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História

A descoberta de um novo olhar

História de: Lucia Tartari Winther
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/07/2010

Sinopse

Lucia nasceu em São Paulo. Conta que estudou numa escola publica próxima à sua casa e ajudava os colegas de diferentes idades que estudavam na mesma série. Mais tarde, estudou no Colégio Bandeirantes, onde entrou em contato com um outro tipo de educação, voltada para uma elite e preocupada com os resultados no vestibular. Apaixonada por animais – ela teve além de cachorros, um pato quando era criança – decidiu fazer veterinária. Foi aprovada na USP, mas não chegou a concluir o curso, pois, já casada, mudou-se para os Estados Unidos com o marido. Durante os dez anos que viveu no país, trabalhou em clínicas veterinárias e entrou em contato com a dianética, uma metodologia que significa “através da alma” e foi desenvolvida nos anos 50 pelo filósofo americano L. Ron Hubbard.  Casada e grávida do seu segundo marido, decidiu voltar ao Brasil para divulgar a dianética. Montou uma editora, Ponte do Brasil, com o objetivo de traduzir e publicar os livros de Hubbard. Hoje faz palestras em escolas, workshops e participa de um programa de rádio, na rádio Mundial.

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História completa

P/1 - Bom dia Lucia. 


R - Bom dia. 

P/1 - Pra começar a gente vai pedir pra você se identificar de novo. Fala pra mim o seu nome completo, o local e data de nascimento. 

R - Ok. É Lucia Tartari Winther. Na verdade é Winther, mas a gente... Depois, quando eu morei nos Estados Unidos a gente fala Winther. Nasci aqui em São Paulo, dia 11 de maio de 1963. 

P/1 - Tá. O nome dos seus pais. 

R - Emilio Winther e Judite Augusta Tartari Winther. 

P/1 - Você sabe a origem deles, de onde que eles vieram, como que... 

R - Sim. Os dois nasceram no Brasil, meu pai em Taubaté e a minha mãe em São Paulo, mas a origem assim, dos familiares, da minha mãe é italiana e a origem do meu pai é da Dinamarca. 

P/1 - E seus avós que vieram pro Brasil, os pais deles? Como é que... 

R - Meus avós paternos... 

P/1 - Você sabe o nome deles? 

R - Do materno eu sei, Aquiles Tartari e Matilde Tartari. Paterno eu não sei porquê não os conheci, então... É de Taubaté, mas deve ser esse Winther aí, porque tem até algumas ruas em Taubaté com o nome Winther. Acho que é uma família de Taubaté. Mas acho que não foram os avós que vieram, acho que são os bisavôs ou até anteriores. 

P/1 - Anterior. E você sabe como que seus pais se conheceram? Você conhece um pouco essa história? 

R - Acho que através da igreja católica, ação católica. Na época a minha mãe era de uma organização chamada JIC, era Jovens alguma coisa com Cristo e ela estava... Já tava um pouco tarde pra casar. Acho que através da... Ah, através do padre mesmo. Meu pai também participava de algum outro grupo católico de homens e o padre que falou: “ó, tem a Dona Judite aqui, tem o Emílio lá e aí vamos fazer o casamento”. Foi assim. 

P/1 - Tá. E qual que era a atividade profissional deles? 

R - Meu pai era técnico de eletrônica e a minha mãe funcionária pública e professora. Depois de casados, já com filhos, meu pai ainda fez engenharia também, mas foi mais pra ter o diploma mesmo. Então a gente às vezes fala: “Faz pra ter o diploma”, porque ele já trabalhava em empresas e acho que nem ajudou muito, nem no salário. 

P/1 - E você lembra quando era criança, da casa que você morava... 

R - Lembro. O primeiro apartamento era na Rua Pedroso, quando era bem pequena, até acho que uns quatro anos. Depois foi a... Como é que chama quando o governo... 

P/1 - Foi desapropriado? 

R - Desapropriado. Aliás, eu até tava procurando uma foto minha brincando onde era a construção da 23 de Maio. Só que tava muito feia, não tava boa pra visualizar, tava já estragada. A gente brincava lá, era perto dessa Pedroso, que era perto da 23, acho que um dos viadutos em cima. Depois fomos desapropriados, daí a gente foi pra uma casa de aluguel na Rua Urutuba, ali próximo a Vila Mariana. Ali acho não é Vila Mariana ainda, mas ali pra Saúde, aqueles lados. Era bem próximo à casa da minha vó, que morava na Guatás, era paralela. Depois meu pai comprou outra casa no Jardim Aeroporto. 

P/1 - E você lembra como que era a rotina na sua casa, de manhã, seus pais indo trabalhar? Como que era? 

R - Depois que a minha mãe teve a gente ela não trabalhou mais. Era sempre com ela. O que eu lembro mais era a rotina da escola. A mãe ia levar, buscar e o pai saindo de manhã e depois voltando à tarde ou à noite. 

P/1 - E você tem irmãos? 

R - Tenho um irmão. 

P/1 - Como que ele chama? 

R - Gustavo. 

P/1 - Mais velho? Mais novo? 

R - Mais novo. Mais novo três anos. 

P/1 - E quais que eram as brincadeiras? Vocês brincavam na rua? Tinha um grupo de amigos na rua? Como que era? 

R - Pequenininho assim, na rua ali na 23 de Maio. Acho que eu brincava mais com ele quando pequena. Depois já começou a ter mais amigos, primos. Me lembro de um aniversário que a gente fez a brincadeira de corrida de saco, de ovo e outras coisas assim. Tinham várias brincadeiras no aniversário, tem fotos disso também. Slides. Acho que nem é foto, é slide. Acho que era mais isso. Na escola era mais brincadeira... Era mais com as minhas amigas da escola.


P/1 - E que escola que você estudava? Era perto de casa? 

R - Era no Jardim... Esse jardim da infância eu fiz na Caetano de Campos, mas depois, do pré em diante no Colégio Nossa Senhora do Rosário, era próximo daqui, na Domingos de Moraes. 

P/1 - E você lembra... A Caetano de Campos teve uma época que era separado, né, meninos e meninas. Na sua época ainda era isso ou... 

R - Não. Na Caetano já era misto. Agora na Nossa Senhora do Rosário eram só meninas, só meninas até a quarta série. Na quarta série começaram a introduzir alguns meninos, colocaram quatro meninos na nossa classe. 

P/1 - Coitados. 

R - Tinha um gordinho que ninguém dava muita bola. Depois o outro que era meio assim. Tinha o outro que era engraçadinho, mas não era muito chamativo e só tinha um que era o tal. Daí as meninas todas se apaixonaram por esse. É só brincadeira, né? 

P/1 - E tinha uniforme? 

R - Tinha. Era blusa branca e sainha... Acho que era cinza de quadriculado, normal, depois tinha o uniforme de ginástica também. 

P/1 - E quais eram as matérias que você gostava? Teve... 

R - Eu gostava quase de todas as matérias, sempre fui muito bem na escola. Lembro uma vez na quarta série, que uma irmã... Tinha uma irmã que era professora. Eles não tinham irmãs professoras, eram mais a administração. Tinha uma irmã professora, irmã Zildete, na quarta série e ela me deixou de recuperação. Isso foi terrível. Tinha que fazer uma prova onde tinham dois exercícios só, então se você errasse um já... Ela colocava uma equação matemática bem grande e com a resposta já, você sabia se tava errado. Fiz uma vez deu errada a resposta. Tentava, dava errado. Eu falei: “Ah, não. Acho que eu vou ao banheiro relaxar”. Era uma questão de nervosismo mesmo. Voltei, apaguei tudo e comecei de novo... Gostava de ir bem. Então era horrível. Ficar para recuperação era a pior coisa que existia. Então não, não gosto. Foi a única vez mesmo que fiquei de recuperação. Depois continuei. 

P/1 - E tem alguma outra história marcante de amiguinhos na escola? 

R - Na escola teve uma vez que fui mordida por uma abelha na língua. Tava no lanche, no Colégio Nossa Senhora do Rosário, comendo meu pão doce sossegadamente e aí de repente eu senti um gosto estranho na boca: “Que é isso?”. Eu cuspo assim, uma abelha. Só que ela caiu dentro de um lugar que eu não podia nem encontrar mais. Ela caiu ali embaixo, mas deu pra ver e... Nossa, mas aí começou a doer. Fui falar com uma professora que tava lá perto, só que eu tava ainda comendo o pão doce, tava comendo o meu lanche e tava com vontade de continuar comendo o meu lanche. Ela: “não., não come mais. Vamos lá em cima, vamos ver o que é isso”. Levou pra enfermaria, lembro que ela tinha uma unha grande, com a unha tava tentando tirar alguma coisa, o ferrão, alguma coisa. Acho que não saiu nada, não. Não doeu, mas depois ficou uma bolinha branca com um pus ali. Fui ao médico, ele cauterizou. Doeu mais um pouquinho, mas fui embora. 

P/1 - E aí você ficou nessa escola até quando? Você concluiu o colégio lá? Como que foi? 

R - Não. Eu fiquei até... Eu fiz até a quinta série, quando meu pai teve que... Lembro que a gente tava na casa alugada aí ele resolveu comprar outra casa. O apartamento primeiro era nosso, mas foi desapropriado, fomos pra casa de aluguel. Ele resolveu comprar outra casa. Pra pagar a casa não dava mais pra pagar colégio particular nessa época. Então a sexta, sétima e oitava fiz num colégio municipal. Ministro Calógeras, lá perto de casa. 

P/1 - E como é que foi mudar de escola? Foi tranquilo? Você se lembra de... 

R - Foi ruim porque cheguei lá na sexta série, acho que eles me colocaram na pior classe, não sei o porquê. Eu tinha o quê? 12 anos. Tava bem no tempo certo, né? E tinha gente de 17, tinham uns grandões. Na época não entendia muito bem o que era aquela turma grande lá. E aí muita coisa que tava vendo eu já tinha visto, o que foi bom pra português, porque eu já tinha visto análise sintática inteirinha na quinta série. Na sexta vi tudo de novo, na sétima de novo, então meu português ficou excelente. Tinha um professor bom de português também na oitava. Foi muito bom pra me ajudar até... Ajudou-me a escrever como eu escrevo hoje. É importante você saber colocar as palavras nos locais certos pra que a comunicação saia bem. Mas eu tirava, eu lembro que eu tirava só dez porque achava mais fácil ainda. Então ciências, matemática, era dez, dez. Esse pessoal aí começou... Até que foi bom, acho que o exemplo de eu estar lá e falar não, né? O pessoal começou também a prestar mais atenção, queria a minha ajuda pra entender o que eles não estavam entendendo. Só depois que fui descobrir... Mais tarde vou contar pra vocês porque as pessoas não entendem. Se soubesse isso antes eu já tinha até ajudado melhor. Sempre queria estar ajudando. 

