Busca avançada



Criar

História

A calma e a paciência do Sr. Massaki

História de: Massaki Kimura
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/11/2004

Sinopse

Massaki Kimura nasceu em 6 de junho de 1940, na cidade de Lins, São Paulo. Filho de pais imigrantes japoneses conta um pouco sobre sua educação, as brincadeiras e as lembranças. Aos 11 anos muda-se para São Paulo, depois de algum tempo moraria no bairro da Saúde. Massaki trabalhou durante sua vida com administração, quando em 1984 sua empresa o transfere para Nova Iorque. Lá, após cerca de um ano, descobriria uma doença cardíaca e tomou a decisão de realizar uma cirurgia de transplante aqui no Brasil, pois o Instituto do Coração estava retomando os transplantes cardíacos. O sr. Kimura foi a segunda pessoa a ser transplantada nesse período no InCor, constituindo parte da história da medicina brasileira. Conta sobre a dedicação e qualificação do corpo de médicos que o atendeu, o funcionamento e importância do serviço psicológico para os pacientes e também de como precisou contar com o apoio de amigos e familiares neste processo.

Tags

História completa

P/1 – Sr. Massaki, o senhor prefere que chame de Massaki ou Kimura?

 

R – Pode ser qualquer um.

 

P/1 – Sr. Kimura. (risos)

 

R – É, está bom.

 

P/1 – O senhor poderia começar se identificando, seu nome completo.

 

R – É Massaki Kimura

 

P/1 – Onde você nasceu?

 

R – Nasci em Lins, São Paulo, 6 de junho de 1940.

 

P/1 – E como é o nome de seus pais?

 

R – Meu pai, Satoshi Kimura e minha mãe, Kimie Kimura.

 

P/1 – Eles nasceram em Lins também?

 

R – Não. São naturais do Japão.

 

P/1 – Eles são do Japão?

 

R – São.

 

P/1 – Seu pai é de que cidade?

 

R – Meu pai é de Kumamoto e minha mãe é de Tóquio.

 

P/1 – E eles se conheceram lá? Casaram-se lá?

 

R – Não. Casaram-se aqui.

 

P/1 – E por que o seu pai veio para cá? O senhor sabe?

 

R – É, veio como imigrante. Atraído, naturalmente, pela onda de imigração japonesa no Brasil.

 

P/1 – Que ano que ele veio?

 

R – 1920 e qualquer coisa... Aí eu já...(risos) vou ficar devendo essa data.

 

P/1 – E ele contou alguma coisa de como foi essa vinda para o Brasil?

 

R – Na realidade é uma história já bem antiga, 1929 se não me engano. A família do meu pai, na realidade, meu avô é que veio aqui para o Brasil e trouxe a família, na qual estava, justamente, o meu pai e alguns irmãos dele também. E a intenção era, justamente, de começar uma vida nova no Brasil, mesmo porque, no Japão estava difícil. E a propaganda no Japão, do que era o Brasil, era muito atrativa. Eles vieram também na onda de todos os imigrantes japoneses, tentando uma vida melhor aqui no Brasil. Foi essa, basicamente a razão da vinda.

 

P/1 – E eles escolheram São Paulo?

 

R – Eles vieram para São Paulo, naturalmente, no Porto de Santos e foram diretamente para a cidade de Lins onde conseguiram um sítio e cultivaram esse sítio até 1951, quando nós mudamos para São Paulo.

 

P/1 – E a sua mãe? Como ela veio, a história da imigração dela, o senhor sabe?

 

R – A minha mãe também veio nessa onde de imigração e na ocasião, formou-se uma colônia japonesa na região, e desse relacionamento entre as colônias eles se conheceram. E aí aconteceu... Foi nascendo todo mundo.

 

P/1 – O senhor é o mais velho?

 

R – Não. Eu sou o do meio. A minha família é de... Conforme disse, oito irmãos. Então veio um irmão, três irmãs, eu e mais três irmãs abaixo.

 

P/1 – E quanto tempo o senhor morou em Lins?

 

R – Eu morei em Lins de 1940 a 1951.

 

P/1 – O senhor se lembra dessa casa de infância, como é que era?

 

R – Eu tenho uma vaga lembrança. Realmente, era uma casa grande de alvenaria, muitos cômodos, mas detalhes, hoje eu já não lembro mais.

 

P/1 – O que o seu pai fazia lá?

 

R – Bom, ele entrou na lavoura, mas, como tinha outros irmãos que tocaram a lavoura e ele foi para a cidade trabalhar no banco. E aconteceu de em 1951 ele se transferiu para São Paulo, através do banco.

 

P/1 – E quando chegou em São Paulo, vocês foram para qual bairro?

 

R – Nós fomos para a Vila Olímpia. Ficamos lá, deixa-me ver... Não sei até que ano. Ficamos lá uns quatro ou cinco anos e daí nós fomos para a Vila Mariana. Saúde, né?

