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História

A fábrica não falava, mas as pessoas que faziam a fábrica

História de: Paulo Francisco das Chagas
Autor: Valdir Portasio
Publicado em: 13/06/2021

Sinopse

Paulo ou “Chaguinha” conta a sua história, com ênfase nos seus 26 anos de trabalho na Alcoa e sobre os aprendizados que teve para muito além da Engenharia. Valorização das pessoas e da família. Crescimento profissional, desafios e reconhecimento.

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História completa

Projeto Trajetória Alcoa Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Paulo Francisco das Chagas Entrevistado por (Maria Racioli?) e Lenir Justo Itapissuma, 26 de junho de 2008 Código: ALCOA_HV019 Transcrito por Denise Yonamine Revisão por Danielle Bufalo P/1 – Boa tarde Seu Paulo. R – Boa tarde. P/1 – Nós vamos começar a entrevista com o senhor falando o seu nome completo, o local que o senhor nasceu e data do seu nascimento. R – Paulo Francisco das Chagas, Recife, 25 de abril de 1948. P/1 – Atualmente qual é a sua função? Qual o trabalho que você está desempenhando? R – Eu sou engenheiro mecânico, continuo dando consultorias a algumas empresas do Estado, mas independentemente dessa minha atividade de Engenharia, eu sou professor do CEFET. P/1 – O que é o CEFET? R – CEFET é o Centro Federal de Educação Tecnológica, é uma rede federal de ensino, que existe em todos os estados do Brasil. E aqui eu ensino na unidade de Recife, aqui no CEFET, o CEFET Pernambuco tem a unidade de Recife, a unidade Pesqueira e a unidade de Ipojuca. São três unidades. P/1 – Interessante. Qual é o nome dos seus pais? R – Antonio Francisco das Chagas, meu pai, e Severina Mesquita das Chagas, minha mãe. P/1 – Qual era ou é a atividade profissional deles? R – Meu pai era professor também do CEFET [risos] e minha mãe era dona de casa. P/1 – E a origem da família do senhor, o senhor sabe? R – Meu pai é daqui de Recife e minha mãe do Cabo de Santo Agostinho. P/1 – Não tem nenhuma descendência de outros... R – Não, de outro país não. P/1 – Não? R – Não. P/1 – O senhor tem irmãos? R – Tenho, duas irmãs. P/1 – E na sua infância, o senhor foi criado aqui em Recife? R – Integralmente [risos], batendo bola e subindo em pé de árvore, comendo pitomba e jogando pião, empinando papagaio, tudo que tinha direito naquela época [risos]. P/1 – O senhor lembra da vida, do cotidiano da sua casa, como era assim? R – Eu, da infância? P/1 – É. R – Ah, naquela época você tinha, normalmente, morava em casa e era uma casa que tinha um quintal muito grande, praticamente era como se fosse um sítio e, aí, então eu tinha uma vizinhança muito grande, muitos meninos, tinha minhas duas irmãs e era o dia inteiro a brincar, ia pra aula e quando voltava era farra o tempo inteiro, né, subindo nos pés de manga, de goiabeira, de tudo que tinha direito e batendo bola [risos] essa era a diversão principal [risos]. P/1 – E a cidade, o senhor lembra como era a cidade na época, em Recife? R – Ah, Recife era, praticamente, às vezes tem alguns trechos aqui de Itapissuma que lembram o bairro que eu morava lá em Recife, justamente todas as ruas não eram calçadas, era o bairro da Encruzilhada e havia uma concentração grande de muitas crianças nessa região do bairro que nós morávamos. Então, praticamente, a cada esquina você tinha, como se fosse assim, um pequeno jardim da infância, ou sei lá, você tinha uma quantidade muito grande de pessoas todas pelas ruas, né? Você não tinha essa preocupação que você tem hoje com segurança, receio de sequestro, de ladrão, desse tipo de coisa, não havia isso. Então a vida era na rua, a criançada era toda na rua, é claro, que dentro dos limites, né, mas a nossa atividade era assim. E esse bairro que eu morava, a Encruzilhada, era um bairro privilegiado pelo próprio nome dele, né, que é Encruzilhada, então ele tinha um cruzamento com diversos outros bairros, era passagem pra diversos bairros. E naquela época havia os bondes, então a minha distração muito grande [risos] era, justamente, ir pra o centro da Encruzilhada e ver os bondes passar. E, claro, que eu não podia pegar o bonde porque eu era pequeno, mas o meu avô paterno, todos os domingos, ia pra minha casa, pegava a mim e a minha irmã, que é encostada a mim e saíamos pra passear. Então rodávamos o Recife inteiro, Várzea, Olinda, tinha bonde pra Olinda, bonde pra Dois Irmãos, todos os bairros distantes daquela época de Recife, que a gente considerava bairro distante, bairro que hoje você anda 15 minutos tá lá [risos], mas era distante. Então Recife era uma cidade extremamente gostosa de viver sem nenhuma preocupação. P/1 – E os seus estudos, o senhor iniciou, como foi? Do colégio o senhor lembra? R – Lembro. P/1 – Então conta um pouquinho do curso, dos seus estudos. R – Na época eu fui aluno de uma escola chamada Escola do Padre [risos], havia um padre lá da paróquia da Encruzilhada. Ele montou uma escolinha e aí eu, então com cinco anos, entrei nessa escola, fiquei dois anos na Escola do Padre. E, depois, eu fui para o Instituto Santo Expedito, aí eu terminei o curso primário lá e, quando eu terminei, eu era muito novo pra aquela época. Tinha uma limitação mínima de idade pra que você pudesse entrar no ginasial, era chamado de ginasial. Você só podia entrar no ginasial se você fosse completar 12 anos no decorrer do primeiro semestre que estivesse estudando. Como eu tinha dez anos e pouco, então eu não pude entrar. Aí eu passei um ano estudando na antiga escola técnica, que hoje é a CEFET, mas só como ouvinte, eu não era matriculado, mas quando terminou esse período que passei o ano, foi em 1959, quando foi pra entrar eu disse “Agora eu vou entrar!”. Mas eu também não podia entrar [risos] numa escola técnica porque tinha um regimento que tinha que ser antes de iniciar as aulas, aí foi que eu entrei no ginásio de aplicação. Eu fui aluno no ginásio de aplicação da Universidade Federal de Pernambuco. Quando eu terminei o ginásio, então fui fazer o curso técnico de Mecânica na escola técnica e aí terminei o curso técnico de Mecânica. P/1 – Seu pai era professor lá já? R – Era, já era há muito tempo. Então a minha vida, minha ligação com a escola técnica é desde o tempo em que eu era pequenininho, né, com quatro, cinco anos eu já ia pra escola, porque aconteciam as festividades, as comemorações e ele me levava pra lá, então eu tenho uma ligação muito forte também com a escola. P/1 – E a universidade o senhor fez logo em seguida? R – Foi, aí eu terminei a escola técnica, o anseio era, realmente, passar no vestibular, mas como eu não consegui passar no primeiro vestibular que eu fiz, eu consegui um estágio do curso técnico, então fui estagiário do departamento de estrada e rodagem. Mas foi um estágio que se prolongou bastante, porque o DER tinha uma