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História de: Valber Kowalesky
Autor: Centro de Memória de Cosmópolis
Publicado em: 27/01/2016

Sinopse

Por Bruno Micheletti e Karen Cruz.

Participar de uma oficina sobre história oral é uma experiência gratificante. É reviver o passado sob o olhar do outro! É se emocionar com histórias da memória de outrora, muitas vezes esquecidas com o decorrer do tempo. Nossa jornada começa com viagens que percorrem, além do distanciamento temporal histórico, a distância geográfica entre a cidade de São Paulo - onde moramos - e a cidade de Cosmópolis. Durante os anos em que morei em Artur Nogueira, estive por diversas vezes “invadindo” o território cosmopolense. Nas festas do Cosmopolitano Futebol Clube organizadas (ou não) pelos amigos do “Tri-Agito”; em compromissos profissionais, e até mesmo em pequenos passeios. Esta é a minha relação com a cidade de Cosmópolis, cuja história, inicialmente conheci pelo relato de minha avó materna, que falava sobre o parente de um amigo do meu tio, que tinha sido um dos fundadores da Usina Ester... História que inicialmente tive a intenção de resgatar para este registro, mas o destino mostrou outros caminhos e a magia da sétima arte contagiou com grande empolgação o desenvolvimento desta entrevista, desenvolvida em conjunto com a Karen. Foi o radialista J. Machado, de Artur Nogueira, quem me falou pela primeira vez sobre o Valber Kowalesky e sua relação com o cinema. Logo a história nos interessou e João Fernando Chiriato Morais - companheiro cosmopolense da minha época de “baladas” - me informou que o grande articulador do cinema de Cosmópolis tinha sido o sr. Hardy Kowalesky, aliás, pai de sua tia, a Susete Kowalesky, com quem também conversei antes de falar diretamente com o nosso entrevistado: Valber Kowalesky, irmão da Susete, filho do Hardy. Valber atendeu Karen, em sua clínica de fisioterapia, manteve-se sentado atrás de uma mesa de madeira, dentro da sala de paredes verdes e janela com persiana branca. A saudade de seu pai, que recentemente falecera (2011), pôde ser percebida diversas vezes no decorrer da entrevista, mesmo assim, Valber foi capaz de relembrar muitos momentos felizes, de fatos marcantes que estão diretamente ligados à história do cinema, não só na cidade de Cosmópolis, mas em toda região, incluindo a cidade de Paulínia, um dos principais polos cinematográficos do Brasil.

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História completa

Meu nome é Valber Kowalesky, sou filho de Hardy Kowalesky e Cecília Speridione Kowalesky. Meu pai, “Seu” Hardy, nasceu no dia 21 de fevereiro de 1929, no Núcleo Campo Sales, bairro conhecido popularmente como “Escola Alemã”, aqui mesmo, na cidade de Cosmópolis. Filho de imigrantes alemães: Guilherme Kowalesky e Guilhermina Kowalesky, ele viveu até os 82 anos, falecendo no dia 3 de outubro de 2011. Eu sou o caçula, minha irmã Susete é cinco anos mais velha e foi a primeira a acompanhar as projeções de meu pai pela região. Desde criança eu também comecei a acompanhá-lo.

 

Costumava ir às exibições dos filmes com ele e às vezes acabava até trabalhando, isso já na adolescência. Foi no ano de 1951 que meu pai começou a trabalhar com filmes. Tudo teve início quando ele e um amigo, chamado Erdin, compraram uma máquina, um projetor de filmagens, para criar em sociedade a empresa “Cinema Ambulante” e logo passaram a realizar as projeções em sítios, fazendas, colônias de imigrantes e bairros por toda a região. Juntos compravam ou alugavam os filmes em São Paulo, direto das grandes distribuidoras norte-americanas e depois traziam os rolos para exibir no projetor. Depois do Erdin, meu pai arrumou outro sócio, o Sr. Durval Dias de Arruda, que foi sócio e amigo dele por muitos anos.

