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História

A cada loja, um mundo totalmente diferente

Sinopse

Nasceu em São Paulo. Foi militar durante 7 anos. Fez curso de administração de empresas. Trabalhou na Macro durante 2 anos. Foi para a divisão Extra do Grupo Pão de Açúcar. É gerente da loja na Ricardo Jaffet.

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História completa

P/1: Bom dia.

 

R: Bom dia.

 

P/1: Você poderia dizer seu nome, data e local de nascimento?

 

R: Antônio Carlos Delboni, 8 de março de 54, nasci em São Paulo.

 

P/1: E o nome dos seus pais?

 

R: Adolfo Delboni e Mafalda _____________ Delboni.

 

P/1: São todos de São Paulo?

 

R: São todos de São Paulo. São Caetano e São Paulo.

 

P/1: Você poderia falar um pouquinho da sua formação?

 

R: Formação acadêmica? Inicialmente eu fui militar, fiquei 7 anos no exército e nesse período dos 7 anos eu fiz o curso de administração de empresas e depois comecei já na área de segurança.

 

P/1: Você começou a trabalhar no Pão de Açúcar, teve experiência profissional, passou por outras empresas antes daqui?

 

R: Não, antes eu, depois que eu saí do exército, eu entrei no Banco Real. Trabalhei na área de segurança, depois do Banco eu passei pela Philips e da Philips eu fui para o Macro, que daí que iniciou meu lado de varejo. Trabalhei no Macro 2 anos, 2 anos e meio e depois iniciei na divisão Extra do grupo Pão de Açúcar. 

P/1: Quando você começou no Pão de Açúcar, que ano que foi exatamente?

 

R: Comecei em 91.

 

P/1: E você começou a trabalhar exatamente em que cargo, qual era  a sua atividade?

 

R: Eu comecei como Trainee de gerência na antiga loja Jumbo, que hoje é o nosso Extra Aeroporto, né? Aí eu fiz um pequeno estágio e depois eu fui para a loja da Kennedy em Curitiba. Quer dizer, como loja mesmo, eu assumi como gerente de departamento em 91, final de 91. Fiquei lá um ano e dois meses, na loja Kennedy.

 

P/1: E depois vindo para São Paulo você...

R: É, depois eu vim para São Paulo para inaugurar o Extra Anhanguera, final de 92. Nós inauguramos o Extra Anhanguera em 93, eu como gerente de departamento, também.

 

P/1: Como que foi essa sua experiência fora de São Paulo, você pode contar um pouquinho, você sentiu a diferença?

 

R: É, foi.

 

P/1: Então vamos começar por aí.    

 

R: Foi difícil, o primeiro ano, os primeiros meses foram muito difíceis. Primeiro porque eu peguei um período muito frio lá em Curitiba. E os primeiros meses eu fiquei sozinho, sem família, esposa, filhos. Então foi um período que a gente nunca tinha passado, sozinho. Eu casado, fiquei sem a família. Então foram 3 meses. Eles só vieram no final de 91, então eu fiquei uns três meses sozinho. Então, primeiro essa distância, né? Eu vinha uma vez por mês, visitá-los, e fazia muito frio na época. Curitiba era 0 grau,  ficava muito frio, 3 negativos. Então essa adaptação do clima era muito difícil e depois o varejo era novo, eu estava na área de atacado, em um supermercado de atacadista. Então foi muito novo para mim. Muitos colegas de Carrefour, que praticamente foi o início, 90, 91, praticamente foi o início da bandeira Extra. Então eu não tinha a mesma habilidade que as pessoas que vinham dos hiper, né? Então também foi uma adaptação. O início de 92 foi difícil para mim. Mas a gente foi administrando, foi conhecendo. 

 

P/1: Mas você ficou no Paraná 1 ano e meio?

 

R: É eu fiquei um ano e três meses no Paraná.

 

P/1: E finalizando esse período você estava mais adaptado?

 

R: Ah, já. Aí eu vim para inaugurar o Extra Anhanguera, era a primeira loja que ia inaugurar, mesmo sendo gerente de departamento, mas era novidade, eu não tinha uma experiência. Minha formação de varejo mesmo era pouca, bem pouca que eu tinha, era aquém disso.

 

P/1: Então ainda era uma experiência que você ia iniciar novamente em São Paulo?

R: É.

