em contato com a CDI Pará e comecei a trabalhar em 2001 como voluntário na CDI Pará, acompanhando, visitando as escolas, mostrando o trabalho que estava sendo feito lá, dando o apoio, de uma certa forma na CDI Pará, porque naquela época, 2001, não tinha ninguém contratado na CDI Pará. Era um trabalho totalmente voluntário. Tinham um grupo de pessoas que era como um conselho tocando projetos isolados, mas nenhum núcleo no Pará, em Belém. Então, de alguma forma a gente apoio também esse trabalho. Aí, as escolas foram criadas, mas precisava também de um núcleo no Pará dando suporte porque o projeto, aí o projeto do Ibens acabou em 2003, no final de 2002/2003, já existia uma estrutura, uma pessoa contratada na CDI Pará dando apoio a CDI matriz no Rio e eu adoeci várias vezes, viajando pelo interior do Pará. Adoeci no final de 2002/2003, fiquei uns quatro meses fora de atividade, acabou o projeto do Ibens, não consegui dar continuidade ao trabalho e em Maio de 2003 fui contratado pela CDI para trabalhar na área de projetos do CDI Pará. Naquela época estava com 18 escolas criadas e eu comecei a fazer um trabalho de estruturação das escolas mesmo, usando toda a experiência que eu já trazia dentro do processo de criação daquelas quatro escolas, a organização interna da escola, a estrutura interna da escola, como ela deveria funcionar, quais seriam os controles que ela deveria estar levando internamente para ter contas claras, para terem um trabalho organizado e comecei um trabalho muito bonito de organização das escolas do CDI Pará. A estrutura organizacional das escolas foi um processo que já vinha dando resultado e agora em 2004 já está bem organizado o CDI Pará também na parte administrativa, parte financeira, criando banco de dados no CDI Pará, organizando calendários de atividades, planejamento estratégico, uma série de atividades no CDI Pará e nas escolas. Foi um trabalho na base do CDI, nas escolas também, levando pro CDI Pará, organizando uma estrutura administrativa que eu acho que foi muito interessante. Daí eu tomei a decisão, este ano agora de vir morar no Rio, também uma oportunidade de trabalho. A minha esposa foi contratada e a gente vai, foi uma oportunidade pra ela, eu queria mesmo morar no Rio, enviei o meu trabalho pro CDI Rio e agora estou contratado pelo CDI Rio com muitas expectativas de realizar um bom trabalho com todo esse know how, essa experiência por trás. Basicamente é isso.

 

P 2 – O que você sabe da criação do CDI Pará? Você tem alguma uma noção de como foi criado, quem foi...?

 

R – O CDI Pará e o CDI como um todo já estava realizando um trabalho desde 1995. Em 1999/2000 o Alcir Moraes e um grupo de pessoas lá do Pará conheceram o CDI aqui no Rio e esse grupo de pessoas, Alcir Moraes, Paulo Verbeto, estavam interessadas em levar este projeto para Belém do Pará. Em 2000, em Março de 2000 foi criada a primeira escola de informática por iniciativa desse grupo. Não tinha nada organizado mas esse grupo: "Vamos levar isso pra lá, vamos organizar.". E foi criada a primeira escola de Informática e Cidadania em Belém, uma comunidade da Providencia, um bairro em Belém com alguns computadores doados. Computadores já bem velhos, todos funcionando, mas... computadores doados pela empresa do Paulo Verbeto alguns, alguns pelo Banco do Brasil. Então, foi criada aquela escola e de alguma forma foi repassada a metodologia para o grupo de voluntários que estavam naquela comunidade. Não foi um treinamento formal, depois veio uma pessoa do Rio pra treinar com metodologia aquela primeira escola e o projeto se iniciou assim. Esse grupo de pessoas que tocaram o projeto CDI, se juntaram, faziam reuniões periódicas. Primeiro o trabalho de captação dos computadores e abrir a escola em comunidade. Então, começaram a ser criadas várias escolas: Santa Isabel do Pará, Lar de Maria e Providencia. Foram três escolas em 2000, no início do projeto. Depois veio uma parceria em 2002/2001.

 

P 2 – Essas pessoas faziam o que, qual a atividade delas?

 

P 1 – Perfil. Qual era o perfil?

