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A busca por raízes

História de: Maureen Bisilliat
Autor: Nádia Lima
Publicado em: 18/04/2019

Sinopse

Nasceu em Londres, filha de um argentino, diplomata, e mãe inglesa. Seu avô materno era médico do exército e seu bisavô era o primeiro ministro religioso do oeste da Irlanda. Maureen viveu em Londres até os 7 anos, como seu pai era diplomata viveram em muitos país até no inicio de 1939, foi enviado para Washington D.C., a capital dos Estados Unidos e como estava em Guerra, ficaram por lá. Depois de 7 anos seus pais se separam e ela e a mãe voltam para Londres, de lá ela vai para Suíça, onde estudou em dois colégios internos. Foi onde conheceu seu noivo, mas ficaram 2 anos separados, pois ele foi mandado aos EUA a trabalho. Quando retorna é enviado para trabalhar no Brasil e Maureen vem com ele. A casa deles em São Paulo é assaltada e ela passa a morar com o seu pai por algum tempo, na Argentina. Lá reencontra amigos da Suíça e descobre as artes, primeiramente através da pintura. Com o primeiro marido, Maureen teve uma filha, que ficou com ele, quando se separaram. Vai para os EUA, onde começa a fotografar e ao voltar ao Brasil, casa-se novamente e tem mais uma filha. Viviam na casa também os dois filhos do marido e a filha mais velha a vinha visitar. Começa a fazer ensaios fotográficos para a Editora Abril na década de 1960 e depois realiza documentários. Sua filha Sophia começa a dar aulas de Teatro no presídio Carandiru e a convida para documentar. Quando o presídio ia ser desativado e começavam a transferir os presos, ela tem a ideia de fazer pequenos documentários, entrevistando os moradores da penitenciária e de guardar objetos que seriam jogados fora, mas que guardavam a história daquele lugar. Tudo isso que foi recolhido tornou-se uma exposição no museu da Casa Brasileira e depois foram para a ETEC Parque da Juventude, onde se tornam o Museu Espaço Memória Carandiru.

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História completa

Eu nasci praticamente sem raízes.

Meu pai foi filho de imigrante calabrês para a Argentina, tendo nascido lá em 1901. Curiosamente, eu ouvi dizer que desde muito jovem, ele teria falado para o irmão mais velho que o educou que ele queria ser diplomata. Foi enviado para a Inglaterra (a trabalho). Aí, conheceu a minha mãe. A minha mãe, meio irlandesa do sul e inglesa da parte norte da Inglaterra.

E logo com sete anos, eu saí da Inglaterra, meu pai foi enviado para a Dinamarca, depois para Colômbia, voltou para a Argentina e em 1929, no início de 29, foi enviado para Washington D.C., a capital dos Estados Unidos. E explodiu a Guerra no final, setembro, outubro de 1939. Quando há uma guerra, o diplomata não é transferido, portanto, pela primeira vez até então, na minha vida, eu fiquei num lugar mais compreensível para mim, pois minha língua era o inglês e com mais tempo. E com os Estados Unidos não digo que politicamente, mas os Estados Unidos recebem pessoas de fora com uma generosidade muito grandeEntrei na onda e ficamos sete anos. Bom, depois dessa, meus pais se separaram e eu voltei com a minha mãe para a Inglaterra, fui para dois colégios internos.

 A vida em família que eu me lembro bem foi quando chegamos nos Estados Unidos, porque ali, a gente viveu… Lá não tinha conjuntos, condomínios, não, mas eu vivia num hotel, sempre vivíamos em hotel, mas dentro de uma floresta, na qual as crianças se enturmavam, então eu estava pensando outro dia como para mim, pessoalmente, embora tenha sido uma família bastante tradicional, enfim, mas desde cedo, ou eu procurei ou simplesmente foi dado, ou simplesmente aconteceu, mas eu tinha muita liberdade.

