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Sinopse

André Cimbleris nasceu no Rio de Janeiro, no dia 03 de abril de 1958. Filho do meio de Borisas Cimbleris e Maria Honorina Cimbleris. Seu pai era lituano e veio para o Brasil com 11 anos de idade fugindo da Segunda Guerra. Quando cresceu, se tornou físico nuclear. Sua mãe era mineira, atleta de tênis e pertencia a tradicional família Prates de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Seus primeiros três anos foram vividos em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. Depois a família se mudou para Belo Horizonte. Devido às relações da sua família, André viveu sua infância e adolescência convivendo com a elite mineira. 

Mesmo assim, incentivado pela mãe conviveu com pessoas de todos os níveis sociais e participou de várias ações sociais.

André teve uma educação privilegiada. No jardim de infância estudou no Colégio Assunção, o primário e o ginásio no colégio Loyola.

Durante a adolescência colecionava discos de vinil, sendo os preferidos de Rock. Sua coleção era tão repleta que chegava a emprestar os discos para as discotecas da cidade.

Desde a infância sempre admirou bichos, insetos, natureza e ar livre. Quando terminou o científico, ingressou na Faculdade Federal de Minas Gerais para cursar Ciências Biológicas, escolhendo se especializar em Biologia Marinha. Após a conclusão do curso de graduação, foi fazer mestrado na Universidade de São Carlos em São Paulo em Ecologia e Recursos Naturais e Limnologia, estudo de águas continentais.

Em 1987, ingressou em FURNAS para trabalhar como biólogo na Estação de Hidrobiologia e Piscicultura da Usina de Furnas. Se mudou com sua primeira esposa para Vila da Usina. Concluiu sua tese de mestrado já empregado. O casamento durou 7 anos e não tiveram filhos.

Dentro do laboratório começou a estudar outras linhas de pesquisa como variação de impactos e implantação de empreendimentos. 

Se candidatou a uma bolsa para estudo para o Doutorado no exterior pela CAPS e foi aprovado.  Fez Doutorado no Canadá em Limnologia. Nesse período, já formava uma família com sua segunda esposa, Patrícia, e sua enteada Julia.

Retornando ao Brasil, foi transferido para o Rio de Janeiro e fez um curso de auditor ambiental por FURNAS. E passa a atuar como auditor líder em subestações, térmicas e hidrelétricas. 

Em 2000 nasceu seu filho com Patrícia, o João.

Em 2004 assumiu uma gerência da área ambiental da Empresa. 

Atualmente é gerente da Gerência de Estudos e Integração Ambiental e Fundiária


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História completa

Eu, trabalhando pela área ambiental de FURNAS, e acredito que isso também ocorra em outras áreas, tenho que estar respondendo pelos empreendimentos, para o público em geral, e é muito frequente você ter que explicar, por exemplo, qual é o papel de cada agente ali em um empreendimento. Não é raro você ter que se colocar para associações de moradores, prefeitos e demais representantes da sociedade civil.  FURNAS, por exemplo, não controla o nível do reservatório. São questões difíceis para a população entender [...] 


Um pequeno excerto sobre a vida de André

Em FURNAS eu costumava brincar quando me perguntavam sobre a minha formação.  Eu falava assim: “Eu sou biólogo, ninguém é perfeito”! 

Olha, eu sempre tive cachorro na infância, quintal, sempre fui vidrado em bicho, principalmente com inseto. Acho que eu sempre quis ser biólogo. Sempre quis ser biólogo, não veterinário, biólogo! Você criado em Minas, você conhece cachoeira, e é muito difícil você viver cercado por cachoeiras, natureza, e não querer ser biólogo, e mais: limnólogo. Limnólogo é um especialista em águas continentais. Fato é, eu nunca tive dúvida. Eu não tive crise para saber que profissão que eu ia fazer. 

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Eu entrei em FURNAS em 1987, no final dos anos 80. E o que eu conhecia sobre a empresa? Quando eu morava em São Carlos, às vezes, calhava de eu ir para Belo Horizonte de carro. Nesse trajeto você passava por Ribeirão Preto e pegava uma estrada que passava beirando o Rio Grande. Aí você via a barragem, o reservatório de Furnas, da estrada. E eu sabia, vamos falar assim, da pujança da empresa. 

