Busca avançada



Criar

História

A felicidade não está no destino, mas no caminho

História de: Iara Gracielli Xavier Silhetes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/01/2016

Sinopse

Neste depoimento, Iara nos conta suas raízes mineiras e fala sobre a sua estrutura familiar peculiar, onde é a filha mais nova à 12 anos de distância entre seu irmão mais próximo, além de sua briga com a mãe por motivos religiosos. Depois, nos conta um pouco sobre sua infância em Divinópolis e sobre seu início no trabalho de loja, aos 13 anos. Neste ramo, abriria seu próprio empreendimento aos 18 anos, indo à bancarrota pouco tempo depois. Iara nos fala também sobre como conheceu Eduardo, seu atual marido, quando este ajudava sua ex-sogra nos procedimentos de saúde. A paixão a primeira vista se concretizou em 2005, ano em que se casaram. Depois disso, Iara conta sobre o nascimento dos Caçadores de Bons Exemplos, idealizado a partir de um sonho do casal: ter 50 filhos e viajar o mundo. Então nos conta diversas histórias de companheirismo e gentileza vindos dos meios de comunicação e da população em geral ao longo de sua viagem pelo Brasil. Iara nos fala sobre as próximas ambições dos Caçadores e seus sonhos para o futuro.

Tags

História completa

Meu nome é Iara Gracielli Xavier Silhetes. Nasci dia 28 de outubro de 1980 em Divinópolis, Minas Gerais. Fui meio escapulida. O sonho da minha mãe e do meu pai era ter um filho homem e aí eles tiveram três filhas mulheres e sempre queriam um homem, aí quando nasceu o meu irmão eles fecharam a fábrica, como diz lá em Minas. E aí escapuliu eu depois de 12 anos.

 

Minha mãe viveu morando sozinha, criando os filhos lá e meu pai trabalhando na roça pra mantê-los financeiramente na cidade. E com isso ficou o casamento, ele na roça e ela na cidade, uma vez por semana ele ia, outra vez ela ia, então permaneceu desse jeito, como permanece até hoje.

 

Bom, eu tenho muita dificuldade de lembrar das minhas coisas de infância, é raro, infância e adolescência pra mim são raras as coisas que eu lembro. Mas me lembro que era um apartamento pequeno numa rua bem movimentada de Divinópolis, me lembro pouquíssimas coisas disso. E depois pra uma casa, uma casa maior, que era o sonho da minha mãe uma casa grande, lá eu tenho mais lembranças.

 

Era dentro da cidade. Era uma casa grande e morava minha mãe, minha madrinha – que minha madrinha ajudou a minha mãe a me criar. Na verdade são cinco filhos biológicos e uma filha adotiva, a minha madrinha mora com a minha mãe há mais de 40 anos e foi praticamente ela que me criou. Porque na época que minha mãe engravidou ela estava passando por alguns problemas, então minha madrinha tem um significado muito forte na minha vida.

 

A Dinha sempre esteve muito presente. Carinho. A Dinha é minha segunda mãe, em todos os momentos de maternidade, de educação, ela estava presente.

 

Eu comecei a trabalhar com o meu tio, eu chamo de tio mas é meu primo. E com 11 anos de idade ele me botou dentro do carro, me levou numa rua de comércio da nossa cidade, aí pegou uma chave, colocou a chave na minha mão e falou assim: “Desce e abre a loja”. Eu falei: “Por quê?” “Porque a partir de hoje você vai tomar conta da loja”. Eu: “O quê!?”. Não sabia nem o que era atacado e varejo e com 11 anos eu já tinha a responsabilidade de gerenciar uma loja. Isso fez toda a diferença, eu falo que o tio Hernani fez toda a diferença na minha vida nesse sentido profissional. De tudo o que eu sei, tudo o que eu aprendi foi ele, de nunca duvidar da minha capacidade, sabe? E isso eu trago até hoje. Nada é impossível se a gente quiser, não existe uma idade, não existe um limite, não existe nada, num conhecimento, você pode aprender fazendo, não esperar. Então isso ficou bem marcante.

 

Eu e minha irmã, a gente comprava os tecidos. Foi uma experiência muito legal. E em 2002 teve uma crise muito grande na nossa cidade e nós recebemos muitos cheques sem fundo. E aí eu quebrei, tipo, esmoi. Tinha tudo e de repente perdi tudo. E fiquei com uma dívida muito grande também porque a gente estava muito em ascensão, eram muitas compras de tecido para fabricar muito porque a gente vendia muito. E como não recebia, os cheques eram pré-datados, 30, 60, 90, 120 dias, a gente não recebeu esses cheques. E aí quebrei, como diz lá na minha cidade, não quebrei não, esmoi, perdi tudo. E nós decidimos fechar a fábrica, fechar a loja e eu entrei numa depressão muito forte, porque eu estava no auge financeiro, no auge da juventude. E eu era completamente materialista, pensa, desde os nove anos trabalhando com orgulho de não pedir dinheiro pro meu pai pra comprar chocolate, então, era materialista ao extremo. Sempre fui extremamente vaidosa, com saltos muito altos, brincos, jóias, era perua inteira. Com 11 anos eu já usava muito salto, pensa.

 

Foi uma aventura conhecer o Eduardo. É que minha ex-sogra trabalhava com planos de saúde e tinha a Unimed e o Eduardo trabalhava lá. Um dia nós fomos fazer uma negociação, eu vi o Eduardo. Na hora que eu vi aqueles olhos verdes, a perna começou a tremer, tal. Senti que eu tinha encontrado realmente o homem da minha vida ali, mas eu não podia fazer nada porque eu tinha meu namorado.