P/1: E aí como é que foi, aí engrenou?

 

R: É. Aí, no início, os Extras da época eram descentralizados. Então, assim, cada departamento tinha a sua total liberdade de contratação, a parte, depois que você inaugura, a parte de vendas, toda a administração era toda descentralizada. Então eu não tinha, era como se fosse uma empresa mesmo, né? Então era novo mesmo. Pelos colegas que estavam inaugurando como gerentes, a grande maioria dos colegas que estavam iniciando como gerente tinha sido oriunda de Carrefours. Então eles já tinham essa habilidade, até na administração de departamento. Eu tinha  pouco tempo, tinha um ano. Na inauguração, você tem equipamentos, né, você tem toda uma parte de compras, e eu não tinha esse conhecimento. Então eu tinha, vamos dizer, que ter o parâmetro deles, dos colegas ao lado. Porque a gente tinha os galpões onde você negociava com os fornecedores de mercadorias. Então era um pouco difícil. Hoje nós temos toda a nossa unidade de negócios. Então o início foi difícil. Depois eu fui me adaptando,né, fui bem, fui tocando.   

 

P/1: E era diferente também pelo fato de você estar no Paraná, que era outra estrutura, outra cidade, outro consumidor, um perfil diferente de consumidor. Você conseguiu perceber essa diferença?

 

R: É lógico. Aí na abertura da loja, você vê os clientes, tudo é diferente. São Paulo é bem diferente. Até os hábitos do pessoal daqui, paulista, né? É diferente. Mas eu trouxe gente também de lá, eu trouxe os chefes, dois chefes de lá. Então isso me ajudou bastante, essa mudança de lá para cá. O conhecimento do cliente, isso eu me adaptei. Mas toda essa abertura, todo esse início foi bastante complicado. Depois a gente vai, eu acho que os colegas também foram me ajudando, e depois a gente vai seguindo.

 

P/1: Mas você começou a trabalhar em São Paulo no início da década de 90, você hoje passando 10 anos já. Você pode contar um pouquinho do percurso da empresa nesse período, não só da sua experiência pessoal de estar iniciando, mas a própria empresa? O que estava acontecendo com o grupo?

 

R: A divisão Extra era uma divisão nova. Quando eu entrei eram 5 lojas. Nós não tínhamos um relacionamento com as outras bandeiras, a gente não tinha um bom relacionamento. As pessoas nos viam como um ser diferente, gozado dizer isso, mas um ser diferente. E aí nós tínhamos na época um diretor executivo na bandeira e que ele tinha acabado de sair da bandeira Pão de Açúcar, e passado para a nossa bandeira. Dr. Jorge ____________. Então o Jorge fez muito essa integração, essa interação com o Pão de Açúcar. Isso foi muito importante. Então nós começamos a conhecer também os mercados, os colegas, então foi tirando essas arestas, foi abrindo caminho para o Extra. Realmente era difícil no começo, as pessoas viam a gente bem diferente. Eu também fui aprendendo o relacionamento com a bandeira, isso já em 93, por aí. Então isso nos ajudou bastante, o relacionamento. Inclusive, quando nós viemos aqui para a sede, só vínhamos praticamente para a reunião da plenária. Era tudo descentralizado. O RH que ia lá, nós contratávamos e mandávamos para cá. Então era assim. Era totalmente descentralizado, as compras eram nossas, os chefes. Nós tínhamos uma estrutura enorme. Então esse foi o início difícil, né? Depois, nós passamos a centralizar e aí lógico que veio toda a parte de centralização, a parte de logística, a parte do RH. Então isso nos ajudou muito porque nós não tínhamos, hoje a diferença é enorme. Extra hoje operando centralizado é totalmente diferente, facilidade. A parte, nós temos hoje um suporte, nós temos logística, a unidade de negócios, não existia nada disso. Então era difícil, para quem opera a loja. Vamos supor, voltando um pouquinho, quando se inaugurou o Anhanguera, tudo tinha que ser comprado, até talheres, tudo, equipamentos. Depois, eu fiquei um período como gerente de departamento, depois eu assumi a Anhanguera. Eu assumi a Anhanguera em 96, janeiro de 96, já estava, as coisas já estavam acontecendo, já tinham outras lojas, então já era um pouquinho mais, já tinha centralização. Era o início da centralização, mas era mais tranquilo, entendeu? A gente já começava a ter, o comercial começou a entrar aqui, 96, 97, já tinha um comercial aqui pequeno, mas nos ajudava. Eu saí da Anhanguera e fui inaugurar o Anchieta, o Extra Anchieta em 97, dezembro de 97. Eu saí no meio porque lá tinha um tempo maior. Mas quando eu inaugurei o Extra Anchieta já tinha um suporte, já tinha manutenção, já tinha a diretoria de obras. Então, vamos supor, a gente não precisava comprar equipamentos, quer dizer, já começou a facilitar nossa vida, né? E hoje inaugurando, né, nós vamos inaugurar a Ricardo Jafet agora na semana que vem, é totalmente diferente, é um mundo totalmente diferente. É um mundo praticamente, a gente brinca que a gente só recebe a chave. É porque a obra, que eu acompanhei a obra agora, uma obra que eu falei para o Jean, o nosso diretor executivo, uma obra limpa, todos os equipamentos comprados pela divisão de obras, a cadeia logística nos dando apoio, as entregas agora das mercadorias que está sendo essa semana, está terminando essa semana, foi toda planejada. Todo dia a gente escalonava as mercadorias. Então foi um negócio assim muito tranqüilo, e o objetivo é esse, né? A gente estar com o controle operacional e o restante, unidades de negócio, marketing estarem no comando. Então é muito tranqüilo, agora é muito mais fácil operar.