 

P/1 – Você tem lembrança dessas casas?

 

R – De Vila Olímpia fica exatamente onde fica o Hospital São Luís, vizinho da... Quer dizer, hoje já o Hospital São Luís se expandiu e está no local onde era a casa. Aquela casa não existe mais. E aí, nós mudamos para o Jardim da Saúde, quer dizer, não é Jardim da Saúde, é bairro da Saúde, né, perto da Praça da Árvore e eu fiquei lá até 1970 quando me casei. Aí eu saí.

 

P/1 – Vamos voltar um pouco, como o senhor era quando criança? Quais eram as brincadeiras?

 

R – Ah! No sítio, até aos onze anos, naturalmente, porque eu nasci em 1940 e saí de lá em 51, era uma vida basicamente de sítio, estudava de manhã e não trabalhava não. (risos) Ainda não trabalhava, mas o resto era divertimento, era brincadeira. E 1951 quando eu vim para São Paulo a minha vida foi de estudante. Vim para estudar mesmo. E como lazer, comecei a jogar beisebol. E fiquei jogando beisebol. Fiquei estudando e depois de um certo período trabalhando até 1970, 72, exato. Aí eu deixei também de praticar o beisebol.

 

P/1 – Aí foi esse primeiro emprego que o senhor teve?

 

R – Não, o primeiro emprego já tive em 1957, nesse primeiro emprego, exatamente. Chamado Construtora Engenho. E fiquei lá por treze anos, mais ou menos.

 

P/1 – O senhor tinha quantos anos no seu primeiro emprego?

 

R – É 17. Com 17 anos comecei a trabalhar. E aí fiquei nesse emprego até me formar na faculdade.

 

P/1 – O senhor fez faculdade onde?

 

R – A Faculdade de Administração São Luís, no prédio aqui do Colégio São Luís na Paulista. E foi até 1968. E aí resolvi me aventurar um pouco mais na vida, deixei a primeira empresa, fui para a Sambra e foi...

 

P/1 – Se aventurar? Foi o senhor que pediu demissão?

 

R – Foi. Na ocasião eu pedi demissão, mas na realidade, eu era muito amigo do dono dessa empresa e cultivei essa amizade até o final da vida dele, aliás, ele já está falecido também. Mas foi... Ele me incentivou bastante...

 

P/1 – O senhor trabalhava muito? Assim... A carga horária?

 

R – A carga horária era normal naquele tempo. Você entrava oito horas e saía às seis da tarde. Naquele tempo eu estudava à noite. E nos fins de semana, jogava bola, é o que acontecia.

 

P/1 – Como foi a educação do senhor? Quem exercia autoridade em casa? Seu pai, sua mãe?

 

R – O pai, né? É o regime japonês mesmo. Bem rigoroso.

 

P/1 – O senhor teve formação religiosa?

 

R – Eu sou católico, embora, confesso, não sou praticante. Não vou à missa de domingo, nem nada, mas sou, sou simpatizante da igreja católica. Mas isso não quer dizer que eu não simpatize com outras religiões, por exemplo, gosto muito de uma filosofia da Seicho-No-Iê japonesa, gosto muito. Mas não sou praticante não.

 

P/1 – Por que o senhor escolheu fazer administração de empresas?

 

R – Na ocasião do primeiro emprego eu tinha uma atração por organização; organização de empresas, sistemas, outras empresas falam em departamento de O & M, enfim, é nesse ramo que eu tinha uma atração muito grande. E o que ia me dar um respaldo técnico seria uma escola de administração de empresa que, naturalmente, depois da formação de administração fui me especializar em sistemas. E realmente me especializei em sistemas. E, daí fui desenvolver o trabalho. Quando saí da primeira empresa, justamente, foi no departamento de sistemas, nessa empresa chamada Sambra que estava recrutando técnico nessa área. Foi aí que eu comecei.

 

P/1 – Aí o senhor ficou um ano, dois?

 

R – Fiquei, mais ou menos, nesse ramo por volta de uns dois anos. E aí, apareceu um projeto industrial do qual eu participei e do qual a Companhia Cacique também participou. E eu fui contratado por esta empresa da Companhia Cacique e estou desenvolvendo o meu trabalho até hoje lá.

 

P/1 – O senhor entrou em que ano?

 

R – É, foi uma subsidiária dessa empresa, Companhia Cacique, chamada Cacique de Embalagens. Eu fiquei de 1972 a 1984. De 1984 a 85 eu fui transferido para Nova Iorque, pela companhia, e lá eu fiquei. Quando tive um problema de saúde por causa do transplante do coração eu voltei; voltei em 1985.

 

P/1 – O senhor já tinha tido algum problema de coração?

 

R – Não.

 

P/1 – Nem sabia que tinha.

 

R – Nem sabia que tinha.

 

P/1 – Na sua família, você já sabia de algum...