característica assim, você poderia entrar como estagiário, mas o estagiário era considerado como se fosse um funcionário, ele tinha carteira assinada, recolhia o Fgts [Fundo de Garantia por Tempo de Serviço], era um CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas], né, então eu fiquei cinco anos no DER, mas durante esse período eu passei no vestibular da Escola Politécnica, foi em 1969, e em 1974 eu terminei, antes de eu terminar o curso eu saí do DER. E aí comecei a fazer uma série de estágios e, também, entrei na escola, né? Foi a época que eu entrei pra ser professor na escola [risos], comecei sendo professor antes de terminar o curso de Engenharia. P/1 – Então seu primeiro emprego foi no DER e depois como professor também? R – Isso. P/1 – E o senhor trabalhou em outros lugares ou não? R – Bom, aí quando eu terminei o curso de Engenharia, eu fui para Indústrias Romi S.A., que era uma fábrica de máquinas operatrizes. A sede fica lá em Santa Bárbara do Oeste, então eu passei um período lá em Santa Bárbara, depois voltei e aí fiquei aqui em Recife, na fábrica da Romi, como engenheiro, e assumindo a gerência de filial de vendas e de assistência técnica. Era um negócio até interessante, eu cheguei, ficava meio [risos] assustado, com 23 anos, puxa vida, era o gerente da filial! Quando o pessoal chegava, assim que me procurava, vinha aquele menino [risos] na cadeira, mas era muito mais em função da experiência que eu tinha já na área de Equipamentos, porque eu passei cinco anos no DER. Durante esse tempo todinho que eu passei lá, eu não parava dentro do DER, essa atividade do interior, do sertão, do agreste, tudo eu tinha desde essa época, porque viajava muito. O DER atende o Estado inteiro, né, então eu conhecia desde aqui de Recife até a última cidade Petrolina, onde você tem o __________ do São Francisco, tinha atendimento do DER. E aí quando eu terminei, fiquei na Romi até 1976, para minhas atividades na Romi também eu viajava muito, porque como a Romi tinha que atender de Salvador a São Luis, era o tempo inteiro eu viajando. Ah, na época, pra mim era muito gostoso porque eu tava solteiro, mas aí eu me casei nesse meio tempo e, puxa vida, agora já não dá mais! Aí começou, tava esperando a primeira filha, Cíntia, eu saí da Romi e foi, justamente, na época que eu entrei na ASA, que foi a empresa que fica hoje a Alcoa, né? P/1 – Quando você entrou na ASA? Em que ano? R – Entrei na ASA em 1976, em abril de 1976. P/1 – E qual foi a função que o senhor desempenhou na ASA? R – Na ASA, eu entrei como engenheiro mecânico da área de Utilidades. Área de Utilidades é a área que congrega a parte de água, é como se fosse a prefeitura de uma cidade, água, ar comprimido, vapor, todas as tubulações, a parte de transportes, empilhadeiras, manutenção, a manutenção dessa área, não a logística de fazer o direcionamento, né, mas a manutenção de todas essas áreas. Eu fiquei no tempo da ASA, entrei em 1976, fiquei um ano nessa área de utilidades, depois saí da área de Utilidades, depois fui pra área de Laminação de Folhas, aí fui ser o engenheiro de Manutenção de Folhas. Fiquei na área de Folhas durante eu acho que uns dois anos e depois fui pra Oficina Mecânica. P/1 – E o que o senhor fazia nessa área de Laminação? R – Laminação de Folhas, eu era o engenheiro responsável pela manutenção da área dos Laminadores de Folha, das Separadeiras, Dupladeiras. Inclusive nessa área da Laminação de Folhas eu tive oportunidade de ter uma das grandes amizades do tempo da ASA e que se prolongou pelo tempo da Alcoa, que foi o Herculano Bandeira, era o engenheiro responsável pela área da Laminação. Mas ele tinha sido a pessoa que em parte fez a implantação dessa empresa aqui, era uma pessoa espetacular [risos], quando eu lembro, falo da Laminação de Folhas, eu lembro dele, ele faleceu acho que há uns oito anos atrás, mais, algum tempo atrás, foi um dos fatos que pra mim foi triste, essa partida do Herculano. P/1 – Nessa época ainda era ASA? R – Não, já era Alcoa. P/1 – Já era Alcoa? R – Já era Alcoa. O Herculano também passou da ASA e foi pra Alcoa. Porque nós, quando estávamos na ASA, até 1979, a fábrica estava numa situação complicadíssima, porque devia muito, não havia dinheiro, então a gente até falava assim o circuito fechado. O que era o circuito fechado? Você produzia, o material saía, ia pro pátio, ia pra sucata e depois voltava de novo pra refusão, aí era refundido e voltava de novo para que não parassem os equipamentos. Mas mesmo com toda essa situação naquela época nunca houve um atraso, quer dizer, os antigos sócios, com toda a situação que havia, conseguiam honrar todos os compromissos dos funcionários. E aí nessa época de 1979, foi comprada pelo Banco do Brasil, depois passou pra Caixa Econômica, aí ficou nessa situação toda com as estatais e aquela ansiedade grande, né, fecha, não fecha, o que vai acontecer? Mas foi uma das primeiras empresas que foi privatizada de todos esses processos que ocorreram com o Fernando Henrique, do neoliberalismo, mas aqui a ASA, na época, foi uma das primeiras que ocorreu esse tipo de situação. Porque ela era do Banco do Brasil e da Caixa Econômica e foi adquirida, foi colocada no processo licitatório e a Alcoa comprou, em abril de 1981, foi quando iniciou. P/1 – E como foi essa transição da ASA pra Alcoa? Como é que vocês aqui na fábrica, o senhor especialmente, passou esse momento? R – Foi uma alegria muito grande, sabe, na época, porque toda a sensação que havia de todos os funcionários era de que, de uma hora pra outra poderíamos ficarmos sem emprego. Ficar sem emprego, ficar sem indenização, sem nada, porque a gente via a situação como estava acontecendo e aí quando a Alcoa adquiriu a ASA, a primeira providência dela foi que nós recebemos integralmente toda a indenização, no dia 1º de abril de 1981, fomos demitidos da ASA, recebemos os cheques referentes à demissão da ASA, Fgts, tudo, uma indenização completa e na mesma hora você assinava a sua admissão na Alcoa. Então foi uma sensação, foi uma festa, Itapissuma virou um carnaval [risos] e o restante dos funcionários também, todas as pessoas mesmos os que não moravam aqui, foi a sensação muito grande. P/1 – Você já conhecia a Alcoa de alguma forma, já tinha ouvido falar ou não? R – Eu conhecia pela minha atividade de ensino, então eu tinha alguma ligação, sabia da existência da Alcominas, né, que tinha sido o início lá em Poços e tudo mais, mas conhecer com detalhes o que era a empresa não. Não havia Internet, não havia os Googles da vida pra você sair aí vasculhando [risos], então pra ter essa informação, você só conseguia realmente lendo, indo atrás e tudo mais, não era tão fácil você identificar determinadas empresas que estavam espalhadas pelo Brasil. P/1 – E nessa ocasião da transição, qual era a sua função? Você mudou de