P/1 - E aí o colegial você foi... 

R - Aí mudei de novo. Meu pai já tinha pagado uma parte da casa, já tava mais tranquilo, ele queria sempre que a gente entrasse nas melhores faculdades. Ele me colocou no Colégio Bandeirantes, fiz o primeiro, segundo e terceiro no Bandeirantes. Aí era... 

P/1 - Já foi outro choque. 

R - É. Aí é fogo, né? Porque é estudar, estudar, estudar... Mas eu gostava, eu ia bem, não tinha dificuldade. Então eu ia, estudava, não... Lá já não dava pra tirar dez, né, se tirasse oito tava muito bom, sete. Era bem puxado, mas continuava indo bem, também nunca fiquei para recuperação nem nada. Mas já começava aquela ideia. Agora você tem que estudar pro vestibular. O que depois eu descobri que também não é certo, você tem que estudar... Agora com a técnica de estudo que eu aprendi do L. Ron Hubbard a gente estuda pra aplicar. Se eu soubesse isso, meu estudo tinha sido muito mais divertido e tinha dado mais frutos porque muita coisa que eu “estudei” de física, por exemplo, não sei nada. Se você perguntar alguma coisa... Eu decorava. Ah, tem que decorar essa fórmula? Tá bom. Vai cair na prova? É aquele negócio, o que vai cair na prova? A gente estudava para o que ia cair na prova e o que ia cair no vestibular. Era só o objetivo principal. O objetivo do estudo não deveria ser esse, deveria ser estudar para aplicar na vida. Então estudar física? Como eu vou aplicar isso na minha vida? É claro que muita coisa teria que mudar até no currículo escolar, porque tem realmente muita coisa que a gente não tem onde aplicar. Mas agora, o bom é que eu possa aplicar isso e ajudar outras pessoas. Quando faço um curso, ministro um curso de como estudar, o Aprendendo a aprender, primeira coisa que eu digo é: “Vamos mudar o ponto de vista. Você vai estudar o que? Inglês? Pra que? Pra aplicar, pra falar, pra entender, pra ler internet, pra ler um livro, pra esse tipo de coisa”. Ah, vou estudar árabe. Pra que? Ah, pra colocar no meu currículo. Não ficar perdendo tempo com coisas que você não vai aplicar. 

P/1 - E nessa época do Bandeirantes, tem algum professor que tenha marcado, alguma história que você lembra? 

R - Tem um professor de biologia muito engraçado, acho que era Arnaldo, algo assim. Ele gostava de fazer as musiquinhas e falar: “A, T, C, G. A, T, C, G...”. Ele ficava fazendo as musiquinhas dele pra gente decorar coisas, mas ele era bem engraçado, aí marcou. E um professor que era um livro, ele tinha escrito um livro, ele mesmo era o livro, era de física óptica e ele ficava falando, falando, falando... Era só o livro dele e… Também entendia que aquilo lá não era comunicação porque ele falava, mas não chegava pra gente, sabe? Nunca entendi física óptica, até hoje. Tudo tava no livro dele, ele adotava o próprio livro e a gente tinha que estudar o livro dele... Mas era engraçado. Acho que os outros eram... A maioria dos professores eram legais. Nunca tive problemas com professores, específicos. 

P/1 - E nessa época de juventude, adolescência, como que era? Você saía? Tinha um grupo de amigos? Como que era o lazer, o que... 

R - Nessa época... Desses três anos de estudo, não tanto mais. Eu acho que eu... Na oitava série deu pra sair mais, passear mais. Quando começou o primeiro ano do ensino médio, porque não tinha colegial, era mais estudar mesmo. De vez em quando sair com algumas amigas do colégio mesmo, um cinema, alguma coisa assim. Mas já tava mais voltada a estudar, então não tinha tantas saídas. 

P/1 - Você lembra... Você falou de cinema, que cinema que você frequentava? Você lembra? 

R - Na Paulista. Cinemas da Paulista. Acho que aqueles que têm até hoje, que tem um e dois. Ah, o Gazeta. Gazeta, Gazetinha e Gazetão. Gemini, esses aí da Paulista. 

P/1 - E como que você foi... Como que você escolheu depois a carreira profissional? Como que foi isso? Prestou vestibular, estudou, estudou, estudou, passou... 

R - Passei. Eu sempre... Desde pequena falava veterinária, gostava muito de animais, queria ser veterinária, claro que sempre tem o pai já: “ah, por que veterinária? Faz medicina. Ó, medicina, por que veterinária...”. Teve um episódio legal, acho que já tava no terceiro ano, eu tava assim: “Será que eu faço medicina?”. Queria mesmo fazer veterinária, mas só porque meu pai ficava insistindo, mas aí vi um... Tinha um cachorro solto, um pastor alemão solto na rua e entrou na frente da casa de uma pessoa e não queria sair de lá, tava todo mundo assustado com o cachorro e o cachorro tava mais com medo de todo mundo também, ele tava assustado, todo mundo tava assustado. Fui lá e conversei com o cachorro, cheguei perto dele, “tá tudo bem”. O cachorro começou a me seguir e meu pai, com um pão na mão, do outro lado da rua... Acho que pensou assim: “Qualquer coisa...”. Mas ele veio comigo, entrou na minha casa, sem coleira, sem nada. Foi indo e ficou lá naquele pedaço até que nós encontramos o dono e aí ele foi pro dono. Foi mais um episódio pra eu saber que era isso mesmo, que eu tinha algum dom, um talento com os animais, que não podia deixar isso pra lá.

Prestei USP e UNESP, só tinha isso naquela época, não tinham tantas faculdades de veterinária como hoje. “Ai, faz Santa Casa. Faz Santa Casa também só por fazer, vai fazer só dois? Tem gente que faz um monte de vestibular, faz mais um”. Me inscrevi também. Mas aí fiz USP, passei na USP, na UNESP passei também. Fiz a prova de português da Santa Casa, fui bem. A segunda prova acho que era matemática e física, me deu uma febre na hora da prova, mas acho que é totalmente psicossomático, né? Porque eu: “não quero, não”, então deu uma febre, passei mal e não fiz a prova direito, não fui mais também. Resolvi fazer na USP. 

P/1 - E como que foi entrar na USP essa época? Você lembra? 

R - Foi legal porque é sempre um tchã. O colégio gosta, colocar o nome lá, “tá vendo? Estudou no Bandeirantes entrou na USP”. Mas era aquele negócio, não nos prepararam pra depois chegar lá e estudar. Parece que quando cheguei lá que eu tinha que aprender pra aplicar, a maioria das pessoas tinha relaxado, tava todo mundo já: “ai, acabou”. Agora que eu tinha realmente me dedicar ao estudo, compreender pra poder usar na minha profissão e me tornar uma boa profissional, já não tava assim tão bem. “Ah, tá bom. Estuda...”. Não tava tão... Como se tivesse... Tô cansada agora, tô tirando um tempo, tô dando um tempo. O que era ruim, mas gostava de toda forma. Gostava da parte prática da coisa, de ir lá ao microscópio, de ver coisas, de fazer anatomia. Chegamos a começar a dissecar partes dos animais etc. Eu achava bem interessante, gostava. Foi muito bom a parte sobre os parasitas, olhar no microscópio, ver que faz isso, faz aquilo. Eu tava gostando bastante do estudo. 

P/1 - E nessa época pós-vestibular já dava pra sair mais? 

R - Ah, com certeza. Lá na USP mesmo, né? Quem conhece ali... Tem a festinha do centro acadêmico, tem a cervejinha, batidinha. Ainda tinha uma fazenda que a USP deve ter acho que até hoje, a veterinária, é uma fazenda que tem os animais de grande porte onde a gente ia fazer festa. Então era jogar jogos, handball, basquete, todo tipo de coisa, entre os primeiros anos ou a gente convidava, às vezes, outra faculdade pra jogar. Convidava a faculdade de Educação Física. A gente só perdia, perdia todas. Eu tava no handball, era goleira, pensando: “nossa, ainda vamos ganhar”. Não, perdemos, no final perdemos tudo. A única coisa que a gente ganhou foi truco, era a única coisa que a gente ganhava. Aprendi bem a jogar truco, essas coisas. Foi engraçado. Realmente agora, se eu soubesse o que eu aprendi depois sobre estudo, não teria talvez feito... Estado tanto as festas, [teria] me preocupado mais em aprender para aplicar, novamente a mesma coisa. Eu tava: “agora tem que terminar a faculdade, tirar o diploma”. Aí tá o momento que você não pode perder tempo, tem que compreender pra ser um bom profissional. Você vai aprender depois? Tem até gente que fala: “depois eu aprendo na prática”. Como que aprende na prática? Você tem que aprender agora, vai perder o seu tempo? Você tá aqui, tá gastando o seu tempo, dinheiro também com livros, gasolina etc. Então é melhor que você aprenda agora já pra aplicar. 

P/1 - Queria saber, na verdade, se você teve algum bichinho de estimação durante sua infância, se isso foi também um dos motivos que levou mais pro lado da veterinária. 