 

R – Na minha família já havia tido. Minha mãe, meu pai, inclusive. Embora, meu pai não tenha morrido do coração, mas minha mãe, sim. Mas ele tinha problema.

 

P/1 – Você já sabia?

 

R – Sabia... Como é que chamava aquilo? Fugiu-me...

 

P/1 – E da sua mãe?

 

R – A minha mãe não sabia que tinha problema no coração. Ela não sabia. Aliás, ninguém sabia. Teve um ataque, assim, fulminante.

 

P/1 – E seus irmãos?

 

R – Meu irmão também é falecido do coração.

 

P/1 – E já tinha falecido nessa altura que você estava em Nova York?

 

R – Ah, sim. Já.

 

P/1 – Você fumava?

 

R – Fumei um tempo, mas não era um fumante inveterado não. Mas fumava um pouco.

 

P/1 – E como é que você começou a sentir que tinha problema? Você estava lá em Nova Iorque?

 

R – E aí foi em dezembro de 1984 quando comecei a sentir falta de ar.

 

P/1 – No trabalho?

 

R – É, estava no trabalho. Comecei sentir muita falta de ar e fui no hospital e foi detectado, efetivamente, um problema cardíaco.

 

P/1 – O que diagnosticaram lá?

 

R – É miocardiopatia virótica. E aí fiz um tratamento lá em Nova Iorque, no hospital, fiquei lá cerca de uns três meses me tratando, mas a conclusão final que eles chegaram lá é de que eu teria que fazer um transplante. É, na ocasião, o Instituto do Coração estava reiniciando o processo de transplante e aí resolvi voltar para o Brasil e fazer esse transplante aqui no InCor.

 

P/1 – Existia a possibilidade de o senhor fazer o transplante lá?

 

R – Lá também existia, mas...

 

P/1 – Por que o senhor preferiu vir para cá?

 

R – Porque, na realidade, existia o problema da espera. Lá a espera era muito grande e aqui o InCor estava reiniciando um processo e tudo indicava, pelas informações, que praticamente não existia nenhuma espera. Ainda porque tinha poucos candidatos. E foi efetivamente isso que aconteceu.

 

P/1 – Quando falaram para o senhor que teria que fazer um transplante, qual foi a sua reação? O senhor lembra a sensação que te deu?

 

R – Na realidade, tudo isso é um processo gradual. Você sente o problema no coração, você faz tratamento medicamentoso, com drogas etc. A coisa vai evoluindo. Depois de três meses de tratamento, você já fica mais ou menos preparado para o pior, por assim dizer. Porque uma notícia de transplante era o que tinha de pior naquele momento. Mas a gente... Não foi um choque, por assim dizer, a coisa foi gradual, né?

 

P/1 – E sua família? A sua esposa? Você já estava casado?

 

R – Já. Já estava casado e os três filhos também eram nascidos. Os meus filhos eram pequenos, mas a minha esposa, realmente, sofreu muito. Foi ela que sofreu mais ainda. Mais que eu até.

 

P/1 – Com essa ideia do transplante?

 

R – Com os problemas todos. Porque foi ela que segurou a barra. Então, ela ficou segurando a barra por um bom tempo. Não digo financeiramente, mas teve que... A família toda dependia dela. Até que eu readquiri a força e comecei a trabalhar outra vez, realmente, ela sofreu bastante.

 

P/1 – Aí deram um diagnóstico para o senhor? Como é que foi o contato? Nesse período, o senhor teve algum acompanhamento psicológico?

 

R – Lá...

 

P/1 – Existia algum serviço lá?

 

R – Eu tinha um amigo que é até psicólogo, médico. Ele me deu uma assistência no caso. Preparou-me... Você tem aquela...

 

P/1 – Mas ele não era desse hospital que o senhor se tratou?

 

R – Não, não, não.

 

P/1 – Que hospital que era esse que o senhor se tratou?

 

R – É... Ali em Manhattan... O... Esqueci-me também.

 

P/1 – Mas aí esse amigo...

 

R – Que é brasileiro, que eu conheci lá, Roberto de Paula, no caso. E ele me deu um suporte na parte psicológica muito grande. Porque você começa questionar, né: “Pô! Por que eu? Não fiz nada a ninguém.” Aqueles questionamentos normais que tem um paciente quando tem...

 

P/1 – Que questionamento era esse? O que o senhor sentia?

 

R – Vivia meio perdido, num ambiente como Nova Iorque, estranho a rigor, inútil, por assim dizer, porque não podia fazer nada. E aí, realmente, confesso até que entrei em parafuso. Mas foi ele que me ergueu moralmente, aceitei numa boa que isso pode acontecer com qualquer um e aí foi, justamente, a luta de voltar para cá e fazer o transplante aqui e... Você vê todo o sucesso que...

 

P/1 – E como é que foi? O senhor veio para cá, com o tratamento de lá...

