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História

A gotinha d'água do Morro dos Macacos

História de: Ana Marcondes Faria
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/05/2020

Sinopse

Ana Marcondes Faria, carioca da gema e moradora antiga do Morro dos Macacos no Rio de Janeiro desde os anos 60, conta a origem, atividades, dificuldades e orgulhos do trabalho que desenvolve à frente do Centro Comunitário Lídia dos Santos da comunidade do Andaraí. Na área de Educação, vêm ajudando moradores de todas as idades, uns a se alfabetizarem, outros a aprenderem um ofício, muitos a saírem do tráfico de drogas, vários tornando-se executivos de grandes empresas, desde a criação do projeto Construindo a Cidadania.

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História completa

P/1 – Dona Ana, poderia começar dizendo seu nome, local e data de nascimento, por favor?

 

R – Eu sou Ana Marcondes Farias. Estou no Rio de Janeiro. A data do meu nascimento é 1 de maio de 1937, nascida aqui no Rio de Janeiro.

 

P/1 – Quer dizer, a sua infância e adolescência passou toda aqui, nasceu aqui mesmo nesse bairro?

 

R – Nasci no morro. Morro do Andaraí, bairro aqui próximo ____.

 

P/1 – E ainda mora lá, hoje?

 

R – Ah, moro aqui, nesse morro aqui. Vim aqui pra esse morro em 1960, que era Morro dos Macacos. Morei aqui toda a vida. Só me mudei agora pra Avenida Júlio Moreira. Faz uns 5 anos, mas só vou pra casa dormir, fico aqui o dia inteiro, chego aqui de manhã e vou a noite pra casa.

 

P/1 – A senhora poderia contar, quer dizer, como foi criado essa entidade? Em que ano? E como foi criada essa entidade?

 

R – Sim. 

 

P/1 – O Centro Comunitário Lídia do Santos? 

 

R – Quando vim em 1960 aqui pra essa comunidade, morar aqui com meu marido e com filho [PAUSA]... quando vim aqui pra essa comunidade em 1960, como estava dizendo, encontramos muitas dificuldades. Essa comunidade era muito carente de tudo, não tinha água, não tinha luz, não tinha... era muitos problemas e nós começamos um trabalho comunitário pra melhorar as condições de vida e fundou a Associação de Moradores. Em 1962, foi fundado a Associação de Moradores aqui da nossa comunidade Parque Vila Isabel, Associação de Moradores do Parque Vila Isabel e essa Associação de Moradores trabalhou bastante aqui na comunidade, conseguiu bastante melhoramentos e o trabalho cresceu bastante. Chegou uma época que achamos por bem assim, ter mais participação de tudo, dividir o trabalho da Associação em alguma coisa assim, em blocos, era educação, era obra e era esporte, eram as três coisas principais que a gente trabalhava. Aí foi dividida. A parte de educação ficou comigo, a parte de esporte ficou com outro morador e as obras ficaram com outro. Então a gente trabalhava junto com a Associação, sendo que a parte de educação que fiquei mais à frente, fundamos creche, trabalhos voltados pra educação e esse trabalho cresceu tanto que a gente desmembrou. Fomos desmembrando da Associação, ficamos num trabalho já só educação, independente da Associação. Foi criado então o Centro Comunitário Lídia dos Santos que era primeiro uma creche. Tínhamos primeiro uma creche e da creche, as crianças saiam, continuavam com problemas na comunidade, (a mãe?) foram trabalhar, continuavam soltos na comunidade. Aí criamos um trabalho de apoio escolar, as mães, nos organizamos, compramos uma casa que é essa a qual estamos e essa casa serviu pras crianças irem à escola e voltavam pra ficar um apoio escolar e esse apoio escolar também foi crescendo. Passou a não ser só criança que era da creche, passou a ser outras crianças que vinham da escola, depois passou a ter assim uma invasão de adolescentes que queriam também participar das atividades, dos passeios. Eles tentaram assim fazer bastante atividade com as crianças, aí, os adolescentes também vieram. Acaba que hoje o Centro Comunitário é responsável pela creche Patinho Feliz, aqui dentro da comunidade tem 160 crianças e também tem o trabalho aqui dentro do Centro Comunitário que são as crianças de 7 anos em diante, que é aqui. Dentro do Centro Comunitário temos uma atividade com crianças, fazemos apoio escolar. Tem várias oficinas de educação artística, alguns projetos na área cultural, tem projeto MEL [Movimento Esporte e Lazer] que é da Prefeitura, que nós... eeeeh… o núcleo que tem aula de violão, tem percussão, tem capoeira, tem escolinha de futebol, criação ____. Então, aqui é o núcleo, mas o nosso núcleo faz trabalhos em outros pontos da comunidade. Hoje, por exemplo, estamos saindo do nosso núcleo pra ir lá pro outro lado, pra outra [bandeira?) fazer trabalhos com outras crianças do lado de lá que, às vezes, não vem pro lado de cá porque o morro aqui é muito grande, então, de vez em quando, fazemos alguns trabalhos dentro da comunidade, mas fora do Centro Comunitário.