FURNAS é uma empresa maravilhosa. Quando surgiu a oportunidade, eu percebi o que aquilo representava. Eu tinha terminado bem o mestrado, e, entre ir para um instituto de pesquisa, ficar numa universidade, ou ir para a empresa, eu não tive dúvidas. Eu brinco que me deportaram lá para a Usina de Furnas, na época, era diretoria técnica, que ficava no Rio de Janeiro. 

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Quando entrei em FURNAS, havia a necessidade de um biólogo, na estação de Hidrobiologia e piscicultura. E foi para esse cargo que fui contratado.  Me mudei para a Vila de funcionários, facilidade que havia na época, e foi uma experiência fantástica! Requer juventude, verdade, tem que ser jovem para estar ali, pois participei de muita campanha de campo, coleta de peixe, de água, toda experiência de nutrir as larvas de peixes até eles crescerem a ponto de poderem ser soltas nos reservatórios. E também vivi toda uma dinâmica regional, local, a vida das prefeituras, os pleitos, à cultura local, feiras agropecuárias, todo um mundo no interior de Minas, foi bastante rico. 

Contudo, chegou um momento em que eu quis um pouco mais, porque ali se construiu uma rotina. Por mais que se tenha um projeto de pesquisa que você acompanhe e ajude a desenvolver, eu comecei a me interessar por outros temas, explorar outras áreas da biologia, como variação de impactos, implantação de empreendimentos... Eu adotei uma estratégia: quis estudar mais um pouco, para melhorar minha capacitação. Aí, pleiteei uma bolsa da CAPES no exterior, a bolsa foi aprovada. Cheguei para FURNAS e pedi minha liberação para o doutorado, com a bolsa debaixo do braço. E eu consegui, me permitiram fazer esse doutorado. Foram quase cinco anos, e eu acho que pude retribuir à altura esse privilégio. É muito gratificante você ter a oportunidade de aplicar o que você estudou no doutorado no trabalho, na vida profissional. Quando voltei, já me envolvi em projetos de pesquisa e usei tudo o que eu aprendi lá e mais um pouco. 

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Quando entrei para a empresa era um momento de expansão do nosso parque gerador, transmissor. Como biólogo, eu podia trabalhar em linha de transmissão, em hidrelétrica ou subestação, mas basicamente em avaliação de impactos ambientais e medidas mitigadoras e compensatórias. O biólogo em FURNAS, até então, estava restrito a trabalhar para mitigar e compensar os impactos ambientais. Identificar, mitigar e compensar. 

Muitos trabalhos eram contratados, estudos eram contratados, e o biólogo acompanhava o contratado em campanhas de campo. Então, por exemplo, se ele era um biólogo que trabalhava com fauna, ele podia trabalhar fazendo levantamento de fauna ao longo do trecho onde a linha de transmissão seria implementada. Eventualmente, podia praticar o resgate dessa fauna. Esse resgate era mais intenso em caso de hidrelétrica, considerando a área inundada, tem todo um afugentamento e captura de fauna...

 Falando dos reservatórios, quando forma a lâmina d´água, você pode ser ictiólogo, trabalhar com peixe, você pode ser especialista em qualidade da água, como no meu caso, limnologia, trabalhar com as características físico-químicas e biológicas do corpo da água. Em ambos os casos, você pode também ser especialista em ave, ornitofauna. Isso é mais forte em linha de transmissão, que tem um impacto maior sobre a fauna alada. 

Tem também toda uma questão que é próprio da angera florestal, a questão da flora, e como biólogo, você também pode contribuir com levantamento de taxonomia, acompanhar contratos de resgate de amorplasma, que são sementes, brotos, para viveiros de mudas. 

O trabalho do biólogo era principalmente nesses focos de flora, de fauna, tanto aquática, quanto terrestre, e havia outros profissionais da área ambiental, que tinham interface com o biólogo, como o geólogo, arqueólogo e mesmo o sociólogo. 

