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História

A gente vai passar e a empresa vai continuar

História de: Gledstone de Souza Braga
Autor: Ana Paula
Publicado em: 16/12/2021

Sinopse

Gledstone de Souza Braga nasceu em Belo Horizonte em 30 de outubro de 1963, formado em engenharia elétrica, trabalha em plataforma embarcado da Petrobras na bacia de Campos na área de comunicação. Vivenciou todo o enorme avanço que acontece na área de comunicação e que está cada vez mais atrelada a segurança da empresa. Admira e se orgulha da Petrobras.

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História completa

Projeto Memória dos trabalhadores da Bacia de Campos Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Gledstone de Souza Braga Entrevistado por Larissa Rangel Data Macaé, 03 de junho de 2008 Código: MBAC_CB017 Revisão por Fabíola Lugão C. Viggiano P/1 – Qual é o seu nome completo... R – Gledstone de Souza Braga. P/1 – E o local de nascimento... R – Belo Horizonte. P/1 – A data... R – 30 de Outubro de 1963. P/1 – E qual é a sua formação? R - Eu me formei como técnico eletrônico no Cefet [Centro Federal de Educação Tecnológica], trabalhei o tempo todo na Bacia de Campos e nesse tempo eu me formei em engenharia elétrica com ênfase em eletrônica na PUC [Pontifícia Universidade Católica]. P/1 – E como você ingressou na Petrobras? R – Concurso público em 1984, foi um concurso, o cargo na época de rádio técnico, que seria equivalente a hoje, a técnico júnior. P/1 – E qual a área de trabalho atualmente? R – Área de telecomunicações. P/1 – E como é o cotidiano, como é a sua vida dentro da Petrobras? R – Bem, é uma correria. Hoje a empresa cresceu muito, os processos se tornaram maiores e a dependência que a empresa tem de comunicação, processo de redes, trouxe uma importância muito maior hoje pra área de telecomunicações do que ela tinha há 20 anos atrás quando eu entrei. Hoje a parada de telecomunicações impacta diretamente a segurança, operação da empresa, então hoje, isso obriga você a trabalhar com um feeling maior com mais detalhes e com muito mais importância no foco do cliente. P/1 – Na sofisticação da tecnologia mudou completamente, né, mudou? R – Muda, eu posso dizer que, a não ser a experiência pessoal - que se caso te traga alguma coisa-, a parte técnica eu posso dizer que nos últimos 15 anos aproveitei alguma coisa. Dos 20 anos pra trás que eu iniciei minha carreira até os 5 primeiros anos, todo conhecimento técnico daquela época praticamente hoje está obsoleto, você não usa mais, já é tecnologia descartada. P/1 – E qual seria assim o maior desafio dentro do seu trabalho? R – São muitos [risos]. O maior desafio é um dia ver a Bacia toda automatizada rodando uma rede que garanta segurança operacional para a empresa, porque eu acho que o foco nosso na área de telecomunicações é diminuir a exposição ao risco da empresa, então pra isso você tem que ter um trabalho grande de automatizar, tirar as pessoas dos processos e garantir segurança e rentabilidade à empresa diante desse processo. P/1 – E o senhor trabalha embarcado, né, na Bacia? R - É, eu estou trabalhando embarcado, eu trabalhei nos últimos 2 anos na área de relacionamento com clientes da Petrobras no Espírito Santo, eu fui emprestado durante um tempo. Hoje eu voltei, tem algum tempo, pra Bacia de Campos e estava na coordenação da equipe da UN BC e a gente está na reestruturação. Houve a integração com a T.I. [?] onde saiu a T.I.C. [?] um outro órgão integrando telecomunicações e informática, e hoje eu estou ajudando no processo de reestruturação dos novos moldes de trabalho dessa estrutura que nasceu da integração da Tecnologia da Informação com a Telecomunicações. P/1 – E como é a sua vida longe da família? R - Eu me sinto muito bem, nunca tive o menor problema de embarcar. Quando eu embarco... eu nunca embarquei de mal humor porque eu tô embarcando, eu sempre achei que é uma opção minha, que no momento, no dia que eu dissesse... como no tempo que eu passei em Vitória, vir trabalhar em terra que é uma vida, entre aspas, normal, isso era possível pra mim. Então é uma opção, eu gosto, eu gosto muito de viajar, então me proporciona isto. Eu gosto da qualidade de vida que