 

P/1 – Sei.

 

R – E tem aqui dentro do Centro Comunitário vários projetos que acontecem aqui, vários projetos. O carro chefe é a informática. Que desde que conhecemos o CDI [Comitê para Democratização da Informática]...

 

P/1 – Em que ano foi isso?

 

R – Isso, o CDI, não sei precisar data, sei que a primeira escola do CDI aqui no Rio foi em Santa Marta, vi no jornal que ia ter a inauguração da escola lá no morro Santa Marta. Aí eu: “Não, nós vamos lá ver como é isso, como é essa escola, a gente tem que fazer uma escola na nossa comunidade também.” E fui na inauguração. Cheguei lá já conhecia o Itamar de lá de Santa Marta. Ele me apresentou o Rodrigo Baggio e aí a gente começou a fazer o nosso pedido de instalar a nossa escola aqui, que tínhamos aqui, na nossa comunidade, dois computadores que ganhamos, veio bem _____ armaram pra cá, e era, a gente botou o apelido deles de dinossauros porque eram bem antigos [RISOS].

 

P/1 – [RISOS].

 

R – Então tínhamos dois dinossauros aqui, aí a gente conseguiu tornar aqui uma escola também de informática e cidadania, isso foi muito assim, isso chamou muito a minha atenção. Não só trabalhar com informática mas cidadania com todos os alunos e conseguimos montar nossa sala aqui.

 

P/1 – Desde que a senhora conversou com Rodrigo até montar a escola, demorou muito tempo? Ou foi logo?

 

R – Não, não demorou muito tempo, não. Porque estávamos assim, abertos pra abrir novas escolas, né? E tínhamos o espaço e a grande vontade, então não demorou muito. A nossa escola aqui funcionou, tivemos muita naquele ano, foi muito bom porque até essa data não tínhamos assim um projeto próprio do Centro Comunitário, sabe? O Centro Comunitário trabalha assim a Uerj, fazia projeto e executava aqui, é assim e nesse ano tivemos, mandamos um projeto nós mesmos do Centro Comunitário pra Prefeitura, um projeto que tinha, que botamos o nome Construindo a Cidadania, e esse projeto contemplava uma sala de informática e esse projeto foi aprovado e montamos a sala de informática com esse Construindo a Cidadania que bateu certinho com a escola de informática e cidadania. E tivemos cinco computadores nesse projeto. Nossa sala ficou bonita com cinco computadores.

 

P/1 – Hum.

 

R – E daí pra cá a gente vem caminhando. Agora já temos, não só a nossa sala que não tem só cinco computadores, agora temos 15 computadores nessa sala.

 

P/1 – Que beleza.

 

R – E temos uma outra sala que colocamos o nome de (tai.com?), que é uma sala que tem acesso a Internet, que tem tido vários cursos aqui. Tivemos vários cursos aqui no Centro Comunitário, na escola de informática. Tem se desdobrado várias coisas  e atualmente tem...

 

P/1 – Só pra voltar um pouquinho ainda nessa história que está contando, quer dizer, qual era a expectativa que tinham... que isso deve ter sido em 1991, mais ou menos? Que, quando foi fundada a... 1995,  1995.

 

R – Acho que era isso sim.

 

P/1 – Então, o computador era uma coisa muito recente, né, ainda, acho que quem tinha computador, não sei. Quer dizer, como, quais as expectativas que tinham em relação, com a ideia de formar uma escola? Pensavam em quê?

 

R – É. A informática estava aparecendo pra gente como uma coisa muito diferente. Nunca nós… No início, a gente fazia aula de datilografia. Tivemos aqui aula de datilografia, até na Uerj a gente foi pra aprender datilografia. A gente já trabalhava com a datilografia quando apareceu o computador. Era uma novidade, então seria uma ferramenta muito… a gente já sonhava que isso ia prosperar muito. Uma nova fase, as máquinas que escreviam se aposentaram, né? E a gente tinha que acompanhar essa mudança que estava acontecendo. Então a expectativa nossa era que o aluno daqui pudesse concorrer de igual para igual com outros, com outras pessoas que não são da comunidade, porque dentro da comunidade a gente tem muita dificuldade. Continua tendo. Porque o aluno da comunidade não tem muito acesso a muitas informações que as outras crianças têm. A livros, revistas e outras coisas que as outras crianças têm, no morro, fica muito mais difícil. A mãe e o pai trabalham, não tem quem dê o exemplo. A gente sai pra trabalhar de manhã, volta a noite pra sobreviver. E as crianças não têm… a gente quando chega cansado a noite, não tem esse tempo pra ficar lendo revistas e ajudando nossos filhos. Então, a família que tem que trabalhar de dia pra comer de noite é muito difícil dar essa atenção. Raramente, a gente procura de alguma maneira, mas é muito difícil a parte de lazer, parte de cultura, dentro da comunidade é muito difícil, com a..., imaginei sempre que a escola de informática e cidadania ia ajudar essas crianças a verem o mundo melhor,  uma outra maneira. E realmente conseguimos muito o que a gente pensava que ia conseguir.