 

R – Empresários. Todos empresários. O Paulo tem empresa privada, o Celso tem empresa privada, o Alcir Moraes, ele trabalha no Sesc [Serviço Social do Comércio] mas tem o perfil de empresário e eles tocaram o projeto. Em 2001, final de 2001, a matriz do CDI como um todo entrou numa parceria com a Fundação Vale do Rio Doce, e por sua parte a Fundação Vale do Rio Doce como empresa tinha um projeto de escolas de informática e com uma atuação muito forte no Pará. Então, naquela época ganhou no CDI Pará uma quantidade muito grande de Escolas de Informática e Cidadania e através da parceria com a Fundação Vale do Rio Doce foi contratada uma pessoa para trabalhar em caráter integral no CDI Pará.

 

P 1 – Era um coordenador?

 

R – Era um coordenador pedagógico que foi contratado pelo Brasil em 2002 já pra trabalhar integral com as Escolas de Informática e Cidadania. Ele foi treinado, veio aqui pro Rio. Já começou a ter uma estrutura, já não era aquele grupo. O Sergio que era o parceiro do CDI fez uma doação para o CDI de toda a parte de infra-estrutura, -----uma universidade privada em Belém, parceiro do CDI, ele abriu as portas: "Não, pode ficar aqui. Todos os recursos de infra-estrutura para o CDI, estão aqui.". Uma pessoa foi contratada para trabalhar no CDI e até hoje o ------ dá toda a infra-estrutura física em Belém do Pará. É uma parceria muito boa, muito importante. Aí já tinha uma herança de doze escolas na transação e outras que foram criadas lá em Belém também. Estavam sendo criadas. Em 2003 quando eu cheguei já tinham mais ou menos dezoito escolas, uma grande maioria no interior. Devem ter umas nove, dez escolas no interior.

 

P 1 – Isso seria uma característica do CDI Pará, ter muitas escolas no interior?

 

R – É importante porque são distâncias muito grandes. Paraopeba...

 

P 1 – Você acha que foi a parceria com a Vale que deu essa característica de ter muitas escolas no interior?

 

R – Acho que sim. É muito difícil acompanhar as escolas que estão no interior. Tem um custo muito alto, de ônibus, o acompanhamento lá tem que ser feito de ônibus, o avião é muito caro. Normalmente você vai de avião só até Marabá, não tem mais. Ou Altamira ou outra cidade mas é muito caro. Uma viagem é mais de R$500 pra qualquer uma cidade dessas, não tem como. E na parceria com a Fundação o importante é isso, o recurso que veio complementar o acompanhamento dessas escolas Vale-Informática e dessas escolas da capital. Em 2003, chegou a parceria Philips que deu a possibilidade de contratar mais duas pessoas na área de projeto, como o meu caso e o do Adams para atender a área de projetos. Então, em Maio de 2003 nós fomos contratados. Eu já estava me aproximando do CDI, já estava saindo da doença, então, me aproximei um pouco mais e com a parceria Philips foi possível a contratação. O que a gente fez nesse período de um ano que eu fiquei lá trabalhando na área de projetos? A gente fez uma avaliação do trabalho que estava sendo feito nas escolas, na base. A gente não sabia o resultado que estava acontecendo lá na base, então eu com alguma experiência na área de empresa porque eu fiz faculdade de Administração de Empresas também na Costa Rica, peguei uma ferramenta específica que foi o F.O.F.A [Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças], avaliação F.O.F.A, com suporte e levei isso, numa escala bem menor para as Escolas de Informática e Cidadania. Fazia uma reunião com as equipes, juntava as equipes todas e a gente falava quais eram os pontos fracos e os pontos fortes e a partir dessas conversas a gente criava um planejamento, criava ações, montava um planejamento pra seis meses a um ano com a equipe, mas não éramos nós que fazíamos esse trabalho e sim a equipe da escola. Esse foi o diferencial. É um pouco a filosofia do CDI: "É a comunidade que tem que assumir a responsabilidade de tocar elas.". E o CDI Pará tem um papel um pouco mais de moderador, como se o trabalho estivesse sendo feito. Então, a gente conseguiu fazer isso com muitas escolas, quase todas. As escolas do interior ficaram um pouco mais sem fazer esse trabalho por projeto. Demorou um pouco mais, talvez. Demorou um pouco mais para fazer esse trabalho mas em todas as escolas que a gente fez, em torno de três meses, a gente viu um diagnóstico, o perfil de todos os problemas que as escolas estavam enfrentando e a gente criou uma estratégia de ação para trabalhar com as escolas durante esse primeiro ano. Algumas ferramentas na escola, a estrutura da escola, o papel de cada pessoa...