R - Tive, tive um cachorrinho que a minha tia me deu naquela casa alugada, na casa da Urutuba. Bem pequenininho, parecia um ursinho, por isso eu o chamei de Ursinho. Ele era cinza e começou a fazer muita sujeira, rasgar tudo quanto é coisa. Ele foi crescendo, só que ele cresceu muito pra casa. A gente tinha uma casa com quintal pequeno, era uma casinha assim. A casa da minha vó tinha um quintal grande com ameixeira, bastantes árvores de coisas. Então ele acabou indo pra casa da minha vó, que era na rua do lado. Mesmo assim já sentia a falta dele. Tinha outro cachorro lá também, era o Dunga. Então tinha o Ursinho e o Dunga e a gente ajudava a cuidar, mas ele ficou um pouco afastado de mim. Depois acabei tendo que dar porque a minha vó não queria mais, dei pra uma senhora que tinha um monte de cachorros. No começo achei legal, mas depois fui ver e ele tava com sarna. Tiveram vários episódios na minha vida que tive que dar o animal e depois que fui ver não estava cuidando direito, mas falei: “ah, é melhor nem ficar pensando nisso porque senão vou ficar presa nisso”. Depois, em outra ocasião, consegui que a pessoa cuidasse bem e tal. Foi esse e depois eu tive um pato, isso foi engraçado também, porque meu pai comprou na feira. Veio com o pato. As pessoas pensam que... Normalmente eles morrem, né? E meu pato não morreu, foi crescendo, crescendo, crescendo e ficou desse tamanho. Já tava na outra casa, na casa do Jardim Aeroporto, mas que tinha menos quintal ainda, era tudo concreto, não tinha nada pro pato. Tinha bastante, na rua, tinham poucas casas construídas, tinha bastante terreno ainda e casas em construção. Levava o pato pra ciscar no terreno, depois pegava uma bacia e colocava o pato pra nadar na bacia. Aí minha mãe falou: “não. Tem que dar esse pato. Vamos levar pro zoológico”. Eu gostei da ideia, gostava muito dele, vai ficar lá no zoológico. Mas chegando lá eles falaram que ele tinha que ficar de quarentena pra ver se não tinha nenhuma doença. Colocaram o pato na gaiola e eu lá, deixei o pato na gaiola porque é muito triste. Ele tava lá... Pensando: “Espero que eles realmente depois da quarentena, que ele vá ficar livre no zoológico”. Espero que era isso, nunca fiquei sabendo. Depois tive outro cachorrinho chamado Roni, e esse ficou na minha casa, depois até quando viajei pros Estados Unidos ele continuou lá com a minha mãe. E depois, quando trabalhei no hospital veterinário nos Estados Unidos comecei com uma Chiuaua, era fêmea, não era castrada. Arrumei um namorado pra ela, ela teve filhotinhos. Fiquei com dois Chiuauas, ela teve quatro, fiquei com dois. Então fiquei com três Chiuauas e depois arrumei mais um Doberman. Tinha um Doberman e três Chiuauas. Quando mudei de cidade, fui trabalhar com a dianética, é uma técnica de melhoramento pessoal, que depois até trouxe pro Brasil, no decorrer da história vou contar. Não podia mais ficar com eles porque não tinha tempo, tinha muito trabalho. Consegui dar pra algumas pessoas, não gostei, mas depois dei pra outras pessoas aí eles cuidaram bem deles. E agora eu tenho uma gata. É mais fácil de cuidar. 

P/1 - E qual foi o seu primeiro emprego? Nessa época da faculdade você começou a trabalhar? 

R - Não. Era profissão estudante mesmo. Por isso que fazia muito... Foi nos Estados Unidos o primeiro emprego, no hospital veterinário. O senhor que me empregou não era americano e o meu inglês ainda não estava como é hoje. No começo eu tinha feito Cultura Inglesa, mas a Cultura assim, devagar e sempre. Foi bom porque a base da gramática, mas não tinha fluência verbal. Você chegava lá, sabia que tava falando errado e ficava com vergonha de falar errado, mas tinha que falar porque só falando e ouvindo que você aprende. Como ele era de outro país, acho que algum país lá da Escandinava, por ali, o inglês dele tinha muito sotaque, era mais difícil de entender ainda. Ele era muito nervoso. Não deu certo porque ele pedia as coisas e eu não entendia o que ele queria. Fiquei acho que uma semana lá, ele me mandou embora porque não dava pra entender nada. Ainda precisava de mais prática também, na própria veterinária, na parte do atendimento mesmo, porque não tinha tanta prática ainda. Então não deu certo. Depois arrumei outro emprego que era um canil e hospital. Era legal porque já dava pra ficar de olho no hospital mesmo, que é onde eu queria trabalhar. Mas teve um episódio engraçado que foi um gato... Eles, lá nos Estados Unidos, mandam os gatos pra castrar, bastante, né? Tem castração todos os dias de vários gatos e vários cachorros. Às vezes a pessoa cuida de um gato na rua, dá comida, mas é um gato de rua. Então a moça tava cuidando de algum gato de rua, bem arisco, catou o gato, pois numa caixa e entregou pra gente castrar. Eu tinha que tirar o gato de dentro da caixa, colocar em cima da mesa pra dar anestesia e tudo mais. Tem um jeito de fazer isso, você agarra pelo cangote, puxa por aqui, puxa as pernas por ali, ele fica assim. Na época eu fazia ginástica, musculação, então era até... Tinha força, não é que eu não tinha, mas ele se vira, fica se mexendo assim e você tentando segurar. Só que as patas da frente dele ficam soltas, só fica segurando assim. Só tenho duas mãos, né? Segura assim. Com a pata da frente ele me unhou, ele pegou a pata assim crrrrrrrr aqui. Não deu. Eu soltei, ele arranhou o veterinário, subiu nas paredes. Só via gato subindo na parede. Ainda bem que a porta tava fechada. Até a gente controlar o bicho. Tem um palco, um fio, que você segura, laça e segura o pescoço, puxa pra poder imobilizar, porque não tem outro jeito. Aí dá uma injeção, alguma coisa pra ele acalmar, pra gente poder lidar com ele. Mas essa... Não teve assim tantos casos, esse foi acho que o mais complicado. A gente pensa assim, os animais grandes, os cachorros como Pitbull, Rottweiler, esses assim, vão ser mais bravos e difíceis de lidar, não são. Dobermans. Meu Doberman... Eu tirava sangue dele sem ninguém nem segurar, porque eles são mais fortes, eles não... Você pode enfiar agulha. É como: “ah, um mosquito tá me picando”. Eles não têm assim, não dói tanto. Pior é num Chiuaua. Pegar a minha Chiuaua pra tirar sangue, fazer algum exame, tá louco. Primeiro que as veias são muito pequenininhas e gato também é difícil. Mas tem jeitinho e tal. A gente conversava muito com eles, era aquele papo todo pra eles: “olha, só vamos tirar um pouquinho de sangue e tal”. Em inglês, porque só falam em inglês nos Estados Unidos. Mas os cachorros grandes a gente conversava bastante, fazia carinho e ficavam tranquilos. Eram mais os pequenininhos e os gatos que davam problema. 

P/1 - Voltar um pouquinho então. Como que você foi parar nos Estados Unidos? 

R - Ah, essa... O meu primeiro marido queria muito ir pros Estados Unidos. Eu não queria, não tinha esse sonho. Achava legal ir pra passear, mas ele queria muito, queria porque queria, porque ele tava... Falou: “aqui no Brasil não dá, porque não dá pra ficar aqui, aqui não tem futuro”. Falei: “então a gente vai experimentar, fica um tempinho, no máximo um ano e retorna”. Esse ano virou dez anos. O tempo, não sei, passa rápido. Passou um ano, depois passa mais dois, depois passa mais três e vai ficando. Como a gente conseguiu ter emprego num lugar certo, no que a gente fazia mesmo... A gente ouve sempre essas histórias do pessoal que vai pros Estados Unidos e aqui não sei o que. Acho que se a pessoa vai pra lá e trabalha, não importa nem a profissão, mas se trabalhar bem e mostrar que produz eles te dão reconhecimento e te pagam bem. Não vejo você trabalhar, trabalhar, trabalhar e não receber. Até porque esses empregos, por exemplo, que a pessoa faz trabalhos manuais, até pedreiro, empregada doméstica, essas coisas, você ganha mais. Até cabeleireiro. Lembro que fazer uma escova custava 23 dólares, isso anos atrás. É porque dá valor pra esse tipo de trabalho, então a pessoa ganha bem. Às vezes eles fazem essas reportagens que vai lá pros Estados Unidos, até novela, né? Lá nos Estados Unidos é isso, é aquilo. Acho que depende da pessoa mesmo. A pessoa vai e ela trabalha, faz o possível pra ser eficiente naquilo que ela faz. Por exemplo, eu consegui o meu green card pelo trabalho, meu chefe veterinário que gostou do meu trabalho. É claro que através da ajuda de advogados e tal, mas ele que assinou porque ele queria que eu continuasse trabalhando pra ele. Aliás, depois que eu saí pra trabalhar na outra profissão ele ficou chateado porque ele percebia que produzia, que ele podia confiar em mim, contar comigo. 

P/1 - Tá. Vamos voltar mais um pouco. Você falou que foi por causa do seu primeiro marido, mas onde aparece o marido também na história? 

R - Ah, tá. Foi na USP que o conheci, no CRUSP que é aquela parte da piscina e da ginástica. Ele fazia muita ginástica, era aquele decatleta, tinha sido, e eu tava mais na piscina mesmo, fazia às vezes... A gente tem que fazer, acho que um ou dois semestres de ginástica, de algum tipo de ginástica, então eu fazia natação. O conheci lá, a gente começou a namorar e tal. Como já tinha essa ideia dele logo viajar, ele já tinha colocado isso, minha mãe já falou: “só casando. Se for pra viajar tem que casar”. A gente queria mesmo casar e tudo mais. Então a gente já casa e já organiza como vai fazer a viagem. Daí a gente resolveu ir e foi ficando, foi ficando, foi ficando. 

P/1 - Você já foi formada? 

R - Não, não completei a faculdade, sempre com a ideia de voltar. Vou voltar... Minha mãe sempre ia lá, fazia a matrícula, trancava, tal. Chegou, acho que depois de três, quatro anos ela falou: “acho que você não volta mais”. Eu já tava trabalhando no hospital veterinário, tudo. Porque assim, essa parte de veterinária, o que eu queria era realmente trabalhar com animais pequenos, de pequeno porte. Realizei isso, quer dizer, além... Só mesmo sendo mais que isso teria que ser a veterinária, mas eu fazia praticamente o trabalho todo do veterinário. Nos Estados Unidos o veterinário é muito folgado, ele fica ali, ele é o dono. Ele entra pra colocar o estetoscópio pra checar o coração, pra conversar com o dono, mas todo exame a gente faz, tira o sangue, faz raio-x, ele faz a cirurgia, a gente ajuda na cirurgia. Algumas pequenas cirurgias a gente consegue fazer, limpar os dentes, tudo isso eu fazia. Tava trabalhando como eu queria, no que eu queria. Aprendi bastante também, claro. Então já não... Cheguei a ser gerente do hospital também. Entrou também no aspecto administrativo que comecei a aprender como as técnicas do filósofo L. Ron Hubbard, que é o que desenvolveu a dianética. Ele desenvolveu também técnicas de administração, que a gente aprende e aplica, técnicas de comunicação. Tudo que fui aprendendo dele eu fui pondo em prática e fui vendo resultados. Melhorei também, não me dava tão bem com o meu chefe no início, depois com as técnicas de comunicação melhorou bastante a ponto dele me dar o green card. Então foi bem legal. 