A educação ambiental era outra área a qual o biólogo podia estar se especializando e se dedicando. Nós tínhamos programas de educação ambiental intensos na implantação do empreendimento. 

Na época em que eu entrei, tinha obra em duas hidrelétricas, em três linhas, que eram trabalhos grandes, mas menos diversificados. Para se ter uma ideia, hoje, você vai ter 70 subestações, nós estamos falando de mais de 20.000 km de linhas de transmissão. A quantidade de reservatórios que FURNAS tem, só da empresa, são uns 10 reservatórios, isso tudo simultaneamente, falando em atendimento condicionado a licença. 

Então, o biólogo em FURNAS participa de estudos. Uma fase de implantação de um empreendimento, no estudo de viabilidade. Depois que esse empreendimento é aprovado, na fase de construção, o biólogo está lá atendendo, condicionado ao processo de instalação. Depois que o empreendimento entre operação, seu trabalho não para nunca mais. 

Há as condicionantes do centro de operação, que são renovadas por períodos de três, cinco, dez anos. Tem o período de renovação. Mas resumindo, o que significa isso? Hoje, a gente deve ter em torno de 800 condicionantes em atendimentos, somando todas as licenças. Você tem a gerência que trabalha no meio físico biótico e do socioeconômico cultural. E a própria gerência de licenciamento ambiental, vários órgãos ambientais, todas as licenças em curso... Realmente é muito complexo você dar conta de tudo isso. 

A área que a minha gerência tem foco, hoje, além de novos empreendimentos, é a questão da sustentabilidade empresarial. De uma década para cá, isso tem ficado cada vez mais forte, está se tornando, talvez, até o foco principal. Claro que licenciamento é fundamental, porque sem licença os empreendimentos não operam, não gera receita, então isso é prioritário, claro. Mas o aspecto da governança e os relatórios da administração, de sustentabilidade, hoje, são cruciais, estão nos nossos planos de negócios e gestão. Os indicadores de desempenho ambiental, mudança de clima, é isso. 

Olhando para a empresa hoje, além daquelas áreas clássicas da pesquisa e conhecimento do biólogo de fauna, flora, aquática, terrestre, de avaliação de impactos, na avaliação de passivos ambientais, de contaminação, de poluição, o biólogo também tem uma vertente de desempenho ambiental. Indicadores de sustentabilidade têm suas nuances, isso tem uma arte também. Além da questão da gestão de risco, gestão de riscos que são específicos da área ambiental, termo relativo à gestão socioambiental de empreendimentos, e, dentre os problemas ambientais, está a questão das mudanças climáticas, área também de conhecimento que o biólogo também pode estourar.

 Essa é outra vantagem para o biólogo em FURNAS, e que é uma coisa que eu achei muito gratificante nessa minha opção. Você convive e trabalha em várias iniciativas, em projetos, junto com engenheiro químico, engenheiro florestal, sociólogo, antropólogo, geógrafo. E essa multidisciplinaridade que a área ambienta traz é muito profissional. 

Vou dar um exemplo que foi determinante para minha carreira. Eu era Limnólogo, especialista, voltando do Canadá de um curso de doutorado de Limnologia. Ocorreu a saída de um colega, surgiu a demanda, e o chefe me chamou e perguntou se eu podia coordenar o licenciamento das termelétricas. Eu falei: “Claro!” “Agradeço a confiança”! 

E é isso que eu fui fazer. O biólogo em FURNAS tem que ter esse olhar mais empresarial, eu diria. De entender onde que ele está sendo chamado para atuar, o que a empresa precisa dele, e ter essa disposição de dar resposta. Caso contrário, é melhor ele optar pela carreira acadêmica. E FURNAS é um excelente local para você se desenvolver profissionalmente. 

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Como é que funciona o licenciamento? É muito simples e igualmente cheio de complexidade. 

Por que que é simples? 

