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História

A eletricidade é mágica

História de: Regis Gund
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/05/2016

Sinopse

Regis Gund é um gaúcho que contou sua história ao Museu da Pessoa em 2015. Suas histórias de infância, repletas de descrições de brincadeiras e molecagens, mostram o cotidiano dos anos 80, no Rio Grande do Sul. Em seu depoimento, ele conta a trajetória do pai em empresas de eletrificação e como isso o despertou para a profissão que escolheu para sua vida. Fala sobre a sua trajetória profissional, sempre ligado à eletricidade e sobre os dois filhos: Felipe e Lucas. 

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História completa

Meu pai chama Helmet Gund. Meu pai nunca foi eletricista, ele foi de motorista para supervisor de elétrica, mas daí ele seguiu nisso a vida inteira e me ensinou. Eu fui uma criança muito ativa, então muito novo eu já estava dentro da fábrica que o meu pai tinha de material elétrico. O sonho dele era que eu fosse técnico em eletrônica e que eu seguisse para área mais de eletrônica, que ele achava que era o futuro. Cheguei a fazer o curso técnico de eletrônica, mas eu sou eletricista, não tem jeito. Não sai do DNA. Meus pais moravam no município de Canoas, lá de Porto Alegre. Minha mãe tinha 34 anos, meu pai tinha 37 anos quando eu nasci. O nome de nascença dela é Miriam Saranudom. Dona de casa, ela tinha parado de trabalhar em função do casamento com o meu pai.

 

Eu comecei muito cedo, eu me lembro que eu era pirralho, com cinco, seis anos, eu já mexia com furadeira e começava a montar as coisas. Eu descolava dinheiro consertando o carro dos meus amigos, fazendo modificação na parte elétrica dos carros porque aquela coisa de moda, tem que fazer assim, botar sinaleira daqui pra lá… Eu tinha a minha turma na escola, eu conheci a minha esposa na escola. Nós começamos a namorar nós dois tínhamos 17 anos, nós temos exatamente a mesma idade. Com 20 anos, a gente casou. Foi bastante rápido, mas também, eu trabalhava, ela trabalhava. Com 16 anos, eu comecei a pagar um apartamento que o meu pai tinha para ficar para mim. A gente morou um ano numa casa alugada lá em Canoas e depois fomos morar no apartamento. Lá, nasceu o Felipe, Felipe nasceu nesse apartamento e quando estava para nascer o nosso segundo filho, a gente se mudou, voltou para Canoas para ficar mais fácil da minha esposa cuidar da criança e tal.

 

Aos 14 anos, eu fiz a minha carteira de trabalho e fui atrás de um emprego, contra a vontade do meu pai, fui trabalhar numa empresa chamada Icro, que era uma empresa de componentes elétricos para carro. Comecei a trabalhar porque eu queria ter o meu dinheiro p porque os meus colegas tinham. Depois, eu fui para o Senai, depois consegui um emprego de auxiliar de manutenção, eu fiquei ali dentro da empresa. Depois, um supervisor me chamou: “Aqui você não tem futuro, vamos para obra”, e eu fui para a obra e me apaixonei. Eu fiquei até a empresa falir em 94; eu estava recém-casado, estava com meses de casado, então imagina!

 

Eu trabalhei em siderurgia, eu trabalhei em indústria de alumínio, eu trabalhei em construção mecânica, trabalhei em Petrobras, entende? Toda empresa tem que ter pelo menos um eletricista, vocês aqui, devem ter o eletricista, essa câmera não funciona sem eletricidade. Quando tu faz um filme, tu tem um eletricista lá para fazer, então, tudo tem que ter. Se hoje eu disser: “Eu não quero mais trabalhar em hospital, eu quero trabalhar na área de cinema”, eu vou ter uma colocação lá. Essa é a maravilha da eletricidade, entende? Eu acho que poucas outras profissões têm isso assim, tão claramente.

 

A minha história dentro da elétrica foi sempre tentar inovar, sempre tentar trazer o que a gente aprende de um lado para o outro e assim por diante. Depois desses trabalhos todos eu entrei no Hospital Albert Einstein e nesse um ano dentro do hospital, a gente desenvolveu uma nova filosofia de funcionamento do sistema elétrico do hospital. Nós já investimos no último ano, algo em torno de 35 milhões de reais para levar o sistema elétrico do hospital para um novo patamar. Então, hoje, o meu dia a dia é desenvolver soluções para que a gente possa ampliar o sistema elétrico, dar mais segurança sem espaço, com limitação. Eu não posso desligar o sistema para ligar o outro. Hoje, o meu desafio é muito legal. Hoje, é um desafio sensacional, porque imagina tu trocar o pneu de um carro com o carro andando, é o que eu faço, é o meu dia a dia.

 

Quando tu começa a lidar com eletricidade, tu começa a se apaixonar, sabe, não tem jeito, a eletricidade é mágica, a eletricidade está botando uma luz aqui em cima da gente, a gente não está vendo o que ela está fazendo, mas os efeitos, as possibilidades envolvidas com a eletricidade são muito grandes.

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