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A Entrevista

História de: Marlene da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/10/2006

Sinopse

A entrevista foi realizada no Laboratório de Informática na presença dos alunos do 4º ano C, das professoras Jaci e Marta, Coord. Rosa Maria, das formadoras Edi Fonseca (Instituto Avisa Lá) e Zilda Kessel (Museu da Pessoa). Para surpresa de todos, Dona Marlene trouxe uma amiga para relatar sobre sua vida no bairro do Itaim Paulista.

História completa

Nós somos alunos do 4º ano C, ciclo I da EMEF ¨Capistrano de Abreu¨, localizada no bairro do Itaim Paulista na cidade de São Paulo cujo tema é o Rio Tietê. Tem outras escolas envolvidas nesse projeto e cada uma tem seu tema. Convidamos a Dona Marlene e a Dona Guiomar para fazer uma entrevista sobre o bairro, o Rio Tietê e as suas histórias de vida. Dona Marlene da Silva nasceu em 04/01/1956, no estado da Bahia. Seus pais se chamavam Jerônimo José da Silva e Maria José da Silva. Trabalhou muito na sua infância (naquela época não era proibido o trabalho infantil) ela plantava, regava plantas,varria, ajudava o pai e a mãe. Quando acabava de trabalhar brincava de amarelinha, de pular corda. Gostava de nadar no Rio São Francisco. Um dia a madrinha de Dona Marlene pediu aos seus pais para que ela fizesse companhia ao filho, seus pais então lhe deram porque não tinham condições de criá-la e acreditavam que a madrinha tinha, porém, lá ela trabalhava lavando os pratos, arrumando as camas. Quando acabava de limpar a casa as crianças passavam e sujavam tudo novamente... Trabalhou muito Com vinte e um anos ela veio para São Paulo, queria ter vindo antes, mas seus pais não deixavam então em março de 1976 ela veio morar na casa de uma prima, para trabalhar e continuar seus estudos, pois na Bahia havia feito até a 7º série. Na época muitas pessoas do norte e nordeste vinham para São Paulo em busca de oportunidades de melhorar a vida e a Dona Marlene também sonhava em realizar seus desejos.Aqui ficou e começou a estudar na escola José Bonifácio. Assim que chegou em São Paulo procurou por um primo por quem era apaixonada. Esse primo havia vindo para São Paulo em 1972 e ela sofreu muito com saudades até que o encontrou e em dezembro de 1977 se casaram. Com o casamento parou seus estudos para se dedicar ao marido e aos filhos, pois sempre foi uma pessoa muito dedicada. O sonho da Dona Marlene era ser professora. Quando os filhos estavam maiores ela voltou a estudar e a trabalhar. Trabalhou de servente e estudou até se formar no magistério. Prestou concurso em 2004 e passou, está aguardando ser chamada. Ela nos contou com alegria que sempre foi muito estudiosa, boa aluna e que gostava de participar, falar, recitar e que na Bahia recitava nas festividades da escola. Quando chegou em São Paulo em 1976,viviam aqui poucas famílias. Eram poucos os ônibus, com o passar do tempo mais pessoas começaram a chegar e mais ônibus foram colocados para servir aos moradores. Antigamente para pegar ônibus os moradores tinham que fazer uma boa caminhada até a estrada São Paulo Rio hoje chamada Marechal Tito e que só tinha ônibus para o parque D. Pedro e Estação da Luz. Com o tempo colocaram uma linha de ônibus da empresa chamada CMTC. Hoje a vila Itaim e Jd. Romano, contam com duas linhas de ônibus. Uma de suas grandes conquistas foi a compra do terreno e a construção de sua casa, onde mora até hoje. Contou-nos Dona Marlene que ainda hoje se lembra dos vizinhos Seu Cícero e Seu Raimundinho e que naquela época havia no bairro as danças de forró e quermesses onde tinham diversas brincadeiras como: danças de roda, comidas típicas e outros divertimentos. Perguntamos sobre o Rio Tietê, ela respondeu que quando chegou aqui o rio já estava um pouco poluído, mas não chegou a nadar nele. Sua amiga Dona Guiomar já havia feito piquenique com as crianças lá, porque o rio não estava tão poluído como agora. Mais ou menos em 1998, moradores do bairro que iam trabalhar no município de Guarulhos atravessavam o rio numa espécie de balsa, construída com o teto de uma perua e cabos de aço, assim levavam menos tempo para chegar ao trabalho, e o gasto era menor.Para Dona Marlene se o transporte fosse adequado e regularizado seria bom. para muitas pessoas. Ela gostaria que o rio, voltasse a ser limpo e as pessoas pudessem nadar nele novamente.
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