 

P/1 – Uhum.

 

R – Porque alguns alunos… a nossa primeira turma fomos treinar os nossos alunos lá no CDI, nossos professores. Então saiu uma turma daqui pra ser treinado pra ser professor.  Então até hoje esse grupo ainda presta serviço aqui dentro do Centro Comunitário, desde sempre, que é o Jorge (Bodensque?) que, atualmente, dá aula aqui, assim, ele tem um outro emprego, mas está dando algumas aulas aqui.

 

P/1 – Certo.

 

R – Tem a Miriam que ainda presta trabalho no Centro Comunitário, tem o (Vina?) que fez esse curso, esses professores que...

 

P/1 – Foram três professores que fizeram o curso?

 

R – É, outros fizeram, tiveram mais dois moços que saíram aqui da comunidade e não voltaram mais.

 

P/1 – Certo.

 

R – Mas os outros que fizeram o curso ainda prestam serviço até hoje. O contrato nosso é que fizessem o curso, ficassem um ano dando trabalho comunitário, fazendo trabalho aqui. Passado esse ano, alguns já foram arranjar outros trabalhos, alguns ainda ficaram mesmo com outro trabalho prestando serviço aqui.

 

P/1 – A primeira turma de alunos foi de quantos?

 

R –  Ah, nós... não lembro.

 

P/1 – Mais ou menos.

 

R – Porque tínhamos cinco computadores, não podia ser mais de dez.

 

P/1 – É.

 

R – A primeira turma... O Leandro, que é nosso coordenador agora, foi um dos alunos das primeiras turmas que tivemos, que fez o curso de informática com o professor Jorge (Bodensque?) e foi crescendo aqui dentro da escola. Hoje é nosso coordenador. Outros, a gente teve muita felicidade sabe, às vezes, é surpresa, a gente não sabe. Fizemos uma festa junina nesse mês que passou, mês de agosto, aí lá na festa encontrei uma moça, ela veio falar comigo toda emocionada: “Ah, dona Ana, vi as crianças da creche aqui na praça, me lembrei, fiz meu curso de informática, meu primeiro curso básico no Centro Comunitário.” Hoje, ela tem uma faculdade de Administração, trabalha numa empresa e está... quando viu a gente ficou toda emocionada porque saiu daqui e não veio mais.

 

P/1 – Aham.

 

R – Já terminando a faculdade dela, trabalhando e lembrou que o primeiro curso de informática fez aqui com a gente. Outros exemplos devem ter por aí que a gente nem sabe.

 

P/1 – Nem sabe.

 

R – Então o sucesso que... a informática tem um poder muito grande pra fazer o crescimento individual das pessoas, dos adolescentes principalmente.

 

P/1 – É.

 

R – Todos os adolescentes do nosso projeto Esperança de Vida, que é um projeto que trabalha com adolescentes que são usuários de droga, todos aqueles que se dedicaram a informática, foram a fundo, fizeram o curso, se dedicaram, todos estão bem. Tão trabalhando com carteira assinada, deixaram completamente as drogas. Tão numa luta, todos os que passaram pela escola de informática.

 

P/1 – A senhora poderia contar um caso de um deles, sem citar nome mesmo? Mas assim que a senhora acompanhou, que lhe marcou mais profundamente.

 

R – Teve um que tá até lá, continuou fazendo ____ trabalhos lá na escola de informática, lá no CDI, cursos avançados, fez vídeo, é muito interessado. Veio aqui pro Esperança de Vida numa situação muito difícil. Muitas vezes, chegava aqui drogado. Brigo aqui, né, suspendia do curso, olha, era uma briga com ele, até que se dedicou a informática, hoje é um professor nosso, a gente o ajudou, através da gente o encaminhamos pra Prefeitura, é um professor de informática lá na ___.

 

P/1 – Uhum.

 

R – E conseguiu trazer muitos outros adolescentes amigos dele que viviam na mesma situação que ele, sabe? Ele tá, a gente tá muito feliz com o exemplo desse garoto que sofri muito com ele aqui. Chegava trocar de turma, uma confusão, até que descobriu que tinha um potencial, que agora está botando esse potencial pra fora, está ajudando muita gente.

 

P/1 – Uhum.

 

R – Então não só ele, mas outros aqui da nossa comunidade que estão… alguns que eram membros do tráfico. Tem um que era do tráfico, deixou o tráfico, veio pra cá e está fazendo um curso até fora agora, dedica-se muito à informática. A gente fica querendo, a gente não tem… as oportunidades deles aqui não são iguais as das pessoas aí fora, a gente sabe disso. Mas como _____ (pretos?), não tem assim uma família pra ir buscar o trabalho, amigos, influência pra ajudar eles a...   

 

P/1 – Abrir portas.