 

P 1 – Você poderia falar um pouco do resultado dessa avaliação? Quais são os pontos fracos e fortes dessa avaliação?

 

R – O problema fundamental é um: Organização.

 

P 1 – Organização entendida como o quê?

 

R – Como Organização Administrativa. A parte administrativa é um pouco... O coordenador da escola deveria ter um perfil um pouco conectado à empresa, um pouco... Assim, o que acontece numa escola? Tem um grupo de coordenadores da escola e tem o educador. A função do educador está definida: ele vai dar aula. Então, ele é treinado para dar aula, conhece a metodologia e vai dar aula, ele vai receber aquele dinheiro, uma ajuda por aquele trabalho que ele faz. Nada mais do que justo. Mas o coordenador da escola, ele fica solto. Pela deficiência do regional, não tem nenhuma estrutura humana para capacitar aquele coordenador da escola, então ele fica solto, no ar. Quais são as responsabilidades dele. Talvez sejam passadas à ele: "Você tem que fazer isso.". Põem numa folha de papel e passam pra ele, mas não é evidenciada na prática: "Vamos botar a mão na massa porque tu tens que fazer isso, isso e isso. A tua responsabilidade com a equipe, é essa aqui, a tua responsabilidade com o CDI é essa aqui e tu vais proceder desse jeito e tu tens essas ferramentas que vão te ajudar.". Ficou solto o trabalho naquelas escolas, a parte de um acompanhamento nas escolas da capital e em torno, como se chamou, o acompanhamento, pelas escolas que a gente tinha, estava sendo muito pouco. Não tinham um contato muito frequente com a CDI. E aí o que acontecia? O coordenador não tinha um contato para o controle de informações. O ponto fraco maior foi não registrar as informações. Tem que registrar as informações num formato, numa ferramenta que pergunta que o coordenador tenha na mão essas informações e repasse de forma eficiente para a regional. Então, organizacionalmente a parte administrativa organizacional estava solta. O coordenador não foi treinado pra realizar as tarefas que ele tinha que realizar. Então, nós diagnosticamos esse problema. Todos os outros problemas da região norte estavam centralizados neste.



P 1 – Eram decorrentes desse?

 

R – Exatamente. "Ah, eu não tenho recurso para x coisa." Não tem, porque não tem um treinamento para captação de recursos, não sabe como ir e falar com…”, Ah, os meus computadores estão muito velhos, dão problemas, eu não tenho suporte técnico, tenho falta de recurso econômico.", "O problema é falta de dinheiro, falta de pessoas, falta de dinheiro, falta de equipamento. Se falta dinheiro, como comprar equipamentos?". Então, todos citavam muito a falta do dinheiro. Todos centrados no dinheiro, não é verdade? É organização e treinamento. Dar as ferramentas pra aquela pessoa pra que ela consiga ser mais criativo e correr atrás do que ele quer. Então, o perfil do coordenador da escola é muito importante. É importante que seja uma pessoa proativa. Que tenha facilidade pra falar, pra agir, pra pedir. Isso é importante, como registrar as informações, ter as informações na mão pra mostrar pro parceiro, o dono da loja, do supermercado, o que está sendo feito na escola. Quantos alunos foram educados, quantos passaram pela escola, quais os resultados, quais os projetos. Então, nada disso estava sendo feito. Os projetos, por outro lado, o educador não estava realizando o progresso de impacto na comunidade. Eram projetos muito simples, muito para dentro da escola. Então, teria que mudar essa realidade. Como mudar isso? A gente criou ferramenta para que o coordenador de organizasse melhor, registrasse as informações. E tinha um outro problema que vinha da regional, um pouco da matriz para a regional e da regional pra escola, que era a solicitação de relatórios. Então, chegava na escola um relatório de cinco páginas e o coordenador da escola tinha que preencher cinco páginas de informações e mandar para lá. Então, isso meio que aborrecia o coordenador da escola. A gente simplificou o relatório, montou um relatório que fosse fácil de preencher, que abrangesse seis meses e não um mês. Todo mês ele tem que mandar o relatório, mas todo mês ele preenche uma coluna. As informações são as mesmas porque se padronizou as informações. Ele vai preencher uma coluna com dados, com números, faz embaixo uma avaliação da qualidade do trabalho da escola e repassa por fax. No final de seis meses, o mesmo relatório tem todas as informações. Então, dá pra ele ver o que aconteceu em seis meses quantitativamente e qualitativamente ele vê os comentários que ele fez. A gente simplificou muito os relatórios. A gente criou na regional um banco de informações. Uma planilha em excel com as informações das escolas e com as informações que estavam nos relatórios. No quantitativo e nos relatórios ficavam os qualitativos. Então, pra ter um ponto de referência nas duas áreas, tanto no regional como nas escolas do que está acontecendo, quando a matriz chega com uma solicitação de informação tem um banco de dados com informações que podem repassar para a matriz num período de tempo bem mais curto. Então, esse trabalho na região norte, o resultado foi esse. Mais organização. Outro ponto importante: a rentabilidade nas escolas. A gente começou a fazer um trabalho de registrar o financeiro. Quanto que entrou, quanto que saiu.