 

A empresa continuava com as exibições cinematográficas em toda região! As projeções aconteciam em Paulínia, na fazenda Salto Grande que ficava em Americana, em São Gerônimo, que se eu não me engano ficava em Americana também... Na Rodhia1, que naquele tempo ainda pertencia a Campinas, em Barão Geraldo e principalmente na Usina Ester2, já numa data mais avançada. Que eu me lembre, eram transmitidos alguns filmes do “Gordo e o Magro”, o “Vigilante Rodoviário”, “Tarzan”, alguns desenhos e até alguns documentários. As seções de cinema que eram realizadas tanto no Cosmopolitano FC3, quanto no “Cinema Ambulante”, eram mais ou menos assim: tinha de início um desenho, a segunda parte era um jornal, uma espécie de um pequeno documentário que trazia as notícias da semana, com produção de Herbert Richards4 ou de Jhon Manzon. Depois disso vinha o seriado! Os seriados prendiam o interesse do pessoal. Quem assistia numa semana, voltava na semana seguinte só para saber o que tinha acontecido. Igualzinho a uma novela! Depois de tudo isso vinha o filme principal. Às vezes, chegava a passar dois filmes na mesma noite. As seções, principalmente no Clube Cosmopolitano, começavam por volta das 19h30 e continuavam até mais ou menos às 23h30. Os seriados transmitidos antes do filme eram das empresas americanas que distribuíam no Brasil. A principal delas era a RKO - Rádio RKO, que hoje nem existe mais! Eram seriados de gangster.

 

Tinha muita coisa, é uma coisa muito complexa pra você tentar jogar assim de uma hora pra outra, porque durante a semana toda meu pai saía com o projetor, com alguns amigos e iam passar os filmes pela região. Na época tinha até um carro onde ele levava o pessoal, porque às vezes passava o mesmo filme em mais de um lugar. Então, se tinha uma seção que ia começar na Usina Ester às 19h30 e o mesmo filme ia passar no “Salto Grande” em Americana - dava mais ou menos uns 10 ou 12 quilômetros de distância - então ele começava mais cedo! Quando acabava aqui o primeiro rolo do filme, ele botava no carro e corria pra levar lá pro “Salto Grande”, onde começava a seção mais tarde. Depois ele voltava recolhendo os filmes e o pessoal. Esse carro era um furgão. Um Chevrolet 1936 bem arredondado, e tinha um apelido muito famoso aqui na cidade: era o “Melancia”! Então o “Melancia” foi o carro da época... Famosíssimo! E era nele que meu pai levava o pessoal. Muitos deles acabaram se casando nessas vilas, nesses bairros, na Usina... Iam com meu pai e acabavam “roubando” uma namorada e o pessoal se casava. Tem pelo menos uns quatro exemplos desses aí que eu lembro O Rodolfo Rizzo era um dos amigos que acompanhava meu pai. Não era muito frequente, mas ele ia principalmente às transmissões do Cosmopolitano.

 