me proporciona, até o salário a mais; são compensações. Eu convivo muito bem com o trabalho embarcado. P/1 – E a fase da produção da Bacia, qual foi o momento mais marcante? R - Olha, por incrível que pareça, o mais marcante, tem muito tempo, foram os 500 mil barris, entende? A fase quando a gente chegou a 1 milhão de barris foi uma fase muito ruim na empresa, o momento político não era bom, então não era um momento legal, o ambiente na empresa não estava bom devido a governança na época. Mas eu acho que a fase de festa, que a gente enxergou o Brasil grande, a Petrobrás grande, foi nos 500 mil barris. P/1 – E qual foi esse momento, foi... R – Foi quando a empresa... deve ter sido mais ou menos no início dos anos 1990, atingiu a meta dos 500 mil barris. Foi com a entrada... deve ter sido dos primeiros campos na área de margem que atingiu essa meta, eu não tenho certeza. P/1 – E você podia relatar algum momento curioso dentro da plataforma, uma coisa que foi inesquecível para o senhor? R – Ah, tem muitos momentos inesquecíveis tanto de brincadeiras como de problemas. Eu acho que inesquecível, pra mim, foram as comunicações quando eu entrei na empresa, que eu tinha que fazer essa comunicação via rádio, via VHF. Você pedia pra base que tinha esse tipo de rádio, que na época ainda era base 12. Nós éramos ligados ao Rio de Janeiro ainda, então era um (sub–número?) de 10, né, na base 12. Você tinha direita A... na época, números limitados de ligações telefônicas por unidade. Eu lembro que as unidades FS, as unidades menores da Petrobras cada pessoa, cada plataforma tinha direito a fazer uma ligação por dia, uma pessoa da plataforma, que era feito por transferência de ligação pela base. No mais, para você fazer ligação, tinha que fazer via rádio, então você fazia via rádio. As pessoas escutavam, às vezes conheciam sua voz, faziam questão de escutar, depois te ligavam com muito custo, que era difícil até ligação interna pra te avisar que escutou, pra fazer brincadeira... Hoje você tem internet a bordo, você tem todo recurso de comunicação, fala com qualquer lugar do mundo até mesmo dentro da rede da Petrobras. Quer dizer, hoje você fala dentro da rede da Petrobras, você fala com Houston, você fala com a Argentina, você fala em outros lugares do mundo sem sair da rede Petrobras. Então é, assim, uma evolução incrível. P/1 – E como o senhor vê o futuro da Bacia? R - Olha, o pré-sal é um futuro novo, uma possibilidade de futuro novo. Eu já esperava que a Bacia... acho até que a própria Petrobras entrasse num processo de decadência natural, apesar que as novas tecnologias têm reaproveitado muito os campos, têm tido técnicas para aumentar a vida útil das plataformas. Mas eu acho que vai ser uma surpresa. Eu torço para que baixe mesmo nessa formação que nós temos na Bacia de Campos, no pré-sal temos muito petróleo e que essas plataformas todas sejam revigoradas e sejam preparadas para uma nova época, nasçam novamente, é o que eu espero. P/1 – O que é ser petroleiro? R - É ter muita garra. É gostar do que faz, é acreditar no que faz, entende. E às vezes nem saber o que faz, porque muitas vezes passa um povo: "Por que você está fazendo isso, não faz sentido, você não está ganhando nada com isso, a empresa não precisa disso." Mas acho que às vezes a gente precisa fazer isso, entende, muitas vezes é mais pela gente que pela empresa, porque a gente vai passar e a empresa vai continuar. Mas a gente precisa disso, fazer a coisa, ver as coisas acontecerem. P/1 – E o senhor, o que achou de ter participado dessa entrevista e contribuído para o Projeto da Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos? R – Achei legal, uma possibilidade de mostrar um sentimento de alguém que já está há 23 anos na empresa e ainda hoje vibra, torce, quer ver as coisas acontecerem na empresa, quer... assim, lê tudo que sai da empresa, procura os jornais, defende a empresa quando você sabe que ela está sendo difamada ou está sendo distorcida uma informação da empresa. Eu acho fantástico esse corpo que a Petrobras tem e a ciência que a gente tem que essa empresa é grande. P/1 – Ok, obrigada. R – Tá, de nada. ------Fim da entrevista-----
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