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História

A foz do Amazonas

História de: Rafael Schettini Frazão
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/03/2015

Sinopse

Nascido em Salvador, de descendência piauiense e italiana, Rafael nos conta que se mudou cedo para o Rio de Janeiro. Em seguida, nos fala de quando se formou em engenharia na Universidade Federal Fluminense em 1974. A partir daí acompanhamos sua carreira de 28 anos na Petrobras, começando com o pesado curso de iniciação à produção do petróleo, passando pelos campos do Recôncavo Baiano, no Rio Grande do Norte, Ceará e principalmente na foz do rio Amazonas - campos de Urucu e Juruá. Rafael também nos conta sobre sua família de criação e a que a formou mais tarde, além da importância de preservar a memória da Petrobras.

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História completa

Minha transferência para Amazônia foi legal, foi um negócio interessantíssimo, eu lembro que em 79, que eu estava na Bacia de Campos, que houve uma reestruturação da companhia, que o antigo Dexpro, departamento de exploração e produção, explodiu em três departamentos:  Depro, Deper e Depex, departamento de produção, departamento de perfuração, departamento de exploração. Então houve uma grande reorganização aqui na sede, e precisava de gente para fazer parte dessa estrutura, então me chamaram: “Ó, você aqui é de Niterói, nós estamos precisando de gente aqui no Rio de Janeiro. Você é um dos mais experientes, porque começou junto com a Bacia de Campos, nós queremos que você venha para cá, para coordenar os trabalhos aqui da sede”. E ali foi a minha primeira grande decepção na companhia, porque eu vim novo, fazer um trabalho burocrático, de fazer contatos, de ficar telefonando para as unidades, para acompanhar de longe os relatórios.

O rio Juruá, que é afluente da margem direita - os afluentes da margem direita são água branca; os afluentes da margem esquerda são água preta. Aí desce o rio Juruá, entra no Solimões, e a gente entra para o rio Tefé. Por que no rio Tefé? Porque o rio Tefé era um rio que tinha histórico de navegação, porque tem cidade nas margens, apesar de que a nossa perfuração, que nós viemos fazer o RUC-1, o descobridor do rio Urucu -, ele era na margem do rio Urucu, mas a gente não teve o atrevimento de entrar pelo rio Urucu, que era uma coisa para vocês terem uma idéia, as balsas levavam 11, 15 dias de viagem para dentro do rio. Então nós entramos pelo rio Tefé, que é um rio mais ou menos paralelo ao rio Urucu, que era o rio de que se conhecia a navegabilidade dele, porque tinha cidade nas margens. A gente entrou, abrimos um porto chamado porto Moura e aí descemos com a sonda e pegamos o helicóptero e levamos para margem do rio lá do outro lado, cerca de 50 quilômetros de distância. Se a gente estivesse no rio Urucu já eram 10 quilômetros, cinco quilômetros, mas nós  fomos para cá, porque aqui que a gente conhecia, mas aí nós descobrimos. Furamos esse poço apoiados pela margem do rio Tefé e aí houve a grande, a fantástica, a maravilhosa mudança de toda a história do petróleo na Amazônia, que foi a descoberta do Rio Urucu, número 1, que produzia em teste 1.300 barris por dia de óleo. E aquilo assustou, foi uma coisa de louco, porque toda nossa história era testar gás e gás você bota fogo no queimador, queima o gás, não tem, nada. Tudo o que a gente tinha feito até agora era gás, o gás você botou para produzir, botou fogo, acendeu a tocha e botou no queimador, pronto. Fica medindo aquilo e queimando todo o gás até você ter as informações que são necessárias para você fazer sua avaliação do poço. E nessa ocasião, em 86, a gente deu de cara com óleo, o negrão ali, o pretão ali, nas árvores, poluindo tudo. Aquilo foi um negócio doido porque, por mais que os queimadores sejam eficientes, não queimam 100% de óleo, não queimam 100% de óleo, não queimam 100% de óleo - isso aí pode quem quiser dizer, que não queima. Então até acender os queimadores, que aquilo  era uma novidade, a gente não tinha nem preparado, porque nós esperávamos gás.

O sentimento da descoberta era: “Puuuxa!” Aquela coisa assim de arrepiar, todo mundo doido: “Que coisa! É petróleo mesmo?” Ninguém acreditava que era petróleo. Vocês têm aí umas fotografias que eram umas garrafas, é que todo mundo queria levar um pouco, aquela coisa louca, a gente estava vendo petróleo na selva e aí a grande sacada da Petrobras, a grande sacada, a maior sacada da  Petrobras. Com essa descoberta que nos assustou, nós íamos furar agora outros poços para delimitar o campo, para saber se aquilo ali era uma coisa grande, média, pequena, como é que ia  ser? Mesmo porque a gente não podia fazer como fez no PAS-11, que a gente botava um navio e botava o óleo lá. Aqui na selva não tinha como fazer isso. “Então vamos furar outros poços, vamos agora abrir clareira a dois, três, cinco quilômetros de distância para a gente furar e ver se essa coisa se estende para lá, se estende para norte, se estende para sul. Qual o tamanho dessa tubulação?” “A gente não sabe.” “Então vamos fazer isso.” E aí nós tivemos foi um negócio fantástico, porque nós convidamos todas as entidades de renomado saber sobre a Amazônia, o Instituto de Pesquisa da Amazônia, o Inpa, o Museu Emílio Goeldi, alguns que eu lembro, hein! O Museu Emílio Goeldi, fantástico, de Belém do Pará também, Fundação Universidade do Amazonas, Universidade Federal do Pará , Fiocruz e outras entidades que ocorreram que a gente levou, nós reunimos num grande workshop no Hotel Tropical em Manaus, e o objetivo daquilo era dizer: “Pessoal, nós estamos querendo anunciar para vocês que a gente descobriu  pela primeira vez dentro da selva e em volume significativo.” Nunca se tinha testado 1.300 barris por dia de óleo dentro da selva. Tinha algumas tubulações pequenas que tinham ocorrido no passado, mas nada com esse porte que dava aquela expectativa que a gente estava com alguma coisa nova, como foi a história e está aí para mostrar. “Nós somos uma empresa de petróleo que nós sabemos muito bem explorar, produzir, perfurar poço, mas a gente não sabe fazer isso numa selva exuberante, maravilhosa como essa!”

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