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A história da minha vida

História de: Edvânia Maria da Silva Palla
Autor: Liana Holanda
Publicado em: 12/08/2020

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Filha de José Marciano da Silva Filho e Joana Maria da Silva, esta era a bebê Edvânia Maria da Silva, que nascera no dia 29/12/1982, prematura aos 7 meses de vida, no bairro de Camaragibe, em Recife, Pernambuco. Era tão pequenina que cabia dentro de uma caixa de sapatos, sendo poucas as esperanças dos pais que ela sobrevivesse. Porém, com a graça de Deus e os cuidados necessários, os desafios foram superados e a criança foi crescendo e se desenvolvendo em todos os seus aspectos. Essa sou eu! O terreiro era seu playground, onde passava a maior parte do seu tempo brincando na companhia de seus irmãos. E eram tantas brincadeiras! Tinha pega- pega, esconde- esconde, bambolê, balança, elástico, amarelinha, bola de gude, casinha, fazer panelinhas de barro e muitas outras. O dia era curto para tantas traquinagens! Quando chegava o anoitecer, alguns coleguinhas da vizinhança se juntavam para continuar as brincadeiras. Dessa vez, as cantigas e histórias tomavam conta do ambiente. Amava cantar “Eu sou Rica, Rica, Rica, de Maré, Maré, Maré…” ou “Gata Pintada quem foi que te pintou?”. Ah, também tinha Adoleta. Aqueles mais corajosos e atrevidos contavam as histórias de assombração como da Comadre Fulozinha, do Lobisomem e, assim, as horas iam passando. Só dávamos conta do tempo quando os pais chamavam para entrarmos e dormir. Um momento inesquecível era quando toda a família se reunia na humilde sala para ouvirmos o papai contar as lindas histórias de infâncias e as bíblicas. Ficava encantada e, quanto mais ouvia, mais queria. Era como se parássemos no tempo. Levávamos uma vida muito humilde, porém, a nossa relação enquanto família era maravilhosa. Aquele local cercado pela natureza proporcionava a todo momento uma sensação de felicidade e liberdade. Quando o final de semana chegava era uma festa! Juntavam todas as crianças da rua, de ambos os sexos, para brincar no campinho próximo dali. Era Queimada, Barra- bandeira, futebol, vôlei. Em alguns momentos surgiam os conflitos e, imediatamente, os mais velhos interviam. Depois de alguns instantes a paz voltava a reinar, novamente. Quando o calor estava insuportável nos banhávamos no Rio Capibaribe, que fazia fronteira com a nossa rua. Que maravilha! Uma das minhas brincadeiras favoritas era brincar de professora. Colocava as crianças sentadas em um banco, onde a lousa era uma tábua velha e o giz, carvão do fogão de lenha. Foram momentos que me inspiraram a não desistir do meu sonho e tornar-me a Pedagoga que sou hoje. Aos catorze anos, juntamente com a minha família, nos mudamos para São Paulo, em busca de novas oportunidades. Ao chegar nesta grande metrópole, deparei com uma paisagem tão diferente daquela que convivi durante toda a minha infância. Me assustei ao ver tanto concreto, casas aglomeradas, escadarias sem fim. “Cadê os quintais, as árvores frutíferas, os rios?”, pensei. Confesso que fiquei muito triste e desapontada. Com o passar dos dias fui adaptando com a nova realidade. As brincadeiras, dessa vez, eram mais contidas, como jogar dados, quebra-cabeça, cabana, já que não tínhamos espaços para correr, movimentar, explorar. Hoje, esposa, mãe e Educadora, me orgulho de cada experiência vivenciada, sejam elas positivas ou negativas porque acredito que ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É agradecer à Deus, a cada manhã, pelo milagre da vida.

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