 

R – É, na realidade, a empresa que eu trabalho, que é a Companhia Cacique, é que me deu toda a assistência, no caso, eles é que me encaminharam para cá no InCor. Eles que pesquisaram tudo, enfim, verificaram que efetivamente tinha reiniciado o transplante aqui pelo InCor, me consultaram se eu queria me transferir para fazer aqui e eu imediatamente aceitei. Foi justamente esse o processo do transplante, eu vim aqui para o InCor e eu devo ter ficado aqui menos de um mês esperando.

 

P/1 – Mas, espera aí, vamos voltar. Quando o senhor entrou aqui, explicaram para o senhor como é que seria esse transplante? Qual que era o processo?

 

R – Sim, sim, sim...

 

P/1 – Quais os serviços profissionais que se envolveram com o senhor logo na sua entrada?

 

R – O primeiro foi basicamente o corpo clínico, entra o corpo clínico para diagnosticar todo o problema. E depois entra a parte do pessoal que trata da cabeça da gente, que é o pessoal que eu costumo falar que faz a cabeça da gente, que são os psicólogos. E vai preparando a gente, faz a cabeça da gente. Eles ficam dando todas as informações necessárias e as probabilidades de sucesso, problemas, eventualmente, que a gente vai encontrar aí para frente. Enfim, toda uma orientação. Em cima disso que a gente tem que fazer uma decisão. Aliás, não tinha muita decisão a tomar, era um fato que, ou fazia ou não fazia. Fazia, né? Tem que fazer. Não teve muita dificuldade em decidir, se vou fazer ou não vou fazer.

 

P/1 – Qual era o maior receio do senhor quando pensava em receber o coração de uma outra pessoa?

 

R – Não é bem receio, é um sentimento de que o outro... Teve um sacrifício de uma outra pessoa para que eu pudesse sobreviver. Basicamente o ponto que...

 

P/1 – Que pega...

 

R – Que pega um pouco, né? Realmente pega sim. Mas não é por culpa da gente, enfim, que ele teve um problema, um acidente, alguma coisa nesse sentido. No caso dele foi traumático, não tinha mais salvação. Foi aí que houve essa possibilidade de fazer o transplante dele para mim. Inclusive, na ocasião... Hoje, para falar a verdade, nem conheço o doador.

 

P/1 – Isso que eu ia perguntar, as pessoas ficam sabendo?

 

R – Olha, eu fui um dos primeiros, aliás, fui o segundo...

 

P/1 – O senhor foi o segundo, né?

 

R – Fui o segundo.

 

P/1 – O segundo da segunda leva, quando reiniciou.

 

R – Quando reiniciou. E veja, como estava reiniciando um processo, o cuidado que o hospital tomava era muito grande. Inclusive na parte psicológica. Então, o próprio hospital, na ocasião, não sei se hoje é a mesma coisa, mas na ocasião, não divulgou o nome da pessoa do doador. E eu aceitei aquilo. Hoje, todo ano rezo uma missa para a pessoa. Mas enfim, eu não cheguei a conhecer.

 

P/1 – E quem atendeu o senhor no Serviço de Psicologia? O senhor lembra?

 

R – Ah! Foram tantos. E o problema era mais... Não era um atendimento pessoal, não. O pré-cirúrgico tem uma orientação. Teve a pós-cirurgia. E pós-cirurgia a gente fazia muita reunião de grupos. De grupos, o pessoal reunia... De grupos de transplantados. E cada um colocava os seus problemas, aquilo que vai prender a atenção. E o pessoal ia através disso orientando a gente de como seria a melhor postura e cada um ia se entrosando. Uns estavam muito melhor condicionados, outros um pouco mais caídos. Mas eu acho que esse negócio de trabalho em grupo a coisa funciona muito. Isso também funciona algum tempo, porque depois eu também já... Eu estava preparado, realmente, a minha cabeça estava boa. Tanto é que três meses depois da cirurgia eu já estava trabalhando.

 

P/1 – Quanto tempo o senhor ficou internado

 

R – Fiquei internado...

 

P/1 – No pré-operatório...

 

R – Não, no pré-operatório eu fiquei trinta dias, porque aqui foi muito rápido. Eu disse para você que não teve espera. Como era reinício do processo de transplante, então realmente, não tinha muita espera, era somente esperar o doador, porque, na ocasião, até lembro que tinha eu e mais duas pessoas precisando de operação. E, inclusive, tinha uma pessoa que tinha sido internada antes de mim. Mas o primeiro doador que apareceu era mais compatível comigo do que com ele, então, eu fui à frente dele. Depois, ele logo em seguida também fez, mas... Entre eu chegar aqui no hospital e me internar e fazer o transplante foi trinta dias, no máximo. Foi muito rápido.

 

P/1 – E o pós-operatório?

 

R – O pós-operatório é que, como era um processo de reiniciar, o processo de transplante, então, eles tomavam muitos cuidados... Eu fiquei até isolado, coisa de trinta dias, numa sala, sem poder manter contato, inclusive com a minha família, para evitar o processo de imunização. Enfim, para não ser contaminado por nada. E esse processo foi muito rigoroso.