P/1 - Então, antes de entrar nessas técnicas que depois você fala mais um pouquinho, só assim, como que foi chegar aos Estados Unidos? Como que foi esse processo de adaptação num outro país? Pra que cidade você foi? 

R - Nós chegamos a Miami, Miami Beach. No começo é tudo festa, legal, praia. Praia todo final de semana. Era assim, acho que o grande desafio era o inglês mesmo, era poder falar bem, entender. Assistia alguns seriados na televisão pra poder ouvir. Era uma questão de treinar o ouvido para a fluência. Se a pessoa falasse devagar... Entende? Mas a pessoa bllllllll. Em Miami muita gente falando em espanhol. É verdade que eu nem gostava muito de espanhol na época, depois passei a gostar de espanhol porque eu passei algum tempo na Argentina. Meu espanhol melhorou bastante, mas naquela época eu até tinha um pouco de preconceito. “Quero falar em inglês”, porque queria também aprender a falar inglês, não ficar falando espanhol. Tem gente que: “ah, você é brasileira? Então você fala espanhol”. Muita gente pensa isso. “Ah, já achei uma luz. Será que ela fala espanhol?”. Foi indo e não tive tanto problema realmente. Sempre buscando trabalho no que queria fazer, só isso. Porque às vezes não é tão fácil no início por causa do inglês, mas ter perseverança naquilo que você realmente quer pra conseguir atingir. 

P/1 - E aí como que... Você tava trabalhando nesses hospitais veterinários, foi gerente... Depois como que... 

R - Já tava fazendo os cursos e lendo os livros de L. Ron Hubbard sobre dianética, sobre técnicas de estudo. Depois essa parte de estudo é bem importante, se você puder perguntar. Acho maravilhoso, foi o que me fez voltar pro Brasil na verdade. Comecei a aplicar as coisas que eu aprendia e fui melhorando profissionalmente etc, no relacionamento com as pessoas. Uma coisa que posso dizer assim, às vezes o que eu sentia lá era um pouco de falta de amizades, mas é porque... De amizades assim num nível que queria ter amizades. Tinha pessoas às vezes assim, mais pra ir pra festa, beber, já não tava mais nessa fase, né? Queria pessoas pra outro tipo de coisa e às vezes não era tão fácil de... Porque aonde você vai pra conhecer essas pessoas? Então vai a uma balada agora, antes era discoteca. Não vai conhecer pessoas pra ter amizade. Vizinhos, tinha. Tinha uma senhora, mas da minha idade, por exemplo, outros casais pra sair, não era tão fácil de conhecer. A gente ia nesses lugares de ginástica, academias de ginástica e tal. Corridas de rua, também cheguei a correr quilômetros, três quilômetros etc. Corria também um pouco. Uma vez ganhei o primeiro lugar nos três quilômetros, na minha faixa etária, porque é por faixa etária. Então de 20 a 24, depois de 25 a 29, nessa época que eu corria. É legal quando você tem 25 porque aí você ganha mais do que quando você tá com 24, o pessoal de 20. Amizades não eram amizades tão profundas como tinha no Brasil, com as minhas amigas da escola. Isso eu sentia falta, a minha prima, por exemplo. Tanto que eu escrevi pra umas amigas, escrevi pra minha prima e minha prima resolveu ir pros Estados Unidos. Era também a mesma coisa, pra ficar um mês. Ela trabalhava num banco muito bem empregada, apesar de que não era também... Ela era pedagoga e trabalhava no banco. Então ela queria... Falou: “vou ficar um mês só, minhas férias. Depois eu volto”. Só que ela não voltou também, por acho que dez anos também. Quando tinha minha prima lá era legal porque daí a gente tinha mais amizades. A mãe dela até hoje não sei se já me perdoou por isso, porque minha mãe também ficou muito chateada de ficar tanto tempo. Aqui no Brasil tem muito isso da família sempre ficar junta. Já nos Estados Unidos você não vê isso. 18 anos: “O que você tá fazendo aqui? Tchau, tchau”. Eu já era mais independente, não sei o porquê de não querer ficar tanto na família, mas realmente já me virava. 

P/1 - E como que você entra em contato com essas técnicas de estudos? Como que você procura isso? 

R - Ah, então. Foi o meu primeiro marido também, que conheceu primeiro, porque ele buscava melhoramento pessoal, ele já tinha ido atrás de estudar psicologia, outras coisa. Ele tava em busca de entender o ser humano. Por que as pessoas têm certas reações ilógicas? Por que elas falam coisas depois falam: “nossa, por que eu falei isso”? Por que elas ofendem as pessoas que elas mais amam? Eu não tava nessa busca, eu tava... Como eu falei, estudante profissional, agora tava lá de viagem nos Estados Unidos, passeando. A vida pra mim era mais leve, não tava preocupada ainda. Vejo que os jovens hoje em dia menos ainda, né? Quando vou falar sobre esse método, fazer uma palestra em uma faculdade, alguma coisa, não vejo muito interesse. Acho que as pessoas começam a ter mais interesse em melhoramento pessoal depois dos 30, quando estão já no campo profissional e têm que enfrentar, têm que lutar pra sobrevivência. Mas ele me levou, falou: “tem um lugar legal que eu conheci. Você faz um teste de personalidade grátis, é muito legal, você vai lá conhecer”. Eu falei: “tá bom”. Daí fui e fiz o teste de personalidade. O teste sai 20 pontos da sua personalidade. Você responde 200 perguntas. Responde as perguntas aí sai um gráfico. Tem uma moça ou alguém, senta com você e fala. Mas é o que você pensa de si mesmo, não é o que a pessoa pensa, é o que você respondeu. Ela começou a me mostrar uns pontinhos baixos ali. Sabe quando você... Acho que a maioria das pessoas têm situações pra resolver na vida, mas não quer nem olha pra isso. Você tem um problema aqui, mas você fala: “tá tudo bem. Tá tudo bem”. Então você olha pra cá: “não...”. Agora quando você olha... O que ela fez nesse teste foi me fazer olhar: “Nossa. Tô com um problema de comunicação...”.  

P/1 - (Pausa) Então você tava falando do teste de personalidade, dos pontos... 

R - Isso. A gente começa a olhar os pontos baixos do teste. Tinha lá, depressão, tristeza, nervosismo, comunicação ruim. Você para, olha, eu falei: “não é que é mesmo?”. Você não percebe, a coisa vai indo, vai indo. Foi bom olhar e falar: “nossa, eu preciso resolver isso”. Tinha um curso de comunicação que era o primeiro curso. Falei: “interessante. Vamos fazer”. Comecei a perceber que tinha dificuldade de relacionamento com o meu marido, com o meu chefe, com a recepcionista do hospital. Você começa a se dar conta, quando antes parecia que a vida é assim mesmo. Aí você fala: “nossa. É mesmo”. Comecei a usar o que eu aprendia, a conversar mais com as pessoas, a ouvir mais as pessoas, a prestar atenção nas coisas, dar mais atenção às pessoas também. E aí as coisas foram melhorando, o que eu fui aprendendo fui aplicando, é tudo muito prático e chama-se Dianética. Através da mente, de L Ron Hubbard. Tem um livro, um best seller internacional. Começar a ler o livro, só que daí vem em inglês, foi bom porque foi aumentando também o vocabulário, fazer os cursos em inglês. E aí entrava essa técnica de não passar palavra sem entender, achava isso interessante, tinha muitos dicionários. Pegar dicionário em inglês – inglês. Tinha dicionário pra criança, adolescente. Era interessante porque eles têm dicionários pra crianças desse tamanho, aqui no Brasil tem dicionário pra criança assim, que às vezes não tem todo o vocabulário que a criança já poderia alcançar. Comecei a achar interessante. Tinha um curso de como estudar, como você estuda. Falei: “interessante isso. Como se estuda?” Nunca ninguém nos ensinou a estudar. Comecei a fazer esse curso de estudo e antes disso também a parte de aliviar situações que tinha me acontecido, que tinha esquecido. Tudo que acontece na nossa vida tá gravado na nossa mente. É melhor que uma câmera, uma filmadora jamais construída. Tem imagem, som, cheiro, emoção, tudo. Gosto, sensações. Tá tudo gravado lá, só que muita coisa a gente esquece. Então as pessoas acham: “Esqueci, não vai me afetar mais”. Mas o senhor Hubbard descobriu que mesmo esquecidas, as situações dolorosas do passado podem voltar a nos afetar no presente. Faz sentido isso, né? Você tem situações do passado, dez anos, 20 anos, 30 anos atrás, você esqueceu, mas não quer dizer que aquilo não possa ainda te afetar. Ele descobriu um mecanismo mental que chamou Mente Reativa, que sai do passado, remete no passado e traz ao presente, por isso chama reativa, reação. Isso explica muita coisa. Tem uma técnica pra poder aliviar essas coisas também. Comecei a fazer essas técnicas, receber essas sessões e dá alívio mesmo, falar: “Ahhh”. Você alivia coisas que você nem lembrava mais. Tanto que uma das coisas que eu aliviei primeiro foi o momento que o veterinário me mandou embora. Porque era meu primeiro emprego, queria tanto aquele emprego, ele: “Tá despedida”. Isso foi um choque. Lembro que aliviei isso, me senti bem melhor. Até que me ajudou depois a ficar bem nos outros empregos também. Então às vezes uma... Já aconteceu até com um moço que eu conheci, também tinha sido mandado embora quando tinha 18 anos e isso tinha ficado ali gravado. Já esqueci, já esqueci, mas tava atrapalhando a carreira dele até dele conseguir um melhor emprego, porque tem aquela sensação que iam rejeitá-lo. Isso foi bem legal de entender, me aliviar, me sentir melhor. A técnica de estudo foi o momento que eu falei assim: “Nossa. O Brasil precisa disso”. Comecei a lembrar daquela experiência no colégio municipal, meus colegas lá de 16 anos na sexta série, por que eles não estavam compreendendo? Por que eles bagunçavam? Comecei a ver: “Nossa, ninguém nunca ensinou a gente a estudar, isso faz sentido”. Quando a gente passa uma palavra que a gente não entende totalmente, fica difícil de compreender. Se você lê um texto que você não compreende, não é legal. Tudo isso aí de: “Ah, tem que ler mais. Tem que ler mais”. Mas não é só ler mais, pegar e falar: “Lê esse livro. Lê”. Começa a ler, pega um monte de palavra que você não entende. Pra que serve? Você fica... Pelo contexto... Mas não tem mais contexto porque já uma palavra você não entendeu, o contexto já foi, entendeu? Aí você chega assim... Às vezes procuro textos bem complicados pra mostrar pros adultos que acham que pelo contexto tá bom. Já peguei um texto uma vez de um livro dos maçons que era tão complicado, um parágrafo, eu juro, você coloca o parágrafo ali, qualquer adulto lê aquilo lá, não entende. Tinha, acho que quatro palavras bem difíceis, quer dizer, nunca viu. Só pra confirmar que se você passar palavra sem entender, não vai entender. Não é que você: “Ah, não entendi a frase”. Claro, não entendeu a frase porque não entendeu a palavra. Não é a frase. Isso também ajuda muito as crianças que foram rotuladas: “Você é burro. Você é isso. Você nunca vai aprender”. Nesse método não existe isso, isso que é fantástico. Todo mundo pode aprender, pode demorar mais ou menos, vai depender só da quantidade de vocabulário que cada um tem. E aí outra coisa que eu descobri muito legal também, que tem a ver com a história da vida que é o vocabulário que a gente tem, a gente pegou dos nossos pais. Então se os pais tinham a educação, e como os pais são mais antigos, a educação antiga era melhor no Brasil, foi piorando, piorando... Quem é mais velho ainda tem mais vocabulário, passou esse vocabulário pros filhos. Então se continuou, vai passar pros filhos e aí vai. Mas você tem uma criança que tá agora, vamos dizer hoje em dia, no colégio municipal estadual, cujos pais também não tinham muito vocabulário, então que vocabulário ela vai ter? Dos pais. Não tem como simplesmente aparecer o vocabulário assim, como mágica. Então aí vai dizer que essa criança não aprende, é genético porque o pai não aprendeu. O pai não aprendeu porque também não tinha vocabulário, porque também não terminou nem a quarta série. A gente começa a perceber isso na prática, é uma questão de ensinar as pessoas a aprenderem, a aumentarem o vocabulário das pessoas, usarem dicionário. Brinco muito, falo sempre que o dicionário é o pai dos inteligentes, sempre andar com o dicionário e buscar dicionários que expliquem as palavras e não só deem sinônimos, porque sinônimo também não te adianta.