função ou continuou na mesma? R – É, em 1981 eu continuava na Oficina Mecânica, eu era engenheiro mecânico responsável pela Oficina Mecânica. P/1 – Depois veio a Alcoa e o senhor continuou com essa mesma função? R – Continuei com essa mesma função, mas aí essa função foi expandida, por quê? O que ocorreu? A Alcoa queria resultados, então a manutenção naquela época era uma manutenção de forma descentralizada, cada um fazia o que queria, não tinha uma atuação homogênea. E aí a gerência da época, da manutenção, decidiu fazer uma manutenção centralizada, foi montado um sistema da manutenção central. E eu, além da oficina, eu tinha a equipe da manutenção central, então essa equipe da manutenção central atuava de 17 horas, que era a hora que encerrava o expediente administrativo, até às oito horas da manhã do dia seguinte. Então era uma equipe composta de técnicos, mecânicos, tinha o supervisor e esse pessoal era coordenado por mim. Esse pessoal ficava aqui na fábrica e eu ficava em casa e o telefone não parava [risos], tinha noite que eu não conseguia dormir. Mas, graças a Deus, com esse tipo de situação e de atuação, eu passei a atuar na fábrica inteira, então eu fui engenheiro de manutenção da refusão, voltei a ser de Folhas, porque já tinha passado por lá, passei por chapas, tinha uma época de Transformação de Folhas, vocês rodaram a fábrica e viram? Ali aonde, você tinha uma área ali na frente da Anodização, que era justamente a área da Transformação de Folhas, fazia esse tipo de pintura de alumínio, embalagens de alumínio, como tem hoje embalagem de todos esses produtos tem a embalagem, a parte externa, chocolate Sonho de Valsa, toda aquela impressão era feita ali, e era uma outra unidade, então Anodização e extrusão. Em todas essas áreas eu tinha atuação firme, porque os engenheiros de manutenção eram responsáveis durante o dia, faziam acontecer as preventivas, faziam as preditivas, enfim faziam o dia a dia. Agora, de noite e fim de semana, Chagas te vira! [risos] Isso é problema teu. Claro que o pessoal não fazia totalmente assim, né, tinham algumas ocasiões em que eu chamava os engenheiros de manutenção e dizia “Olha, vocês têm que vir aqui ajudar, porque não tem condição não, vocês deixaram o pepino aí”, e o dia a dia foi assim. Então eu fiquei nessa atividade durante três anos e quando foi em 1984, eu fui promovido pra superintendente da Manutenção Mecânica, continuou o problema e piorou! Porque aí tinha uma pessoa que cuidava da manutenção central, tinha um outro colega que era engenheiro e eu era o chefe dele, né, e da manutenção inteira da fábrica. E, aí, continuei nessa atividade da manutenção sempre, eu atuei em diversas áreas aqui da Alcoa, mas o carro chefe era a manutenção, então eu era deslocado às vezes pra atuar nas áreas de montagem. As montagens que ocorriam lá na Alcoa naquela época tinham uma equipe completa para efetuar as montagens e as ampliações, não havia o que hoje é colocado como a terceirização, não existia terceirização. O que existia era o seguinte: a equipe de projetos que é comandada por Fernando Siqueira desenvolvia todos os projetos e mandava os desenhos e todo o detalhamento, a Oficina Mecânica construía todas as peças e, a partir da construção, tinha uma equipe que ia pra o campo fazer a montagem. Então, eu atuei durante muito tempo comandando essas equipes de montagem na fábrica. Era uma atividade assim, o dia a dia eu não sentia acontecer, às vezes eu achava assim “Puxa vida, 26 anos, como é que foi, foi muito rápido!” [risos], os 26 anos eram assim, cada dia era um dia diferente, né, que você tinha das coisas. Atuei um período na área também da Ferramentaria da Extrusão. A Ferramentaria naquela época estava passando por uma situação com a produtividade baixa e aí nós tínhamos participado de alguns treinamentos junto com o pessoal lá em São Paulo, algumas empresas de máquinas operatrizes e o forte da Ferramentaria era esse, e na época tinha um diretor, era um alemão Seu Herman (______ Herman?) e esse Seu Herman era assim muito certinho, queria as coisas tudo em ordem e ele via algumas atividades acontecendo lá na Oficina Mecânica, observava e fazia as comparações do que havia, justamente na época que ele falou com o gerente da manutenção, que era o Marcos Medeiros, ele pediu pro Marcos que eu fosse deslocado lá pra Ferramentaria, aí eu saí da manutenção, fui embora pra Ferramentaria, mas sempre voltava pra manutenção. E fui levando, então o tempo, a minha atividade aqui na Alcoa, de 1984 até a época que eu saí, eu fui o superintendente da Manutenção Mecânica, com diversas variações, né, porque havia o encolhimento, o efeito sanfona funcionava continuamente, a manutenção encolhia, descentralizava, centralizava, ia pras áreas, depois voltava de novo e, em cada uma dessas situações, já havia a necessidade de fazer as adequações. É como muitas vezes o pessoal dizia “Puxa vida, agora, já sabe, quando ocorre uma sanfona dessa o que que vai acontecer? Cabra! [risos]” e aí haja cabra com aquelas situações todas. E nesse meio tempo havia também muitas inovações, né, a Alcoa não para de inovar e dentre toda essa linha de inovação, eu participei de diversas delas e, nessas inovações, tinha a necessidade de viajar. Então eu fiz algumas viagens pra fora do Brasil. Uma delas, a primeira que eu trouxe, inclusive, o passaporte, foi para os Estados Unidos, eu fui lá pra uma cidade, fui pra Pittsburgh, fui para o Tennessee, era um projeto que havia de fazer a transferência de algumas máquinas pra cá, eu fui olhar essas máquinas. Terminou não se concretizando, aí voltei, continuei minhas atividades aqui, posteriormente teve mais uns dois projetos grandes e esses aí foram realmente representativos e marcantes. Um foi uma compra de uma retífica de grande porte e essa retífica estava na Alemanha, e aí eu fui fazer a inspeção dessa retífica, era uma retífica usada e depois voltei pra revê-la, justamente, depois de toda a modernização que foi feita, então foi um projeto muito interessante. E aí dá a oportunidade de você ver o que são outros países realmente na linha de desenvolvimento. E um que marcou minha vida pra sempre, pra todas as atividades, foi a ida ao Japão, eu fui fazer a desmontagem de um laminador, comandando uma equipe de japoneses, eu não falo japonês [risos]! P/1 – Como você conseguiu? R – O que ocorreu foi o seguinte: a pessoa que intermediou isso foi o Yoshi, era um japonês lá, o japonês Yoshi pai e ele tinha o filho que estudava nos Estados Unidos e o menino falava inglês, tinha dezenove anos, então eu conversava com o Yoshi em inglês ele traduzia para os japoneses, os japoneses respondiam pra ele em japonês e ele falava comigo em inglês. Olha, depois de 17 dias eu não entendi mais japonês, inglês, português [risos] era uma bagunça só, mas essa viagem pro Japão