O Rodolfo é um grande historiador aqui da cidade e sabe muita coisa! Mas voltando ao “Cinema Ambulante”, tinha época que você tinha que ter dois projetores ou mais, e as telas que eram usadas nos sítios, fazendas, eram sempre feitas de pano branco. Também já tinham os salões de clube que ofereciam uma parede onde era possível exibir os filmes, mas tudo isso era transportado de forma ambulante mesmo! A gente ia, montava e quando acabava a seção tinha que desmontar tudo e ir embora. Era uma espécie de circo, um circo com uma forma menor. Foi uma época muito boa! As pessoas esperavam ansiosas pelas exibições. Por exemplo, na segunda-feira, a seção era na Usina Ester, na terça-feira numa colônia chamada “Carandina” que nem existe mais. Na quarta-feira outra colônia chamada “Cachoeira” e na quinta-feira, as exibições aconteciam na colônia “Saltinho”, que, aliás, é a única colônia da Usina Ester que ainda existe! Na sexta-feira a exibição era na colônia da “Granja” e nos Sábados e Domingos, normalmente em Paulínia, na Rhodia, em “Salto Grande” e tudo mais... Esse filme era o mesmo durante a semana toda, mas tinham pessoas que acompanhavam o filme. Iam, por exemplo, segunda-feira na Usina, quarta-feira na “Cachoeira”, que era próxima, ou vinham da “Granja” para o “Carandina”, isso tudo à noite, e de bicicleta! O pessoal gostava, né? Outra coisa era que normalmente a cadeira, o pessoal trazia de de casa, porque não tinha! O filme era exibido muitas vezes ao ar livre. Quando chovia, acho que o pessoal assistia na chuva mesmo viu, porque não interferia em nada. Um fato engraçado acontecia na colônia da “Cachoeira”, lá, quando chovia, o filme era passado no estábulo, junto com as vacas e os cavalos... então o público era diferenciado. Na Usina Ester já tinha um “clubezinho”, uma sede que não era muito grande, e na sede da Colônia Carandina também. O pessoal gostava! A família trabalhava junto, minha mãe normalmente era a bilheteira. Era como um circo, né? O pessoal trabalhava pra fazer acontecer. Em relação a ingresso, não se cobrava em todo lugar. Nas colônias e normalmente na Usina Ester, as seções eram gratuitas.

 

A Usina bancava as exibições. Em 1974, meu pai assumiu o “Cine Avenida”, que estava sem ninguém, tava abandonado. Tinha ficado inativo de 1969 até o ano de 1973 e na época pertencia a uma empresa de São Paulo. O “Cine Avenida” foi o primeiro cinema de Cosmópolis, e o primeiro nome era “Cine Jahú”. Inicialmente era um consórcio entre um grupo de 16 ou 17 sócios, dentre eles estava a Usina Ester. A Usina Esther tinha uma parte, pra você ver como era uma coisa difícil de ter um cinema na cidade! Foi inaugurado em 1919 e eu lamento muito porque foi mais um prédio histórico da cidade que deixaram derrubar. Na época, eu até falei com os responsáveis, pedi pra que preservassem, mas não houve acordo com o proprietário. Eu lamento muito, principalmente agora que estão fazendo esse trabalho de resgate da história de Cosmópolis. O Cine Avenida tinha muita história! Assim como a Escola Alemã, era um dos poucos prédios históricos da cidade. Pena que aconteceu com ele o mesmo que aconteceu com a estrada de ferro da Sorocabana e a Estação de Trem, que também deixaram demolir... Eu acho que Cosmópolis tem que começar a pensar nessas coisas, eu sei que tem gente pensando, mas não se pode mais admitir isso. Não tem muito mais coisa antiga pra derrubar.

 

O prédio do Cine Avenida era um prédio histórico e lá poderia ter sido construído o que nós não temos aqui, um cine teatro. Um prédio com condições, desde que reformado adequadamente por pessoas capacitadas, de se fazer um teatro e até novamente um cinema comercial. Os espaços que nós temos aqui, nos auditórios das escolas, são muito bons, mas não podem ser usados comercialmente, você não pode trazer uma peça de teatro e cobrar ingresso. O “Cine Avenida” oferecia tudo isso, além de uma história rica Poucas pessoas, poucos cosmopolenses não foram naquele cinema, pelo menos uma vez para paquerar, para namorar ou simplesmente para ver um filme. Muitas histórias, muitas famílias cosmopolenses se formaram ali, o início do namoro, muitas vezes era no cinema! Nos anos de 1930/1940 o cinema era muito popular e continuou sendo depois, nos anos 1950, principalmente pelos clássicos do pós-guerra. O mundo do cinema americano se desenvolveu muito e os temas apareceram muito depois da guerra. Teve muito tema novo, romance da guerra, filme de guerra, continuaram os bang-bangs que sempre existiram, as comédias...