Como eu tenho uma filha, fui no desenvolvimento dela e no aprendizado dela, fui observando. Observava quando ela ia ao dicionário, no dicionário pequenininho procurar, por exemplo, a palavra líder. Encontra lá, chefe ou o cabeça. Uma criança de 11 anos vai ficar mais confusa ainda, né? O que é o cabeça? Ela chegou até a falar pra mim: “Tá errado, mãe, deveria ser a cabeça, o dicionário errou”. “Não. É que é o cabeça, o encarregado”. Mas todo encarregado é líder e todo líder é encarregado? Não. Então não tem a definição de líder e falta aí. Dicionários pequenininhos só com sinônimos também não servem. Às vezes eu falo: “Usa o dicionário”, a pessoa vai ao dicionário e fala: “Mas não deu certo”. Mas tem que ser o dicionário que explique as palavras. Tem alguns melhores, ainda não tem dicionário perfeito no Brasil. Às vezes vou ver no dicionário Webster inglês – inglês, pra encontrar a definição certa pra depois ver como é que é em português, porque quero saber a definição, pra poder ter um conceito. Eu sempre explico... Às vezes você pensa em café, vocês gostam de café? Quando você pensa em café você vê, você tem um conceito de café, não é só a palavrinha C A F É. Você vê o grão... Minha vó naquela casa grande com o terreno, tudo, tinha uma plantinha de café. Pude ver o café, pude comer aquela sementinha, era docinha, não sei o que. Vermelhinha, ficava verde, vermelha, tal. Tudo isso é café pra mim. Cappuccino, café americano, café colombiano. É um conceito enorme. Bolo de café, sorvete de café. Não é só a letra, a palavra em si. Então pra todas as palavras nós temos que ter conceitos, aí a gente pode usar aquilo que a gente tá aprendendo. Volta de novo aquela ideia de aprender pra aplicar. Interessante que esse autor Hubbard descobriu que quando a pessoa passa uma palavra que ela não entende completamente, você vê sintomas físicos nela. Então a pessoa tá ali bem atenta, vamos dizer numa palestra, ela tá lá prestando atenção, uma aula, de repente... Pessoa já sabe, já foi. Dispersou, perdeu a concentração. Não é porque ficou chato. Antes de ficar chato houve alguma coisa que a pessoa não entendeu. Então você já sabe, tem algo que você não entendeu aí, vamos voltar. Não é só voltar e ler de novo. Volta, localiza a palavra, às vezes você precisa de outra pessoa pra te ajudar, porque não são as palavras mais difíceis que atrapalham, porque as mais difíceis você tá ali lendo. Dianética. O que... Não sei o que é dianética, vai ao dicionário, vai na internet procurar. Mas se for uma palavra simples do dia-a-dia, que você já ouviu tantas vezes? Combustível. Você não vai procurar no dicionário, mas se eu perguntar pra você, qual a definição de combustível? É gasolina, né? Não. Gasolina é um tipo de combustível, mas qual a definição da palavra combustível? Eu faço isso em palestras, é raro alguém que até saiba definir o que é combustível. Ah, alguns: “É combustão”, “É. Combustão.”, “O que é combustão?”, “Queima. Então é uma substância que pode queimar”, “Ah”. É, então isso é combustível, uma substância que pode queimar, essa é a definição, aí têm vários tipos de combustíveis. É interessante, quando você entra nisso é um mundo fantástico. Você vai ao dicionário e encontra 20 definições para berço. Nossa como que berço tem 20 definições? Uma criança vai saber qual definição de berço? Só uma. Se souber que é a caminha que ela dormiu, que o irmãozinho dorme. Aí tá lá, na quinta série da apostila da minha filha: “O berço da estrela”. Ué, não sabia que a estrela dormia no berço. Tem berço pra estrela? Ela não tem nem ideia, não tem como ela simplesmente cair assim, que é da onde vem, que é a origem da estrela, porque o que ela sabe é que a estrela, que tem o berço que é a cama. Era um texto de astronomia, cheio de palavras difíceis que nem adulto sabe. Anos luz e prisma. Nossa, um monte de coisas, pra quinta série do ensino fundamental. Depois fala: “Ah, mas a criança não entende, é burra, é isso”. Colocam outros rótulos, é dislexia, é não sei mais o quê “xia”, é “ismo”. E não é nada disso, é só porque a pessoa não entendeu. Quando vi tudo isso, fiz o curso mais avançado dessa técnica, falei: “Nossa, isso é muito bom, preciso passar isso para as pessoas”. Sabe quando você encontra uma coisa boa? Mesmo que seja uma liquidação, você quer falar para as suas amigas. Fala que tem que passar isso para as pessoas. Foi isso que me fez voltar ao Brasil. Na verdade… Porque pra mim, individualmente, não precisaria ter voltado, gosto dos Estados Unidos, ainda viajo pra lá. Uma coisa que gosto muito é a limpeza, agora foi... Agora em janeiro eu estive lá, num final de semana, porque foi uma convenção, até de última hora e lembro que cheguei no aeroporto e fui ao banheiro. Aquele banheiro limpinho, uma beleza, até os saquinhos. Não tem aqueles lixos transbordando, não tem pingo na privada. Agora compara isso quando eu estive na feira do livro no Rio de Janeiro. Meu Deus, não dá pra ir ao banheiro. Cada vez que tem que ir ao banheiro era aahhh. Tinha que ir lá, limpar a privada pra poder... E tinha que ir rápido porque você tava trabalhando. Aí você percebe o quanto que o Brasil ainda... Tem que evoluir e isso tem a ver com educação. De educar, de dizer, tal, tal, tal. Agora com essa chuva toda, essas inundações, em vez de ficar só falando das tragédias, por que não educam as pessoas a não jogarem lixo na rua? Que é uma coisa super simples, que evitaria um monte desses problemas. Pode ser que não seja só isso, mas já ajudaria muito. Cada vez que falassem uma má notícia, falar: “Então gente, olha, não joguem lixo na rua porque...”. E outra, to falando isso no programa de rádio também, quando posso já dar a dica. Mas a gente percebe. Falava, queria pra mim, pessoalmente, era melhor ficar nos Estados Unidos, mas eu falei: “Não. Tenho que voltar, porque essa é uma técnica que o Brasil precisa muito”. Como estudar, é mais básico do que qualquer coisa e não interfere em nenhuma técnica da escola. Não é: “Ah, porque eu tenho um método montessori, tenho um método Paulo Freire”. Não importa. É mais básico do que qualquer método, pode ser usado com qualquer método. Mas você vê que depende da escola e do professor, depende do objetivo. Estive no Colégio Bandeirantes para mostrar essa técnica para a diretoria e oferecer para eles. Não quiseram, não demonstraram interesse. Por quê? Qual é o interesse deles? Fazer com que as pessoas passem no vestibular. Não há interesse em aprender para aplicar. É uma técnica que dá trabalho, um pouco para o professor. Não é tanto assim, mas você tem que prestar atenção no aluno, tem que se responsabilizar, não é assim: “Se não entendeu o aluno é burro. Eu fiz minha parte aqui, to aqui ensinando e se ele não entende é porque é disléxico”. Não é isso, é aquele professor que: “Ora, não tá entendendo, por que ele não tá entendendo?”. Buscar descobrir, buscar ter responsabilidade. Se os alunos vão mal numa prova, tem professor que fica orgulhoso: “Ah, minha prova ninguém tirou mais que dois”. Isso é horrível. Se ninguém tirar mais que dois na sua prova é porque você tá ruim como professor, você precisa melhorar. Os professores não têm esse ponto de vista. Já tentei em escolas estaduais, tentei fazer palestras até gratuitas e reparei que gratuito não funciona muitas vezes, porque as pessoas não dão valor. Nem que tenha que pagar uma taxinha que tenha o intercâmbio e que a pessoa tenha interesse próprio, não que a escola... Porque se a escola falar assim: “Ok, gente, vocês são obrigados a irem a esse curso”, eles também vão de má vontade. Olha tudo que a gente tem que fazer pra ajudar as pessoas. Você tá querendo ajudar os professores pra que eles possam dar uma melhor aula, pra que eles até possam se sentir melhor, porque o professor não se sente bem do jeito que eles tão hoje em dia.