 

P/1 – E esses trinta dias você teve alguma assistência psicológica ou nem a psicóloga podia entrar, como é que era?

 

R – Não. Também eu já estava preparado, a essa altura eu já estava preparado. Já tinha decidido que ia fazer transplante e o pessoal me incentivava muito. Eu era uma novidade aqui dentro. Então eu estava muito animado depois disso.

 

P/1 – Você estava animado também com esse papo de ser novidade?

 

R – Não. Não pelo fato de ser novidade, não. Porque eu estava com vontade efetivamente de me recuperar. Eu já tinha colocado na cabeça que ia voltar a uma vida normal. E eu me esforcei para isso. Porque o transplantado tem dois pontos: um ele chega e diz: “Não. Já fiz o transplante e vou me aposentar e vou viver uma vida de aposentado.” Ou você fala assim: “Bom, eu fui transplantado, meu coração está novo outra vez, vou viver outra vez, vou trabalhar, vou fazer tudo.” E eu fui por esta segunda opção. Tanto é que logo depois do transplante o pessoal já começou a me incentivar a fazer exercício, andar. E eu segui rigorosamente essa orientação. E eu me esforcei bastante nesse ponto, tanto é que a minha recuperação foi muito rápida. Três meses depois eu estava lá na empresa, fazendo alguma coisinha. Um ano depois já estava full time.

 

P/1 – E a sua empresa sempre te deu apoio?

 

R – Ah! A minha empresa sempre me deu apoio. E dois anos depois eu já estava na diretoria trabalhando...

 

P/1 – Teve promoção ainda, depois que saiu?

 

R – É, eu era diretor. Voltei, depois fiquei, naturalmente, por um tempo em recesso, entre parênteses, porque eu não tinha condições de desenvolver cem por cento. Mas, depois de um ano e... Dois anos, mais ou menos, já estava em condições de absorver carga de trabalho muito intensa e já fui reempossado como diretor e até hoje...

 

P/1 – Qual foi a equipe que operou o senhor?

 

R – Foi do professor Jatene.

 

P/1 – O próprio professor Jatene?

 

R – É, na ocasião, pessoalmente. O doutor Noedir dava assistência para ele na ocasião.

 

P/1 – O que o senhor lembra...?

 

R – Lembro, o que eu lembro? Na realidade, eu não conhecia o doutor Jatene antes da operação. Quem me dava o apoio, porque existia um corpo cirúrgico e um corpo clínico. Antes da operação foi o pessoal clínico. Teve lá o Edmar, desde aquele tempo ele deve continuar até hoje, que basicamente me dava toda a assistência. E quem fez a operação foi o doutor Jatene. E depois que ele fez a operação ele veio me visitar. “Ah, está tudo bem?” “Está tudo bem.” E foi aí que eu realmente conheci o doutor Jatene. Antes eu não conhecia, não. Conhecia só de nome.

 

P/1 – E hoje vocês se falam?

 

R – É difícil conversar com ele porque ele é uma pessoa muito ocupada, né? É ministro, enfim...

 

P/1 – Mas ele procura saber como o senhor está?

 

R – Que eu saiba sim. Nunca tivemos um diálogo nesse sentido, mas, naturalmente ele deve ter a sua curiosidade em saber como é que eu estou. Assim como eu tenho acompanhado a vida dele.

 

P/1 – Saiu matéria no jornal que foi feita com o senhor?

 

R – Na ocasião, conforme disse, eu era uma novidade. Realmente a imprensa noticiou bastante.

 

P/1 – Que ano que foi mesmo?

 

R – 85.

 

P/1 – E o senhor tem esses recortes?

 

R – Ah, não tenho mais, não.

 

P/1 – Não tem mais nenhum?

 

R – Acho que não. Se tiver, talvez, a minha mulher tenha alguma coisa, mas eu não tenho.

 

P/1 – E o senhor foi entrevistado?

 

R – Fui. Logo depois que tive alta, fui. E depois ao longo desses anos todos andei dando algumas entrevistas, mais no sentido assim... Porque existe esse tipo que a gente fala de... De eventos. Eventos mais no sentido de promover um pouco, enfim, eu tenho participado de alguma delas. Dando algumas entrevistas.

 

P/1 – As pessoas querem saber basicamente o quê? O que perguntam para o senhor?

 

R – Mais ou menos aquilo que a gente está conversando hoje. (risos) É, por aí, basicamente os assuntos são, mais ou menos, os mesmos. A coisa se resume no seguinte: como é que era antes e como é que é depois da operação. Antes realmente a nossa vida... A vida do cardíaco é muito difícil, você perde a capacidade do coração, digamos que você... Antes de qualquer problema você está com o coração cem por cento. Mas quem tem que fazer um transplante está com o coração, em termos de capacidade de funcionar, alguma coisa como 40, 50%. Só dando uma ideia do que seja. E depois do transplante, você volta aí... 80% da vida volta. Então, é uma vida normal. Eu hoje pratico natação, já pratiquei tênis depois do transplante, hoje pratico natação e trabalho, levo uma vida normal. Meu ritmo de trabalho é das oito da manhã até 7h, 7h30 da noite. E é normal.