 

Naquela época existiam atores fantásticos! Nos anos 60, quando a televisão estava começando a entrar nos lares brasileiros, o cinema ainda era muito importante porque poucas famílias tinham TV. Os aparelhos de televisão proliferaram só depois dos anos 70. Mesmo assim, nos anos 70 e 80, quando a gente ainda tinha o “Cine Avenida”, a programação da TV era muito pobre, não tinha muita coisa, então o pessoal ainda gostava de buscar a namorada – não era todo mundo que tinha carro – e ir ao cinema. Nos domingos, nós tínhamos duas seções. Era muito comum na segunda seção a fila virar a esquina, eram mais de 50, 60, 100 metros de “fila de gente” para entrar na segunda seção. Isso porque era uma época em que o cinema tinha grandes nomes, inclusive brasileiros como “Mazzaropi” e até “Os Trapalhões”. Foi a época das “Pornochanchadas” brasileiras, além de alguns grandes clássicos do cinema como “Inferno na torre”, “O exorcista”, “O tubarão” e “007”. Eram filmes que atraiam o pessoal, você não via isso na televisão. Não era como hoje que você entra em qualquer computador e vê tudo. Todo mundo queria ver as atrizes famosas dos anos 50, 60 e 70. Marlene Dietrich, Débora Kerr, Brigitte Bardot, todos ouviam falar e queriam ver na tela grande! O cinema era realmente aonde você ia pra ver as coisas acontecerem.

 

Nessa época do Cine Avenida eu fui bilheteiro, fui porteiro, só não vendi bala... fui até lanterninha no cinema, fui de tudo e foi bom! Na época, a família toda trabalhava. O cinema também era bem mais barato que hoje em dia. Essa parte comercial aconteceu mais no Cine Avenida e no “Cine Mútuos Socorros” que meu pai também tomou conta. Um pouco antes do Cine Avenida meu pai ficou no Mútuos Socorros de 1971 a 1974 e o nome completo deste cinema era: “Clube Sociedade Beneficente de Mútuos Socorros”, que hoje é a atual “Sociedade Dançante dos Veteranos de Cosmópolis”, o Clube dos Veteranos! Foi lá, que durante muitos anos funcionou um cinema e meu pai chegou a ser o responsável. Teve até uma passagem interessante, que aconteceu - eu acho - em 1973 ou 1972. Eu era bilheteiro nessa época, e nós exibimos o filme Romeu e Julieta, então, o Cine Avenida que nessa época era o concorrente, não funcionou naquele dia por que não foi ninguém lá! Ficou vazio e até os operadores do Cine Avenida desceram para o “Mútuos Socorros” para assistir o filme. Na época, dois cinemas na cidade era algo difícil, né? Então eles fecharam lá e vieram assistir com a gente o filme.

 

O ingresso não era tão caro, devia custar no máximo, uns R$10,00 de hoje. Os filmes mais exibidos eram os estrangeiros, mas houve uma época em que o Concine5 exigia que se passasse, acho que durante um terço do ano, os filmes nacionais. O cinema nacional não era muito aceito depois das pornochanchadas. O Mazzaropi sempre foi muito bem, “Os Trapalhões” e alguns outros filmes tinham público mesmo, todo mundo gostava de ver. Mas a época das pornochanchadas teve muita venda de ingresso... “Dona Flor e seus dois maridos” foi o primeiro filme que ficou sendo exibido quase uma semana. Ficou em cartaz quase uma semana! Naquela época o filme era exibido no máximo por dois dias seguidos. Não tinha público pra ficar em cartaz, e o povo que vinha pro cinema sempre queria ver outro filme.