 

R – Abrir portas. Eles não. Têm que abrir portas por si mesmos. Todo o trabalho que fazem, mas a gente tem, oh, tem gente que já passou por essa escola aqui que é um grande, já foi da (Castroe?), já trabalhou pra (Castroe?), foi pra uma multinacional e tá  grande lá, tá gerente, falou que tava gerente lá na multinacional e fez informática aqui, foi encaminhado pra fazer estágio aqui. Olha, tem tanta coisa boa que aconteceu aqui através, depois desse trabalho com escola de informática.

 

P/1 – Certo e quer dizer que outro, quer dizer é o que acham da pedagogia também, né? Além do ensino da informática, quer dizer, como instrumento mesmo e a proposta pedagógica? Quer dizer, ela se adequa também com os princípios aqui da entidade? 

 

R – É, o professor que vem capacitado a contribuir, vem com uma proposta pedagógica que é aplicada aqui com esses alunos. Eu sinto, não tenho assim muito tempo de acompanhar dentro da sala de aula, mas sei que os professores têm uma maneira de trabalhar boa, por conta do aluno que sai da sala. O aluno que sai da sala, que cresce dentro da..., não só sabe lidar com as máquinas, mas sabe tratar as pessoas, ser um cidadão, né? Eles pra chegarem, o aluno pra chegar nesse ponto, tem que passar por uma pedagogia, que isso é aplicado dentro da sala de aula.Então eu junto com o Leandro e o Alexander que são nossos professores agora.

 

P/1 – Da EIC [Escola de Informática e Cidadania]?

 

R – Da EIC. São professores que se dedicam bem e os alunos respondem. Eles que têm que ter uma pedagogia pra aplicar pra esses alunos poderem responder positivamente, né?

 

P/1 – E a escola, a EIC tem feito projetos também na comunidade ou não é projeto, alguma ação na comunidade?

 

R – Ah sim! Tem tido algumas ações aqui. Uma vez, fizemos uma ação que até veio o Baggio, tivemos muita coisa, muitas ações. Fizemos uma ação aqui de ecologia da saúde [PAUSA].

 

P/1 – Agora, das ações que foram desenvolvidas na comunidade, a partir da EIC?

 

R – A partir da EIC.

 

P/1 – A senhora podia contar uma, duas.

 

R – É, fizemos aqui, lembro que fizemos uma ecologia, um evento que envolveu a informática. A gente queria fazer ecologia do corpo [RISOS]. Ecologia da... É, foi muito bacana, sabe, a gente abriu a informática pra participarem, fizeram trabalhos de arte e chamamos a comunidade toda, assim mais pra gente ver, participar. Já tivemos ocasião assim de colocar a informática, a Internet mais livre. Assim, botamos computadores aqui fora e deixamos todo mundo acessar. Já levamos computadores pra praça ___ Drumond, lá na rua.

 

P/1 – Aqui mesmo na comunidade?

 

R – Lá fora, na rua mesmo.

 

P/1 – Ah, na rua.

 

R – É, já levamos computadores pra rua, levamos telão, contamos a história da informática aqui da nossa escola. A gente tem participado assim de evento fora daqui, não só aqui dentro da comunidade, mas também fora. Fizemos aqui, até o Baggio também veio, foi um… as crianças fizeram desenho, arte gráfica dentro do computador, várias crianças tiveram acesso ao computador, fizemos um dia assim de as crianças usarem a informática. De vez em quando, fazemos uns eventos pra atrair as pessoas, chamar atenção. Importante que tenham. É fazer parte também dessa família aqui, né, do Centro Comunitário. 

 

P/1 – Você tem o grupo só de mulheres, de adultos também ou só jovens? São só jovens na escola de informática?

 

R – Não, na informática, não tem essa história de adulto, jovem, mulher, não. Lá todo mundo faz, na sala de aula não... 

 

P/1 – Não separa?

 

R – Não separa. Dentro do Centro Comunitário, todas as crianças que são do Centro Comunitário, porque aqui tem projeto,  oficinas e, então, nos projetos, eles têm seus horários de irem e usar a informática grátis. Então cada um tem um dia na semana, todo mundo do Centro Comunitário vai, tem um projeto que é um abrigo, que o Centro Comunitário é responsável pelos meninos do abrigo, tem todo dia aqui acesso a informática. 

 

P/1 – Certo.

 

R – Então, têm as crianças que fazem apoio escolar, têm acesso também, a professora junto com os instrutores aqui levam pra participarem, usarem a informática. Então, as oficinas do Centro Comunitário têm um dia que faz uma escala pra todos terem... fora os alunos, que aí os alunos que são alunos já é outra coisa, mãe, pai, adulto, jovem, tem gente... todo mundo que quer entrar na escola tem que se inscrever.

 

P/1 – A escola não privilegia jovem não?

 

R – Só a gente tenta colocar escolaridade, quinta série. Quinta série pra fazer a escola de informática, que a gente considera assim que seja um curso profissionalizante. 

 

P/1 – Sei.

 

R – Aulas que pessoas que tem...

 

P/1 – Esse é o critério que estabelecem?

 

R – Pelo menos isso, na escola, mas no acesso dentro da...

 

P/1 – Na Internet... 

