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História

A famosa loja Kuekão Jeans

História de: Aldemiro José Alves
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/03/2021

Sinopse

Nascimento em Avaí, SP. Lembrança do pai, trabalhador da ferrovia Noroeste-Bauru. Memórias de sua juventude em Avaí. Viagens de trem e lazer. Chegada na cidade de Bauru. Início do trabalho no comércio. Aprendizado e primeiro cargo de gerente. Mudança de vida, vontade de ter seu próprio comércio. Fundação do Kuekão Jeans. Lições que aprendeu em vida e relação com sua família.

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História completa

          Meu nome é Aldemiro José Alves. Eu nasci em 13 de maio de 1945, na cidade de Avaí. Meu pai é José Rosendo Alves, e minha mãe, Idalina Espirandeli Alves. Minha mãe era dona de casa, e meu pai trabalhava na ferrovia da Noroeste. Eu vim pra Bauru em 1959, e antes disso nós morávamos no Horto Florestal de Araribá, que pertence à ferrovia. Lá tinha plantação de eucalipto, que abastecia as máquinas, a locomotiva a vapor. A vida lá era muito boa, porque naquele tempo não tinha internet, não tinha televisão, não tinha nada, era só rádio. Nós íamos para a escola de manhã, e de tarde jogávamos futebol, ou então íamos para a beira do rio para nadar.

          A gente viajava para Bauru direto de trem. Nos tempos que comecei a estudar em Bauru, depois comecei a trabalhar, todo final de semana que ia para a casa do meu pai também ia de trem. Era uma viagem muito gostosa.

          Naquele tempo, eram o pais que procuravam emprego para os filhos. Não tinha curriculum, não tinha nada. Meu pai chegou em uma loja e falou: “Olha, estou precisando pôr meu filho para trabalhar”. Aí o cara se interessou e acabou me chamando para trabalhar nessa loja, a Casa do Linho Puro - isso em 1959. Lá eu trabalhei uns oito anos, era na Batista de Carvalho. Comecei ali como office boy, passei para vendedor, passei para subgerente. Depois eu mudei para outra empresa, a Josilmar, e daquela loja eu fui para o Supermercado Matarazzo, que naquele tempo vendia tecidos. E de lá eu fui para a Casas Feltrin. Sempre trabalhei com tecidos e confecções. E então, quando eu estava na Casas Feltrin, nós abrimos a primeira loja - eu e meu irmão de sócio.

          Meu irmão comprou uma loja que se chamava Top Five em 1976. Ele falou: “Estou comprando uma loja que está praticamente quebrada e confio em você, na sua parte de venda”. Porque eu sempre fui um bom vendedor. Nós pegamos a loja, e em um ano e meio, dois anos, pagamos todas as dívidas dela. E quando abri o Kuekão Jeans, em 1978, eu fiquei com o Kuekão, e meu irmão ficou com a Top Five. Estou até hoje com ela, há 43 anos.

          Passamos já por todas as crises: Plano Real, Plano Collor, Plano Bresser. E estamos passando por essa pandemia também, braba também, mas estamos vencendo. O nome do negócio veio de uma loja que havia no sul que se chamava “Saco e Kuekão”, e aí meu irmão pegou só o nome do Kuekão, certo? Naquela época, falar isso aí era uma pornografia.

          Mas minha loja, a Kuekão Jenas, hoje é um comércio muito tradicional, em que nós também vendemos no crediário - ainda é o crediário que sustenta a loja. O cliente vai lá, paga e volta a comprar novamente; mas se você compra no cartão, paga a fatura e não volta mais na loja. Desde que abri a loja tenho crediário, tenho clientes lá de mais de 30 anos que compram na loja.

          Nosso forte é jeans. Trabalhamos com jeans do número 36 até o número 70, e essa linha é uma linha que vende muito bem. Temos camisetas, por exemplo, do S8, do S1 ao S9, que hoje é difícil de você achar. Nós temos bermuda, por exemplo, até o S9 também. Pessoas que pesam 180 quilos, 190 quilos... nós temos roupas para esse tipo de pessoal.

          Hoje nós usamos muito a rede social. Todo mundo hoje tem um WhatsApp, tem um Facebook. E nós temos um programa lá que é o maior sucesso com isso. A gente dispara, por exemplo, em WhatsApp, mil mensagens; você escolhe a idade da pessoa, o local que você quer mandar. Mas a gente também faz rádio. Todo ano, no mês de julho, tem o Festival do Jeans. Eu entro em contato com as fábricas e consigo um preço muito bom. Aí eu faço em FM, AM, rede social, passa em jornal.

          Se você tem dez funcionários, mas eles não são bons, não adianta nada. Então hoje eu trabalho com quatro vendedores, mas são quatro vendedores bons. Tem uma que trabalha comigo faz 30 anos. E eles têm seus próprios clientes também, que chegam a procurar o nome da pessoa para comprar: “Quero falar com fulano”. E hoje, o que segura muito uma loja é você também segurar seus clientes, ter uma amizade com o cliente, fazer com que ele conheça sua loja, seu nome, o nome do vendedor. Isso é muito importante para uma loja.

          Eu sou uma pessoa que todo dia está na loja, nunca falto. Sou o primeiro a chegar e o último a sair todo dia. Pra isso, a primeira coisa é você gostar do que faz, não é verdade? Não adianta você ter um negócio só para querer ganhar dinheiro, pois você tem que gostar do que você faz também e ter amor naquilo que você tem. Essa é a minha motivação.

          E nós trabalhamos da seguinte forma: a gente nunca está vendendo hoje para pagar amanhã. Sempre tem um capital reservado na empresa; então, se acontecer alguma coisa, você tem um capital. Por exemplo: se você tem lá 200 mil reais na conta e você não pode gastar, tem todo aquele dinheiro, não é verdade? Aí você tem que se manter ali para uma hora dessas você ter, sobreviver. Por isso você sempre tem que ter uma reserva, nunca trabalhar hoje para pagar amanhã - ter que vender hoje para pagar amanhã, que aí não funciona. Foi como nós passamos as crises econômicas e estamos passando por esta pandemia também, graças a Deus.

          Eu digo sempre pra quem tem uma loja só, que é dono do seu negócio, de uma loja só, que você tem que estar presente. Se é uma rede de loja, tudo bem, pois você tem lá uma diretoria que toma conta; mas se você é individual, é muito importante você estar presente com os clientes, presente com os funcionários. Faz uma reunião motivando os funcionários, nunca desmotivar, entendeu? A primeira coisa também é chegar na loja e ter pensamento positivo, nunca negativismo, pois o negativismo não leva a nada. Tem que acreditar naquilo que você faz, que acaba dando certo. Isso é muito importante.

          Acho que eu aprendi muitas e muitas coisas no comércio. Você saber como lidar com as pessoas, aprender a ser uma pessoa humilde, simples, tratar todo mundo bem... eu aprendi muita coisa no comércio. Tudo o que eu tenho, eu tenho do comércio, certo? As amizades que eu tenho aqui, não tem dinheiro que pague, não é verdade? Eu aprendi muita coisa no comércio e gosto muito desse ramo. Cheguei a Bauru do sítio, praticamente com 14 anos de idade, e estou até hoje, com 75 anos de idade, no comércio - trabalhando na ativa ainda, com saúde, graças a Deus. Só tenho a agradecer.

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