foi super interessante, porque a cultura japonesa que a gente vê, fala muito no filme, tudo, mas você vivenciar trabalhando é diferente. Você passear é uma coisa, eu fui passear em outros países depois, mas você vivenciar a atividade profissional é extremamente, assim, quem se prepara, eu me preparei muito pra ir, porque essa viagem tinha sido marcada olha vai acontecer daqui um mês. Aí eu comecei me preparando, depois “Não, vai ser daqui a três meses”, eu disse “Então vou ter mais tempo”, aí agora eu vou me preparar mesmo, comecei a frequentar restaurantes japoneses, comecei a comer com palitinho, que é o hashi, aprendi a comer com o hashi, comi arroz, comia qualquer coisa, eu comia com hashi, então comecei a aprender algumas palavras em japonês, comprei dicionário, eu me preparei mesmo. Então quando eu cheguei lá no Japão eu sabia o que era a cultura japonesa e os japoneses se admiraram de eu fazer algumas perguntas a eles, isso aí? O que é isso? Como é? E lá quando chegava na hora da comida é claro que a gente estranha muito, né, eu emagreci cinco quilos em cerca de 17 dias [risos], porque chegava a hora do almoço só era aquele bolinho de arroz e peixe cru e tinha que aguentar com um negocinho daquele. Mas o lado assim, a disciplina que o japonês tem, isso aí foi o que me marcou, porque eu já vivenciava essa situação do programa, todos os programas da Alcoa, o 5S [programa com origem em cinco palavras japonesas com a inicial s que visa provocar mudanças comportamentais em empresas] que era o forte, mas você vivenciar o 5S na pele é muito difícil. O primeiro dia que nós fomos fazer a desmontagem, saí com uma equipe lá dos japoneses, ficamos lá na fábrica, era uma fábrica desativada, então tudo empoeirado, tudo sujo e passei o dia lá, nessa fábrica. Quando eu voltei, entrei no hotel fui dormir já tarde, no outro dia saímos de novo, só que quando nós retornamos no segundo dia tinha um funcionário do hotel na porta, eu não sabia que ele estava me esperando nem o Yoshi, meu intérprete, quando nós saltamos da van, do outro lado da rua, o japonês correu atravessou a rua e correu. Aí dentro de uns poucos, o japonês “Ah, blá, blá” e eu olhava assim pro japonês e ele bravo, o japonês! E o japonês já assim, já se encolhendo, aí “Yoshi, what hapenned Yoshi?”. “Aí, Mr. Chagas o senhor vai ter que pagar o tapete todinho do hotel”. “Eu? Eu não tenho dinheiro pra isso não. Por quê? O que foi que eu fiz?” “O senhor sujou o tapete do hotel todinho!” [risos] A bota, aquela sombra que fica da poeira saiu passando pra o tapete, pra (passar dele?) todinho. Esse japonês passou 15 minutos dando uma lição de moral, quando terminou esses 15 minutos eu disse “Olha, eu faço o seguinte, eu lavo!”, tirou de dentro de um saquinho que ele tava na mão dois chinelinhos desses de pantufa, uma pantufa de veludo aí disse “O senhor agora tira, tira a bota, calça aí!”. Eu calcei a pantufa e ele disse “Todo dia que chegar[risos] tem que entrar no hotel com a pantufa”. Era exatamente esse tipo de situação. Uma vergonha tão grande que eu fiquei, mas por outro lado eu pensei “Puxa vida eu tenho que transmitir isso para o pessoal e inclusive para os meus alunos na escola” porque qual é a grande lição que eu tive disso? É de que você só limpa o que você suja, se você não sujar, não precisa limpar e é dentro dessa linha que eles trabalham, né? Você pode chegar em qualquer casa de japonês, você tira o sapato, você não entra de sapato. Nos restaurantes você tira os sapatos, você entrar de meia. Dentro dessa filosofia, é esse lado do 5S. E o outro que é o mais forte, é a disciplina, eu voltando também de madrugada, junto com um japonês perto de meia noite assim, que a gente tinha saído da fábrica e fomos jantar, uma cidade menor que Itapissuma, sinal vermelho, eu junto dele e dei um pé [risos], eu botei o pé embaixo, quando eu botei o pé embaixo da calçada o japonês me deu um (puxavante?) no braço “Ôxi, Yoshi!” “O sinal” ficamos esperando o sinal até que ficasse verde, nem cachorro passava, mas a gente teve que ficar esperando, aí eu “Puxa vida, rapaz que tipo de coisa, por que que ele fez isso?” Depois você estudando, vendo e fazendo uma avaliação, na hora você fica bravo, né, porque não é possível você ficar um tempo daquele ali e a gente acostumado com a nossa cultura, aqui não vai se esperar que nada o cabra vai vir ali e me assaltar, né [risos]? E vai correr mas então é esse lado da autodisciplina, quer dizer, esses dois fatos foram muito marcantes ao lado de toda a flexibilidade que o profissional japonês tem, né? Na época eu tinha tava na faixa dos 47, sei lá, foi antes dos 50, mas eu conversava com eles, tinham pessoas acima dos 60 anos e tinha um nível de atividade e de desempenho que a gente pega os nossos profissionais aqui, menino na faixa de 20 anos que não tinha aquela agilidade, aquela força de vontade e fazia acontecer. A gente começava a trabalhar de seis e meia da manhã, íamos até sete horas da noite, só parava três vezes, parava às nove pra tomar o chá, que é sagrado pro japonês, aí o almoço pra comer os bolinhos de arroz e três da tarde de novo para o chá. Pronto. Mas o resto era pau o tempo inteiro [risos], então foram essas atividades que aconteceram, né, fora daqui, do ambiente de trabalho que enriquecem e que você termina não vendo o tempo passar, traz essas coisas que vem de fora e começa a repassar pras pessoas, transmitir e fazer com que as pessoas sintam que o mundo não é só aqui, não era só Itapissuma, não era só o Nordeste e o Brasil. Então eu sempre tive essa linha de atividade. O lado do ensino me obriga sempre a fazer isso, né, a ver as coisas, fazer a transposição e transmitir de uma forma que eu acho que é o interessante pras pessoas que vão estar recebendo. P/1 – O senhor que era da ASA e passou por todo esse processo de modernização, de desenvolvimento da Alcoa, né? R – Foi. P/1 – Como é que foi isso pro senhor, de quais projetos o senhor participou? R – Olhe, praticamente de todos os projetos até 2002, de 1981 a 2002, porque eu era integrado com a equipe da Engenharia, então o primeiro grande projeto que aconteceu foi a transferência do restaurante que era lá em cima, chamado o forte Apache, era tudo de madeira, uma porção de casinha de madeira, restaurante, os projetos, área de Meio Ambiente, tinha área de Documentação Técnica, toda essa área ficava lá em cima e tudo numas casinhas de madeira assim, aqueles barracões. E esse primeiro grande projeto que a Alcoa desenvolveu foi justamente construir, essa infraestrutura que já havia, mas essa infraestrutura estava toda assim só em concreto e foi todo feito um trabalho grande pra concluir toda a estrutura desse bloco e daquele bloco onde tem o restaurante, transferir tudo que havia lá em cima e fazer com que a partir daquela época nós tivéssemos realmente