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História

A fé que persevera e faz sobreviver

História de: Maria Ninita da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 10/12/2010

Sinopse

A vida de Maria Ninita foi desde cedo muito dura. Quando ela e sua família ainda sobreviviam do seringal e da plantação de mandioca, seu pai, que era padre, morreu e dividiu a família, fazendo com que Maria se reencontrasse com um irmão seu apenas décadas depois, numa história emocionante. Sua primeira gravidez foi aos 15 anos, e o bebê não resistiu ao passar de alguns meses. Começaria aí uma série de tragédias que levariam embora quase uma dezena de jovens filhos de Maria Ninita. Neste depoimento, dona Maria também nos conta sobre como descobriu que havia sido traída pelo seu marido, pouco antes dele morrer e deixá-la sozinha com duas crianças no ambiente hostil do seringal em Rondônia. Maria Ninita nos conta então como conseguiu escapar de lá e recomeçar sua vida criando galinhas, para se casar com um novo marido que quase a assassinou em meio a uma embriaguez. A fé e a vontade de sobreviver no entanto foram mais uma vez suficientes para sustentá-la e protegê-la, criando sozinha sua família. Em Jaci-Paraná provavelmente ninguém porta uma história de vida como a de Maria Ninita.

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História completa

Posto de saúde não tinha. Eu nunca fui no médico.Eu tive 13 filhos e nunca fui no médico.

Eu tinha a dor,estava lá dentro e, quando via que ia nascer, eu medeitava lá na cama. Ou eu já forrava a minha redee já me sentava na rede.Tive um menino que teve aquela doença quedá em criança e morreu. Outra tinha uma hérnia, nãoteve jeito; tinha cinco anos. Uma, eu estava grávida, abortei. Outro nasceu, não urinava, morreu.O outro nasceu, depoisque nasceu, não sei o que foi, morreu. Depois eu tive a Ita,essa que foi embora, que não voltou mais. Depois da Ita foio Antonio, tem a Maria e tem uma que nasceu morta. Eu fiquei curtida.

Hoje eu digo para essa gente: “Gente,eu não sinto mais a dor da morte de ninguém.” Eu tive fi lhoque morreu de meu marido cavar buraco no terreiroe enterrar, porque não tinha por que chamar uma pessoa. Chamar quem lá no meio do seringal?

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