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A COPA DE 1970 E O SELO DO MILÉSIMO GOL DE PELÉ: 1969

História de: JERDIVAN NOBREGA DE ARAUJO
Autor: JERDIVAN NOBREGA DE ARAUJO
Publicado em: 23/07/2013

Sinopse

Quando eu tinha oito anos achei um selo de comemoração ao milésimo gol de Pelé que guardo ate hoje

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História completa

Um dos maiores eventos esportivos já vivido pela  minha geração foi o Campeonato Mundial de Futebol de 1970. Daquele julho de 1970 à data de hoje, muitos Mundiais  já  aconteceram, mas nenhum se comparou com o “México 70”. Foi ali que Pelé se tornou  o maior jogador de futebol de todos os tempos. Foi também ali que  o futebol brasileiro passou ser motivo de orgulho nacional e fonte de respeitabilidade internacional. ​ Eu morava na cidade de Pombal, interior da Paraíba, que  ainda se ouvia os jogos de futebol em radinhos de pilha mas que a televisão já começava  a chegar  modestamente aos nossos lares. A Seleção Canarinho venceu todos os seus confrontos com atuações mágicas, sapecando uma goleada na esquadra Azzurra, na final, e eternizando-se como uma das maiores Seleções de todos os tempos. Na primeira fase, o Brasil começou goleando a Tchecoslováquia por 4x1, e no jogo seguinte venceu a Romênia por 3x2. O último jogo da primeira fase foi contra os ingleses, campeões da Copa do Mundo anterior, e decidiu a primeira colocação do grupo em uma partida épica e muito disputada na qual o Brasil venceu por 1x0. Nas quartas de final, o Brasil derrotou a seleção do Peru, cujo técnico era o grande craque brasileiro Didi, pelo placar de 4x2. Nas semifinais, em um jogo de muita tensão contra os antigos rivais uruguaios, o Brasil venceu por 3x1. A final foi contra a Itália, que como o Brasil também já havia ganho duas Copas do Mundo, de modo que o vencedor levaria em definitivo a Taça Jules Rimet. O primeiro tempo terminou empatado em 1x1, mas na fase final a seleção brasileira dominou o jogo e venceu por 4x1. O fato é que poucos podem se comparar aos craques dessa geração, que conquistava o tri para a nação brasileira. Uma Seleção inesquecível, considerada a melhor do mundo até hoje. Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Tostão, Rivellino e Pelé foram treinados por Zagallo (que assumiu o posto depois da controversa saída de João Saldanha) e conquistaram a terceira Copa do Mundo para o Brasil. Pombal vivia uma época de poucas novidades e a maior delas era a chegada  da Televisão, que começou a ser instalada  no ano anterior, com muito suor  e persistência, em uma história já muitas vezes contada. Eu vi, através da Rede Tupy de Televisão, apenas o último jogo. Tinha eu  nove anos de idade, e jamais me saiu da memória aquela cena: a casa era de Seu Raminho e Dona Neuza. Uma sala pequena, uma televisão a frente e um moleque em cima da casa rodando as antenas(eram três) para um e outro lado. O som era inaudível o que foi resolvido com um rádio sintonizada na Rádio Globo. Ao final de cada  jogo  as ruas, onde até então imperava  o silencio, ganhavam vida com fogos e buzinaços dos poucos carros que circularam pela  ruas principais da cidade.  Nas janelas, os rádios  em bom som, aglomeram  torcedores que usavam a imaginação para desenhar em suas memórias os dribles de Pelé, narrados pelos não menos fenomenais Jorge Curi ou  Waldir Amaral que,   com seus bordões,   davam “show” de  narração, junto com Mario Viana, o primeiro analista de arbitragem que se tem noticias - O que foi que só você viu Mário Viana??? - êêêêrrrrroooooou o juiz... - góooolll léééééégal.... Não tínhamos  pessoas vestidas com as cores do País, não  tínhamos  bandeiras nas janelas, a ditadura de Garrastazu  Médice não  permitia o uso dos símbolos nacionais como se faz hoje. Era um tempo que até  as flores  não eram tão abundantes. A alegria era um tanto reprimida e pedia-se permissão para sorrir, mas, o futebol como sempre,  funcionava como uma dose de ópio que nos permitia pular e soltar gritos reprimidos a cada gol de Pelé. Eu ainda sinto o cheiro que exalava dos pacotes de figurinhas ao serem abertas;  ainda escuto a algazarra dos moleques da minha idade gritando de alegria pela sorte de ter conseguido uma figurinha do rei  Pelé; escuto o som das batidas de mãos  nas calçadas, em cada sombra de algaroba,  no jogo  “bate bate” ou “bafo”; o grito de alegria por ter colado a última figurinha e completado o álbum. Um mês depois da grande conquista, o meu pai recebeu pelos Correios, enviado pelo amigo Mundinho, que fora morar em São Paulo,  um Pôster da seleção Canarinho. Lembro-me que ele o retirou do canudo desenrolando-o lentamente, mostrou-nos apontando   cada jogador para, em seguida, colocá-lo de volta no canudo, guardando-o por mais de trinta  anos,  como se fora, e era, uma relíquia a ser apreciada   apenas a cada quatro anos. Lembro do grande poster da Seleção que Zé de Lau  mandou emoldurar e colocou  no  fiteiro ao lado do seu eterno   Bota Fogo e eu me perguntava por que o meu pai não fazia o mesmo com o que ele havia recebido do seu amigo. No ano seguinte, os Correios lançaram o selo do tricampeonato. Um ano antes, 1969, havia emitido o selo do  milésimo gol de Pelé. Certa tarde de 1969 eu caminhava ao lado da Agência dos Correios de Pombal, em direção a minha residencia, quando ao olhar para o chão eu vi aquela “figurinha”: Eu sabia lá o que era selo? Gostava mesmo era de futebol e de Pelé. Peguei-o e o levei para casa, guardando muito bem guardado e o tenho até os dias de hoje, sem nunca imaginar que 13 anos depois eu seria um empregado dos Correios e um filatelista amador. Ainda hoje eu tenho aquele meu primeiro selo, muito bem guardado. Acho que, de tão bem, nem eu sei onde.
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