 

R – Dentro da Internet e mesmo dentro da…, o acesso a informática dentro do Centro Comunitário aí não tem, vai criança na segunda, na terça, vai qualquer um que esteja participando aqui, têm seu horário pra participar também. A gente não tem horário pra todos, né?

 

P/1 – Certo.

 

R – Que a gente, tá aí… tem atualmente, acho que uns oito computadores. Tô até batalhando pra ter mais pra todos, pra poder ter mais gente aqui dentro do Centro Comunitário. Porque só o futebol não tem... o sonho nosso é o futebol, que é o projeto MEL, eles não… não temos horário pra eles. Os garotos vão pro futebol mas quando vêm, às vezes, pra aula de cidadania aqui no Centro Comunitário, raramente tenho horário pra colocá-los no... São muitos, são muitos alunos, então a gente (trata eles?) um dia na semana não vão pro futebol. Gostam muito do futebol, mas tenho que trazê-los um dia aqui pro Centro Comunitário pra trabalhar alguma coisa, né?

 

P/1 – Uhum.

 

R – Trabalhando o meio ambiente, então um dia da semana, gostaria que todos pudessem ter informática, mas não vão, porque não cabe todos.

 

P/1 – Não cabe.

 

R – Aí vão alguns, trazem ______ pra pesquisar _____ que não tem acesso, então não conseguem. A gente não consegue colocar todos. O sonho deles seria esse e o meu também.

 

P/1 – Quantos computadores têm hoje? 

 

R – Acho que na... não posso lhe dizer a verdade assim, quanto que é, mas imagino que tenha uns oito computadores no (tai.com?), com acesso a Internet, na sala de informática tem 15 computadores. 

 

P/1 – E mesmo assim não dá?

 

R – Não dá.

 

P/1 – Não dá vazão para...

 

R – Aqui no Centro Comunitário transitam assim cerca de umas 500 pessoas diariamente. 

 

P/1 – É mesmo?

 

R – É.

 

P/1 – Incrível.

 

R – Porque tem muito projeto. A noite tem aumento de escolaridade, então têm três, quatro turmas à noite pra aumento de escolaridade. E tem futebol que tem muito aluno e tem capoeira, tem muita coisa, então é muita criança transitando, não dá pra esse número.

 

P/1 – E como é que se mantém a EIC? 

 

R – Nós somos uma instituição que não tem fins lucrativos. Temos um, conseguimos esse ano ter __________,    

 

P/1 – __________, né?

 

R – Não temos subvenção econômica do governo federal, estadual, municipal. Não temos subvenção. Vivemos de projetos, montamos projetos ___. Abriu agora, Fundação Banco do Brasil. A gente manda um projeto. Se é aprovado, aí a gente executa esse projeto com esse recurso. Quando termina, a gente vai procurar outros órgãos que financiem. A gente tinha, até pouco tempo,_______ financiando um projeto aqui, que era o ____ Trabalhando. Tinha dinheiro pra pagar as pessoas ______. Agora, passou três anos, termina esse projeto. Agora, a gente tá buscando, apareceram outras financeiras que possam... alguns trabalhos, às vezes, para, né? A gente tinha uma tapeçaria ____, mas tivemos que parar, já teve marcenaria, já teve... Atualmente a gente tem o ____ que não tem patrocínio, tem um professor que é voluntário, são dois dias por semana que pode vir, mas faz um bom trabalho de _____. A gente recebe, encomenda e tudo. A gente tem algumas oficinas que são parcerias com a Prefeitura. A gente cede o espaço, a Prefeitura paga o professor, paga o material. A gente tem até ____. Esse ano aqui, cedeu o espaço, eles mantém a padaria, mantém a aula de cabeleireiro, mantém bordado, costura, então, a gente...

 

P/1 – Quer dizer que a EIC é mantida por recursos da entidade? Da Associação?

 

R – É.

 

P/1 – Do Centro Comunitário.

 

R – É, a gente busca recursos.

 

P/1 – Mas vocês cobram alguma coisa dos alunos?

 

R – Não.

 

P/1 – Tem alguma contribuição deles, não?

 

R – Não paga. Teve uma vez quando não tem patrocínio nenhum, cobramos 10 reais para escola de informática. Cobrávamos 10 reais por mês, pra manter a escola funcionando, a sala. A EIC, a (tai.com?), cobrávamos um real a hora de acesso.

 

P/1 – Certo.

 

R – Um real a hora de acesso a Internet. Cobramos esse um real pra manter a nossa sala lá _________. E os projetos, quando têm patrocínio, se mantém. O Centro Comunitário utiliza a sua contrapartida __________, mas quando tem projeto de parceiro que tem financiamento, mantém o projeto. E a gente fica abrindo as portas pra aparecer parceiros pra fazer outros trabalhos, porque a comunidade é muito grande. E a gente sabe que faz uma gotinha d’água nesse oceano de dificuldades, mas essa gotinha, às vezes, faz a diferença.

 

P/1 – É, faz uma diferença [RISO].

 

R – É, essa gotinha faz uma diferença, a gente tenta isso.