pelo menos um restaurante decente. A primeira grande atividade que eu tive foi justamente essa daí. E a partir dessa atividade o restante da ampliação da fábrica, a compra de novas máquinas. Na época a refusão que é o carro chefe de tudo só havia dois casters, o primeiro e o segundo caster. Hoje já a refusão está montando o sétimo caster. Então eu participei até o sexto caster, quer dizer, foram quatro laminadores novos, um desses foi o que eu fui desmontar lá no Japão. A laminação de chapas só tinha o laminador casa, não tinha, só tinha uma refiladeira, enfim, a quantidade de máquinas eu não consigo agora nem lembrar exatamente , mas todos os projetos que houve de ampliação das unidades existentes eu participei. E, além disso, houve as novas unidades, aí a unidade da Pepsi, que foi implantada que já não existe mais, foi desativada, a unidade de rodas foi uma fábrica nova de rodas de caminhão, a unidade de evaporadores, que é onde fabrica o congelador da geladeira, tem aquela parte interna do congelador que era fabricado aqui. Então todas essas novas fábricas que foram implantadas, eu participei de todos, da fase do projeto que tava junto lá com as pessoas da Engenharia e no campo na montagem de cada um dos equipamentos. P/1 – E antes de o senhor sair, qual foi o último projeto do qual o senhor participou? R – Foi em 2002, a implantação de uma refiladeira, a (risato?) que fica lá na laminação de chapas, foi o último projeto que eu participei. P/1 – E o que você considera como um dos seus desafios aqui dentro de Itapissuma? R – Ah, o grande desafio era o aspecto das pessoas, porque Itapissuma é uma Cidade aqui à margem do canal de Santa Cruz e desde o início privilegiava-se as pessoas daqui e a maioria delas não tinha formação. Então, pra mim, eu senti um desafio, mas, ao mesmo tempo, era um desafio gostoso, porque era formar essas pessoas, transformar um pescador num mecânico, pra mim era uma coisa desafiadora, mas ao mesmo tempo, me dava uma satisfação muito grande. E tivemos alguns funcionários que chegaram num nível muito alto, eles eram pescadores, filhos de pescadores, entraram aqui novinhos e conseguiram galgar, terminar, alguns chegaram a fazer inclusive o terceiro grau, então eu considero que esse lado das pessoas pra mim era o grande desafio. As máquinas não falavam, nem falam, então só as pessoas é que realmente constituem o desafio [risos]. P/1 – Com certeza. E essa parte da gestão sustentável da Alcoa, o senhor deve ter participado desse início também? R – Participei, junto com Marli e com ngela nós montamos aqui, nós fomos os fundadores da primeira Cipa [Comissão Interna de Prevenção de Acidentes], nós montamos a primeira Cima que era a Comissão Interna do Meio Ambiente [risos], o símbolo era uma borboletazinha, Marli deve lembrar disso aí. E então, desde o início eu participei sempre dessas atividades na linha sustentável, na época, pra vocês terem uma ideia de como era, o mecânico pegava o óleo que tirava das empilhadeiras ou das máquinas e derramava lá no esgoto, ele não tinha noção do que era aquilo, né? Então a doutrinação que nós tínhamos que fazer com ele, o que eu fazia, eu pegava um grupo, descia aqui pelo canal e íamos por essa mata aí até a margem do canal e “Ohe, vamos ver aqui esse caranguejo, tá vendo ali?”, eu já tinha ido antes e aí tavam lá os caranguejos todos mergulhados no óleo, nadando no óleo “Você tá vendo ali esse caranguejo? Você vai pescar e comer esse caranguejo, que é justamente o óleo que você derramou lá em cima e o caranguejo tá bebendo, é isso que você quer?” [risos]. Então, a gente começou esse trabalho dessa forma, a atividade hoje que a Alcoa tem no desenvolvimento sustentável tá em outro patamar, né, outro nível. Mas o começo foi assim, a gente tinha que fazer e mostrar às pessoas no início, o que é que acontecia em função da agressão ao meio ambiente. P/1 – E na parte social da comunidade também. O trabalho da Alcoa com a comunidade em seu entorno, como é que era? R - Na época, não havia ainda esse trabalho tão forte assim da gestão a nível de todo esse trabalho do voluntariado, né? Mas havia o trabalho junto com o pessoal da Prefeitura, por exemplo, eu participei... tinha um projeto da Prefeitura que era o recolhimento da madeira daqui e que tinha escolinha lá da Prefeitura, mantida pela Prefeitura, não sei se ainda tem, que era pegar a madeira usada na fábrica e os meninos fazerem pequenos móveis cadeiras, mesas, essas coisas. E aí, (Fátima Brandão?) era responsável em me levar lá [risos], nessa escola pra fazer a manutenção dessas máquinas e tudo mais desse tipo de coisa, que não era obrigação da Alcoa, né, mas a gente ia lá e fazia, participava desse tipo de trabalho junto com a comunidade. P/2 – E essa madeira que é utilizada, ela é utilizada pra que aqui na Alcoa? R – As embalagens, todas as embalagens que vinham dos fornecedores, então nós recolhíamos e fazíamos a doação, justamente, pra Prefeitura e a Prefeitura retrabalhava através, justamente, dessa escolinha, transformando-a em algo que fosse um mobiliário útil pra o pessoal, né? Você entrava na casa de uma pessoa dessas, só tinha lá o chamado vão e aqueles colchões e algumas coisas assim pelo chão, não tinha mesa, não tinha cadeira, não tinha cama, não tinha nada. Então esse trabalho é um trabalho realmente de assistência muito forte pras pessoas, era muito representativo, ao lado do aspecto do recolhimento também de papel, né, a Prefeitura também tinha a reciclagem de papel, ela transformava o papel usado aqui que a gente fornecia pra lá também em papel reciclado, era um papel que era utilizado nas escolas da Prefeitura, das Prefeituras aí. P/1 – E a sua principal realização aqui na Alcoa? (Pausa) P/1 – Senhor Paulo e as alegrias aqui dentro da Alcoa quais foram? R – [risos] Olha, as alegrias tem diversos níveis, né, de alegria e como eu já comentei o aspecto da alegria que existia aí e ainda existe da formação das pessoas, você admitir um funcionário que sabe que ele tem potencial, mas não teve o conhecimento formal e conseguir transmitir esse conhecimento, realmente, capacitar a pessoa para a atividade aqui dentro. Essa era um dos motivos de alegria muito grande que eu tive. Agora teve uma atividade aqui na fábrica que depois de ocorrido o fato, só quem presenciou esse fato fui eu [risos], por quê? Foi uma construção de um equipamento, esse mesmo equipamento que eu fui desmontar lá no Japão, antes dele, nós tínhamos comprado aqui um anterior alemão e tinha sido, não sei se foi alemão ou se foi suíço, foi um fiasco. Imagina o que é você, na proporção, comprar um automóvel, como dizendo que consegue desenvolver 100km por hora e aí na hora que você tenta colocar os 100km ele só chega a 30, foi isso, certo? Guardadas as proporções foi assim. E aí o gerente da época da área de Novos Projetos, que era o Marcos Medeiros, me chamou e chamou um grande amigo que também já partiu, era o sueco (Baire Carlson?) responsável por toda a Manutenção Elétrica, Elétrica e Eletrônica da fábrica e eu na Mecânica. Então a turma dizia que era “Batman e Hobin”, eramos eu e ele, a gente só andava junto [risos], aí Marcos disse “Chagas e (Baire?) venham cá, vocês têm que montar aqui, a gente tem que fazer um caster em nove meses, tem que fazer acontecer, tem que nascer essa criança em nove meses!”