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História

A capoeira é liberdade, a capoeira é fascinante!

História de: Hélio Joaquim
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/02/2022

Sinopse

Nasceu em uma família humilde. Segundo filho de quatro irmãos. Se divertia com os amigos nas águas do rio Tietê. Trocou as brincadeiras pelo trabalho cedo, aos 13 anos de idade. Separação de seus pais. Na adolescência parou os estudos para cortar cana. Ingressou na Escola Agrícola de Bariri. Tornou-se pai ainda aos 20 anos. Prestou concurso público para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Barra Bonita. Ingressou no Ensino Superior, no curso de Educação Física. Fez formação com diversos capoeiristas. É professor de capoeira. Integra o departamento de esportes da cidade. Casado, é pai de quatro filhos e avô de um menino.

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História completa

Meu pai e minha mãe se separaram quando eu tinha treze anos e meu irmão tinha quinze. Então a minha mãe acabou sendo a provedora da família, teve que se submeter a um trabalho duro, no corte de cana aqui na usina, na época era usina da Barra, hoje é Raízen. Trabalhou nisso durante uns vinte anos para ajudar na criação dos filhos. Passamos necessidade… embora meu pai ajudasse, a figura paterna é importante no ambiente familiar. Eu também me virava para contribuir com o que eu pudesse. A gente não tinha acesso ao clube, e jamais podia frequentar uma piscina maravilhosa. Então íamos nos banhar no rio Tietê. A gente molecada, criançada, acabava cometendo alguns atos meio perigosos… como pular da ponte, que deve ter uns trinta metros. Já adolescente, fiz uma aposta com um amigo e à meia-noite pulei da ponte Campos Salles. São três arcos, e pulei do arco do meio. Hoje eu me lembro e dá até arrepio. Aquela coisa de adolescente para não voltar atrás. Depois tive que nadar uma distância de uns quinhentos metros ainda para chegar na margem. Esse dia não esqueço por nada, porque eu poderia ter morrido, poderia ter sido trágico, mas graças a Deus deu tudo certo. O que tínhamos aqui era a piscina pública, o piscinão. E temos aqui também o mercadão, um local que sempre tinha rodas de capoeira. Então de vez em quando eu me deparava com essas rodas de capoeira e ficava encantado com a música, com essa expressão corporal dos capoeiristas e com o canto. Quando eu tinha dezessete anos me interessei por fazer o colégio agrícola, mas tive que abandonar o curso porque não tinha um sapato, não tinha uma calça, não tinha nada. Então, ou eu continuava ou ia trabalhar para poder me manter. Abandonei o curso no colégio agrícola e ingressei na usina de açúcar, fui para a roça. Depois surgiu um concurso público na cidade aqui para o departamento de água. Eu fui, fiz a inscrição, estudei e passei em terceiro lugar. Lá no SAAE me estimularam a estudar. Concluí o ensino médio, ingressei na faculdade, conclui o curso de professor de educação física e hoje sigo nessa profissão Com catorze anos ingressei na capoeira, e de lá pra cá não parei mais. Ingressei na faculdade e o meu primeiro trabalho real eu dava aula para os alunos do ensino fundamental. Eu tinha oitenta alunos. Fui educador profissional no programa Escola da Família, que buscava envolver toda a comunidade periférica da escola, com o intuito de trazer a família para dentro da escola e manter o espaço escolar aberto para a comunidade. Comecei a observar algumas coisas, a diferença social mesmo. Percebi que as crianças iam para a escola de manhã, e não iam embora, elas passavam o dia, e fiquei imaginando, poxa vida, eles não vão embora para se alimentar aqui. Comecei a correr na cidade e conversar com alguns empresários, da quitanda, do mercado e fiz parcerias. Então elas vinham fazer capoeira e se alimentavam na escola. Só se descobre o valor de uma criança ou de uma pessoa através de estímulo, e dentro de um projeto social a criança tem a chance de ser estimulada na música, no canto, no teatro. A capoeira tem essas vertentes. Consigo dar todos esses estímulos para a criança, o adolescente. A música, o canto, a expressão corporal, a fala, a expressão… a criança de repente vai descobrir que a voz dela é linda, que ela pode tocar um instrumento, que tem força de expressão, que pode e deve falar, às vezes ela é tímida, não consegue se relacionar em grupo. Então é por isso que a capoeira, a liberdade que ela dá, é fascinante. Eu gosto da capoeira por isso. A capoeira que me proporcionou conhecer outros estados, outras pessoas, foi muito importante para minha formação. Hoje as pessoas sabem quem é o mestre Hélio de Barra Bonita. Chegar onde estou hoje é pura luta, é pura dedicação. Eu hoje trabalho na Secretaria de Esportes da cidade. Sou efetivado através de um concurso, sou especialista em esportes e trabalho especificamente com a capoeira. O que faço hoje é o sonho de todos os capoeiristas, viver da capoeira.

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