 

P/1 – E na relação com CDI, quer dizer, nessa parceria, têm algum documento que estabelece o que é pra vocês, o que é responsabilidade de vocês e o que é responsabilidade do CDI? Ou é.... 

 

R – Não. Nós não temos esse documento assim, não.

 

P/1 – É um acordo mais verbal. 

 

R – É. O CDI desde que... temos o compromisso de participar das reuniões, da escola. Todas as EICs, mas o nosso representante tá lá, o nosso coordenador e a gente busca tirar o máximo que pode do CDI.

 

P/1 – [RISOS].

 

R – O CDI vive aqui também participando porque a gente tá com alguma coisa. A gente consegue resolver com os nossos professores, mas algumas coisas não consegue. Mandar as nossas (placas?) pra lá, pro CDI, ou pedir pro CDI mandar uns técnicos aqui resolver um problema nosso. Então, a gente vive, não tem nada assinado não, mas estão aqui juntinho, juntinho mesmo.

 

P/1 – Qual é a maior dificuldade que encontram no ensino da informática? Que tipo de dificuldade aparece?

 

R – Acho que a maior dificuldade que vejo é mesmo a escolaridade. Aqui na comunidade a escolaridade é muito baixa.

 

P/1 – Uhum.

 

R – A maioria, quase, muita gente não termina nem a quinta série. 

 

P/1 – Uhum.

 

R – A maioria dos adultos não tem nem escolaridade, às vezes, estão na informática (fim da fita ________) . Aqui a noite é a coisa mais difícil, o trabalho mais difícil meu é à noite, a partir de 18 horas que começa o aumento de escolaridade.

 

P/1 – É um projeto que tem aqui à noite?

 

R – É, à noite.

 

P/1 – Reforço escolar? É tipo assim...

 

R – Não. Tem uma turma de quinta e sexta, tem uma turma de sétima e oitava, que é aumento de escolaridade e é da Prefeitura. Eles têm um projeto pra isso, tem duas turmas de alfabetização de adultos.

 

P/1 – Ah, tá. 

 

R – É a hora que o pessoal tá cansado, que não vêm, que têm que fazer muito esforço pra não faltarem à aula. É o trabalho mais difícil, porque tanto o professor quanto o aluno tão cansados. À noite ainda tem o problema da violência na comunidade, de dia é mais suave, a noite fica pior. Então a noite é um estresse, tem que buscar o professor lá na rua, tem que trazer o professor, tem que ficar aqui toda noite ________ o professor _______, vai levar quando acaba, tem que ficar aqui todo dia até 21h30, porque o professor não fica aqui sozinho, então _____ pra levá-los quando vão embora.

 

P/1 – Levar pra...

 

R – Até lá fora.

 

P/1 – Até lá fora. Fora da comunidade.

 

R – Exatamente, então isso é o trabalho de aumento de escolaridade, é o que sinto mais dificuldade. Porque durante o… assim, no desenrolar dos projetos durante o dia, é cansativo, criança, adulto e tal, mas é mais todo mundo tranqüilo, é o que a gente tá acostumado a fazer mesmo, mas quando chega a hora da escolaridade, do aumento da escolaridade, todo mundo desanima, não acredita, não querem estudar, tão cansados, desanimam, conversam com a turma ____________, é um problema.

 

P/1 – E isso termina, quer dizer, se refletindo nas aulas de informática também?

 

R – Porque se o aluno vai escrever errado, nem o computador __________ em português, né? “Nós não sabemos fazer uma redação.” Nem procurar uma coisa direito não sabe, se não tem uma escolaridade, nem achar o caminho ali, saber, descobrir coisa pra eles mesmos dentro da informática, não consegue. A falta de escolaridade é uma baita ____, porque sabem muito mas não arranjam trabalho, porque qualquer lugar não vão querer empregar, nem estágio, quem não tem, não tá cursando segundo grau.

 

P/1 – Uhum.

 

R – E ninguém terminou nem primeiro, como é que o segundo? Raros. Todos que terminam o segundo é fácil, mas cadê, poucos vão conseguir terminar o segundo. Muito difícil terminar o primeiro, muito. 

 

P/1 – E por que não termina? Por que não tem escola aqui?

 

R – Tem escola, tem escola. Porque as pessoas têm dificuldade de estudar. Não sei, não sei quê que acontece, muitos não acreditam, não têm ânimo pra noite vir estudar e de dia têm que trabalhar.

 

P/1 – Uhum.

 

R – Não tem quem vá patrocinar estudo pra eles de dia. E de dia têm que trabalhar, tem que sair do trabalho e vir estudar, aí quando sai do trabalho não quer estudar. Quando tá desempregado, tá procurando trabalho ou tá desanimado, não acredita, porque entram numa: “Ah não vou arrumar emprego mesmo.” A gente tem que ter mais... no fundo, a pessoa não acredita, sabe que não tem diploma. E diploma também não arruma trabalho, porque a gente fala: “Não, se não tiver escolaridade, não vão conseguir emprego.” Isso é uma mentira grande,  ______ gente que ele sabe que tem escolaridade que também não arranja trabalho, a isso soma mais um fator de desestimular a estudarem.