Até surgiu uma polêmica, porque no rádio eu falei que os professores estavam fazendo aquela prova e que tinham alguns professores que tiraram zero. Lembram-se disso? Eles estavam lá, fizeram a prova, tiraram zero, outros foram muito mal e eu comentei no rádio, mas isso foi de um artigo do Gilberto Dimenstein. Não sei se é Dimenstein ou Dimenstein. Um professor reclamou: “Você tá falando mal dos professores”. Eu falei: “Então vá reclamar para o Gilberto porque veio dele”. Mas eu falei: “Não. Eu não tô falando mal, eu não falo mal dos professores. Eu falo que existe uma solução, que tá havendo um problema e não to responsabilizando os professores 100%. Mas eles têm que ter alguma responsabilidade também”. E aí, é claro, as pessoas falam: “E o governo?” Eu já fui no governo também. Já fui duas, três vezes em Brasília, alguns governos estaduais e não houve interesse também. Você vê, não há interesse de fazer com que as pessoas aprendam a estudar de verdade, só assim... Nos cursinhos, o que eles querem? Decoreba. Decora, faz as musiquinhas, quais são os professores mais bem pagos do Brasil? Professor de cursinho. Porque ele vai lá, faz toda aquela cena, toda aquela dramatização, faz a musiquinha, todo mundo decora e passa no vestibular. Ok. É essa demanda, mas aí chega na faculdade, pergunta pra um professor da faculdade a dificuldade que ele tem com aluno, pra que o aluno leia, escreva corretamente. É só perguntar pra qualquer professor. Pega um texto de faculdade, de algum aluno, o professor às vezes não consegue nem entender o que aquele texto significa, não dá nem pra compreender o que aquela pessoa escreveu, porque ela colocou as palavras em ordem incorreta, não sabem... A gramática tem que existir pra que as pessoas possam colocar as palavras na hora correta, as palavras certas, pra que haja comunicação, pra que o que tenho aqui na minha mente eu possa passar pra você e você entender. Não é pra decorar um monte de regras gramaticais. Mas a pessoa não tem nem isso, como é que ela vai seguir uma faculdade? Como é que depois ela vai se tornar um bom profissional? É um problema seríssimo. Acho que todos nós deveríamos nos responsabilizar e fazer alguma coisa. Se o governo não vai fazer, então que as empresas invistam nisso, que a gente consiga mais patrocínios, até para os próprios funcionários de uma empresa, pra que eles possam... Por que os funcionários às vezes têm acidentes? Porque às vezes não consegue nem ler, nem entender como usar certa máquina, ou alguma coisa. Não entende… Ou às vezes regras de segurança. Já li numa empresa regras de segurança com várias palavras difíceis que a pessoa ali não vai entender, que eu não entendo. Se não entendo então eu tenho certeza que o trabalhador da fábrica não vai entender aquelas regras de segurança. O que quer dizer? Ele vai olhar assim: “Ah, legal”. Vai ficar mais confuso ainda e aí vai ter o acidente. A empresa iria economizar muito dinheiro se ela ensinasse o funcionário como estudar, aumentar o vocabulário do funcionário e desse ordens ou textos pra ler que fossem claros, com palavras simples. Quando eu faço meu programa de rádio também falo simples, tem que falar. Não vou falar, em vez de falar... Usar uma palavra simples, em vez de usar uma palavra mais complicada, procurar um sinônimo mais simples para as pessoas possam entender. Em vez de falar analogia, falar comparação. Até a palavra analogia, tô certa de que muita gente não entende. Isso é uma coisa que a gente vê na prática e que eu tenho trabalhado bastante, mas às vezes fico um pouco frustrada porque não vejo tanto apoio, nem do aluno.

Tem um professor de faculdade, uma faculdade de Santo André que adotou o dicionário. Ele gosta da técnica, tudo, ele usa pra si mesmo e pra dar aula, então ele falou: “Gente, de agora em diante todo dia vocês têm que trazer dicionário na sala de aula, porque é muito importante”. O que ele tá querendo? O bem do aluno. Foram reclamar dele pra reitoria porque ele tá exigindo mais um livro. Acredita? Então olha a dificuldade que é ajudar as pessoas, ajudar... As pessoas não traziam dicionário, ele teve que falar... Ele ia dar meio ponto pra quem trouxesse o dicionário. Adultos. Às vezes adultos até já trabalhando, de 30 anos, ele fazia uma fila pra pessoa mostrar o dicionário pra ganhar meio ponto. Na fila, eles ainda pegavam uma pessoa lá da frente, dava meio ponto e passava o dicionário, o mesmo dicionário pra pessoa lá atrás. Você pode acreditar em tudo isso? Quando ele me contava eu falava: “O que a gente vai fazer?”. Até falar, convencer: “Ah, muito trabalho esse negócio”. O professor acha que é muito trabalho ter que ficar olhando para o aluno, vendo se ele tá entendendo ou não. Ah não, já passa a matéria lá. Mas pelo menos passar de forma mais simples, ou não usar palavras tão difíceis.

Uma vez nós fomos num programa de televisão, fomos com um médico pra [ele] explicar a dianética e ele começou explicar com os termos de medicina. Eu só assim, só que ele tava falando, não podia interromper também: “Ô doutor, dá licença, tá muito difícil”. Quando ele terminou de falar, tive que explicar o que ele falou, porque senão o pessoal não entende. Médico, geralmente, também gosta de falar com aqueles... Advogados, às vezes juiz, aqueles termos assim, achando que tá... Aí ninguém tá entendendo nada, tá todo mundo dormindo, não adianta, não adianta muito. A gente tá nesse trabalho e espero poder, até através desse vídeo, ajudar as pessoas a terem pelo menos a curiosidade de saber o que é isso e como pode melhorar suas vidas se aprenderem como estudar. 

P/1 - Quer perguntar alguma coisa Fer? 

P/2 - Como é que foi a decisão, de depois de ter aprendido toda essa técnica, voltar para o Brasil e como é que foi essa volta? 

R - Ah, bom, não foi tão rápido assim. Decidi que ia trazer toda essa metodologia para o Brasil, de estudo, dianética, tudo do L. Ron Hubbard. Fui trabalhar com essa organização em Clearwater. Morava em Pompano Beach, é uma hora de Miami. Saí de Miami, Miami foi só o comecinho ali, não gostamos de ficar muito em Miami, Miami Beach, fomos pra Pompano Beach. É uma hora de Miami mais ou menos. Só que a organização maior ficava em Clearwater, que é do outro lado, lado Oeste da Flórida. Nós fomos do lado leste para o oeste, foi pra trabalhar em Clearwater com a dianética. Só que lá mesmo, mas sempre com aquela: “Brasil. Tenho que voltar para o Brasil, tenho que levar isso para o Brasil”. Mas não tinha uma oportunidade, porque eu também não queria sair correndo sem um plano, nada. Fui ficando lá. Aí surgiu a oportunidade de vir ao Brasil fazer palestra sobre esse assunto. Então falei: “Vamos aproveitar isso”. Comecei a vir, mas vinha, fazia algumas palestras e voltava. Já tava casada com meu segundo marido, que foi lá em Clearwater que eu casei e falei: “Eu tô com vontade de realmente ir pra lá”. Também foi o momento que eu engravidei da minha filha, falei: “Ah, então acho que já vamos juntar. Já que já tem a gravidez, tem essa vontade de eu ir para o Brasil, já sei mais ou menos como é que é a coisa lá, o que eu vou...”. Agora eu vou chegar ao Brasil, o que eu vou fazer? Vou entrar em contato com meus amigos, familiares, pra começar com alguma coisa. Não tenho nada muito exato do que vou fazer, mas vou começar a entrar em contato. Vim, comecei, bem do nada mesmo, mas com essa intenção de criar uma organização aqui, começar ajudar as pessoas com essas técnicas. 

P/1 - E como é que foi o processo de você passar do primeiro marido e tal, como é que você conheceu o seu segundo marido _________? 

R - O primeiro foi porque ele tava assim, um pouco confuso, não sabia se gostava de mim, se gostava de outra mulher, aquele negócio, fica na confusão. Bom, isso foi... No início, não era nada engraçado, com certeza. Foi realmente doloroso, tanto que foi através da dianética que eu consegui me aliviar, porque é uma sensação muito ruim de você descobrir traição, esse tipo de coisa. Você fica: “Ahhh” dá aquele cheque, mas depois aliviei bastante isso. Falei: “Não”. Até tava disposta a tentar de novo, a fazer dar certo, não tinha carga assim, contra ele, nada. Mas ele que não conseguia decidir, ele ficava: “Não. Não sei. Eu fico com você, mas eu gosto também dela e não sei se é dela, se é de outra”. Era meio confuso. Então falei: “Então não vou ficar te esperando. Você tem um tempo aí, você vai decidir se você vai ficar comigo é comigo. Você quer ficar com várias mulheres, tem que ir pra Arábia, não sei o que você tá fazendo aqui. Uma só. Uma só de cada vez. Então você define uma”. Mas ele ficava muito tempo assim, falei: “Ah, então vamos terminar porque não dá. Eu tenho que decidir minha vida, tô com vontade de trabalhar com dianética, não vou... Tem que decidir. Então vamos decidir, divorciar”. Nos Estados Unidos é muito fácil o divórcio, não precisa nem de advogado. Você vai lá à corte, é mais fácil que casamento. Vai lá, tal. É claro que é quando ambas as partes estão ok: “Você quer?”. Então divorciamos, beleza. Fiquei solteira por um tempo, trabalhando com a dianética, só me preocupando com isso. Mas foi em Clearwater, trabalhava lá com a dianética, que eu conheci meu marido atual. Ele tava no mesmo objetivo que eu, de trabalhar pra ajudar as pessoas, trabalhar com esse assunto, não com o objetivo de vir ao Brasil, aí eu crrr. 

P/1 - Ele é americano? 