. Olhe, nós desenvolvemos esse equipamento aqui em Itapissuma e na Cidade do Cabo, uma fábrica que tem lá perto do Cabo, que é a (Cinisa?) fundição das peças, do aço... P/1 – A do Cabo em Portugal? R – Cabo aqui! P/1 – Ah. R – Cabo de Santo Agostinho [risos] ! É que eu tava conversando com ela antes, onde tem as praias, né, (Gaibuto?) e aí o que ocorreu? Nós conseguimos desenvolver e a máquina ficou pronta, então no dia que a máquina funcionou e rodou, eu estava aqui na fábrica, era perto de meia noite, tinham poucas pessoas, a máquina rodou, funcionou, eu peguei o carro, saí, fui pra casa, cheguei, normalmente, durante esses 26 anos era quase que rotina de eu chegar em casa tarde da noite, a minha esposa tava dormindo já, meus filhos também e aí eu ficava sozinho, então eu cheguei na sala, eu abri uma cerveja e eu comemorei sozinho essa máquina, mas numa alegria tão grande [risos] e uma das grandes alegrias assim no lado das coisas materiais, né, foi essa. Agora as alegrias mesmo eram as alegrias em relação às pessoas, essa daí era uma alegria que pra mim não tinha preço, você chegar aqui na fábrica e ter no dia a dia o contato com cada uma das pessoas com qualquer uma das áreas, você conseguir fazer com que as pessoas trabalhassem mesmo estando tristes, mesmo estando sem dinheiro [risos], o que era o dia a dia de cada um, mas essa era a nossa função, então isso pra mim realmente era o grande retorno que eu tinha. P/1 – E as realizações? R – É, esse aspecto das realizações tinha, tem um lado assim do conhecimento, né, nesse lado do conhecimento eu acho que a Alcoa deu a condição de que eu pudesse caminhar muito. Apesar de eu ter entrado já com uma formação de engenheiro mecânico, mas muitas das coisas que eu aprendi, a parte de, a minha especialização nessa área Mecânica eu, em parte, claro que eu devo a Alcoa, se eu não tivesse me esforçado não conseguiria, mas as oportunidades que eu tive de manter contato com pessoas e com instituições e com diversos órgãos, eram em função da Alcoa. E eu comento com alguns alunos meus e, também, com colegas aqui da Alcoa ou de outras empresas e digo “Olha, tem uma coisa que vocês precisam aprender, você quando nasce recebe o seu nome e o seu sobrenome, você estuda e quando termina os seus estudos, vai pra uma empresa. A partir daí você recebe o sobrenome da empresa e se não zelar por esse sobrenome, você não vai ter de novo a chance de ter outro”, então eu era Paulo Chagas da Alcoa, mas era uma coisa mais normal! Quando falava ah, é o Paulo Chagas da Alcoa, eu ouvia o pessoal dizendo e era o dia a dia assim das coisas, 26 anos, né? Então é um peso que tem as grandes organizações e que quando você zela, ela também dá o troco, né, desse zelo. Você consegue galgar e ter diversas portas abertas pras realizações. Então o que eu considero realmente como realizações é esse lado das realizações a nível profissional e intelectual, né, de você conseguir chegar naqueles locais que você diz “Eu vou chegar ali e chegar mesmo!”, independentemente de você ter aquela condição pessoal, fisicamente, você pessoa física não conseguiria, mas como pessoa com o sobrenome Alcoa [risos], tinha essa condição. Dentro dessa linha eu lembro, por exemplo, a usina nuclear de Angra dos Reis, eu entrei dentro da sala de controle da usina nuclear de Angra dos Reis, que não é permitido a qualquer uma pessoa, qualquer simples mortal entra não, eu entrei porque tinha o sobrenome Alcoa, fui pra sala de controle de lá, mas fui e não foi só uma simples, não, foi porque, na época nós estávamos aqui pra implantar um novo planejamento da manutenção, tinha um software novo de manutenção que estava pesquisando e eu descobri que um dos softwares que era o top de linha estava lá, na usina de Angra dos Reis. Aí eu fucei e consegui, mas tinha lá o escudo, cheguei lá e realmente identifiquei que havia, terminamos não comprando esse software, mas utilizamos muitas das coisas que haviam dele, aprendemos muitas coisas, eu vivenciei, aí mantive o contato e então na hora que você entra numa organização dessa como é a usina de Angra você passa a ter contato com o quê? Com as pessoas, né? E tem a oportunidade de poder interagir de fora, sem ter ido lá dentro, eu não conseguiria nunca, mas aí passa a ter essas oportunidades. Então esse lado, realizações que você colocou, eu considero que essas do intelecto, de conseguir captar as coisas boas que existiam fora da empresa e trazer pra cá, eram as maiores que eu conseguia. P/1 – O senhor já falou bastante sobre o relacionamento com as pessoas, tem algumas pessoas do seu relacionamento, que o senhor gostaria de falar, que participaram do seu desenvolvimento na Alcoa? R – Ah, tem! Têm diversas pessoas. É, tanto colegas, pares, como chefes [risos] o pessoal que trabalhou comigo, eu sei que eu gostaria que eu fosse citasse o nome da pessoas? P/1 – Não, não, não citar, só falar realmente as pessoas que ajudaram o senhor na sua vida aqui profissional, né? R – Sozinho eu não teria tido condição de fazer nada, né, a gente não consegue. Tem uma pessoa que eu não sei se ainda está aqui na fábrica e que tinha, na época, uma função que era praticamente obscuro, era o responsável pelos empregados do campo. Mas o nível de ajuda que essa pessoa me dava era impressionante “Sr. Chagas venha cá, olhe, tá tendo um vazamento ali!”, então ele andava a fábrica inteira, ia até lá pelo mato, pra todo canto, pela fazenda, todos os locais, ele pra mim funcionava como, era a minha Internet na época [risos], tudo que tava acontecendo ele corria e me dizia “Seu Chagas, tá acontecendo ali!” “Tá certo!” aí mandava o pessoal atuar justamente. O nível de conhecimento dele, ele era uma pessoa assim de nível primário, muito mal sabia desenvolver, ler o nome e lia algumas pequenas coisas, mas uma pessoa extremamente assim gente e fazia esse tipo de atividade e não esperava retribuição nenhuma. Então, quer dizer, são coisas que acontecem, pessoas que me ajudaram durante esse período que eu estive aqui na Alcoa e, que, às vezes, algumas nem sabem o que aconteceu, que contribuíram dessa forma tão grande. P/1 – E casos pitorescos que aconteceram durante esse tempo aí de Alcoa? R – [risos] P/1 – O senhor deve saber uma porção [risos]... R – Mas aí é complicado, eu não me lembro assim exatamente, alguns causos que