 

P/1 – Uhum. Os alunos da escola, da EIC, têm uma escolaridade maior ou não? Os que freqüentam a EIC?

 

R – É, em geral, a gente tenta que busquem aumentar a escolaridade deles. Talvez que esse grupo que procure a informática sejam um grupo mais um pouco preocupados, talvez mais esclarecidos, sei lá. Acho que o professor consegue colocar neles a esperança, a auto-estima, pra terem vontade de estudar, acreditar neles.

 

P/1 – Vocês têm dois grupos? Um grupo da EIC e outro grupo de, como é que chamou? Avanço escolaridade, não, é...

 

R – Aumento de escolaridade.

 

P/1 – Aumento de escolaridade, né?

 

R – Não, aumento de escolaridade é outro projeto.

 

P/1 – Pois é, é outro projeto, exato. Mas são dois grupos diferentes, de jovens ou não?

 

R – Não, o aumento de escolaridade...

 

P/1 – É o mesmo?

 

R – É o mesmo. São outras pessoas?

 

P/1 – São outras pessoas.

 

R – É. O aumento de escolaridade fizemos com adolescentes de 16 anos em diante, se têm menos de 16 tão estudando de dia. 

 

P/1 – Certo.

 

R – A noite são esses de 16 anos em diante, mas têm adulto, tem pai, tem filho, tem um bocado de gente que estuda aqui no aumento de escolaridade.

 

P/1 – Uhum.

 

R – Agora, o pessoal que vem à aula de informática de dia, em geral, acho que têm um pouquinho mais de força de vontade, tem mais visão. Acho que...

 

P/1 – Uhum.

 

R – No início, até a gente sentir a diferença da escola de informática pra… o pessoal vinha arrumadinho, vinha caprichado porque vinha pra aula de informática.

 

P/1 – [RISOS].

 

R – Vinham diferente, o aluno da informática se sentia mais importante. Os que estavam na aula de informática vinham melhor ____  arrumados, diferente quando vinham num curso qualquer que seja de padeiro, de costureira.

 

P/1 – Ah, certo.

 

 

R – É diferente quando vinham na informática,  vinham diferente.

 

P/1 – E hoje ainda é assim?

 

R – Um pouco assim. Valorizam mais quando estão na informática. Não sei, porque lá tem ar condicionado a sala? [RISO]

 

P/1 – [RISOS].

 

R – Será porque a sala tem ar-condicionado? Imagina, sala mais arrumadinha, sei que a informática é um status.

 

P/1 – Uhum. Tá certo. E utilizam algum critério pra selecionar o aluno que entra na… que vem pra escola de informática? Porque tem uma demanda maior do que podem atender, né?

 

R – Não, ficam na fila de espera, agora abrimos uma turma, tá completa, são 15 na espera, tem 15, se alguém desistir tem 15, aí pára, aí só daqui a três meses que a gente vai abrir de novo.

 

P/1 – Nossa. Quanto tempo dura o curso?

 

R – Três meses. Todos os dias tem aula.

 

P/1 – Todos os dias? De quanto, de quantas? Uma hora?

 

R – Têm duas horas de aula.

 

P/1 – Duas horas de aula. Mas são turmas diferentes também, né?

 

R – É, tem várias turmas, têm de manhã, tem à  tarde, tem de noite, tem várias turmas aqui.

 

P/1 – E, deixa ver. É assim uma coisa que queria perguntar também, a parceria com o CDI, além dos resultados diretos com os alunos como já falou, né? Trouxe também algum resultado pra dentro da EIC, pra dentro da instituição? 

 

R – Exato.

 

P/1 – Que resultado foi esse?

 

R – Alguns resultados pra instituição: o crescimento, o fortalecimento institucional consegue através desse contato que o CDI trás pra gente. Nós aqui no morro não tem acesso a mídia, tem assim gente que vem visitar igual a você, só mesmo assim. Só se vem _____[RISO]. Não vem, não temos esse acesso, somente porque é na comunidade, um dos motivos seria talvez esse, têm medo de vir na comunidade, não sabe o lugar, a mídia mostra assim um lugar violento, então não vêm. Então, o CDI marca muitas visitas aqui, pessoas que vêm pra conhecer de outras partes, do jornal e isso faz com que o aluno se sinta importante e também querer um ensino comunitário dentro da comunidade, aí nós damos uma discussão** respeitada, que faz um trabalho que mostra na televisão, essa coisa é uma coisa muito...  

 

P/1 – Já apareceram na televisão?

 

R – É uma coisa muito séria aparecer na mídia. São coisas que faz a gente ter… como temos aqui poucos, o pessoal respeita, ninguém rouba os nossos computadores, nunca teve esse caso de ninguém roubar nada, a gente vive aqui dentro misturado, todo mundo tem o mô respeito, a gente consegue se impor, né, a comunidade como instituição que tá trazendo bons resultados à comunidade. Então isso traz pra nós um reconhecimento dentro da própria comunidade, porque a nossa intenção não é mostrar pra comunidade tem isso, mas isso acontece pra nós, o nosso desejo mesmo é atingir o aluno, o conhecimento do aluno, mas essas coisas assim de televisão, de jornal, faz muito bem pra gente poder trabalhar mais com esses alunos.