 

P/1: Então você percebe uma grande diferença da inauguração da loja. Na década de 90 e hoje.

 

R: É totalmente diferente. 

 

P/1: Então tem vários elementos novos, né, atuando? 

 

R: É.

 

P/1: O marco para você, então, foi a centralização.

 

R: Foi. Isso nos ajudou tanto na construção de loja, na operação da loja, até no dia a dia da loja. Hoje nós estamos com a centralização, esse é o grande diferencial, toda a parte de logística, cadeia de suprimento. A gente vai hoje ver os concorrentes, a diferença é enorme. Depois veio o planograma, lojas planogramadas, hoje, vamos supor, a loja da Ricardo Jaffet está toda montada. A gestão, o pessoal da gestão vai lá e você tem todos os espaços preenchidos, você tem toda a parte de sistema que nos fornece todos os dados. Então hoje é fantástico.

 

P/1: Em termos de tecnologia você tem algum exemplo concreto de algum programa, algum projeto que você gostaria de citar, como você está falando de vários diferenciais?

 

R: Não, eu acho que o plano, as lojas planogramadas, nós estamos agora com toda a parte de, com a entrada do Jean, o Jean é um grande conhecedor de varejo, ele também nos deu uma outra cara. O Extra hoje, principalmente no perecíveis, hoje são outras lojas. Nós estamos aí com toda a parte de planejamento de perecíveis, todo mundo fazendo o seu padrão operacional de perecíveis, padrão de desenvolvimento de perecíveis. E isso contribui muito para nós alcançarmos o diferencial. Porque o nosso concorrente, que é o Carrefour, ele realmente trabalha muito bem essa parte, esse departamento de perecíveis. Então com a chegada do Jean, com essa gama de conhecimento dele. Então com a Silvia Leal e com ele, foi feito um planejamento, um padrão operacional de perecíveis. Então isso está contribuindo muito, a gente está nos nivelando em perecíveis. Nós éramos muito deficientes em perecíveis. E depois com a loja planogramada, com o conhecimento já, com os chefes, né, que são os chefes de seção, que são os nossos grandes elos. Então nós tivemos um diferencial muito grande agora, dois anos fazendo isso, o ano passado e esse ano, um padrão de perecíveis. Então isso contribuiu para a gente ter uma mercadoria com mais qualidade, uma mercadoria, como eu posso dizer, melhor distribuída, melhor exposta na loja. Isso com certeza está contribuindo bastante.

P/1: Você trabalhou no Macro, né, e agora trabalhando mais de dez anos na CBD. Em termos de percurso profissional, de expectativa profissional, o que você pode dizer um pouquinho? Você no Macro, agora você na CBD. O que você pode falar?

 

R: Essa diferença?

 

P/1: Essa experiência, como é que foi?