R - Ele é venezuelano. Então ele não... Aliás, no início a gente falava até em inglês, porque eu não sabia tanto espanhol e ainda tinha um pouco de preconceito contra o espanhol por causa dos cubanos de Miami. Então: “Ah, não. Espanhol...”. Até entendia, mas: “Não. Não sei espanhol. Não sei”. Eu falava em inglês, mas depois quando a gente veio para o Brasil, tivemos que passar um tempinho na Argentina pra fazer um treinamento lá na organização de dianética da Argentina, que eu peguei mais o espanhol e comecei a ver que era importante também aprender e falar. Meu espanhol é argentino, mais cantadinho. Já tava com ele lá, falei: “Eu quero realmente levar a dianética para o Brasil, é uma coisa muito boa essa técnica de estudo. Vamos lá?”, “Vamos, já que você quer, então...”. Ele veio junto é claro, pra também fazer isso. Trabalho com ele até hoje nesse assunto. Então ele tá... Fiquei grávida, tivemos nossa filha também. Mas foi assim, tinha um certo plano, mas não era um plano tão detalhado, não tinha um financiamento, não tinha um dinheiro específico pra começar. Foi começar do nada mesmo, começar do nada. Interessante que logo, assim, depois de começar mesmo a abrir o local, comecei a ser entrevistada em rádios, mais em rádios do que em televisão, até algumas coisas em televisão... Gostei muito de rádio. Achei que o rádio era um veículo muito legal, fazia entrevista de dez minutos sobre o que é a dianética, como funciona, a mente reativa. E o pessoal gostava tanto, divulgavam a palestra, a pessoa vinha pra palestra e adorava. Então comecei a... Teve um episódio interessante quando fui falar com o dono da Bandeirantes, que era o senhor Saad, que na época... Já falecido agora. Porque foi por indicação, sabe o “quem indica?”. Tinha um amigo dele, falou: “Ah, eu conheço essa... A Lúcia é muito legal. Uma técnica, ela quer falar com você”. Ele tava sentado numa mesa grande, era bem velhinho já e ele ficava me ouvindo. Falei: “Puxa, esse cara não tá entendendo nada do que eu tô falando”. Eu lá, explicando dianética pra ele, falei: “Meu Deus, o que vai dar isso aqui? Deixa-me ver se ele acorda”. Chegou no final da coisa que eu falei: “Tá bom vai”. Deixei uns livros pra ele, ele falou: “O que você quer minha filha?”, “Eu quero fazer entrevistas na rádio pelo menos todo mês” - por que era gratuito - “Todo mês vir fazer uma entrevista aqui porque eu gostei e tal”, “Tá bom”. Podia só ter falado isso, não ter explicado nada. Ele chama o diretor da programação: “Vem aqui. Ela quer fazer entrevista aí todo mês. Organiza com ela”. Foi simpático. Peguei lá e comecei a fazer, todo mês entrevista. Só cortou porque acho que entrou a copa do mundo, não sei na época, tinha jogo aí eles me deixaram de lado. Não consegui mais falar com o senhor João, aí acabou a história. Mas fui atrás de outras rádios, fui na CBN, porque tenho sempre contato com a CBN. Conversei com o Heródoto Barbeiro, fui entrevistada pelo Piotto, pela Maria Lídia. Tem um programa no Eldorado muito bom no horário do almoço, também fui entrevistada lá. Comecei a ver, o rádio era muito... Adorei isso de rádio. Falei: “Ah, muito legal isso daqui. Eu quero ter o meu próprio programa”. Surgiu a oportunidade na rádio Mundial, uma pessoa me entrevistou na rádio Mundial e falou: “Não, aqui você paga o programa e você tem o seu próprio programa uma vez por semana”. Vamos tentar, né? Começamos a fazer isso, foi há nove anos. Já faz nove anos que eu tenho o programa que chama “Dianética, a esperança de um mundo melhor”. Na verdade tem dois já, agora são dois, um na quarta-feira, um no domingo. Na quarta-feira às 18 e 30, no domingo às 19 e 30. Domingo é mais longo, é uma hora. Tenho agora os meus fãs, os meus ouvintes que ouvem. Tem gente que diz que ouve toda semana, que vai lá na hora do programa, tem que ouvir o programa da dianética. Porque eu pego um tema assim, insegurança no trabalho, por exemplo, aí trabalho isso em relação a dianética. Pego o autor... Agora como eu tenho editora, é outra coisa, né? Como trazer esse material todo que é em inglês para o brasileiro, em português do Brasil? Porque já tinham algumas coisas no português de Portugal, mas aí já não é tão bom, porque o português de Portugal é diferente. Não foi só essa mudança de grafia que deixou o português de Portugal igual do Brasil. Tem muitas outras diferenças. Tanto que fiz esse trabalho de passar do português de Portugal pro português do Brasil. Ele tem muitos livros, o L. Ron Hubbard, então a gente tinha que passar isso pro português do Brasil. Ajudei muito a traduzir, viajei pra fazer cursos de como editar o livro em português do Brasil. Não é fácil pegar um livro que é técnico e passar... Se o autor tivesse falando em português do Brasil, como ele falaria? E não perder a metodologia em si... Tem muitas fases, é bem complicado. A gente tá agora com nove títulos em português do Brasil. Em 2000 eu resolvi abrir a editora, que é a editora Ponte do Brasil, onde trabalho agora, pra ficar focalizada nos livros. Outras pessoas ficaram com a parte de serviços, mas não consegui sair das palestras, porque as pessoas gostam das minhas palestras. Além da venda dos livros e tudo mais, dos programas de rádio, programas de televisão etc.... Eles querem ouvir palestras minhas. Às vezes até perguntam: “Você não atende? Você não faz as sessões?”. Eu não faço mais. Fazia antes, mas agora não dá pra fazer, é muita coisa já o que eu faço. Já tem pessoas especializadas que fazem. Agora faço mais o trabalho com os livros, são nove títulos que já estão em português do Brasil, divulgando esses livros e não só divulgando, fazendo com que as pessoas leiam os livros. Aí que entra o ponto. Não adianta vender o livro... Tem um livro que é dessa grossura assim, porque a letra é grande. É bem diagramado, é lindíssimo o livro, muito bonito. São novas edições e as capas venceram prêmios nos Estados Unidos, algumas das capas. Nós participamos de quase todas as bienais, as mais importantes, principalmente no Brasil, e o pessoal olha: “Nossa, que livro lindo”. Mas só que ele é grosso porque ele é... Antes ele era pequenininho assim, só que a letrinha o pessoal achava... Quando abria aquela letrinha. Acho que é melhor grande, com a letra maior, boa diagramação, mas o pessoal olha o livro grande e já assusta. Muita gente no Brasil. Eles olham: “Tudo isso? Não. Não vou ler”. Nem começou a ler, só do tamanho. Às vezes eu falo no rádio, agora tem um DVD novo também, de quatro horas e meia. Isso porque a organização internacional de dianética percebeu que não é só no Brasil que tá com problema de comunicação. A gente pensa: “Ah, o Brasil, o Brasil...”. O Brasil tem um problema sério de educação, mas o mundo inteiro [também tem]. A educação tá decaindo em todo o mundo. Eles viram que a gente tá numa época muito audiovisual. Eles trabalharam 70 mil horas pra fazer dois discos de quatro horas e meia de apresentação. É o livro em filme para que as pessoas possam entender, porque ler o livro não é todo mundo que consegue porque já olha... Faço o kit, livro e DVD. Falo: “Ligue tal...”. A pessoa se entusiasma com o meu programa de rádio: “Que legal, dianética. Vou comprar esse livro e esse DVD”. Aí recebe em casa, porque não viu, recebe o livrão... Eles me ligam: “Só de olhar o livro, olha, eu fiquei desesperado, eu desisti, eu falei ‘Não vai dar certo’”, “Você assistiu ao DVD?”, “Não”. Não sei o que acontece. Isso eu não consigo entender. Olhou o livro, desistiu porque é muito grosso. Falei: “Vai, assiste o DVD, depois você vê se...”. O livro é formado de três livros, dentro dele tá, se você abre o índice tá Livro um, Livro dois, Livro três. Tem até uma senhora que vendeu na livraria, uma vendedora de livraria vendeu o livro porque ela usou esse argumento. O cara falou: “Mas é muito grande”. Ela falou: “Mas são três em um”. Aí ele: “Ah, tá bom”. Aí comprou. Vou usar isso aí também, quando falarem que é muito grande: “Mas são três em um”. Daí a pessoa compra, então é isso. É essa dificuldade... Todos os materiais, o estudo da dianética é feito através de livro. Talvez a pessoa: “Poxa, eu nunca tinha ouvido falar dianética. Por quê?”. Porque não é uma coisa de massas assim, onde você coloca mil pessoas e verbalmente... Vocês conhecem vários palestrantes dessas outras técnicas e métodos de melhoramento pessoal que é o palestrante, o doutor tal. Por que não sou eu que vou? Porque eu não quero isso. Quero que as pessoas paguem direto do autor, que elas leiam, que elas até melhorem a sua capacidade de leitura. Então tem que ler. E se a pessoa não consegue ler? É difícil. Como ler? Como estudar? Por isso que é tão importante ter isso até primeiro e depois passar pra parte da leitura dos livros em si. Depois que ela começa a pegar no tranco e ler, ela vai ver que é bom, vai gostar e aí continua. Sei que é difícil pra uma pessoa que mora em São Paulo, principalmente, ter um tempo em casa... Você conhece alguém que chega em casa: “Agora eu vou ler o meu livro”? É difícil, né? Ter até disciplina pra fazer isso. É muito mais fácil chegar em casa, comer e sentar no sofá pra assistir televisão. Televisão tá ali, o sofá tá lá, já tá ligado mesmo, você já senta ali, ai fala: “Ah, não tive tempo de ler”, “Como não teve tempo? Mas você assistiu à novela, o que você fez?”. A televisão hipnotiza. Então você senta ali em frente, só vou sentar um pouquinho pra ver o que tá acontecendo, aí você já não sai mais de lá. “Você leu o livro?”, “Não tive tempo”, “O que você andou fazendo?”. Realmente é uma questão de... Não é fácil a gente passar esse método por causa disso, de ter que ler, ter que fazer. Tem até curso por correspondência, que muitas pessoas se inscrevem, mas é raro quem consegue completar porque tem que ler, fazer os exercícios, mandar os exercícios por e-mail. Não sei se o curso a distância vai dar certo no Brasil, porque tem alguns cursos, até faculdade, graduação, pós-graduação a distância, tem que ter muita disciplina, muita capacidade de estudo. Mas o bom, o que me leva a continuar apesar de todas essas dificuldades? É que as pessoas melhorem, que elas leiam ali e elas falem: “Nossa, é isso mesmo. É assim”. Crianças que não conseguiam estudar, que agora conseguem. Adultos que não conseguiam ler e agora estão estudando e indo melhor na vida. Pessoas que estão melhorando porque se aliviaram de perdas, traições, dores do passado. Pessoas que achavam que iam ficar o resto da vida com medo, o resto da vida com tristeza e conseguem se aliviar. Esse dia-a-dia das melhorias é que fazem a gente, eu principalmente, falar: “Nossa. Tenho que continuar, apesar da dificuldade, apesar de não ter ajuda de ninguém, a gente tem que realmente...”. É do nosso trabalho mesmo, mas é que a gente vê as melhorias. Tanto é que entrevisto no programa de domingo, sempre entrevisto uma pessoa que tem aplicado dianética na vida, como que a pessoa tá etc. Percebemos as melhorias das pessoas e essas melhorias são rápidas. É isso.