 

P/1 – Uhum. E foi através do CDI que...

 

R – A gente consegue um monte de contatos bons através do CDI, não só na informática como até em outras áreas. Aí, teve o _____ agora que tá se interessando pela gente. Que a gente conheceu através do CDI. É, às vezes, aparecem pessoas que vêm através do CDI e gostam do nosso trabalho e ajudam um pouco a gente.

 

P/1 – E assim, como é que a comunidade vê a questão da informática também? Fora as pessoas que estão de fora, que não freqüentam muito o Centro, que têm aula, fora essas pessoas, como é que a comunidade vê computador, aula de informática? Sabe dizer?

 

R – Não sei. Sei que vêm pra fazer a matrícula

Assim ficam com 100 alunos é sinal que gostam, que estão tendo interesse.

 

P/1 – Não, assim, como é que percebem o computador? Que ideia que têm do computador, as pessoas de fora que não freqüentam aqui?

 

R – Ah, não sei responder.

 

P/1 – É difícil dizer, né? Tá certo, oh, tem alguma coisa assim que não perguntei que gostaria de falar? Algum assunto ou algum fato que queira contar, que ache importante nessa história que não foi falado, não foi tratado?

 

R – Não, acho que conversamos bastantes coisas. A parte que a gente tem dificuldade que é a capacitação de recurso, essas coisas pra fazer... sempre têm projetos, né? E a gente cobra sempre de ter, cada vez mais têm tido vários cursos de capacitação aí através do CDI que tem procurado… tem que ter mais gente dentro da comunidade que possa fazer esse trabalho, capacitação de recursos, pra ter sempre condição de manter o nosso trabalho. Então isso, é uma coisa importante pra gente junto com o CDI, batalhar cada vez mais esse profissional de capacitação de recursos que aqui dentro tá muito escondido, tem que mostrar esse trabalho. Isso, a gente precisa de vídeo, folder, contato com outras pessoas, que estamos aprendendo com o CDI, mas acho que precisa entrar mais nessa área.   

 

P/1 – Certo, de capacitação de recursos, isso têm aprendido com o CDI?

 

R – É.

 

P/1 – Tem feito cursos sobre isso?

 

R – Tenho tido muitos cursos ______ em participar de cursos, sim. A gente tem aumentado essa área.

 

P/1 – Certo. E o que achou de prestar esse depoimento aqui hoje? 

 

R – Ah, acho bom pelo que vai divulgar do Centro Comunitário. A gente quer que o Centro Comunitário passe seu papel dentro da comunidade bem marcante, que consiga encaminhar muitos jovens, tirar muitos jovens aí da miséria, do tráfico, das drogas, da falta de amor próprio. E acho que precisa fazer esse trabalho aqui porque não é fácil, tem que ter apoio pra isso, sozinhos não íamos conseguir fazer.

 

P/1 – E o que acha da ideia do CDI de registrar a história deles através da história, do relato das pessoas?

 

R – Acho que o CDI tem que mostrar mesmo, porque se não mostrar pro mundo todo o que uma organização igual o CDI faz, também não vai ter... o CDI não vai ter o recurso pra também poder aplicar nas nossas comunidades. Então acho que o CDI tem que mostrar pra poder ter como aplicar nessa, não só nessa comunidade, são muitas, né? Nós aqui somos um, mas tem outros, muitas. 

 O CDI pra poder ter apoio, pra ter como apoiar essas instituições.

 

P/1 - Agora só mais uma pergunta que vou fazer que me lembrei, pra gente encerrar, quer dizer, como é que entendem a cidadania nessa realidade aqui, quer dizer, o que é trabalhar cidadania na realidade aqui dessa comunidade? Como é que trabalham a cidadania?

 

R – É... o que tentamos trabalhar a cidadania aqui é fazer com que as pessoas da comunidade se vejam como cidadãos que podem, têm direitos, mas tem uma contribuição a dar também. Que têm direitos, mas têm que brigar muitas vezes pelos nossos direitos aqui, se esforçar, e a gente tem que brigar pelos nossos direitos, mas temos também que ter os nossos deveres e a gente tem que se unir também pra fazer a nossa parte. Sempre acho que não podemos ficar esperando que as coisas caiam assim de mão beijada pra gente, que temos que lutar também, temos que nos esforçar pra levantar a autoestima desse povo, saber que têm valor. Cada um tem seu valor e que esse valor pode ser usado aqui dentro da comunidade e expandido pra outros lugares. A gente tem que levar esse… todos que participam desse trabalho, que somos uma parte da sociedade e que a nossa parte é importante.

 

P/1 – Tá bem, então, obrigada em nome do Museu da Pessoa e do CDI, agradeço seu depoimento, foi muito bom, obrigada, viu?

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