 

P 1 – Das escolas?

 

R – Das escolas. Nas escolas.

 

P 1 – O volume de recursos.

 

R – Sim. Por mês. Em Fevereiro entrou mil reais. Foi gasto tanto, aqui estão as contas, vamos anotar legalzinho, leva o livro diário de registro, o que está acontecendo. Quanto pagou, quanto entrou, todo o controle direitinho do que entrou e do que saiu de dinheiro. No final você tem um saldo. Então, muitas escolas a gente percebeu que estavam no vermelho. Todo mês no vermelho e a entidade estava assumindo isso.

 

P 1 – Cobrindo?

 

R – Sustentabilidade nenhuma. A gente não fez nada, simplesmente mostrou o que estava acontecendo.

 

P 2 – E aí?

 

R – Está no vermelho porque vocês estão fazendo isso, isso e isso. Vamos tentar mudar essa realidade. E eles mesmos, daquela comunidade, anotando tudo o que foi e o que não foi conseguiram virar e estão se sustentando agora. Hoje tem escolas no Pará que tem em caixa R$ 2.000,00, que compram computadores, que compram Cd-rom [Disco Compacto de Memória Apenas de Leitura], que compram papel, que compram disquete ou tem parceria com empresas privadas que trazem papel, dão manutenção aos seus computadores, que podem dar cinco bolsas de estudo para a comunidade. Então, a realidade mudou. Tem uma outra coisa que eu vou falar aqui que é cultural, a gente teve resistência às mudanças. Resistência a utilizarem o balancete, a fazer o controle do dinheiro, mas aquelas escolas que ganharam esse trabalho e assumiram e foram em frente conseguiram mudar a realidade daquele momento. Em 2004, agora, a gente tem -------- das escolas, do que está acontecendo lá. Tem escolas que estão no azul, com dinheiro em caixa: R$ 300,00, R$ 400,00. Tem escolas que conseguiram parcerias que mudaram todos os computadores do CDI, devolveram para o CDI porque ganharam dez computadores novos. Então, essa é a mudança. A visão do coordenador da escola que trabalha em cima da ________ . 

 

P 1 – Houve encontros assim de capacitação?

 

R – Houve. A gente planejou todo o semestre de 2003. Marcou reuniões periódicas, visitou as escolas, solicitou o relatório todo mês pelo telefone, pega o telefone liga, fala, isso não está certo, porque isso aqui, porque isso acontece. E as novas escolas, elas já vinham com projeto de escola. Então, monta o projeto completo, vê a parte financeira, como é que vai ser a sustentabilidade. Vai trabalhar com o balancete? Vai. Vai levar um o controle financeiro? Vai. Vai levar o controle de alunos? Tem que levar. Então, assim, as novas escolas já entraram com a visão do projeto e isso deu resultados muito positivos na minha visão. Eu acho que é isso.

 

P 1 – Você poderia citar dois exemplos, contar seu caso de uma entidade que mudou a sua gestão e conseguiu sair do vermelho?

 

R – Ah, tem. A Rainha da Paz, uma escola muito boa.