 

R: Uma que as lojas do Macro são lojas de atacado, são lojas que você não tem tanto a parte operacional. Se trabalha muito a parte de vendas. Então você tem os escritórios, com os teus chefes, então você telefona muito, você vende muito. Ela já é uma loja praticamente montada, você não tem muita interferência com operação na loja. E nos Extra não, primeiro pelo crescimento, porque os Extras na época estavam crescendo. Hoje nós nos tornamos acho que primeira loja de varejo do Brasil. Mas a gente já via isso. Eu pelo menos enxergava que não teria muito crescimento no Macro. E quando eu fui conhecer, conheci o Carrefour, mas como cliente. E a pessoa que me levou trabalhava no Macro e já tinha sido do Carrefour. Então foi, ele não faz mais parte da companhia, mas ele me falou: “olha, o objetivo do Extra, da divisão Extra é crescer bastante, e você vai trabalhar muito operações, você vai ter um conhecimento profissional muito grande.” Porque você compra, você vende, você administra, nós éramos descentralizados. Então essa foi a primeira ideia que ocorreu, a primeira oportunidade. Então eu falei: “eu vou.” “Você vai?, mas você vai ter que trabalhar em Curitiba.” “Não tem problema. Eu quero crescer e trabalhar muito o profissional.” E foi o que aconteceu, né? Nós trabalhamos muito por 4 ou 5 anos. Então assim é enorme. E hoje no Extra nós temos uma atividade muito intensa, porque é só campanha saindo, campanhas entrando. Eu vejo hoje o varejo, os concorrentes, cada vez mais crescendo a concorrência, o bolo cada vez mais dividido. O bolo é o mesmo, né, porque você entra que nem eu agora estou entrando ali no Ipiranga e lá você tem uma dificuldade maior. Porque você tem o Pão, você tem o Barateiro, e você tem os concorrentes, né, que é Big e Carrefour. Mas o bolo é o mesmo, quer dizer, como é que nós vamos dividir. Inclusive temos estratégias montadas para que a gente não atinja o mesmo bolso, que é o Pão e o Barateiro. A gente está tentando trabalhar isso muito bem, com os regionais para a gente tirar só do Carrefour e do Big, né? Então, a parte de mercado é muito rápida, todo dia você tem uma coisa nova acontecendo ou no mercado ou na própria bandeira, né? Porque você tem campanha saindo, campanha entrando, então você tem uma atividade muito grande com os chefes. Reuniões, nós fazemos reuniões diárias que a gente chama de rapidinhas na bandeira, onde você tem informações muito rápidas, mas precisas, 20, 15 minutos todo o dia e fica uma vez por semana para a gente ter uma reunião um pouquinho mais longa, 40 minutos, 50 onde a gente passa tudo, né? Quer dizer, o que vai acontecer no final de semana, o que vai acontecer na quarta Extra. Quer dizer, então é assim, um dia a dia muito ativo, muito intenso.

 

P/1: Você teve uma experiência rápida no Jumbo. Você tem alguma coisa para contar do Jumbo?

 

R: Não, quando eu cheguei já era um ex-Jumbo. Já era uma Extra que tinha uma atividade de mais ou menos um seis meses. E eu fiquei lá mais uns três meses fazendo o meu estágio e depois de um período de mais uns seis meses, não me recordo bem, eles fecharam. Porque nós tínhamos um aluguel, acho que é mais ou menos isso, essa loja pagava um aluguel. Então a pessoa que estava era uma pessoa de idade, que depois veio a falecer. Então complicou, ficou fechado e depois abriu como Extra Aeroporto. Parece que depois a companhia comprou o terreno.

 

P/1: E você ouvia histórias do Jumbo?

 