 

Nos anos 60 o Cine Avenida funcionava quinta, sábado e domingo - com matinê no domingo. O “Mútuos Socorros” era de quarta, sábado e domingo ou sexta, não me lembro bem. Depois que meu pai assumiu o Cine Avenida, exibíamos filmes a semana toda. Quarta e quinta era um filme, sexta e sábado outro e domingo e segunda estreava mais um cartaz! Na terça a gente folgava, mas quando o filme era muito bom, também tinha seção e então, passávamos o mesmo filme domingo, segunda e terça. Tinha muita gente que voltava para assistir o mesmo filme duas vezes. Como eu já falei, o cinema era o que o pessoal tinha para ver de diferente, a televisão não oferecia muita coisa. Além do cinema, o meu pai também teve outros empregos. Ele trabalhou desde cedo na lavoura, no sítio dos meus avós. Já na juventude, perto dos seus 18 anos ele veio para a cidade trabalhar na estrada de ferro Sorocabana. Trabalhou como ferroviário, auxiliar de escritório, auxiliar de almoxarifado e até mecânico de manutenção. Depois, foi também chofer de praça, numa época em que os táxis eram bem requisitados. Trabalhou muito nessa área e fez muita corrida de táxi para São Paulo, Aparecida do Norte...

 

Naquele tempo, fazia casamento, velório, batizado, tudo era com o táxi. Naquela época não tinha tanto carro, então o pessoal dizia: “Óh, vai casar tal pessoa!” e logo o pai da noiva ia ao ponto de táxi e falava: “Olha, eu preciso de três táxis para levar o padrinho, a madrinha, a noiva e num sei quem...” O resto ia a pé, ia com o que tinha, não era todo mundo que tinha carro antigamente. A dificuldade era grande. Em Campinas, meu pai trabalhou na Cinematográfica Campineira, que era uma empresa de distribuição de filmes. Lá ele era comerciário! Trabalhou também na TV Excelsior, no canal 10 de Campinas, fazendo filmagens para as propagandas comerciais. Foi mais ou menos em 1954/55 que o sócio do meu pai, Dorival Dias Arruda comprou uma filmadora 16 mm e meu pai realizou algumas filmagens, como por exemplo, fez algumas coberturas de festas do Cosmopolitano FC, o jogo no Estádio do Pacaembu em São Paulo e na viagem do time para Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais.

 

Depois, durante muitos anos, de 1968 até mais ou menos 1976, meu pai realizou inúmeras filmagens para a prefeitura de Paulínia. Eu acredito que deve ter mais de 50 horas de filmagens. Trabalho que ele fazia registrando as inaugurações, as obras, tudo que Paulínia começou a fazer porque estava crescendo muito! Um detalhe pitoresco é que ele filmou a instalação da pedra fundamental da Refinaria do Planalto (atual REPLAN - Refinaria de Paulínia) no ano de 1969. Estava presente o presidente Médici6. Na época, Laudo Natel7 era o governador do estado de São Paulo. Esse acervo hoje é da prefeitura de Paulínia! Aqui em Cosmópolis, a Câmara Municipal fez um trabalho que reuniu grande parte do acervo do meu pai. São DVDs que incluem filmagens do Cosmopolitano FC, grandes festas, filmagens esporádicas da cidade e principalmente as festividades de aniversário de Cosmópolis. Tudo filmado mais ou menos entre os anos de 1966 até 1973/74. Tem um material muito grande e já está tudo em DVD. São pelo menos uns cinco ou seis DVDs repletos dos trabalhos do meu pai. Já o acervo original está com a prefeitura! Durante alguns anos meu pai guardou esse acervo, eu não sei se está nas coisas dele ainda, mas ele tem um acervo de filmes, longa metragens, pedaços de filme, inclusive ele exibiu esse material no “Cine Cosmo8“, dois meses antes de seu falecimento.