 

P/1 – Quando o senhor fez o transplante, quer dizer, esse trabalho de preparação, existia uma perspectiva em relação ao... Até onde pode ir, quanto tempo pode durar? Uma previsão da duração de vida, existia essa ansiedade?

 

R – Não, não. O que existia era alguns dados técnicos, estatísticos que é justamente a probabilidade. Eu não lembro exatamente essa probabilidade, mas, era coisa assim: depois do transplante, em um ano tem uma sobrevida de 50% das pessoas transplantadas; depois que atingiu dois anos a probabilidade já é de 70%, e assim por diante. Hoje já estou com 14 anos, quer dizer, 99,9%. (risos). Então, já não existe mais esse... Agora, é preciso preparar a cabeça para isso e os psicólogos realmente funcionam nesse ponto. Trabalha bem a cabeça da gente nesse sentido.

 

P/1 – O senhor acha que isso foi super importante para o senhor, quer dizer, todo esse...

 

R – Ah! Toda essa informação...

 

P/1 – Que o senhor teve.

 

R – Isso, foi importante, sim. Para você assumir uma posição, não é verdade? “Olha, eu vou fazer transplante, qual é a minha possibilidade de minha chance? Se eu ficar sem fazer nada. Posso viver, sei lá, um mês, dois meses, três meses, um ano, dois anos, não mais do que isso.” “Se fizer você tem probabilidade de sobreviver durante um ano, você já passou 50% de possibilidade. Depois de três anos está com 70%.” E assim por diante. “Então, vamos tentar.” É por aí. E, é claro, que em cima disso tudo existe uma orientação, tanto clínica como também psicológica do acompanhamento. Tanto é que após a cirurgia houve esse trabalho de grupo de acompanhamento para ver como é que cada um ia...

 

P/1 – E além do trabalho em grupo o senhor teve...

 

R – Pessoalmente, assim, não tive não.

 

P/1 – E os seus familiares?

 

R – Olha, o pessoal aqui julgou que eu não precisava. E acho que muitos outros precisaram.

 

P/2 – O senhor toma medicamento até hoje?

 

R – Medicamento? Tomo até hoje. Aliás, isso eu vou tomar para sempre. Isso os médicos já disseram desde o início, que o medicamento é para o resto da vida. Isso não tem... Quer dizer, isso é o de menos na realidade.

 

P/1 – E a sua irmã, ela te deu uma força? Ela participou desse processo?

 

R – Olha, parente nesse ponto é importante, porque, você sabe que...

 

P/1 – Suas irmãs... irmãos...

 

R – Irmãs, irmãos, quer dizer, são todos amigos, inclusive, tive muitos amigos importantes me dando suporte nessa ocasião. Mas, é realmente importante, porque por um período a gente fica inútil mesmo, principalmente antes, né, da operação. E nesse momento é que realmente irmãos e amigos dão o suporte que a gente precisa. Da assistência da família... Da assistência, enfim, naquele processo... Nesse processo as minhas irmãs, porque o meu irmão já era falecido, foram muito importantes. Minhas irmãs e meus cunhados. Todas eram casadas. Muito importantes.

 

P/1 – E aí quando a sua irmã viu que ela tinha problema...

 

R – É, ela também de repente teve problema também, a minha irmã Shoko, aí eu também devo ter retribuído alguma coisa. E hoje ela está bem.

 

P/1 – Ela também faz parte de uma porcentagem pequena, né? Ela se recuperou?

 

R – É, ela se recuperou completamente. Não precisou de cirurgia, não precisou de nada. Mas ela passou também por um regime assim, intenso, muito disciplinado. Mas está curada. Vale a pena se gostar...

 

P/1 – E hoje como é o cotidiano do senhor?

 

R – Cotidiano é trabalhar, como eu disse, eu nado um pouco de manhãzinha, trabalho e final de semana eu curto os meus filhos. E por aí... Já não preciso... Também, com 59 anos não tem muito que... E família, naturalmente. Meus filhos já são formados, estão partindo todos eles para uma independência, daqui a pouco vai ficar eu e a minha mulher.

 

P/1 – Quando o senhor fez o transplante, quantos anos tinham os seus filhos? Eles eram pequenos... dez ...?

 

R – Ah! 85 a minha filha tinha catorze, e o resto eram novinhos.

 

P/1 – E quando eles entenderam que tinham um pai transplantado, eles conversavam com o senhor sobre isso?