 

P 1 – Que fica aonde?

 

R – Fica no bairro Bengui.

 

P 1 – Em Belém mesmo?

 

R – Em Belém. Um dos bairros considerado o bairro com o maior índice de criminalidade, de Belém. Alto índice de criminalidade, de pobreza, de tudo. Muito problemático e eles estão trabalhando. Tínhamos duas escolas nesse bairro, uma na Igreja Católica que é essa, Rainha da Paz e outra numa Igreja Evangélica que foi fechada por causa das gangues.

 

P 1 – Porque foi fechada?

 

R – Primeiro por causa da organização. A gente solicitou uma coisa mais seria do coordenador da escola. Que ele tivesse um pouco mais de tempo pra cuidar dessa parte administrativa/financeira e eles não se adaptaram ao nosso processo e tiveram que sair fora do projeto e por outro lado a ameaça das gangues. Os alunos já não estavam indo pra escola, estavam sendo ameaçados. Violência à noite, à tarde e à noite dentro da escola. Com isso já a quantidade de alunos baixou consideravelmente e a regional decidiu que não podia continuar. Não era um parceiro ideal pra gente. Eles estavam alugando uma sala e estavam ficando no vermelho demais. Rainha da Paz, ao contrário, tem uma estrutura boa. Eles tiveram um crescimento muito importante. Hoje eles trabalham com dez professores. Cada professor tem um assistente voluntário. Já criou professores/educadores que já saíram da escola, foi renovado o grupo e já fizeram outros projetos importantes de trabalho na comunidade. Então, um trabalho que junto com o trabalho da Igreja Católica é muito interessante e importante. E o apoio, que é o ponto fundamental, o apoio do coordenador da entidade, do padre no caso lá, que olhou para o projeto CDI como ele é. O dinheiro que entrou do projeto CDI, é para beneficiar a escola, é em benefício da comunidade. Se o caixa tem recursos, pode fortalecer outros projetos sociais, mas primeiro fortalecer a escola. Acho que ele entendeu bem por aí, e eles têm um resultado que eu acho que é hoje a escola que tem dinheiro, que tem recursos, que tem maior quantidade de professores dando aula, que tem um grupo consolidado de jovens trabalhando em torno da escola. Um trabalho muito interessante, importante mesmo. Tem outro que é o Maria Gorete, que mudou também. Estava com problemas, computadores bons. O interessante é que a Maria Gorete é uma escola da Fundação Vale do Rio Doce. Foi criada com o projeto da Fundação Vale do Rio Doce.

 

P 1 – Em Belém, também?

 

R – Em Belém, mas eles tiveram uma mudança de coordenador. Tiveram um coordenador e depois mudaram pra outra pessoa em todo esse processo de melhoramento da escola e hoje já estão com saldo positivo em caixa, já estão tendo alunos, estão criando projetos. O coordenador da escola participa da reunião todo mês com o CDI. Um crescimento assim, bem interessante. E o mais importante, pra mim, sendo mais criativos tanto os educadores como os coordenadores, dentro e fora da sala de aula. Então, quando a equipe tem criatividade e trabalha de forma criativa em sala de aula, aplicando a proposta CDI, os alunos são contagiados, eu acho, por essa criatividade, então, dá mais tranquilidade para as turmas dentro da sala de aula. É um trabalho muito bonito o que eles estão realizando também, envolvendo a comunidade. De forma muito transparente também em todos os sentidos e tem crescido bastante. Por outro lado tem as escolas que fecharam. Fechou uma escola em Mosqueiro com uma estrutura física e pessoal. Tem outras escolas que estão a ponto de ser fechadas justamente porque não vem desse processo de se organizar, por deficiência, que falta coordenador, que falta educador. Um pouco por falta de criatividade por parte do coordenador da escola. Esse é um diagnóstico muito particular, é o que eu acho que está acontecendo com as escolas nesse momento.

 

P 1 – Você foi uma pessoa que participou muito da implantação. Que condições são dadas nesse início que propiciam um maior desenvolvimento ou uma maior dificuldade nisso?