Na Suíça, eu fiquei sete anos, que é muito tempo. Eu considero também uma terceira pátria, digamos. E ali, conheci a pessoa que seria o meu primeiro marido, filho da meia-irmã da Sophia.

O primeiro marido foi assim. Eu acho que eu conheci ele… Tinha uma grande piscina, eu morava em Zurich, eles falavam suíço-alemão, eu estava nessa vez com a minha mãe que tinha ido para lá, depois eu conto sobre ela, e eu conheci ele lá. Ele era filho de espanhol catalão, mas ele falava suíço, porque tinha estado desde dois anos. Tanto ele quanto eu tínhamos tido dificuldades… O meu pai perdeu a profissão dele, o emprego dele e o pai dele por causa da guerra civil, também. Então, isso nos aproximou e rapidamente, fomos meio que convidados para irmãos para a Espanha, sem nada, mas para conhecer a família, mas é uma coisa interessante, porque isso era o ano de 46, 47, fui com a minha mãe de trem e a gente entrou em Bayonne da França para a Espanha.

E cheguei ao Brasil depois de ter investido quase dois anos de noivado, não era proposital, era porque o meu futuro marido veio a ser algo do…  Ele foi para os Estados Unidos estudar,  nós éramos separados, ele nos Estados Unidos e eu na Suíça, cada um vai se modificando de acordo com a vida. Eu me lembro que vim aqui, a gente entrou na Alameda Casa Branca. O meu primeiro marido é uma pessoa extremamente inteligente e de uma generosidade extrema, tinha alugado uma casinha na Alameda Casa Branca. A primeira noite, não sei que diabo que tinha, a gente voltou para casa, tinham roubado a gente. Primeira noite, era pequeno o roubo, mas eu já estava pensando: “Nossa, que coisa…”, então eu já pensava assim: “Mas será que é para casar?”, e sentava no canto, minha mãe dizia: “Mas o quê que você quer fazer?”, eu ficava quieta. Bom, depois assim, de umas semanas assim, ele falou: “Eu vou te enviar para o seu pai”, o meu pai estava na Argentina. Fui para o meu pai, mas morei na casa de quem tinha sido alunos, amigos na minha escola da Suíça, então morei, fiquei nove meses lá. E lá que descobri a pintura.

E essa foi a minha passagem, porque quando eu estudava, tanto nos Estados Unidos eu estudei no The Art Students League, como na França, eu estudava assim, muitas horas durante oito anos com modelo, com pintura e tal.

E eu contei a história que praticamente, a minha formação de entrar em fotografia foi aqui na Prestes Maia.

Então, por que que sai da pintura para a fotografia? E para publicações e para exposições? Levada, de um lado, por isso, o descontentamento de fazer coisas sozinha. Então, o que eu realmente gosto de fazer é trabalhar em grupo, não enorme, não.

A Sophia nasceu em 60 e tantoA Sophia entrou no Carandiru inconscientemente por causa do pai dela, o Jacques, porque ele tinha uma história de guerra muito complexa, mas para as pessoas no Brasil daquela época, você falar da Segunda Guerra Mundial, você tinha que realmente ficar trancado no quarto um ano para você ir explicando, sempre pairava uma espécie de algo não revelado.

Como eu falei, uma das razões para a entrada da Sophia foi isso e eu pouco a pouco, eu estou falando dos anos 80, eu disse que eu ia lá ver ou ela me convidou, eu não sei como foi, mas quando entrei no Carandiru, não saí. Mas minha parte, eu sempre disse, quando falam do projeto, primeiro, dela no teatro do presídio e agora na TV porque ela conversou, eu documentei, a minha parte é documentação desse projeto.

Daqui a três meses vai sair esse filme que se chama Equivalências, Aprender Vivendo, as pessoas me dizem: “É um documentário auto documentado?”. “É sobre o que eu faço, porque o que eu faço é o que eu sou”


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