possam... P/2 – Pelo menos um o senhor lembra? R – [risos] Causos pitorescos, mas em que situação assim? P/1 – Ah, dos colegas, do trabalho, alguém que fez alguma coisa que virou um causo, né? R – [risos] Tinha um, teve uma situação que ocorreu, logo, quando o pessoal não havia muito esse aspecto da segurança, né, não era o forte da organização ainda, só a partir da Alcoa, e você conhece o que é ponte rolante? Um equipamento que no porto tem aqueles equipamentos que suspendem as cargas, guindastes, então tem diversas dessas aqui e tinham alguns desses funcionários que ficavam à noite, o pessoal do turno e eles tinham muito medo de ficar aqui à noite, porque achavam que tinha alma penada, não, tinha acontecido um acidente já lá. Alguém tinha morrido num determinado setor e disseram que a alma daquele camarada ficava por aí de noite pegando o pessoal e correndo, aí tinha um mecânico muito sem vergonha que pegava a botoeira da ponte, passava uma fita durex e fixava ela de noite assim, quando tava já tudo no escuro e dava um toquezinho, ela ficava presa, acionava a ponte e a ponte saía andando sozinha, só com a botoeira. O mecânico olhava, esse cara que tinha medo, quando [risos] viu ele saiu correndo e foi parar lá em cima e ele acionou a segurança, aí tem uma alma, tem uma alma acontecendo e fazendo a ponte andar sozinha lá na laminação. E aí esse camarada depois não preciso dizer que ele passou a ser o resto do tempo inteiro gozado, né, porque a cambada correu com medo de uma ponte rolante se deslocando e ele achava que era uma de alma que tava acontecendo, que tava fazendo deslocar. P/1 – As pessoas aqui tinham apelido, o senhor tinha algum apelido ou não? R – Olha, Chaguinha era o normal que me chamavam, alguns, mas que eu saiba não [risos]. P/1 – Agora nós vamos falar um pouco da sua família. Qual é o seu estado civil? R – Casado. P/1 – Qual é o nome da sua esposa? R – Marta. P/1 – E como você conheceu a Marta? R – Ah, numa festa [risos]. P/1 – E o senhor tem filhos? R – Quatro, quatro filhos, são três filhas, um filho e um neto. P/1 – Ah, já tem neto? R – Tenho. P/1 – E o que o senhor gosta mais de fazer nas suas horas de lazer? R – Praia [risos], eu adoro praia. Eu tenho uma casa aqui em Maria Farinha, do outro lado aqui do canal, Eu gosto de ir pra Maria Farinha e ficar lá andando pela praia, passeando, pegando uma jangadinha, indo por ali pegando um sirizinho, pra mim é uma diversão. Eu gosto, claro, de diversas outras cidades do Brasil, mas a cidade pra mim tem que ter praia [risos]. P/1 – E como o senhor vê a atuação da Alcoa no Brasil? R – Olhe, até 2002, que foi justamente o ano em que eu saí, o acompanhamento das ações da Alcoa, a atuação da Alcoa, eu via de uma maneira bem mais fácil assim, porque tava participando da organização. Atualmente tenho acompanhado pelos jornais, os contatos com os colegas e pela Internet. Eu acho que a Alcoa continua atuando de uma maneira diferenciada, né? Porque esse processo que você tem de capacitar as pessoas de fazer a interação das pessoas junto à sociedade, fazer a interação, fazer com que as pessoas sintam que elas não tem que trabalhar só pelo dinheiro, mas tem que trabalhar também em prol da pessoa, do mais necessitado, da pessoa que precisa, essa atuação em cima do desenvolvimento sustentável. Tá muito em moda se falar, falar muito, fazer muito discurso, mas a atuação realmente na prática poucas pessoas exercem, né, e a gente vê que essa atuação continua acontecendo, então eu acho que a Alcoa continua atuando de uma maneira intensa nessa área no Brasil. O lado financeiro, o lado econômico eu acho que houve um certo encolhimento em algumas atividades, as atividades na linha da manufatura, mas por outro lado a gente teve o outro lado do crescimento que é justamente, por exemplo, na mineração, o que tá crescendo na mineração compensa e muito tudo isso que existe da manufatura. Embora, a mineração não apareça tão fortemente como aparece a manufatura, você pega uma latinha, um potezinho desse leite longa vida, você sabe que ali tá o produto Alcoa, você não sabe na hora que pega uma peça de grande porte, aí você não reconhece que ali tem alguns produtos, um avião por exemplo, todo dia tá todo mundo pegando avião, quem se lembra que existe Alcoa ali no avião? Ninguém se lembra, não é? Então são esse tipo, algumas ações que ela passou a tomar que tá deixando de se tornar tão visível para o grande público, mas o acionista não tá preocupado muito na visibilidade, [risos] ele tá mais preocupado com o lado do retorno pra ele. P/1 – E qual foi o fato mais marcante que você presenciou ao longo desses anos na Alcoa? R – Com pouco tempo que a Alcoa comprou a ASA, em pouco tempo que a Alcoa comprou a ASA ocorreu um acidente fatal, e após esse acidente fatal a mudança da postura da organização foi completa, foi da água pro vinho. Pra você ter uma ideia, o gerente de operações, o gerente da manutenção e o pessoal de RH tiveram que, em menos de uma semana, na outra semana, ir para os Estados Unidos e tiveram que responder uma pergunta bem simples que o presidente da época fez “Por que vocês assassinaram fulano?” só tiveram que responder isso, por que fizeram isso? E a partir dessa pergunta todas as outras ações que desencadearam no que vocês veem e que existe aqui. E aí não é simplesmente o que você tem dentro da fábrica, porque foi uma revolução tão grande que ocorreu e que contaminou todas as famílias, as pessoas que estavam aqui dentro levaram tudo pras famílias. Então era normal, por exemplo, eu estar em casa e aí eu queria fazer alguma coisa, eu ia subir, às vezes num banco, pra tirar qualquer coisa na parede, a minha filha, essa mais nova “painho, não e cadê a sua segurança? psiu, venha cá”, essa transmissão, essas coisas que a gente recebeu aqui dentro, essa doutrinação a gente levou pra casa e o pessoal de casa retornava em cima das pessoas, então esse fato daí eu acho que foi a grande revolução que ocorreu na Alcoa Itapissuma. Infelizmente foi o falecimento, era um eletricista, era o José Francisco, mas ele foi um marco que gerou toda essa revolução, que iria acontecer, claro que a Alcoa tem todo o seu programa de segurança, mas a velocidade de como aconteceu e o impacto que isso causou foi uma forma diferenciada, né? Então... P/1 – O senhor tem algum filho que trabalha na Alcoa ou não? R – Não, nunca nenhum trabalhou. Visitaram diversas vezes, a mais nova, a Alice, ganhou prêmios já aqui fazendo pintura e tudo mais, visitavam muito. A Alcoa tinha o programa, não sei se ainda tem, do dia da visita das famílias e aí a gente sempre vinha pra cá. P/1 – E quais foram os maiores aprendizados de vida trabalhando aqui na Alcoa? R – Eu falo muito das pessoas [risos], então eu não posso fugir delas. É justamente o aspecto de que você só consegue ter, caminhar