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Quem planta fé colhe milagres

História de: Sirley dos Santos
Autor:
Publicado em: 26/11/2018

Sinopse

Sirley Adriana dos Santos nasceu em Ipaussu, em 23/02/1977. É filha de João dos Santos e Maria Aparecida dos Santos. Seu pai era trabalhador rural e sua mãe servente. O pai quieto e mãe extrovertida. Puxou a característica da mãe, Sirley é uma pessoa alegre e sorridente que sempre procura ajudar as pessoas ao seu redor. As dificuldades que enfrentou na vida, durante a infância e juventude, além do problema de saúde da filha Ana Clara, fizeram Sirley ser a mulher forte que é hoje.

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História completa

Sirley é filha de João dos Santos e Maria Aparecida dos Santos. Seu pai era trabalhador rural e sua mãe servente. Pai quieto e mãe extrovertida. Dos 3 aos 4 anos morou no sítio Mombuquinha, em Santa Cruz do Rio Pardo. A família gostava de se reunir no almoço. Ainda quando criança o dono da casa onde moravam solicitou a casa, e eles não tinham pra onde ir. Foi muito difícil arrumar uma casa de imediato. Sua mãe que era muito explosiva, colocou todos os móveis para fora da casa, e acabou espalhando os irmãos. Uns para casa de vizinhos e outros para casa dos avós. E sua mãe foi trabalhar. O sentimento de Sirley foi de ser abandonada, pois não tinha o hábito de ir para casa de outras pessoas, e nesse momento precisou passar meses na casa do vizinho. Quando arrumaram casa, reuniram toda família novamente. Eram dois cômodos, que lembrava um cortiço, pois eram muitas pessoas juntas. Seu pai sempre batalhando para melhorar a vida deles. Quando conseguiram, novamente, mudar de casa foram para uma “parede e meia”, que também não foi uma experiência muito boa, encontraram dificuldade na convivência com o vizinho, pois haviam muitas crianças. Depois de muito esforço e trabalho conseguiram mudar para uma casa com mais espaço, onde passaram a maior parte de suas vidas. Com o tempo, as coisas foram melhorando e seu irmão conseguiu comprar um terreno. Aos poucos foram construindo dois cômodos e logo entraram na casa, assim terminaram a casa, morando nela. Seu pai mora até hoje nesta casa com sua companheira. A mãe de Sirley já faleceu. Todos os filhos casaram. Alguns moram em Santa Cruz do Rio Pardo e outros em municípios vizinhos. Sirley quando adolescente sempre teve que trabalhar para ajudar nas despesas da casa, assim não pode investir em seus estudos, para ter uma melhor formação. Estudou o básico, entre uma escola e outra devido as mudanças. Não se achava uma boa aluna pois tinha muitas dificuldades em algumas matérias como matemática. Era de poucos amigos. Hoje é casada. Conheceu seu esposo no trabalho, faz dez anos de união. Tem duas filhas, com 16 e 09 anos. A filha mais velha é de um relacionamento anterior, na qual tem pouco contato. Sendo a filha criada por seu marido. Descobriu sua segunda gravidez quando o bebê estava para nascer. Quando a menina nasceu foi descoberto um “probleminha” que os médicos de Santa Cruz do Rio Pardo não diagnosticaram. Aos dois meses foi encaminhada para Marília, onde um hospital escola começou a investigar o que causava a desnutrição de terceiro grau. A criança não tinha força para se alimentar (sugar). Aos poucos descobriram os reais problemas de saúde que a menina apresentava. “Foi uma luta”, dizia Sirley. Com a descoberta dos vários problemas (coração, dilatação dos rins, entre outros) Ana Clara veio a usar uma sonda para alimentação. Ana Clara tem uma síndrome rara e faz acompanhamento em Ribeirão Preto/SP. A síndrome afeta seu coração e estrutura, impedindo o desenvolvimento físico dela. E assim a luta continua, com Ana Clara sendo acompanhada pelos profissionais de Marília e Ribeirão Preto. Com a descoberta da síndrome é