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A fanta laranja

História de: Dilcriane
Autor: Dilcriane
Publicado em: 24/03/2015

Sinopse

Uma menina que tinha, no motivo simples de tomar fanta laranja, um pedaçinho de felicidade.

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História completa

Meu nome é Dilcriane dos Santos Batista, sou fogoió de nascimento numa mistura de cearense, índio e negro, tenho 37anos ainda, sou casada e tenho dois filhos. E sempre me surpreendo com as memórias que  retornam através dos sentidos: visão, paladar, olfato, tato, audição. E hoje preciso falar das memórias trazidas pelo paladar, mas é claro que a visão também é usada, mas se vendarem meus olhos e me oferecem um copo de fanta laranja eu sempre vou ser transportada para minha infância. E para começar preciso falar da minha mãe, ela sempre teve uma maneira bem peculiar de cuidar de mim e das minhas três irmãs, carinhosamente chamadas de Lelu, Jenni e Juju, provavelmente todas as mães se comportam assim: quando um problema, seja ele de cunho social, psicológico, físico, elas sempre arranjam um paliativo, e minha mãe não era diferente. Era uma tradição em casa, que quando ficávamos doentes ela sempre usava a fanta laranja como parte do tratamento, como recompensa para tomar os remédios que sempre tinham um gosto horroroso. Então era, paracetamol, xarope, antibióticos e logo depois a fanta. E ainda tinha um bônus, podíamos ser egoístas sem a culpa, era o benefício da doença, não precisávamos dividir. Só que isso parece, nos dias de hoje, banal, mas na minha infância só se tomava refrigerante: no seu aniversário ou quando você era convidado para um aniversário, Páscoa e Natal. Já pensou tomar refrigerante três vezes por ano? Mas isso causava uma situação bem engraçada, uma de nós acabava sempre doente, com a doença de "hipofantismo" (falta de fanta), e claro a tradição jamais pode ser quebrada e mamãe muitas vezes partia logo para a recompensa para nos ver saudáveis. Se querem saber, não sou louca por refrigerante, tomo, mas sem exageros, mas todas as vezes que eu sinto o gosto da fanta laranja, me lembro do tempo em que a vida era simples, onde a felicidade estava na ação de beber um refrigerante, que tinha engarrafado promessas de melhoras.

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