junto com as pessoas, o grande aprendizado que eu tive aqui foi esse. É de que a interação que você tem e a forma como as pessoas te dão o retorno do que você faz é inevitável, é rápido, se você jogar uma pedra ela vai voltar pra você, se você plantar, der uma flor, essa flor também volta, né? E eu passei umas situações dessas porque eu sou humano, então em diversas ocasiões você fica esquentado, fica bravo, não consegue se controlar, fica estressado e aí jogava pedra no pessoal [risos] e a pedra voltava [risos], não tinha como. P/2 – O senhor trouxe pra gente alguns prêmios que o senhor recebeu, né? R – Foi. P/2 – E o senhor recebeu prêmios em que áreas? Ideias que o senhor deu? Por que aqui eles premiam as ideias, premiam ________________________? R – É, era a participação, justamente, existe o programa Alcoa de reconhecimento ao mérito, então existiam as ideias, haviam as premiações das pessoas que participavam e que davam ideias, que contribuíam para o lado do retorno financeiro, ou independentemente do retorno financeiro, o lado do meio ambiente, o lado da sustentabilidade também. Então dois daqueles prêmios ali são nessa linha e ideias... P/2 - _____________________________? R – Olhe, um foi a minha atuação na refusão, que havia o projeto justamente do caster lá da refusão e aí durante esse período do desenvolvimento do caster é que eu participei de uma maneira muito intensa, como é uma máquina que é um misto de tecnologia e artesanato, eu vivia o tempo inteiro vidrado dentro daquela máquina, olhando e dando sugestões sobre as coisas, então um dos prêmios foi esse daí. O outro eu não lembro exatamente e tem o terceiro que foram os 25 anos na época em que nós fizemos 25 anos aqui, houve a premiação que foi dada para o pessoal da época. P/1 – E o que foi pro senhor ser um Alcoano? Participar da Alcoa, ser um Alcoano, né? Que hoje as pessoas aqui são os Alcoanos, né? R – É... P/1 – O que que foi pro senhor ser um Alcoano? R – Olha, foi justamente a oportunidade de eu poder, no lado material, eu tive essa oportunidade de conseguir, em função do meu trabalho e resultado dessa retribuição do trabalho, construir uma parte do meu patrimônio, mas esse é o lado puramente material. O lado, como é que se diz, intangível [risos], esse daí não tem preço, o relacionamento com as pessoas é que hoje ainda se mantêm, tem pessoas que eu passo, eu saí daqui há oito anos atrás, mas eu encontro algumas dessas pessoas as vezes na rua e puxa vida, é uma festa, é uma alegria de como se fosse hoje, que eu ainda continuasse trabalhando aqui. Independe justamente desse tempo que... então o relacionamento, a forma como nós mantínhamos esse relacionamento aqui dentro apesar da intensidade das operações e do dia a dia de ser muito corrido, né, você entrava e não tinha mais tempo de pensar em você, nem pensar na família. A minha esposa dizia “Você é casado com a Alcoa! Você não é casado comigo, você é meu amante, você é casado com a Alcoa!” [risos], era assim. Mas então é uma ação, assim como aquela coisa que é tão forte que acontecia que você se esquecia do resto do tempo. Quando eu estava próximo já do ano 2000, que naquela época a gente fazia “Chegou o ano 2000!” o bug do milênio, aquela complicação todinha, aí a gente sentou uma ocasião pra fazer algumas contas, durante esse período que eu passei aqui na Alcoa eu cheguei à conclusão que eu passei um ano dentro de um ônibus [risos], porque eu vinha de ônibus [risos] da minha casa pra cá, e daqui pra casa, então quando eu fiz o somatório das horas todinhas “Rapaz, foi um ano dentro de um ônibus!” um ano inteiro, o número de horas que eu fiquei indo de lá pra cá de cá pra lá. Quem é que consegue passar um ano inteiro num local que não gosta? Então realmente era uma atração fatal [risos] que acontecia dessa nossa interação, eu acho que o fato de ter sido Alcoano resume-se nesse aspecto. Era realmente uma relação de simbiose que havia. A fábrica não falava, mas as pessoas que faziam a fábrica, faziam esse tipo de atração, de ação junto comigo [risos]. P/1 – E como o senhor avalia o fato de a Alcoa registrar a sua história por meio do depoimento das pessoas? R – É uma coisa realmente que está dentro do contexto atual, né, no passado a gente sabe que o que acontecia simplesmente eram as fotografias que ficavam lá, aquilo tudo imóvel, sem (tê-la?), empoeiradas, pelo que eu li, eu entendi, é que esse projeto é um projeto que vai se manter vivo, é um projeto que você tem ele continuamente em interação. Então não é simplesmente você ter um museu lá parado, é você ter um museu a céu aberto, vivo, e eu acho que foi uma ação muito boa que foi desenvolvida e que dá condição não só às pessoas que estão trabalhando, como às que já passaram por aqui de poderem também darem os seus depoimentos. Claro que a gente não vai ficar aqui pra ser (semente?), né, mas aí pode ter oportunidade, por exemplo, meu neto daqui há uns 20 anos ele vai poder, se ele vier pra Alcoa “Meu avô já foi daqui, olha aí o depoimento dele!” [risos]. P/1 – O senhor gostaria de falar mais alguma coisa que talvez a gente não tenha perguntado? R – Não, eu acho só o seguinte: em todo esse aspecto que existe do funcionário Alcoa ele precisa ter um amparo grande da família, sabe, porque como ele entra aqui e ele é obrigado, basicamente, a deixar a família em casa, ele abandona a família e ele vive, passa a viver a família, na época, dizia a família Alcoa, e mais tantas complicações que abandonou-se, não se utiliza esse termo. Mas eu acho o seguinte que você precisa garantir, render homenagens à sua família, quem tá aqui dentro sabe que sozinho não consegue suportar toda essa pressão, todo esse processo que existe aqui sem ter a retaguarda em casa da esposa e dos filhos. Se não tiver isso daí ele sucumbe [risos]. P/1 – E o que o senhor achou ter participado dessa entrevista? R – Excelente, apesar de eu ter prorrogado diversas vezes, por conta do forró [risos]. P/1 – O senhor tem direito, agora tá aposentado, tem que aproveitar [risos]. R – É, o tempo tá terminando! Tem que correr, mas não é isso não, é porque realmente tem uma atividade nessa época do ano que eu tenho uns amigos, um pessoal tudinho e a gente já tinha marcado de se encontrar tudo mais, e aí por conta disso que eu não tinha a oportunidade, eu não tinha chance de abdicar disso aí só vai acontecer São João de novo no próximo ano [risos]. E o projeto memória vai continuar, né? Tá continuando que eu sei. P/1 – Então, em nome da Alcoa e do Museu da Pessoa nós agradecemos a sua participação e sua entrevista no projeto trajetória. R – Muito Obrigado. P/1 – Obrigado ao senhor. --- FIM DA ENTREVISTA --- Maria Racioli Herman Passar dele Puxavante Risato Fátima Brandão Baire Carlson Baire Cinisa Gaibuto Tê-la Semente
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