 

R – Não, a vida foi normal. O meu relacionamento dentro da família foi normal. Teve um lapso, talvez humano, mais ou menos, entre a constatação da doença até que eu começasse desenvolver o meu trabalho, que a gente ficou um pouco... Um pouco, não, ficou até bem sacrificado porque eu é que não podia dar assistência nenhuma. Mas, com a minha família foi relacionamento normal. Depois voltei a trabalhar, tudo certinho. E foi tudo... Basicamente porque eu também coloquei na minha cabeça que ia voltar para levar uma vida normal. Eu não ia levar uma vida de doente cardíaco, enfim, transplantado, de aposentado. Eu coloquei na minha cabeça que depois do transplante eu ia me recuperar clinicamente e voltaria trabalhar e levaria a vida normal. E é o que eu estou fazendo.

 

P/1 – E a alimentação?

 

R – Alimentação, é claro, que a alimentação é mais controlada. Mas mesmo que não possa comer, por exemplo, feijoada, eu como.

 

P/1 – O senhor come feijoada?

 

R – Eu comia quase que toda semana, mas hoje eu como cada dois, três meses uma vez. Mas... Churrascaria eu vou lá umas duas vezes por mês e coisa assim. Não é um negócio assim, constante.

 

P/1 – Mas também não é uma coisa que você tenha que eliminar?

 

R – Não. Não tenho que eliminar totalmente, não.

 

P/1 – Naquele tempo, não tinha uma coisa assim, que tinha que tomar uma quantidade de água super limitada e que tinha que estar...

 

R – Isso, isso. Antes do transplante, sim.

 

P/1 – Como foi esse período?

 

R – Ah! Terrível. Terrível porque você não pode tomar mais que um ou dois copos de água, e coisa assim. E quanto mais você se estressou mais vontade, né? Sal, você não pode comer e aí... O regime alimentar foi terrível. Hoje o regime alimentar não é nesse sentido, tem que comer comida saudável, só isso. Principalmente o pessoal aqui do InCor, o pessoal da Nutrição liberam... Quando eu saí daqui, disseram: “Olha, a dieta boa é esta aqui.” Mas nunca me proibiram: “Olha, você não pode comer feijoada nunca mais.”  Eu como de vez em quando; eu como.

 

P/1 – Fora desse atendimento desse Serviço de Psicologia, que outros profissionais, sem ser a equipe médica, que o senhor teve atendimento? O senhor sentiu um atendimento muito profissional?

 

R – Bom. Depois do transplante, entrou outra vez o pessoal da equipe clínica. Aí eu passei basicamente pelo Edmar Bock que é o médico que me acompanhou por longos anos após a cirurgia. Basicamente eu estava centrado em cima dele e ele que realmente me orientava em tudo. Quando tinha que fazer um exame qualquer, então é ele que me orientava e que encaminhava tudo. Depois, naturalmente, ele foi assistido por outros médicos. Mas aqui, a rigor, é um determinado médico que me assiste.

 

P/1 – E o senhor continua vindo ainda?

 

R – Continuo vindo ainda.

 

P/1 – Qual é a periodicidade que o senhor tem que estar aqui?

 

R – Hoje a cada seis meses, mais ou menos. Continuo a cada seis meses. (risos)

 

P/1 – Continua religiosamente.

 

R – E, para você ter uma ideia, essa frequência no começo era quase que semanal. Quase toda semana eu vinha aqui. Durante um ano, depois no segundo ano cada quinzena, aí a gente vai espaçando.

 

P/1 – E depois quando o senhor continuou a vir, logo depois da cirurgia, uma vez por semana, o senhor continuou tendo esse atendimento psicológico?

 

R – Não sempre. Como eu disse, eram reuniões de grupos que eram feitas periodicamente. Não tenho nem mais ideia da periodicidade... Da frequência disso.

 

P/1 – Hoje o senhor não tem mais contato?

 

R – Não. Hoje quero ficar livre desse pessoal. (risos) Não quero depender... Não que eu não goste. (risos) É que eu não preciso. Agora eu colaboro se quiser. Se houver necessidade de alguma colaboração de minha parte, sim. Não que precise.

 

P/1 – Tem alguma coisa que o senhor gostaria de deixar registrado?

 

