Busca avançada



Criar

História

A fada madrinha

História de: Sonia Jaqueline da Silva Oliveira
Autor: Sonia Jaqueline da Silva Oliveira
Publicado em: 11/05/2015

Sinopse

A menina que deixou de brincar de bonecas, para trabalhar... “Um dia, um dia eu serei feliz cantando assim!”, como a Branca de Neve.

Tags

História completa

Revirando as gavetas, recordei este fato. Tinha meus 10 anos, quando pela primeira vez fui ao cinema. Era eu uma empregada doméstica, e minha patroa ah! Ela me levou assistir Branca de Neve! Afinal era conveniente me levar, para fazer companhia para filha de 8 anos. Chorei, emocionei e nunca mais esqueci aquela música, onde ela Branca de Neve cantava em volta do poço, que um dia seria feliz! Naquela época sentia ser a própria Branca de Neve a qual foi empregada doméstica no castelo de sua madrasta, lembram eu era uma criança!

 

Quantos sonhos nós temos de quando ainda éramos crianças? Quantos sonhos ainda temos? Quantos sonhos, querido leitor, você tem? Quantas vezes fomos humilhados em nossa vida por pessoas que “talvez“ nem percebessem esta humilhação. Quantas vezes sofremos preconceitos seja opção sexual, racismo, nível social, religião ou politica, destruindo todas as expectativas de realizar algum sonho em nossa vida. Recordo de muitas situações principalmente da minha adolescência, coloco o fato aqui hoje como “coisa de criança”, mas que causaram dores em minha alma.

 

Lembro de um namorado que terminou comigo logo após saber que eu era uma empregada doméstica, outro caso foi de uma amiga que ficou envergonhada ao saber que eu trabalhava em uma fábrica e no dia seguinte não olhara mais em minha cara, afinal eles faziam parte de uma sociedade seletiva e mesmo eles sendo pobres como eu, tinham que preservar a imagem e não podiam andar com “qualquer um", que não fosse do mesmo nível social. Quanta ilusão e hipocrisia! Ocultar a realidade através de uma máscara de aparência faz parte dos hipócritas, que representam e fingem comportamentos o tempo todo. Para mim, adultos infelizes e mal resolvidos atualmente.

 

Hoje consigo rir destes acontecimentos corriqueiros, daquela época, refletindo hoje que por mais que tentasse naquele tempo agradar e encaixar-se no grupo, consequentemente não agradava; vivia em uma sociedade preconceituosa e seletiva. Ah! Caro leitor, você deve estar se perguntando: “Será que ela sofria com isto tudo?” Respondo “sim, muito”. Aos doze anos, sentia-me uma intrusa, forasteira em um porto que diziam que era feliz. Família pobre, pai alcoólatra teria, que ralar muito par deixar minha marca no mundo. Então o que fiz? Mergulhei nos estudos, dediquei muito em todos os meus trabalhos, lembro minha mãe avisando sempre “Não importa o que você faça, faça bem feito com amor, carinho, dedicação e responsabilidade. Apesar de ser pobre e ter vários poblemas no dia a dia, meu pai foi exemplo de trabalhador e humildade, minha mãe sempre ensinou compromisso, responsabilidade e nunca desistir dos nossos sonhos, e foi com meus irmãos que aprendi o verdadeiro sentido da palavra amizade.

 

Peço licença para compartilhar neste momento o que aconteceu comigo estes dias, encontrei uma fada madrinha! Podem acreditar, elas existem... Uma amiga que por sua vez, sem saber a importância da história da Branca de Neve em minha infância, sugeriu que vestisse uma fantasia da princesa em uma festa. AH! Acabou realizando um sonho de 36 anos. Vesti, cantei e contei... Minha cabeça gira em torno das lembranças e me orgulho de ter passado por tudo isso e encontrado pessoas e pessoas que ajudaram, e aquelas que mesmo de maneira negativa, a construir este ser humano ainda em formação que aqui está.

 

Poderia citar inumeros fatos preconceituosos ou mesmo de bullyng que aconteceu não só comigo mas com amigos também, mas prefiro deixar para vocês meditarem e para "eles" também. Hoje eu canto com Gonzaguinha “Há quem fale que a vida da gente, é um nada no mundo... Eu só sei que confio na moça, e na moça eu ponho a força da fé. Somos nós que fazemos a vida, como der ou puder ou quiser...” E como não poderia faltar, compartilho uma história da alma, quando contada faz com as pessoas fiquem estáticas, refletindo...



HISTÓRIA DE GHANDI

Certa vez, Ghandi estava andando pela calçada, quando dois soldados ingleses pararam – no e disseram: pessoas como você, gente como você e da sua cor, não podem andar por essa calçada, tem que andar pela outra calçada, e Ghandi com toda sua paciência atravessou a calçada e foi para a outra calçada, mas de repente os dois soldados ingleses voltaram e disseram: esquecemos de lhe dizer uma coisa: gente como você, pessoas como você e gente da sua cor não podem andar por aquela calçada e nem por essa calçada, tem que andar pelo meio da rua, e Ghandi, com toda sua tranquilidade saiu da calçada e foi para o meio da rua, uma rua sem asfalto, toda suja e lá estava ele caminhando tranquilamente, quando novamente os dois soltados ingleses voltaram e disseram: gente como você, pessoas como você e da sua cor não podem andar por aquela calçada, nem por aquela outra calçada e nem por essa rua, tem que andar pela rua de baixo. E Ghandi com toda sua sabedoria caminhou pela rua debaixo, mas de repente lembrou-se de uma coisa e voltou, e disse para os dois soldados ingleses: é triste, triste mesmo em saber que pessoas como vocês precisam usar da dignidade do outro para se auto – afirmar na vida.
Autor desconhecido.


Abraços dourados,
Jaque.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+