R: É, eu ouvia histórias do Jumbo lá na Kennedy, onde eu fiquei um ano e pouco. Eles chamavam de Jumbão, não era Extra. Ah, nós vamos no Jumbão, Jumbão Extra. Ficou um bom período, acho que uns seis meses, chamando Jumbão Extra. E tinha o Pão e o Jumbo, eles tinham um relacionamento muito intenso com os clientes e durante muitos anos. Então foi difícil. Esse relacionamento com o cliente lá, no início, eu praticamente peguei a virada da bandeira lá. Tinha alguns meses. Então, as pessoas queriam falar, queriam contar as histórias. Então nós tínhamos que ter bastante paciência e ter muita cautela para passar o Extra. Porque era realmente um nicho, era uma loja diferente para eles. Mas foi muito aceito na época porque o hiper você tem a variedade, você tem a parte do não alimentar principalmente, ela é maior. Então eles gostaram. Eles tinham, o Jumbo tinha a área de elétricos. Inclusive o chefe meu de elétrico, eu iniciei lá como gerente Trainee de elétrico,  depois eu vim para a Anhanguera como elétrico depois passei a bazar, né? Então, um pouco mais de experiência eu tenho no alimentos. E o cliente queria ouvir bastante. Esse rapaz que estava, ficou muitos anos lá, após a inauguração do Extra. E ele me ajudou bastante essa integração com a comunidade. O Jumbo, o Jumbão fazia muito bem isso. Então nós tivemos que pegar esse fio da meada e dar prosseguimento. Depois, lógico, a própria loja vai se falando, mas no início eles queriam muito é conversar conosco. Então foi muito legal. Por isso que eu te falei, essa experiência, quando nós viemos para cá,  foi muito importante, a parte dessa integração com o Pão. Porque nós não conhecíamos, eu não conhecia supermercado, de forma alguma. Então nós aprendemos muito, tanto profissionalmente como o dia a dia com eles. O Pão é muito forte, né? As ações do Pão são muito fortes nisso, eles trabalham muito bem isso, né? Você vê que até hoje o Extra está lutando, nós estamos fazendo bastante as ações, mas o Pão é muito forte. Então nós aprendemos bastante. E quando nós começamos a nos inteirar, nos integrar, e era na segunda-feira aqui e eu sentava inclusive com colegas do Pão, dos regionais Pão. Quem participava aqui eram os regionais do Pão, os gerentes de loja não participavam, só os dos Extras, na época. Então isso foi muito bom porque eu comecei a ter esse relacionamento, a entender um pouco melhor o que era um supermercado. Então isso foi muito bom. Então eu acho que o grande marco foi a centralização. Depois da centralização foi essa cadeia, né, o marketing, a logística, as cadeias de suprimento, as unidades de negócios hoje, nossos GCs que hoje trabalham toda a parte de compras, a parte de gestão de imagens. E isso nos dá uma tranqüilidade, né, você vê. Quando agora eu vou inaugurar, você tomba um cadastro, você escolhe a loja, é uma tranqüilidade. Então, vamos supor, nós escolhemos a loja do Itaim, então tombou e todos os preços estão na tela, agora é mais se ajustar o concorrente, porque tem um perfil, tem um cluster, né? Tinha isso, a gente pesquisava mercado e fazia os preços na mão. Então essas unidades,o marketing, hoje nós temos o marketing, antigamente era o marketing da companhia como um todo e hoje nós temos o marketing Extra. Então, vamos supor, essa semana eu fechei com as coordenadoras todo o aniversário e toda a inauguração da Ricardo Jaffet. Então, assim, você fecha em 2 dias, questão de horas, porque elas trazem uma bagagem já de todas essas lojas, dos Extras, inauguradas. Então isso é uma tranqüilidade, entendeu? Seguramente a loja vai ser um sucesso porque são várias cadeias nos ajudando. Então nós temos toda uma retaguarda que antigamente não tinha. 

 

P/1: Você conhece o Seu Santos?

R: Conheço, conheço bastante. A minha secretária foi transferida para trabalhar com o Seu Santos. É uma pessoa que está sempre nas lojas. Ele com a experiência de muitos anos de Pão. Ele passa muita coisa para a gente. Eu converso muito com o Seu Santos, quando ele vai na loja a gente anda na loja, a gente circula na loja.

 

P/1: Vocês conversam sobre o que?

 