R – Registrado? É, eu reputo aqui o InCor como o maior centro cardiológico do Brasil. Da América Latina, talvez. É que eu não conheço a América Latina, mas pelo menos no Brasil, com certeza é... Dos mais equipados e eu vi esse pessoal todo empenhado muito em desenvolver essa parte, principalmente do transplante. O pessoal daqui da equipe do transplante, eles vestiram a camisa e realmente... Se a situação está boa hoje, realmente se deve muito a eles. Todo esse pessoal da equipe de transplante, tanto cirúrgico como clínico. E o pessoal de suporte que é justamente a parte psicológica, social, tem uma equipe da assistência social. Eu tive pouco contato com essa área, mas eu sei que tem um serviço de assistência pessoal aqui, o pessoal da parte da psicologia que dá efetivamente uma orientação e o doente precisa dessa orientação. Eu acho que até antes da cirurgia é que precisa mais. Quando ele começa questionar muito: “Mas por que eu fiquei doente?” “Por que eu e não outro?” “Agora eu tenho que fazer transplante... vou fazer... não faço." Essa é a fase quando ele está deprimido, né? E ele precisa de uma orientação. Depois, quando a gente fez a operação e começa se recuperar e sabe que... E sente que está se recuperando, é preciso ter, efetivamente, um acompanhamento, mas a gente já... Com outro espírito... Porque a gente está sabendo que a gente está evoluindo, está melhorando. Então a cabeça da gente vai melhorando também. Eu acho que esse trabalho de psicologia, e, eu estou me referindo no meu caso, de transplantado cardíaco, é importante. Mas eu acho que talvez... Talvez, não. Tenho certeza que é importante também dar assistência a todos os doentes e não somente ao transplantado. E é um setor que é realmente... Eu acho que tem que ter um... A gente que é paciente tem que ter um reconhecimento muito grande da importância desse setor, desse trabalho. E eu acho que aqui no InCor tem.

 

P/1 – Sr. Kimura, pensando na sua trajetória de vida, o senhor mudaria alguma coisa que o senhor fez?

 

R – Se eu soubesse de tudo isso é claro que eu teria levado uma vida diferente. (risos) Eu não teria tido problemas cardíacos, por exemplo. É claro, eu acho que a minha vida teria sido diferente se hoje eu soubesse tudo isso que eu sei hoje. Mas é difícil você mudar o curso da história. A minha história foi essa. Então, se eu disser: “não, eu voltaria...” Eu iria voltar para o meu passado, eu não estava, exatamente, na mesma situação que comecei. Acho que partindo dessa premissa, a minha história seria a mesma coisa. É claro que se eu tivesse uma bola de cristal naquele momento e falasse: “Olha, vai ter problemas cardíacos se você não fizer isso.” Naturalmente teria mudado, né? Mas acho que a gente não tem essa bola de cristal, então a gente vai vivendo a vida que tem e vai administrando da melhor maneira possível. Acho que é isso.

 

P/1 – E o senhor tem um sonho para o futuro? Quer dizer, um desejo? Um projeto?

 

R – Ah! Na verdade eu tenho um só... Tudo o que eu desejo na realidade é que a minha família se desenvolva bem, esteja sempre bem. Meus filhos já estão formados e eu quero que eles tenham sucesso na vida. Eu me julgo como uma pessoa de sucesso, quer dizer... Que todos os meus amigos tenham também sucesso na vida. Enfim, eu estou querendo o bem de todo mundo hoje, viu? Eu acho que essa... Não tenho, assim... Projetos pessoais, não.

 

P/1 – O que o senhor acha... O senhor falou isso, fiquei pensando... Já devem ter (risos) perguntado milhares de vezes... O que o senhor, em termos pessoais, acha que mudou enquanto pessoa, antes e depois?

 

R – É, embora eu tenha dito que eu não sou praticante, a minha religiosidade aumentou. Quando é jovem a gente não pensa muito em Deus, na dependência que a gente tem com Ele, no relacionamento que a gente tem com Ele. Mas hoje eu realmente penso. Eu acho até que a nossa dependência com Deus é muito mais estreita do que a gente imagina. Nós estamos sempre se relacionado com Ele. Enfim, Deus está dentro da gente e a gente faz parte de uma parte Dele. A gente está com uma missão, inclusive, que Ele me delegou aqui dentro. E esse é um sentimento que eu tenho hoje, muito mais presente do que antigamente, a minha religiosidade. Aumentou bastante. Tanto que hoje quero muito mais ver as outras pessoas do que antigamente... Não era muito assim, não. Hoje, sim... Eu quero que os meus semelhantes sejam também felizes. Isso a gente vai adquirindo com o tempo.

 

P/1 – Para encerrar, o que o senhor achou da experiência de estar contando sua história de vida para um projeto desse de 25 anos do Serviço de Psicologia do InCor?

 

R – É bom. (risos) Eu tenho um sentido muito prático na vida. Eu me sentiria feliz se tudo isso que eu estou falando hoje servisse para alguma coisa. Se servisse para o bem... Enfim... De alguma outra pessoa, que pudesse auxiliar vocês ou as outras pessoas em alguma coisa. Não que eu seja exemplo, não. Mas se eu puder ajudar em alguma coisa, me sentiria bastante feliz.

 

P/1 – Com certeza. Acho que só o fato de estar dando esse depoimento para outras pessoas que puderem ter acesso, já... Já deu a sua contribuição.

 

R – O acesso está livre e eu quero agradecer essa oportunidade de, pelo menos, expor alguma coisa, uma ideia minha e espero que seja de utilidade para alguma coisa.

 

P/1 – Obrigada.

 

R – Obrigado, vocês.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+