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A docência na minha vida profissional

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            Quando escolhi cursar faculdade de História, não cogitava hipótese alguma em ser professora. Tal recusa devia-se em grande parte ao desprestígio da carreira do magistério no Brasil, ao passo que ser pesquisador ainda projeta um glamour que apenas é quebrado, às vezes não, na vivência do mundo acadêmico e da realidade da pesquisa no país.

            A mudança ocorre quando ingresso na Faculdade de Educação para cursar as disciplinas referentes a licenciatura no 5º período da graduação. A primeira foi Didática geral e o impacto foi muito positivo. Nas outras disciplinas preocupei-me em buscar professores com boas referências. Como a experiência na licenciatura foi boa tenho o desejo de esquecer o tempo que passei no bacharelado longe da área de ensino e de levar para sempre na memória as aulas da Faculdade de Educação.

            A escolha pelo curso de História até hoje é uma incógnita que busco descobrir. Até porque foi justamente nesta disciplina que fiquei pela primeira vez em recuperação na escola. Estava na antiga 8º série e não gostava das aulas. Eram totalmente expositivas e o conteúdo devia ser decorado para as avaliações. No Ensino Médio esse tipo de metodologia não se modifica. Como essa realidade ainda persiste, acredito que uma aula “inovadora” e/ou “atraente” é aquela que torna o conteúdo significativo para aluno podendo ser articulando com a realidade dele, como explicando a importância do estudo do passado de modo a tornar o aluno ativo e atuante na sociedade. O uso das tecnologias é, a meu ver, meios interessantes para a inovação do ensino, mas não são únicas e fundamentais.

            Não sou nativa digital, lembro-me do primeiro computador em casa e das dificuldades em mantê-lo. Ao lembrar esse tempo vejo o quanto a internet facilita o acesso a informação e ao conhecimento. Tudo o que necessito e quero aprender sei que posso encontrar na internet. Faço esse movimento de descoberta cotidianamente pelo computador pessoal de casa ou no celular. E em inúmeras situações na qual buscava apenas um tema acabava indo para outros e quando percebia algumas horas já haviam se passado. Por isso, acredito que a tecnologia quebra algumas barreiras, inclusive o acesso ao passado, caso este seja o tema ou mesmo numa aula de história.

            O uso das tecnologias e da internet podem acontecer na sala de aula, mas devem estar integradas ao contexto escolar. Não há razão para a proibição do uso, são objetos presentes no dia-a-dia da maioria dos jovens. O emprego adequado e coerente pode render bons frutos. Por isso, não vejo problemas no estudo da História pela internet se Professor souber como trabalhar: verdade, conhecimento científico, fontes, etc. Não tive durante a graduação muitos debates sobre isso, na verdade só me recordo de uma aula, mas sendo uma das críticas a escola o fato dela estar ultrapassada, ou seja, parou no tempo, a incorporação das novas tecnologias significaria que as instituições estão atendendo as demandas do tempo de hoje. Creio que dessa forma o aluno se sinta minimamente parte do processo educacional, pois a escola tende a afastar os jovens com suas regras proibitivas e autoritárias. O desafio consiste em aceitar as mudanças necessárias e começar um projeto inovador para toda a escola incluindo o corpo docente. Esse projeto não deve ser de apenas um, mas sim de todos unidos.

            Durante o estágio apenas visualizei o uso de data-show com Power point. Nessas situações os slides apresentavam imagens que retratavam o tema da aula e a professora incitava uma leitura de imagem, mas sempre considerei muito superficial. Noutra vez o Professor fez uso de caixinha de som com cartão de memória para tocar músicas do surgimento da Bossa Nova. Para mim são ferramentas atuais que facilitam o trabalho de fontes em sala de aula. Inclusive modificam a noção de tempo já que diminuem a distância entre passado e presente.

 

            Não visualizo mudanças no sistema educacional em curto prazo em nenhum aspecto. Apesar do meu interesse em ensino, não me vejo sistema formal de educação. Acho que posso contribuir em outras áreas educacionais. Tenho o desejo que meus colegas de graduação também tivessem essa reflexão para não se tornar um professor frustrado e reprodutor de conteúdo. O choque com a realidade que muitos graduandos sofrem durante a Prática de ensino deve ser antecipado para melhor selecionar os futuros docentes.

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