Nós temos uma legislação ambiental muito sólida e até perfeita demais, até perfeita demais. Os documentos de referência, que norteiam a questão ambiental até então no Brasil, são bastante robustos. Inclusive, há toda uma normatização específica em relação ao licenciamento ambiental. 

No primeiro momento, dependendo da natureza do seu empreendimento, se você verifica que aquilo vai trazer um impacto ambiental considerável, vamos dizer assim, como é que isso vai ser analisado? Você manda as características do empreendimento para o órgão ambiental. Lá vai se determinar se aquilo ali é suficiente, um relatório ambiental simplificado. Com o relatório ambiental simplificado, você pode conseguir uma licença prévia. 

São três fases, tem a licença prévia, que atesta a viabilidade ambiental do empreendimento. Uma vez atestada essa viabilidade ambiental, pela licença prévia, você tem a licença de instalação. Naquele estudo que a atesta a viabilidade ambiental, ali são delineados alguns programas, que são necessários para compensar, mitigar ou controlar os impactos. Você pega aqueles programas e os elabora, detalha todos eles. É igual a um projeto básico e um projeto executivo. 

 E o biólogo?

Paralelamente, quais são as etapas em que o biólogo entra? 

Em FURNAS, o estudo de viabilidade, normalmente, é contratado no mercado, principalmente quando o empreendimento é muito grande. Você tem esse contratado, essa consultoria contratada, com especialistas de diferentes especialidades, e os biólogos acompanham o desenrolar desse contrato, dessa execução e a elaboração deste estudo de viabilidade. Isso pode ser para um relatório ambiental simplificado, como também pode ser para o famoso relatório de impacto ambiental, estudo de impacto ambiental.

O biólogo de FURNAS, então, acompanhará o contratado, e irá elaborar esses estudos. E aí tem trabalho de campo, que ele vai junto, ele avalia os produtos que o contratado entrega, e fecha esse estudo de impacto ambiental. 

Vamos falar de um caso completo, que é o mais comum para FURNAS. A vocação de FURNAS é de grandes empreendimentos. Você tem o estudo de impacto ambiental, que vai para uma audiência pública. Ele sendo aprovado, você obtém a licença prévia. Na sequência, você tem o detalhamento desses programas ambientais durante a licença instalação. Pensando em prazos, de uma maneira genérica, para você conseguir uma licença prévia demora um ano. Para você conseguir uma licença de instalação você leva seis meses. Tendo a licença de instalação, você começa a implantar os programas ambientais, que são de diferentes naturezas. Tem plano de educação ambiental, tem programa de resgate de fauna, recuperação de área degradada, têm vários.

O tempo e os prazos de todos esses programas, normalmente, se dão ao longo da construção. Então, dependendo do tempo de construção, se for uma grande hidrelétrica, até o empreendimento entrar em operação, você pode ter dois, três anos de acompanhamento e de implantação de programas ambientais. 

Eu trabalhei na construção de uma grande hidrelétrica, a de Santo Antônio, em Rondônia. Eu participei como gerente dessa elaboração de estudo de impacto ambiental, da audiência pública, depois a elaboração do PDA e implantação dos programas. Posso afirmar que foi uma experiência muito completa, muito rica, e diferente a cada fase de implementação, porque tem momentos que você, inclusive, se reúne, participa de reuniões com a população, com as partes interessadas, com comunidades ribeirinhas, indígenas. 

Trazendo aqui para o sudeste, não deixa de ser menos rico. Eu também participei de audiência pública de termelétrica, da ampliação de Santa Cruz, o que já é outro público, você tem contato com cooperativa de juntador de coco, de extração de areia. De qualquer modo, há um processo de licenciamento ambiental semelhante. 

Quando você está nessa linha de frente para elaborar estudos e implantar programa... É riquíssimo isso! Não só do ponto de vista científico, do conhecimento que se adquire, mas também do plano de vista humano, sociológico. Eu sou obrigado a interagir com a sociedade e suas diferentes representações. 

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A visão que a sociedade tem de FURNAS, às vezes, é fictícia. O poder público é muito insuficiente, e aí existe uma carência que as pessoas tentam preencher com as empresas grandes.