 

Ele era casado. E aí um dia, conversando: “Estou solteiro” “Eu também estou”, opa, então, daí que a gente começou a sair junto, se conhecer melhor. E aí foi pouco tempo, a gente já sabia que a gente ia ficar junto. Foi encontro de almas.

 

Bom, desde esse primeiro dia diz ele que aconteceu a mesma coisa, mas eu, particularmente, a perna tremia, aquele frio na barriga, mãos trêmulas assim. Eu olhava: “Poxa, esse é o homem que eu quero pra minha vida”. E foi difícil até lidar com isso, foi um tempo difícil porque não era paixão, eu não estava apaixonada por ele, não era uma coisa assim. Eu sabia que ele era o homem da minha vida, só. Só que eu tinha que resolver um outro processo. Então não confundir essas histórias. Até que um dia, no dia do meu aniversário, 28 de outubro de 2004... eu tinha mandado pra ele, no aniversário dele de 2004, que é cinco de julho, eu tinha mandado pra ele uma caixa com um vinho e duas taças e deixei na portaria da casa dele, tal, era um presente de aniversário. Óbvio que eu queria que ele me convidasse, mas não convidou. No dia 28 de outubro de 2004, eu: “Pô, esse cara tá difícil”.

 

É... nada. Aí ele me ligou pra dar meus parabéns, eu falei assim: “Bom, você não vai me dar um presente?”, ele: “Que presente?” Eu: “Tomar o vinho, vamos tomar o vinho junto”. E aí foi assim que a gente começou a namorar, dia 28 de outubro de 2004. E tudo acontece na minha vida dia 28 de outubro, uma coisa incrível, muito legal. Foi aí que a gente começou a namorar. E aí passado pouco tempo, sei lá, uns três meses assim, eu já sabia que a gente ia ficar junto mesmo, eu virei pra ele e falei: “Cara, só tem dois probleminhas comigo, que eu preciso saber agora pra ver se a gente vai continuar o relacionamento”. Ele: “Qual?” “Eu quero ter 50 filhos e eu quero dar a volta ao mundo”. Ele olhou dentro dos meus olhos e falou: “Estou dentro”. Aí eu: “Caramba, é o cara mesmo”. E aí a partir de então a gente tinha certeza que a gente ia ficar junto pra gente.

 

Eu falei pro Dudu e falei isso, né, que eu queria ter 50 filhos, isso aí em 2004, mais ou menos. Só que a gente não parou pra pensar nisso mais, a gente não sentava e ia discutir sobre isso, o que a gente ia fazer. Aí a gente criou uma vassourinha mental, quando vinha essa ideia a gente: “Não, não, não, não, não, não. Não vamos pensar nisso agora, não vamos pensar nisso agora”. Aí um dia indo pra roça do meu pai, numa festa de família, em 2008, aí vem um insight (estala os dedos) de três minutos assim. O Dudu estava dirigindo e é uma estrada legal, demais, bonita, em Minas, cheia de montanhas, aquela natureza e tal. E estrada, viagem, faz a gente viajar mesmo, né? O Dudu estava dirigindo e aí me deu um insight, o Tião gosta muito de falar que não é insight, é clarão. Eu bati a mão na perna do Dudu: “Cara, a viagem não é pra conhecer lugares, a viagem é pra conhecer pessoas. Porque como nós vamos cuidar dos nossos 50 filhos vivendo a vida que a gente está vivendo, trabalhando 12 horas por dia, comprando uma coisa, querendo outra, querendo mais? Compra um carro quer dois, compra dois quer três. É uma loucura isso, que valor que nós vamos passar pros nossos filhos? Vamos largar tudo, vender tudo o que a gente tem, doar tudo o que a gente tem pra viver e conviver com essas pessoas que já estão fazendo isso”. A viagem vai ser de 2011 a 2015 porque eu vou estar com 30 anos e quando a gente voltar eu vou ter 35, dá tempo de ter três filhos biológicos mais dois dos dois primeiros casamentos do Dudu, cinco filhos biológicos e adotar 45.

 

No início era pra mudar o mundo do casal, era pra gente criar os nossos filhos, pra gente ter essa experiência, tentar entender esse amor ao próximo que a gente não entendia, a gente não vivenciava na luta diária pelo trabalho, pelo dinheiro, pelas coisas materiais. Então era pra mudar o mundo do casal, pra gente criar os nossos filhos. Aí no meio do caminho, da viagem.

 

Mas me veio na cabeça: “Pô, a gente vendeu tudo, doou tudo e a gente continua egoísta, cara”. Porque essas informações que a gente estava vivenciando ali eram informações riquíssimas e estavam ficando só com a gente, então a gente tinha que distribuir isso pras pessoas. E a gente não queria ter um site, a gente não queria ter esse compromisso, a gente queria simplesmente viver, a gente queria nos transformar interiormente. Aí: “Não, já que nós estamos, não adiantou nada a gente ter vendido tudo e doado tudo que a gente continua egoísta, vamos distribuir essas informações gratuitamente também, vamos fazer um site, vamos fazer as redes sociais pra gente divulgar esses projetos”

 

Ano que vem a gente tem um outro sonho, já que tem as Olimpíadas aí, a gente fazer as Olimpíadas dos Caçadores, que é uma junção desse aplicativo com a distribuição dos livros pras escolas públicas e juntar isso pra aproveitar esse gancho das Olimpíadas do ano que vem. E pra finalizar uma viagem durante cinco anos pelo mundo. Seriam 50 países, o Brasil e mais 49 fora. Quarenta e nove projetos no exterior e o projeto representando no Brasil os 1 mil e 150, né? Pra gente finalizar essa expedição, finalizar esse projeto, concluir, fechar um ciclo disso. A gente sabe que a gente precisa fechar esse ciclo.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+