mais fácil de acompanhar, pois antes era muito difícil, porque ela correu grande risco de vida, pela imunidade baixa, ela não podia pegar nenhum tipo de doença. Sirley foi quem sempre acompanhou a filha, pois seu esposo trabalhava e não podia perder serviço. Devido às complicações da doença às vezes tinha que passar várias semanas internada em Marília. Como tinha muita dificuldade para alimentar-se, depois de tirar a sonda Ana Clara só podia comer alimentos líquidos, a deglutição era difícil pra ela, foi todo um processo para que aprendesse a engolir. Quanto na alfabetização de Ana Clara, foi descoberto um atraso na aprendizagem, juntamente com uma equipe de psicólogos foi recomendado que ela frequentasse uma escola com cuidados especiais, no caso a APAE. No começo foi muito difícil, pois não aceitavam e não conheciam a APAE. Aos 7 anos ela começou a frequentar a APAE e foi muito bom pra ela, se adaptou rápido com a nova escola. “Ela era muito feliz e pra gente isso foi bom também, porque a gente ficava feliz também.” Ana Clara é o xodó de todos na casa, principalmente da irmã mais velha, “onde uma vai a outra vai atrás.” Foram muito momentos de dificuldade, principalmente, por ter passado por vários profissionais e dependia de transporte público. Nesse momento ela entendeu a necessidade de voltar a dirigir. Sirley tem carteira de habilitação, mas devido a um acidente de automóvel que sofreu adquiriu medo de dirigir. Diante da situação da filha ela foi obrigada a superar esse medo para atender as necessidades de sua filha que eram bem mais importantes. Com muito esforço seu pai comprou um carro para poder atender essa necessidade de Ana Clara. Diante de toda essa agitação Sirley desenvolveu diabetes e assim percebeu que teria que tirar um tempo para cuidar dela também. Um psicólogo sugeriu que ela participasse de algum grupo, e o que mais se encaixou foi o Grupo de Mulheres, que acontece uma vez por semana, no CRAS, com intuito de refletir sobre sua qualidade de vida, olhar para suas necessidades, podendo assim ter uma melhor convivência na família. Com a Ana Clara bem, tratada e sendo acompanhada por profissionais da saúde, Sirley se sentiu confortável em participar desse grupo até hoje. Com trocas de experiências e amizades, teve sempre o apoio do marido para participar vendo o bem que faz a ela. Seu maior sonho hoje é ter sua casa própria, pois sua infância foi muito marcada por esse problema. Sirley sempre alegre e sorridente, de cabeça tranquila. Difícil se abalar ou abaixar a cabeça, mesmo com todos os problemas. Se compara com sua mãe que por sinal era exatamente assim. Ela se dá bem com todos, principalmente com os vizinhos e amigos. Aprendeu muita coisa com o nascimento de Ana Clara, nas internações no hospital em Marília, pode conhecer outras pessoas que passavam por situações parecidas com seus filhos. Nunca mediu esforços para ir atrás do que fosse preciso, sempre com fé, pedindo a Deus a melhora para sua filha e hoje está satisfeita em ver que todo esforço valeu a pena, pois Ana Clara está bem, diante de tudo que ela passou. Nas festas da APAE se sente muito feliz vendo sua filha incluída em tudo. Hoje pode ajudar outras mães a compreender e aceitar os problemas de seus filhos, “que na verdade eles não são diferentes, a gente que é diferente, eles são todos iguais”, e ela como mãe e ser humano pode aprender muito com eles, em todos os lugares que ela frequenta até hoje. Ana Clara transfere seu amor para as pessoas, com carinho, abraços. Ela é uma criança muito feliz e passa para outras crianças. E Sirley está pronta para ajudar todos que precisarem. Olhando para trás nem Sirley acredita que conseguiu. Hoje agradece a oportunidade de poder contar sua história e poder ajudar de alguma forma.

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