Eu, trabalhando pela área ambiental de FURNAS, e acredito que isso também ocorra em outras áreas, tenho que estar respondendo pelos empreendimentos, para o público em geral, e é muito frequente você ter que explicar, por exemplo, qual é o papel de cada agente ali em um empreendimento. Não é raro você ter que se colocar para associações de moradores, prefeitos e demais representantes da sociedade civil.  

FURNAS, por exemplo, não controla o nível do reservatório. São questões difíceis para a população entender, que aquele reservatório baixou num nível que comprometeu a pousada turística dele, mas que FURNAS não teve culpa, que FURNAS não foi responsável por aquilo. Trata-se de uma conjuntura, de uma questão de pluviosidade, de estação seca mais prolongada, e o Operador Nacional do Sistema te obriga a despachar e a gerar energia. Você não tem o que fazer. E você tem que ir lá explicar numa assembleia que a empresa não pode ser incriminada disso ou daquilo. 

Outro exemplo: lançamento de esgoto no reservatório; como resultado, você tem uma mortalidade de peixe. Você tem que ir lá explicar, que aquele peixe morreu porque alguém lançou esgoto cometendo um crime ambiental. Que aquele lançamento irregular de esgoto não poderia ter acontecido, e que a empresa tem suas ferramentas de controle, mas não tem poder de polícia, ela não pode ir lá multar a pessoa, tomar providências. Não cabe à empresa fazer isso. 

Mas é claro, também tive experiências marcantes ao ver o trabalho da empresa sendo valorizado e bem-quisto pelas comunidades, observar que a expectativa da sociedade em relação a nossa empresa foi atingida. 

É o chamado usos múltiplos, uma questão complexa, que tem que ser compreendido. O recurso hídrico é inestimável a vida, é fonte de vida, e a gente tem que administrar esses interesses múltiplos que existem pelo seu uso. Felizmente, até hoje em minha vida profissional, eu só participei de empreendimentos excepcionais na sua relação custo-benefício. 

Santo Antônio, por exemplo, é uma área de inundação em relação a potência instalada. É quase um rio, é o famoso reservatório fio d’água, o impacto é muito menor em termos da inundação, do alargamento, do deslocamento de populações, das transformações aos hábitos naturais. O empreendimento é benéfico, ele está evitando poluir o ar e o solo com a queima de combustível fóssil. 

Além disso, as hidrelétricas se tornam polo de desenvolvimento, porque geram muitos empregos. Também se tornam núcleos turísticos de várias regiões, estimulam a economia local e isso permanece mesmo após a construção do empreendimento. 

E falando-se de energia elétrica, todo mundo precisa. 

É muito gratificante trabalhar na área ambiental de FURNAS. A legislação ambiental é rigorosa e nós a seguimos copiosamente. Existe todo um cuidado com os empreendimentos, no sentido dos impactos ambientais, e compensá-los dá muita satisfação. Prova disso é que a gente consegue pontuar bem nos relatórios de sustentabilidade. A empresa, como um todo, ela trabalha muito bem.

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Quando eu entrei, a área ambiental da empresa se resumia a estação de hidro biologia e piscicultura de FURNAS, que se reportava a diretoria operacional, na então diretoria técnica. Teve um momento que essa diretoria técnica foi dividida em Diretoria de Engenharia e Diretoria de Construção. Atualmente, ela é Diretoria de Engenharia. 

Na época, essa diretoria técnica era muito poderosa em termos de orçamento e, na área ambiental, havia uma assessoria, que era a AMA.T. Essa assessoria não devia ter 10 pessoas. O que acontece? As usinas antigas, os empreendimentos antigos foram construídos numa época em que não existia licenciamento ambiental. A legislação ambiental brasileira tinha algumas cláusulas, alguns aspectos na própria constituição brasileira, como o Código Florestal, mas era tudo muito incipiente. 

A criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, se não estou enganado, foi em 1986, e ele implantou o licenciamento ambiental no Brasil. Isso, para um biólogo como eu, que tinha interesse em estudos de impacto ambiental, de fazer esse tipo de análise de impacto, de controle de poluição etc., abriu um campo, foi um presente. Na medida em que se exigiu uma licença para se construir um empreendimento, no caso de geração e transmissão, o mercado de trabalho se abriu. Falo isso sem qualquer constrangimento, isso foi um impulso para a ciência e para empregabilidade do biólogo. 

Eu entrei em FURNAS quase que simultaneamente à criação do licenciamento ambiental. Então, de uma simples assessoria de meio ambiente - a empresa tinha Serra da Mesa, Corumbá, depois assumiu o Manso, tinha duas, três grandes hidrelétricas em construção simultânea - ela não teve dúvida, assessoria não, vai ter que ser um departamento. 

Foi criado o Departamento de Meio Ambiente, e nessa eu já estava na casa. Esse departamento tinha suas divisões, sociocultural, benefício biótico e uma terceira que cuidava dos empreendimentos em operação, simplificando. 

Passados uns 10 anos, virou o Departamento de Engenharia Ambiental. No momento em que virou departamento de engenharia ambiental, houve uma separação. Na época, em FURNAS existia uma diretoria de relações institucionais, que criou uma superintendência de gestão ambiental, que fazia basicamente licenciamento ambiental. O licenciamento ambiental e a engenharia ambiental se separaram em duas diretorias em um determinado momento da empresa. 

É fato que a demanda ambiental havia aumentado vertiginosamente, os estudos ficaram mais complexos, os órgãos ambientais estaduais também, como a CETESB. Para você atender determinados licenciamentos, você tem que ser duro, se você não é, você contrata. É de uma grande complexidade acadêmica. 

A área ambiental partiu de uma assessoria, evoluiu para um departamento e depois tornou-se uma superintendência. Teve um momento em que a área ambiental assumiu a área fundiária. Isso é muito grande. Essa Superintendência depois voltou para a Engenharia, e, atualmente, estamos só com a parte ambiental novamente. Eu acho que funciona bem assim. O que acontece é que a expansão se deu proporcionalmente ao aumento das exigências legais que concernem a área ambiental.

FURNAS tem uma grande excelência técnica, que nasceu dessa época, trata-se de uma empresa que cultivou sua expertise, que desenvolveu seus projetos com zelo, de uma maneira primorosa, e que se tornou benchmarking. FURNAS é benchmarking em grandes obras de linhas de transmissão, tem sua excelência. E isso foi acompanhado pela área ambiental. São ótimos profissionais! 

 

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Quando penso em FURNAS daqui a 20, 30 anos, eu vejo, sinceramente, um futuro promissor. 

Uma empresa desse porte requer um planejamento estratégico, sempre, e esse planejamento estratégico, eu entendo, se tornou muito mais robusto de acordo com as exigências do mercado crescente. 

Falando da área ambiental, existe um pilar voltado à sustentabilidade, onde, por exemplo, nós somos comprometidos com a agenda 2030, das Nações Unidas, afinados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A cada ciclo do PDNG (Plano Diretor de Negócios e Gestão), de negócios e gestão da subsidiária, a gente vai rever esses objetivos, essas metas, e elencar outros novos para um determinado ciclo. Agora, por exemplo, um dos objetivos elencados é o combate às mudanças climáticas, e todas as empresas do grupo têm hoje uma ênfase muito grande no desenvolvimento de energias renováveis. FURNAS, por exemplo, tem a expansão do seu parque eólico e dos parques fotovoltaicos. É uma realidade que não tem volta, não só em FURNAS, mas no âmbito de todas as empresas do grupo. 

Também temos vários estudos relacionados a células combustíveis, a como utilizar hidrogênio, estocar hidrogênio e produzir energia, ou seja, são elementos que nos trazem a certeza de que a gente está acompanhando as tendências do mercado, e preocupados em acompanhar essas tendências. 

Eu sou muito otimista com relação ao que tenho visto. E são projetos cada vez mais adaptados, vamos dizer assim, com impacto menor e com respostas às expectativas da sociedade. Eu vejo todas as condições da gente prosperar nesse futuro que já chegou.



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