R: Bom, no início, porque eu já estou há mais de dez anos na companhia, mas no início eu perguntava sobre o início do Pão. Que isso nada mais é o fundador para passar. Então ele passou como é que foi a dificuldade, de entrar com a doceira, porque naquela época também tinha os seus concorrentes. Isso ele passou muito para mim. Eu ouvi bastante o Seu Santos. Então ele falou: “é, a dificuldade era muito grande, dificuldade de mercado sempre teve.” Hoje por mais que a gente cresça, mas também tinha as suas dificuldades, lógico que peculiares à época. Então ele passa que ele teve dificuldades, contratação, pessoas, então, quer dizer,  o RH  é uma área muito difícil. A gente está sempre aprendendo. Eu, no início, tinha uma dificuldade muito grande de trabalhar com a loja, o RH.  Eu não tinha muita sensibilidade, principalmente com a base. Tinha muita dificuldade de me expressar com a base e foi difícil para mim. Pelo que eu tenho em mente, a minha maior dificuldade na bandeira não foi nem o varejo porque isso eu me adaptei e fui aprender, mas a parte de relacionamento foi difícil para mim. Então por isso que, no início, eu tinha dificuldades muito grandes e o Seu Santos foi uma das pessoas que conversou muito comigo.  Como era o relacionamento, como era a contratação dessas pessoas, a dificuldade de mercado. É o fundador, né, um grande conhecedor de tudo isso.

 

P/1: E o Abílio, você tem experiência com ele?

 

R: É, com o Abílio eu tive um apoio muito grande, infelizmente, por um lado. Porque eu tive uma dificuldade com as minhas filhas, tiveram problema de acidentes, e até de uma infecção que minha filha teve no hospital. E ele foi uma pessoa que quando soube da doença da minha filha, realmente foi uma pessoa fantástica. Na época nós tínhamos até o Luis Antonio Viana, que era o nosso superintendente. Então foram as pessoas que realmente me acolheram, foi uma coisa impressionante. Ele me ajudou muito. Então eu tenho assim, além de todo o conhecimento dele, como um pai, né?  Porque foi realmente muito difícil, ele sabe tudo o que eu passei. Depois eu tive outro acidente, minha filha montando teve um acidente grave de cavalo e com o Fernando ele me ajudou bastante. Então, como empresa dá para falar toda a parte, e é dele isso, o Abílio tem muito disso. Ele é uma pessoa que passa muita energia, é uma pessoa que passa muita atitude, é uma pessoa que cobra muito.  Anhanguera na época era, foi a primeira loja da bandeira Extra, então ela foi muito cobrada. Toda segunda ele queria saber como estava a loja, dificuldades de final de semana. Nós tínhamos também hoje o nosso diretor executivo de obras, o Caio. Caio também sempre ligando, sempre cobrando. E eram poucas lojas, então a gente sabia que a cobrança era mais focada. Então como um profissional, uma pessoa que ainda hoje nos passa todo o conhecimento. Acredito que o que ele fala é isso mesmo. Acho que no mundo ele é um dos maiores fornecedores de varejo, então conhece muito. Hoje ele passa na loja e já te olha, hoje em 10, 15 minutos ele já te fala se a loja está bem. É impressionante o conhecimento dele de varejo. E o lado que todo mundo fala e eu tenho que falar que é o lado familiar, o lado pai, ele é um paizão para os filhos e nós vemos bastante isso. Eu tive a sorte de ter um contato um pouco maior, no início, porque eram poucas lojas. Então a gente tem um contato para onde vai, eu falo bastante com ele e ele sempre me passando coisas profissionais, realmente ele é um grande conhecedor.

 

P/1: O que você achou de participar do projeto memória e de dar esse depoimento para a gente?

 

R: Eu acho importante. A gente fica um pouco assim, né, meio duro para falar, mas é o que eu vivi. Eu posso falar que é gostoso, é bom a gente estar passando porque tem essa memória, né? Memória da gente. O pessoal comenta muito, Abílio também comenta que nós somos o chão da loja. A gente vive o dia a dia, vivencia isso. E isso é gostoso passar. E é bom também porque a empresa cresceu muito. Houve uma aceleração, mas houve também uma modernização. A empresa cresceu e, fora um ou outro percalço que teve, mas 99% ela cresceu bem fundamentada. Então é gostoso você ter participado de tudo isso. Então cresceu com o pé no chão. Hoje nós somos acho que mais do que 60 lojas e nós temos um posicionamento único. Então isso é muito gostoso. Você visita as lojas e elas são todas a mesma loja, parece que você está na mesma loja. Então cresceu-se, cresceu fundamentada, cresceu com uma estrutura profissional, né? Aqui a gente vê uma estrutura fantástica, né, tudo o que a gente falou, essa cadeia. Então a gente só tem que agradecer e continuar trabalhando porque vai crescer mais, eu tenho certeza e a gente tem que estar preparado para isso.

 

P/1: Muito obrigado.

 

R: Sou eu que agradeço.    

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