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História

"A gente aprende a ter mais respeito pela dor do outro"

História de: Milla
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/11/2013

Sinopse

Milla desde cedo sabia que queria ser professora. Formou-se em pedagogia e trabalhou como professora e coordenadora em escolas de Brasília. A decisão de buscar uma nova vivência com a educação profissionalizante foi encarada como um árduo desafio, mas hoje se tornou uma paixão. Milla conta sobre sua atuação no projeto, sobre as dificuldades encontradas e sobre a realização de ajudar a mudar vidas.

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História completa

Da minha infância, eu tenho muitas lembranças da escola. De tanto admirar meus professores, eu escolhi essa profissão, a profissão de ensinar; de transmitir conhecimento. 

 

Quando entrei no Ensino Médio, eu tinha certeza do que queria. Passei no primeiro vestibular e me formei bem cedo, em Psicopedagogia e Gestão Escolar. Já trabalhei com alfabetização de adultos, dei aulas no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, também já fui coordenadora escolar. 

 

O meu primeiro contato com adultos e adolescentes foi um susto, não gostei. Apesar da minha vocação para professora e de ter me preparado bastante, pensei em desistir. Por sorte, dei ouvidos ao meu marido e passei a trabalhar com educação profissional. Acabei gostando e hoje não troco a educação profissional por nada, especialmente depois que conheci os jovens do projeto ViraVida.

 

Esses jovens não têm família, moram em abrigos. Quando chegam, trazem consigo uma vida sem limites, sem horário, sem regras. Eles não têm nada, muitas vezes não têm roupa, não têm comida. Dos que moram em casa, muitos moram com o próprio abusador. Esses alunos não são alunos como os outros, eles não precisam ser tratados com tanta diferença, mas eles não precisam ser tratados iguais como os outros são tratados, porque eles têm uma série de problemas, todos os direitos deles já foram violados. Você tem que estar conquistando eles todos os dias, cada dia é uma história Quando a gente se coloca no lugar deles, é desesperador! 

 

Nosso maior desafio é fazer com que esses alunos não se desmotivem, não desistam, porque cada dia é diferente do outro, cada dia é um recomeço. A cada dia a gente tem que retomar quase do zero, reconstruir, voltar e seguir em frente. Temos de ajudá-los a ir até o final, pra que saiam daqui capacitados e preparados para enfrentar o mundo do trabalho. 

 

O que a gente vive aqui, leva pra casa. Passei a entender a questão da violência sexual, uma coisa que pensei que acontecia muito longe da minha vida. Aqui as coisas acontecem perto da gente. Aprendi a respeitar mais as dores dos outros.

 

A oportunidade de trabalhar com esses jovens é um presente, porque nos permite ver que a gente vive em berço de ouro e não agradecemos por isso! O melhor de tudo é quando ouvimos dos alunos: “Como eu era e o que conquistei hoje.” “Hoje eu tenho uma família.” “Antes não tinha isso e agora consegui comprar.” “Hoje eu quero uma vida diferente pro meu filho.”

 

Nós, profissionais que trabalhamos no ViraVida, sabemos que marcamos a vida desses jovens. Depois de formados, quando encontramos com eles na rua,vemos que eles não se esquecem dos nossos nomes, que não se esquecem do que fizemos por eles. É muito gratificante saber do resultado do seu trabalho, saber que é possível transformar a vida de pessoas, é mesmo mágico.

 

"Nesta entrevista foram utilizados nomes fantasia para preservar a integridade da imagem dos entrevistados. A entrevista na íntegra bem como a identidade dos entrevistados tem veiculação restrita e qualquer uso deve respeitar a confidencialidade destas informações."

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