 

R – É importante no momento da criação da escola. Porquê? Aconteceu no Pará e aconteceu em outras regionais que a gente vai nessa escola ou nesse bairro ou alguém que é amigo ou tem uma amizade e vem para o CDI que está com vontade de abrir uma escola. "Ah sim, vamos abrir, vamos topar, vamos abrir a escola.". E não é levado o processo. Não é seguido o processo. Vamos criar o projeto, vamos trabalhar como uma entidade séria que é o projeto social. Vamos ver se ele está organizado, vamos ver como é que é a responsabilidade de cada um nesse processo de formação da escola. Vamos ver a formação, vamos ver de onde é que vem o recurso, vamos ver qual é a responsabilidade da comunidade pra considerar esse projeto CDI. Do CDI está claro, mas da comunidade não, das pessoas que procuram o projeto não. Então, fica muito por aí. Quando o projeto não é levado a sério, fica muito na fala, talvez até na amizade, aí perdeu o sentido, e não vai dar certo. Até que pode dar certo se em dado momento se organize tudo. Pode dar certo, mas é importante demais a criação do projeto, esse documento que se chama Projeto de Escola de Informática e Cidadania, onde a comunidade e as pessoas que são os criadores da escola têm que ver a responsabilidade. Ver o que é o CDI. Eles têm que saber o que significa estar dentro desse projeto, dentro da rede. O impacto que vai ter na comunidade, esse é o ponto fundamental. E o treinamento da equipe. O treinamento do coordenador de projetos que é fundamental. O coordenador da escola é fundamental e também o treinamento dos educadores que é importante demais. E também mais que o treinamento e o conhecimento teórico é trabalhar a produtividade e a criatividade dos coordenadores e educadores. Um trabalho que vai beneficiar a comunidade em que eles moram, em que eles vivem. Em retribuição eles vão ter uma comunidade melhor para morar e viver.

 

P 2 – Pelo que você contou, a grande atuação foi na área de organização da gestão. E a área pedagógica, como que foi, como foi a atuação, como ela estava, como ela está agora?

 

R – Eu tive também a oportunidade de também atuar na área pedagógica, tive de treinar quatro equipes de pessoas para os projetos que eu criei. Então, eu atendi a proposta CDI de um jeito, de uma forma que é exatamente essa: tem uma proposta teórica de como fazer as coisas. Eu peguei a proposta do CDI, montei um curso, aula por aula, sessão por sessão. O que ia ser feito, preparado com os temas de informática e os temas, que eu queria trabalhar, de cidadania.

 

P 1 – Por exemplo?

 

R – Numa mistura. Na mesma cidadania em sala de aula eu vou trabalhar o ----- com uma problemática da comunidade. Então, como é que eu fazia? Eu os mandava pra pesquisarem. Vai à comunidade, sai. Dava uma pergunta pra eles. Por exemplo: o dever de casa de vocês tem essa pergunta bem no início do curso: "O que é cidadania?". Então, procura a opinião de duas ou três pessoas na rua onde você mora e pergunta o que é cidadania. As outras ONGs estão fazendo isso também. É um trabalho de formiguinha mas jogando as estrelas de volta pro mar.

 

P 1 – É uma bela imagem.

 

R – Ah, eu sou muito positivo em relação ao CDI. Eu acho muito bonito o que o CDI faz e eu fico muito feliz por duas coisas. Uma, eu acho que o CDI, através do Ibens me abriu as portas aqui no Brasil pra eu fazer um trabalho bonito na minha área e outra porque me tem dado muita felicidade no contato com as pessoas como ser humano, porque a pessoa que trabalha com informática muitas vezes não tem. Quem trabalha com informática, especialmente na área de suporte de computadores perde muito o contato com o ser humano. A informática tem isso. Se ela é orientada de forma errada, leva a pessoa para o isolamento, pra ficar muito só eu e o computador, então tem que buscar uma fuga, uma forma de fugir, de enfrentar, de ter que se relacionar com as pessoas. Durante 15 anos eu trabalhei só com computadores, com informática e me isolei um pouco dos seres humanos e graças ao CDI eu resgatei esse lado de poder falar, de ter momentos lindos de aprendizado e principalmente nos grupos de maior necessidade. Mais alguma pergunta?

 

P 1 – Não.

 

P 2 – Só muito obrigado.

 

R - - Obrigado também por me ter dado a oportunidade de falar dessa história do CDI que eu acho muito bonita, muito interessante.



------FIM DA ENTREVISTA-------

    





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