P/1 - E aí nisso tudo a veterinária então ficou? 

R - É. Agora é só a gata mesmo que eu tenho em casa que usa esses atributos. 

P/1 - E você veio pro Brasil então já com sua filha... 

R - Não, eu vim grávida. 

P/1 - Veio grávida ainda? Como que é o nome dela? 

R - Eileen. É um nome americano. Como se fosse Einstein. 

P/1 - E ela tem quantos anos agora? 

R - Tem 17. 

P/1 - E você então veio, montou a editora, está com esses programas... E dá palestras e... 

R - Isso. O que eu faço é que através do programa, faço a venda do material e falo que quem comprr o material ganha uma palestra… Chamo de workshop que é mais chique. Workshop é um curso curto com algumas práticas. As pessoas que veem ao workshop realmente ficam mais animadas porque elas veem que existe como aplicar, elas tiram dúvidas. Contato pessoal é outra coisa também. Às vezes em casa só a pessoa pega o livro, aquele calhamaço: “Não sei, não vai dar”. Tanto que agora como a rádio Mundial tá pegando melhor o interior do que São Paulo, eles estão com a antena em Jundiaí, a antena da rádio. Até o pessoal fala: “Pega tão bem aqui em Jundiaí”. “Exatamente. Porque a antena tá aí”. Pega Campinas, Sorocaba, toda região ali. Até sul de Minas, às vezes as pessoas estão na estrada e acabam ouvindo, depois ligam. Esse pessoal tá às vezes até mais... Tá pegando melhor às vezes lá no interior do que aqui em São Paulo, dependendo do local, por causa das outras antenas que tem e tudo mais. Muita interferência que tem em São Paulo. As pessoas estão ligando, por isso que a gente tá indo pro interior agora também. Nós estamos fazendo workshop em Sorocaba, Campinas, Jundiaí. Jundiaí é uma cidade que faz já algum tempo que eu tenho ido bastante, porque tem uma pessoa lá que lidera um grupo de dianética, então já aproveita. Através da prefeitura de Jundiaí, nós estivemos lá, a esposa do prefeito, fizemos uma palestra muito legal na prefeitura. Tá indo bem, o pessoal de Sorocaba, Campinas, bem interessado, da região. Estamos agora programando pra esse período voltar pra Sorocaba e Campinas, que são as maiores, né? Mas aí todo mundo que está ao redor acaba participando também, e depois a pessoa continua nos centros de atendimento, centros de serviços, ela vai fazer cursos, a parte terapêutica etc, e continua estudando os livros. Tem um livro também que chama Autoanálise, é muito prático, dá pra fazer em casa sozinho. Tem coisas muito práticas.. É isso que é difícil às vezes pras pessoas. As pessoas não tão muito acostumadas com: “Faça sozinho. Eu que tenho que fazer”. É mais assim: “Ajuda porque eu preciso de uma...”. Às vezes precisa mesmo de outra pessoa que venha, a gente também tem isso, mas ela também [tem que] entender que ela precisa participar. Qualquer terapia pra dar certo é necessária a participação dos dois, do terapeuta e da pessoa também. Não adianta o terapeuta ficar lá dormindo enquanto a pessoa conta a história, e também não adianta o terapeuta estar interessado e a pessoa não saber o que fazer, não estar entendendo nada. Muitas terapias nem dão certo porque a pessoa não está entendendo nada, ela acha que ela não tem que entender, que quem tem que entender é o terapeuta, mas ela tem que entender também o que está acontecendo. Tem que entender como a mente dela grava, que tem essas gravações negativas, que a ideia é que você esquece, essa é a crença popular. Esqueci. Então esqueci. Esquecer não faz a imagem desaparecer, então a imagem está lá e ela pode ser reativada sem você querer, volta o tempo presente e te atrapalha. Ajuda muito ter esse entendimento, a gente trabalha muito essa parte, ter o entendimento, como entender isso pra poder já começar a melhorar, só pelo entendimento, só de ler o livro a pessoa já melhora. Mesmo que ela não vá fazer nenhuma terapia, só de ler o livro ela entende: “Agora tô entendendo porque...”. Achamos o caso de uma criança, quer dizer, uma pessoa adulta que tinha medo de lugares fechados, principalmente elevador e não sabia o porquê, não lembrava, esqueceu. Esqueceu que quando era pequena, bem pequenininha, estava brincando de esconde-esconde e viu uma geladeira desativada. Sabe aquelas geladeiras bem antigas pesadas que abriam assim? Ela: “Ah, ninguém vai me achar aqui. É um ótimo lugar pra eu me esconder”. É mesmo, ninguém achou. Então a criança ficou lá, perdeu os sentidos porque ela gritou, gritou, gritou e ninguém ouviu, porque aquela geladeira... Até que procurando a criança, procurando a criança, encontraram desmaiada. Foi uma sensação muito ruim, né? Ficou gravado na mente dela. Recuperou-se, fisicamente não teve nenhuma sequela, mas ficou essa gravação. Mais tarde isso entra em ação, quando ela tá num lugar fechado o que ela pensa: “Vou morrer, vou desmaiar”. Porque vem aquela mesma sensação de antes, mas que a pessoa não se lembra da onde vem. Se a pessoa falar assim: “Ah não. Acho que nada disso me aconteceu. Não lembro”. Não lembra mesmo, não vai lembrar. Se lembrasse nem afetaria tanto. Quando você lembra já não te afeta, quando você não lembra é que te afeta. O que você não sabe é o que mais te afeta, não é o que você sabe. Então é desvendar essas coisas passadas que você nem lembra e poder aliviar, não só desvendar, mas aliviar. A gente se sente muito bem de poder ajudar as pessoas nesse sentido. 

P/1 - E como foi ser mãe? 

R - Foi legal. Foi bom também usar a dianética preventiva, usei durante a gravidez inteira, é manter o silêncio quando houver algum tipo de dor e ter um parto tranquilo, tentar ter o parto mais tranquilo possível, normal. A gente, qualquer pessoa que trabalha e tem filhos, é sempre um pouquinho complicado, qualquer que seja a profissão. Porque você quer também dar mais atenção, mas ao mesmo tempo também tem que trabalhar. Ela logo foi pra escola, acho que com três anos já foi pra escolinha, e a gente pensou assim: “Ah, eu vou colocar ela pra...”. Era pra ficar uma hora pra ver se acostumava. A gente ligou depois de uma hora, era bem perto, ligou: “Ela tá adorando. Pode ficar mais uma hora’”. Ligou depois de duas horas: “Não. Ela tá muito bem. Ela já pode ficar mais”. Aí ficou o dia todo. Não queria ir embora. Minha filha também é independente como eu, o que é bom porque eu trabalho bastante, o pai também. Então ela pode fazer as coisas dela. Como o pai é venezuelano, a família é da Venezuela. Ela, acho que com dez anos, 11, foi pra Venezuela sozinha pra visitar a família. Já tínhamos ido antes quando ela era menorzinha, mas aí com dez, 11 ela foi lá sozinha pra Venezuela pra ficar com os primos, conhecer tal, voltar. Ela ia muito pra acampamento de férias. A gente às vezes vê as outras mães quando a criança tá indo pro acampamento: “Ai, minha filha, ela vai pro acampamento...”. Uma semana e já aquela choradeira. Até agora, quando teve essa viagem de formatura, é a famosa viagem de formatura que tem que ter, eu vi mães chorando que o filho com 17 anos ia ficar uma semana, acho que no máximo também. É bom que isso eu já passei pra ela, ela tá tranquila. Quando tá com a gente tá bem, quer ficar com a gente, mas também se precisar viajar, se precisar fazer alguma coisa... Se eu precisar viajar, porque às vezes tenho que viajar também, ela fica bem. Então é legal. 

P/1 - Então já encerrando. Ficou faltando falar alguma coisa? Alguma coisa que a gente não tenha te estimulado que você queira deixar registrado? 

R - Deixa-me pensar. Tanta coisa, né, a vida da gente. Eu acho que não. Do rádio eu falei bastante. Gosto muito desse trabalho no rádio, acho muito legal poder estar em comunicação com tantas pessoas ao mesmo tempo. Gosto de programar, fazer o programa ficar legal, fazer ficar interessante e me tornar uma profissional em tudo que eu faço, né? Tudo que faço eu quero fazer como profissional, que é uma coisa também que o senhor Hubbard diz sempre. Gosto muito do rádio, de conversar com as pessoas, de ajudar... Uma coisa que me ajudou muito também, na dianética, foi gostar mais das pessoas, acho que só isso de... Minha capacidade de ter afinidade pelo outro aumentou muito. As pessoas são interessantes, qualquer pessoa é interessante. Acho que o trabalho de vocês tem muito a ver com isso também. Qualquer pessoa tem tanta coisa interessante pra contar, vocês devem saber histórias e histórias e histórias... É isso que é o legal de estar aqui, no planeta Terra, em contato com as pessoas agora e tornando-as melhor. Tudo que a gente puder fazer pra contribuir é muito bom, porque você vai melhorar a humanidade. Acho que é só isso. Obrigada. 

P/1 - E como que foi estar sentada aí, dar o seu depoimento, lembrar-se dessas coisas todas? 

R - Super interessante. É muito legal mesmo, porque eu tinha coisas que já tinha mais ou menos pensado em falar e tinham outras que não, que vocês foram estimulando e a gente vai se lembrando de bastantes coisas mesmo, que às vezes na hora não lembrava, mas: “Ah, também aconteceu isso. Também...”. Uma coisa vai puxando a outra. Foi muito bom. Obrigada. 

P/1 - Então a gente agradece seu depoimento. 

R - Eu que agradeço.

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