Busca avançada



Criar

História

A educação e a medicina: duas paixões

História de: Ariana Yang
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/11/2021

Sinopse

Ariana Yang sonhava em ser professora para ajudar a sociedade, ensinar e nunca deixar de estudar. Para sua alegria, encontrou seus objetivos também na medicina. É uma das fundadoras do CEDA [Cuidado e Educação em Dermatite Atópica], projeto que busca, por meio do ensino e da troca de experiências, mobilizar pacientes de dermatite atópica a olharem com mais atenção seus tratamentos. Mas para Ariana, o CEDA também representa algo a mais: é o espaço para se encontrar como aluna e também professora.

Tags

História completa

Minha mãe acreditava muito no poder do estudo - e isso passou para mim. Meu sonho era ser professora. Sou apaixonada pelo ensino. Hoje, sou médica por um acaso, mas de alma sou professora.

 

Virei médica porque vi a maior parte dos professores frustrados e comecei a me decepcionar com a profissão. Não queria aprender tudo aquilo para não conseguir aplicar. Terminei o magistério muito decepcionada com a situação do ensino público no Brasil, os meus professores e os professores que eu via nos estágios ficavam contando os dias para se aposentar, e eu não queria isso. Resolvi mudar, mas faltava uma semana para fazer a matrícula e não tinha ideia do que ia colocar, porque a primeira coisa para mudar a vida das pessoas era a educação, mas o que mais eu podia fazer para ajudar as pessoas? Apareceu a medicina. Eu posso ajudar menos, mas posso ajudar um pouquinho. Resolvi fazer medicina. Como médica, meu desafio é encorajar o paciente a não desistir. Tento sempre falar de uma forma diferente, tento encontrar um caminho que consiga levar ao controle, ainda que falando as mesmas coisas que ele já ouviu, mas de forma diferente. Um conjunto que leve ao melhor resultado.

 

Há uma dificuldade das pessoas entenderem que não é descobrindo a causa da doença que vamos conseguir a cura. Embora sejam doenças alérgicas, são doenças multifatoriais, e que exigem cuidados em várias áreas - e o controle disso é para garantir um bem-estar, uma qualidade de vida para o dia a dia, que não necessariamente vai ter uma fórmula mágica, um exame mágico que vai descobria a causa e a pessoa vai ficar super bem. Isso só existe na fantasia dos pacientes, das famílias, às vezes até dos médicos que encaminham para os alergistas.

 

A dermatite atópica é a doença mais difícil que existe em alergia, e essa parte da educação faz muita diferença. É o grande diferencial. A educação é importante em toda doença crônica, mas a dermatite atópica tem algumas questões práticas que não é só de conhecimento, tem que colocar a mão, ver qual a temperatura da água, quanto de pomada, tem muitas orientações práticas.

 

Das doenças alérgicas, eu considero a mais difícil de se tratar, porque tem impacto em todas as áreas da vida. Ela impede a pessoa de dormir, por exemplo. Se você fica um dia sem dormir, seu humor não está a mesma coisa. Se você tem uma doença crônica que não te deixa dormir, você não dorme uma noite, uma semana, um mês. Fica seis meses sem dormir. Isso tem um impacto muito grande em como a pessoa vive. Até no seu estado imunológico, porque durante o sono é quando a gente recupera o equilíbrio do nosso sistema imune. É uma doença bem difícil de tratar.

 

Por isso tem um programa, que eu sou super orgulhosa de falar, que chama CEDA, porque a gente quer transformar a pele dos pacientes em uma seda, só que é com C, de Cuidado e Educação em Dermatite Atópica. É um programa multidisciplinar, que tem a participação da enfermagem em relação aos cuidados com a pele, desde manter a unha curta, como tem que ser o banho, temperatura da água, sequência de aplicação das pomadas, quantidades de aplicar. Tudo isso é muito importante, o cuidado da enfermagem, a orientação médica. Tem alguns temas que a gente aborda para desmistificar algumas coisas ou orientar sobre outras, ouvir e tirar as dúvidas. Tem a parte da psicologia, assistente social e nutricionista, essas são as áreas que atuam de forma interdisciplinar.

 

No CEDA, nós fazemos reuniões mensais, dentro de uma salinha de aula. Tem uma parte de apresentação, porque tem alguns pacientes que já fazem parte do programa, mas tem pacientes novos que chegam. Começa com todo mundo se apresentando: nós e eles. Nesse momento de apresentação, eles ficam livres para falarem o que quiserem, contar alguma experiência boa ou ruim que tiveram, ou tirar alguma dúvida. Algumas vezes, a gente tem situações que não sabe o que fazer. Em uma das sessões, a gente teve o caso de uma mãe que contou que ela não sabe o que ela faz, porque a filha grita com ela, dizendo que ela não ama a filha porque se ela amasse, ela tirava a vida da filha. Ela contou isso aos prantos, na frente de todo mundo. O que a gente faz? Nesse dia saí correndo atrás de uma psicóloga, pois a gente não tinha ainda.

 

São muitos os desafios quando a gente abre para uma parte de interação que foge daquela coisa da prescrição médica, tem coisa que a gente não aprende na faculdade. Hoje eu não sei quem está aprendendo mais: se são eles ou se sou eu.



Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+