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História

A Casa dos Artistas

História de: Karina Lucia dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/06/2021

Sinopse

Lembrança de Ribeirão Preto na década de 1970. Casa e mudanças na infância. Primeiro trabalho e primeiras impressões do comércio. Mudança para a cidade de São Paulo. Início da Casa do Artista. Perfil dos clientes. Divulgação e redes sociais. Pandemia. Família e filhos.

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História completa

          Meu nome é Karina Lucia dos Santos. Eu nasci aqui em Ribeirão Preto mesmo, no dia 24 de outubro de 1973. Meu pai é Kleber dos Santos. E a minha mãe, Silvia Lucia Martins dos Santos. Conheci os meus avós, mas eu só tenho uma avó viva ainda. Eles já moravam em Ribeirão, são descendentes de imigrantes. O meu avô materno é descendente de espanhol, o meu avô paterno é descendente de português, e a minha avó paterna é de italiano.

          O meu pai, quando jovem, era vendedor, representante comercial. E depois que ele se casou com a minha mãe, tinha muitos contatos com as fábricas e queria montar um negócio próprio. Então ele montou uma fábrica de ancorote, que são aqueles barris de madeira pra colocar pinga, mas não deu muito certo, acabou fechando. Depois ele montou uma loja de acessórios pra caminhão, na Avenida Brasil, que se chamava O Ranchão. Foi lá que ele seguiu a vida toda trabalhando. E o meu avô trabalhava lá com ele e vendia pinga pros caminhoneiros.

          A minha avó morava nos Campos Elíseos, numa travessinha. Lá é que eu tenho mais memórias de bem pequenininha - era uma travessinha com várias casinhas. E aí, da casa em que eu nasci, a minha mãe mudou pra essa mesma travessa, pertinho da minha avó. Eu fiz amizade com as crianças da vila, tenho contato até hoje com uma das amigas. Era bem tranquilo. Não era asfalto, era paralelepípedo.

          Nas escola, eu estudei no jardim da infância e depois eu fui pro Auxiliadora. Eu tinha vizinhas que também estudavam lá, e a gente revezava carona com os pais. Depois, quando eu fiquei um pouco mais velha, a minha mãe me ensinou a ir de ônibus. Mas eu não tinha muita ideia do que eu seria quando crescesse. Na verdade, eu não sou artista. Artista era a minha mãe. Então, eu não tinha muita ideia, mas eu sempre gostei mais da parte de Exatas. Tanto que quando eu fui prestar vestibular, eu já trabalhava com os meus pais, e acabei fazendo Administração de Empresas, porque eu já trabalhava com eles.

          Eu gostava mais dessa parte administrativa, mesmo. De organizar, de controlar, e a parte de cliente também. Eu só não pus a mão mesmo no caminhão, mas dentro da loja eu fazia de tudo um pouco. Depois que eu me formei, veio um processo seletivo no Senac, e fui selecionada pra trabalhar em São Paulo. E aí eu saí da empresa do meu pai e fui trabalhar no Senac. Aprendi muito lá. Cheguei ao cargo de gerente de unidade e até ganhei um carro do Senac - tinha um carro à disposição, e fui trabalhar na unidade de Guarulhos. Mas a minha intenção era sempre voltar. Até que o Senac estava montando uma unidade em Jaboticabal, e eu vim. Nesse meio tempo, a minha mãe montou a Casa do Artista.

          Mas meu pai ficou doente, e ela tinha que cuidar dele e do comércio. Quando ela ameaçou fechar, eu resolvi assumir. Isso foi em 2003. Mas ela já vinha crescendo com os anos. Primeiro era numa casinha; dessa casinha, minha mãe alugou o galpão do lado da casinha, na Prudente de Morais - que foi onde a Casa do Artista esteve mais tempo. A oficina de molduras também cresceu, precisou de mais funcionários. Então, quando eu vim em 2003, os cursos foram crescendo, com bastante procura. Foi só continuar.

          Mas ali, o prédio era alugado, e a gente precisou sair. Viemos aqui pra Antonio Diederichsen, no Jardim América, perto do Jardim Irajá. Aqui nós compramos o prédio, porque o valor da parcela do financiamento era praticamente o que eu pagava de aluguel. O ruim é que são dois andares, então a gente precisou adaptar, porque as salas de aulas ficaram no andar de cima - essa questão da mobilidade, a gente precisou colocar elevador.

          E a gente tem vários perfis de cliente, hoje. Começou com o artista plástico, os artistas de Ribeirão - tanto profissionais, quanto amadores que pintam como hobby ou que pintam como terapia. É um público que vem crescendo, porque a arte está se tornando cada vez mais acessível. As pessoas achavam que, pra pintar, você precisa nascer com dom. Morrem de vontade de fazer, mas não fazem, porque acham que não têm o dom. Isso está sendo desmistificado, porque você pode fazer arte, você não precisa ter dom, você aprende a técnica. E não precisa fazer nada perfeito, é só pra você, muitas vezes – de você colocar o seu sentimento, as suas emoções e se realizar na sua pintura.

          Mas a área do artesanato é que cresceu muito. Desde que eu entrei na Casa do Artista, é uma área que foi crescendo e começou a surgir essa demanda. Principalmente essa parte de pintura em madeira, que foi uma área muito crescente. Ao longo desses anos, nós crescemos bastante nesse sentido de trazer material novo, e o próprio mercado se desenvolveu mais nessa área, com tintas, com produtos que facilitam o desenvolvimento de algumas técnicas. Mas os produtos com os quais a gente trabalha servem pra cerâmica, pra biscuit, vidro, metal, pra reciclagem, pra tudo.

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