 

A prefeitura também tem fotos da época, acho que até mais do que eu. Hoje é muito fácil, qualquer celular tira a foto que você quiser, mas para você reunir um grupo de pessoas pra tirar uma foto ou pra fazer uma filmagem, com a dificuldade que você tinha antigamente... Era muito mais difícil! Pra você ter uma ideia, esses filmes da década de 60, 70, até início de 80, quando não existia ainda a gravação por “videotape”, se bem que até existia, mas só nas televisões! Nas emissoras de TV, já tinha o “videotape”, mas não no cinema! Então precisava usar o filme de 16 mm. Você filmava com eles aqui, a maioria dos filmes iam para o Canadá para ser revelado e só depois é que voltavam para o Brasil. Eram 15 dias, ida e volta! Às vezes até mais do que isso, para depois você poder exibir. Então, geralmente, não havia condição nem de editar o filme, mas registrava a história. Meu pai registrou e está guardada! Meu pai, além de trabalhar comercialmente com filmagens e exibições também tinha a parte que ele gostava muito, que era a de filmar coisas da nossa família! Tem muita coisa da família que ele filmou. Sempre que sobrava uma pontinha de filme ele “ia lá” e filmava os netos. Isso foi muito legal!

 

Essa filmadora de 16 mm ele vendeu já tem um bom tempo, mas a máquina de exibição dos filmes de 16 mm nós temos até hoje. É uma máquina antiga, mas uma máquina muito boa da “RCA Victor”, porque hoje eu não sei se tem algum projetor novo de 16 mm, deve ter, mas a gente ainda tem o antigo, conservado e guardadinho. Meu pai sempre teve uma vida ligada à sociedade cosmopolense, seja através do cinema, através da sua participação no Cosmopolitano Futebol Clube. Ele foi diretor de futebol, foi colaborador, conselheiro e é um dos Sócios Beneméritos do Clube Cosmopolitano, graças ao trabalho que fez em prol do clube. Na sede antiga do Cosmopolitano meu pai fazia exibições às segundas-feiras! Não tinha outra coisa na cidade, então todo mundo vinha pra seção de cinema no clube e isso aí também dava algum retorno financeiro, tanto pra ele quanto para o Cosmopolitano. Em 2011 aconteceu uma mostra de cinema onde meu pai foi homenageado, acho que foi importante porque a mostra iniciou um processo e tudo que se inicia tem que ter continuidade, e coincidiu até com uma das últimas coisas que ele fez. Eu acho que foi importante, e eu acho ainda, que meu pai, junto com o Guilherme Hasse que foi o fotógrafo da cidade, foram as duas pessoas que mais registraram a história de Cosmópolis. O cinema foi sua grande paixão!

 

 

1. Rhodia: companhia química internacional com sede na França e presente no Brasil desde o ano de 1919. 2. Usina Ester: usina açucareira ainda em atividade, que se instalou em 1898 na cidade de Cosmópolis e sua história confunde-se com a da própria cidade. 3. Cosmpolitano Futebol Clube: Fundado em 1915, o clube é referência esportiva, social e cultural na cidade de Cosmópolis. 4. Nascido na cidade de Araraquara no ano de 1923, Hebert Richards fundou em 1950 uma empresa em que produzia e distribuía filmes, inclusive americanos. Anos depois, sua empresa tornou-se referência no ramo de dublagens de filmes no Brasil. Hebert Richards faleceu no ano de 2009. 5. O Conselho Nacional de Cinema (Concine) foi um órgão gestor do cinema brasileiro criado em 1976 e extinto em 1990. 6. O general Emílio Garrastazu Médici esteve como presidente da República entre os anos de 1969 até 1974, durante parte do regime militar. 7. A construção da refinaria REPLAN teve início em 1969 e inaugurou em 1972. Laudo Natel, por sua vez, foi Governador do estado pela segunda vez de 1971 a 1975. Por isso acreditamos que Laudo Natel esteve presente na Inauguração da mesma, e não no lançamento da pedra fundamental que deve ter ocorrido em meados de 1969. 8. Cine Cosmo – 1ª Mostra de Audiovisual de Cosmópolis.

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